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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
domingo, 14 de junho de 2015
#170 1964 A DAMA ENJAULADA (Lady in a Cage, EUA)
Direção: Walter
Grauman
Roteiro: Luther
Davis
Produção: Luther Davis
Elenco: Olivia de Havilland, James Caan, Jennifer
Billingsley, Rafael Campos, William Swan, Jeff Corey, Ann Sothern
Se A DAMA ENJAULADA fosse lançado dez anos depois, com certeza seria um
filme exploitation: violento, sádico, recheado de requintes de crueldade e
tortura física. Mas como foi lançado em meio a inocência ainda presente nos
meados dos anos 60, não deixa de ser violento, sádico e com requintes de
crueldade, mas de uma forma bem mais atenuada e mais centrado na tortura
psicológica. Após O Que Terá Acontecido com Baby Jane? ter ressuscitado a
carreira de Bette Davis e Joan Crawford no cinema, todas essas velhas senhoras
oscarizadas enfrentando a decadência encontraram no terror/ suspense uma forma
de tentar recuperar suas carreiras. Então surgiu o
subgênero psycho-biddie, estrelado por mulheres maduras, na maioria das
vezes mentalmente instáveis, colocadas em situação de perigo. Além de Baby
Jane, os três principais exemplares do gênero foram lançados no mesmo ano,
1964: Almas Mortas de William Castle, com Joan Crawford no
elenco; Com a Maldade da Alma, de Richard Aldrich, mesmo diretor
de Baby Jane, com Bette Davis e Olivia de Havilland e A Dama
Enjaulada, que de longe, é o melhor de todos eles. A duas vezes ganhadora do
Oscar, Olivia de Havilland, também protagoniza esta película, execrada pela
crítica devido a sua violência e “mau gosto” e tendo até sido banida na
Inglaterra, que depois ganharia o status de uma das mais importantes obras do
suspense, que com certeza influenciaria uma penca de produções futuras (ao ver
o filme conseguiu me vir na cabeça facilmente Aniversário
Macabro de Wes Craven e Violência Gratuita de Michael
Haneke, por exemplo). Engraçado essa crítica conservadora. Na Internet, por
exemplo, encontrei uma resenha do filme escrita pelo crítico coxinha-mor, o
insuportável Rubens Ewald Filho, que dá até asco de ler. A Dama
Enjaulada merece ser respeitado, pois é um baita filme de suspense,
daqueles de incomodar desde sua abertura esquizofrênica, e jogar na nossa cara
a maldade e baixeza humana. O fio condutor do longa escrito por Luther Davis é
extremamente simples e muito bem executado: a Sra. Cornelia Hilyard (de
Havilland) é uma velha viúva, que sofreu um acidente que atingiu seus quadris e
a deixou debilitada, e fica presa durante uma queda de energia em um elevador
pessoal que usava para se locomover até o andar de cima de sua casa. Seu filho,
nitidamente infeliz rapaz de seus 30 anos, mimado, que vive sob a sombra da mãe
chantagista e super protetora, vai viajar no feriado de 4 de julho, quando o
incidente acontece deixando a mãe presa no elevador durante todo o quente final
de semana até a próxima terça-feira. Desesperadamente tocando a campainha de
emergência do elevador, nenhum transeunte dá a menor bola para o barulho,
apenas um mendigo alcoólatra, George L. Brady Jr. (Jeff Corey) que vê a
oportunidade de conseguir uma grana roubando os pertences da casa sem defesa, e
vendê-las em uma loja de penhores para lá de escusa, além das garrafas de vinho
para uso pessoal. O mendigo pede ajuda para uma prostituta velha e decadente,
Sade (Ann Sothern, outrora grande estrela da MGM) para fazer a rapa na
residência da Sra. Hilyard, mas chama a atenção de uma gangue de três
criminosos psicóticos, que resolvem pilhar a casa toda para eles (como é o
ditado? Ladrão que rouba ladrão…), e torturar tanto fisicamente o mendigo e a
prostituta, quando psicologicamente a velha viúva presa em sua jaula. Detalhe
para o líder da gangue, Randall Simpson O’Connel, primeiro papel do cinema de
um jovem James Caan, futuramente indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro
por O Poderoso Chefão, e que depois iria sentir na pele como é ser
inválido e ameaçado em Louca Obsessão. O que se segue então é o máximo da crueldade
para a época, com os três delinquentes tocando o terror com a velha e os outros
dois pobres diabos, chegando até seu clímax tenso e insuportável, que irá
resultar em morte e na bombástica revelação da carta deixada por Malcom Hilyard
para sua mãe pouco antes de viajar, que dará um ar chocante à trama e inflamará
a busca por sobrevivência da Sra. Hilyard, na tentativa de se livrar daquela
situação e enfrentar os marginais. Os trinta minutos finais do filme são
