sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

018 1923 NOSSA HOSPITALIDADE (OUR HOSPITALITY, EUA)


Direção: John G. Blystone, Buster Keaton
Produção:Joseph M.Schenck
Roteiro: Clyde Bruckman, Jean C. Havez
Fotografia: Gordon Jennings, Elgin Lessley
Elenco:
Buster Keaton ……… Willie McKay
Natalie Talmadge ……Virginia Canfield
Kitty Bradbury ………. Tia Mary
Joe Roberts …………. Joseph Canfield
Ralph Bushman ……. Clayton Canfield
Craig Ward ………….. Lee Canfield

Indiscutivelmente, um filme tão bom quanto o mais famoso A general (1927), Nossa hospitalidade - uma magistral sátira de Buster Keaton aos costumes sulistas tradicionais - começa com um prólogo dramático e bem encenado que estabelece os absurdos parâmetros da antiquíssima rixa entre duas famílias. Quando a história principal assume a narrativa, vemos Willie McKay, o personagem de Buster, um inocente rapaz de vinte e poucos anos, criado em Nova York, voltando à sua cidade de origem (graças a hilária odisseia envolvendo um trem primitivo). Porém, ao cortejar uma garota que conheceu no caminho - e que calha ser filha do clã ainda determinado a derramar seu sangue -, ele se coloca em perigo mortal, embora a hospitalidade sulista obrigue seus inimigos a tratá-lo bem enquanto estiver em sua casa. Muito do humor que se segue vem da situação irônica de Willie decidir permanecer hóspede daqueles que querem matá-lo, enquanto seus inimigos tentam forçá-lo a partir com sorrisos nos rostos. A graça de Keaton se baseia não apenas em gags isoladas, mas em um grande domínio do personagem, do problema, da época, do lugar e dos enquadramentos (um exemplo é a maneira como ele mantém a câmera em movimento depois de cair da ridícula bicicleta que ela acompanha paralelamente); o resultado é não apenas muito engraçado como também rico em dramaticidade e suspense- em especial na merecidamente célebre sequência em que Willie salva sua amada de cair de uma cachoeira. Nunca o timing de Keaton foi tão miraculoso e, ao mesmo tempo, sua habilidade de evocar risadas e emoção tão gloriosamente clara. G A
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 018)

domingo, 23 de fevereiro de 2014

017 1922 ESPOSAS INGÊNUAS (FOLISH WIVES, EUA)


Direção: Erich von Stroheim
Roteiro: Marian Ainslee, Waltri
Anthony, Erich von Stroheim
Fotografia: William H. Daniels, Ben F. Reynolds
Música: Sigmund Romberg
Elenco:
Rudolph Christians ……….. Andrew J. Hughes
Miss DuPont ……………… Helen
Maude George …………… Princess Olga Petchnikoff
Mae Busch ……………….. Princess Vera Petchnikoff
Erich von Stroheim ……….. Conde Wladislaw Sergius Karamzin
Dale Fuller ……………… Maruschka

Embora Ouro e maldição seja o filme mais famoso de Erich von Stroheim, Esposas ingênuas é sua obra-prima. Da mesma forma que Ouro e maldição, este filme foi extremamente reeditado, porém o que permaneceu (especialmente depois da importante restauração de 1972) é uma obra mais completa e consistente. O próprio Stroheim interpreta o inescrupuloso conde Karamzin, um pseudo-aristocrata que vive em Monte Carlo e planeja seduzir a esposa negligenciada de um diplomata americano. Este filme sagaz e de uma objetividade implacável confirma seu diretor como o primeiro grande ironista do cinema. O anti-herói Karamzin é apresentado como uma figura cínica - absurdamente tolo, descaradamente hipócrita, sem critério algum no seu gosto para mulheres e, quando o circo pega fogo, de uma covardia desprezível -,porém ele e seus colegas decadentes são muito mais divertidos do que o marido americano cheio de virtudes e sua esposa insossa. O tom de fria indiferença do filme é realçado pela elaboração exaustiva do mundo que cerca os personagens, articulando o espaço através de estratégias visuais (como camadas sobrepostas de profundidade, movimentos periféricos e arranjos múltiplos) que dão ao espectador uma perspectiva intensa de todo o panorama das cenas. Stroheim pega pesado, colocando americanos sem graça e inexpressivos em espaços igualmente sem graça e inexpressivos; além disso são raros os planos que não encantam com sua interação rica e brilhante entre detalhes, iluminação, gestos e movimentos. M R
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 017)

CANNÍBAL (ESPANHA, 2013)