impactantes e incríveis. Outro personagem para ficar ligado, só por curiosidade
é no assistente do dono da loja de penhores, interpretado por Scatman Crothers,
nome inesquecível, que logo lembramos de seu papel como Dick Halloran em O Iluminado de Stanley Kubrick. O diretor Walter
Grauman, mais conhecido pelo seu trabalho em telefilmes e diversas séries de TV
como Assassinato por Escrito, Columbo, Os Intocáveis e V – A Batalha Final, faz
um filme coeso, com um bom ritmo, bem dirigido e com alguns enquadramentos
eclose ups inusitados. O roteiro vez por outra fica enfadonho,
principalmente nos solilóquios de Olivia presa sozinha no elevador. Quanto a
sua atuação em A Dama Enjaulada, está exagerada, como se deve ser em um
filme com um teor destes, porém sempre competente. Já a violência contida e a
falta de apreço pelo ser humano, hoje pode ser risível para o público, perto de
tanta bizarrice que já vimos dentro e fora das telas, mas para a época, como
disse anteriormente, causou bastante choque.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/05/23/170-a-dama-enjaulada-1964/
terça-feira, 9 de junho de 2015
#169 1964 COM A MALDADE NA ALMA (Hush…Hush, Sweet Charlotte, EUA)
Direção: Robert
Aldrich
Roteiro: Henry
Farrel, Lukas Heller
Produção:Robert
Aldrich, Walter Blake (Produtor Associado)
Elenco: Bette
Davis, Olivia de Havilland, Joseph Cotten, Agnes Moorehead, Victor Buono
Com o sucesso de público e
crítica de O Que Terá Acontecido com Baby Jane?, Robert Aldrich tentou
mais uma vez repetir a mesma fórmula, trazendo novamente as desafetas Bette
Davis e Joan Crawford sob sua batuta, utilizando um roteiro escrito por Henry
Farrel e Lukas Heller, e apostando no terrorpsycho-biddie que ele mesmo
ajudou a fomentar. O resultado em Com a Maldade
na Alma, ficou anos luz do filme anterior. Talvez seja a metragem
longa demais (133 minutos), talvez seja o começo impactante e avassalador que
vá caindo no marasmo com o decorrer do filme, talvez seja o uso da mesma
fórmula e um final que você já imagina que terá uma reviravolta assim como
em Baby Jane, talvez a substituição de Joan Crawford por Olivia de
Havilland por problemas de saúde/ aporrinhação de Davis. Tudo isso junto fez o
filme não funcionar da forma que deveria. Afinal é impossível se equiparar a um
clássico anterior. Não que Com a Maldade na Alma seja ruim. Esse
irmão bastardo de Baby Jane é simplesmente… Desnecessário, podemos
assim dizer. Com a mesma estrutura narrativa e enredo parecidíssimo, Com a
Maldade na Alma começa em um suntuosa festa em 1927, quando a jovem
Charlotte está preste a fugir com John Mayhew, homem casado que é seu amante,
dissuadido de última hora por ameaças feitas pelo pai de Charlotte, Big Sam
(Victor Buono) e dá um bolo na garota na tão importante noite. Em seguida, ele
é brutal e misteriosamente assassinado, tendo sua mão e cabeça decepados por um
cutelo. Inclusive o corte da mão é chocantemente feito em close. Todas as suspeitas
recaem sobre Charlotte, que aparece na festa com seu vestido todo ensanguentado
e transtornada. Passam-se 37 anos e Charlotte, agora interpretada por Bette
Davis, vive enclausurada na mansão da família em Baton Rouge, desequilibrada,
impulsiva, infantil e remoendo a culpa durante todos estes anos do assassinato
de seu grande amor. Para auxiliá-la, somente a empregada fiel da casa, Velma,
interpretada por Agnes Moorehead, indicada ao Oscar de melhor atriz
coadjuvante pelo papel. Só que a construção de uma ponte e estrada no local
obriga que Charlotte saia da casa, desapropriada pelo Estado, e na tentativa de
conseguir ficar por lá, terá a ajuda de dois velhos conhecidos, o Dr. Drew
(Joseph Cotten) e sua prima Miriam (de Havilland). Ambos já tiveram um caso no
passado, mas Miriam deixou o local logo após o escândalo, tornando-se uma
mulher bem sucedida e confiante. Esse é o ponto de partida para uma
interminável sessão de intrigas e psicose, onde nada é o que aparenta ser e
todos parecem utilizar-se de máscaras. Neste meio tempo, um jornalista inglês
aparece em Baton Rouge para investigar a história e tentar solucionar porquê
Jewel Mayhew, viúva de John, nunca acionou a seguradora para receber a apólice
pela morte do marido. A situação começa a ficar cada vez mais insustentável, e
a sanidade de Charlotte piorando a tal ponto, que ela começa a ter alucinações
pesadíssimas, inclusive de ver o morto-vivo na escadaria do casarão, até
acidentalmente atirar no Dr. Drew, matando-o. Daí cabe a Miriam agir como cúmplice
e ajudar a despachar o corpo do antigo amante no rio.
ALERTA DE SPOILER. Leia por conta e risco ou pule para o próximo
parágrafo.
É então que no terceiro ato,
depois de duas horas de filmes e de muito vai e vem na trama, que se você já
assistiu O Que Terá Acontecido com Baby Jane?, sacará qual será o
final, que é praticamente idêntico. Em ambos a personagem de Bette Davis não
tem culpa pelo acontecido, e viveu uma mentira durante toda a vida, vítima de
culpa e remorso. Neste caso, John foi morto pela própria esposa, que ficou
sabendo da traição do marido por fofoca de Miriam. E a morte de Drew também foi
um embuste, sendo que ele está vivo e as balas do revólver que Charlotte usou
eram de festim. Claro que Charlotte vai descobrir tudo isso e sua inocência
durante todos estes anos e se vingar dos dois salafrários, redimindo-se perante
ao espectador no final da película. Mas agora eu reservo o momento Nelson
Rubens, pois realmente o mais interessante de Com a Maldade na
Alma foram os bastidores da produção, que era para contar mais uma vez com
a dupla Davis e Crawford. Fato é que Davis anunciou logo de cara que não
filmaria nenhuma cena com Crawford. Nas diversas cenas em que elas aparecem
juntas, Aldrich deveria usar um dublê de corpo ou tomadas por cima dos ombros.
Claro que isso seria impossível e o diretor não aceitou. O clima no set ficou
tão pesado e a tensão das duas senhoras aumentou de tal forma que Crawford
acabou surtando, adquirindo uma doença psicossomática diagnosticada como
infecção nas vias respiratórias e foi parar no hospital. Quando voltou a
trabalhar, estava tão atormentada e com medo de Davis que só conseguia filmar
três horas por dia, e teve que voltar ao hospital, com apenas três cenas
rodadas. Obviamente ela teve de ser substituída. As primeiras opções eram
Katherine Hepburn e Vivian Leigh para o papel de Miriam. Hepburn sequer
retornou as ligações do estúdio e Leigh disse a seguinte negativa: “Não,
obrigado. Eu posso até aguentar olhar para Joan Crawford às seis horas da manhã,
mas certamente não para Bette Davis”. A velha deveria ser uma megera! Barbara
Stanwyck e Loretta Young foram as próximas a serem procuradas, que também
recusaram o papel. Young por sua vez disse: “Eu não acredito em histórias de
terror para mulheres e eu não faria um papel desses nem que estivesse passando
fome”. Então tá. E fato que as duas eram amigas de Crawford também. No final,
por própria indicação de Davis, Olivia de Havilland foi chamada, pois as duas
já haviam contracenado juntas. Crawford só ficou sabendo que havia sido
substituída no hospital, ao ouvir pelo rádio. Sua reação foi jogar um vaso de
flores contra a parede. Para finalizar o post, um trecho retirado da biografia
de Bette Davis escrita por Charles Hugham, o qual compactuo com sua opinião:
“Dinheiro foi novamente o motivo pelo qual Bette foi forçada a tomar uma
decisão espantosa no verão de 1964. Inacreditavelmente, concordou em
co-estrelar com Joan Crawford outro melodrama de Robert Aldrich, Com a
Maldade na Alma. O script dava-lhe o papel de uma assassina suspeita de um novo
crime, que é levada à loucura por parentes implacáveis. Trechos plagiados por
atacado de outros filmes, confrontações desabridas, uma mixórdia de elementos
de teatro de marionetes certamente não supriria a base para uma continuação
digna do entretenimento proporcionado por O Que Terá Acontecida com Baby
Jane?”. Assino embaixo.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/05/22/169-com-a-maldade-na-alma-1964/
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
208 1948 NA COVA DA SERPENTE (THE SNAKE PIT, EUA)
Direção:
Anatole Litvak
Produção:
Robert Bassler, Anatole Litvak, Parryl F. Zanuck
Roteiro:
Millen Brand, Frank Partos, baseado no livro de Mary Jane Ward
Fotografia:
Leo Tover
Música:
Alfred Newman
Elenco:
Olivia
de Havilland …Virginia Stuart Cunningham
Mark
Stevens ……….Robert Cunningham
Leo
Genn ……………Doutor Mark Kik
Celeste
Holm ……….Grace
Beulah
Bondi ………Sra. Greer
Lee Patrick …………Asylum Inmate
Ainda: Helen Craig, Heulah Bondi, Howard Freeman,
Natalie Schäfer, Katherine Locke, Minna Gombell
Indicação
ao Oscar: Robert Bassler, Anatole Litvak (melhor filme), Anatole Litvak (diretor),
Frank Partos,
Milien
Brand (rotelro), Olivia de Havilland (atriz). Alfred Newman (música)
Um
dos produtos mais impressionantes da guinada de Hollywood em direção a um maior
realismo no pós-guerra é esta abordagem brutalmente honesta de Anatole Litvak
sobre a doença mental e seu tratamento nos sanatórios modernos, cujos horrores
incluem a ala superlotada em que os incuráveis são confinados - a "cova da
serpente" do título. O filme apresenta uma visão mais equilibrada dos
distúrbios mentais do que muitos filmes mais recentes, entre eles o muitas
vezes louvado Um estranho no ninho (1976). Virgínia Cunningham (Olívia de
Havllland) parece, a princípio, uma psicótica incurável, porém, com o
tratamento de Mark Kick (Leo Genn), um médico compassivo, ela consegue se
submeter a uma "cura pela fala". Flashbacks mostram uma infância na qual
lhe foi negado não só o amor da mãe como também a atenção do pai, que morreu quando
Virgínia era muito jovem. Ela também sofre com a morte do homem que ama, pela
qual acredita ser responsável. Sob os cuidados do Dr. Kick, ela se eleva a "melhor
paciente" da ala, apenas para ser molestada lá dentro por uma enfermeira
tirânica. O mau comportamento subsequente de Virgínia a coloca na "cova da
serpente"; porém essa experiência aterrorizante se mostra estranhamente
terapêutica. Por fim, ela recebe alta, finalmente compreendendo como seus
sentimentos de culpa são irracionais. A maneira como o filme mostra o terror
pelo qual a doença de Virgínia a faz passar é memorável. O realismo otimista de
A cova da serpente contrasta com as soluções pseudofreudianas de outros filmes
da época, incluindo Quando fala o coração (1945), de Hitchcock. K BP
(1001 FILMES PARA VER
ANTES DE MORRER 208)
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
126 1939 E O VENTO LEVOU (GONE WITH THE WIND, EUA)
OSCAR MELHOR FILME 1940
Direção: Victor Fleming, George Cukor
Direção: Victor Fleming, George Cukor
Produção:
David O. Selznick
Roteiro:
Sidney Howard, baseado no livro de Margaret Mitchell
Fotografia: Ernest Haller, Ray Rennahan, Lee Garmes
Musica: Max Steiner
Elenco:
Vivien Leigh…………Scarlett O’Hara
Clark Gable………….Rhett Butler
Olivia de Havilland….Melanie Hamilton Wilkes
Leslie Howard……….Ashley Wilkes
Hattie McDaniel……..Mammy
Thomas Mitchell, Barbara O'Neill, Evelyn Keyes, Ann
Rutherford, George Reeves. Fred Crane, Hattie McDaniel,
Oscars:
William Cameron Menies (Prêmio honorário – uso de cor); David O Selznick (melhor
filme), Victor
Fleming
(diretor), Sidney Howard (Roteiro), Vivien Leigh (atriz), Hattie MacDaniel (atriz
coadjuvante), Lyle R. Wheeler (direção de arte), Ernest Haller, Ray Rennahan
(fotografia), Hal C. Kern James E Newcom (edição), Don Musgrave (prêmio de
inovação técnica)
Indicação
ao Oscar: Clark Gable (ator), Olivia de Havilland (atriz coadjuvante), Max
Steiner (música),Thomas T. Moulton (som). Jack Cosgrove, Fred Albin, Arthur Johns (efeitos especiais)
O
best-seller sobre a Guerra Civil de Margaret Mitchell foi agarrado pelo megalomaníaco
produtor David O. Selznlck, que resistiu à sugestão de escalar Basil Rathbone
como Rhett Butler em favor da única escolha que os fãs aceitariam: Clark Gable.
Depois de caçar talentos no país inteiro e de uma briga de foice em Hollywood
envolvendo cada protagonista feminina em potencial da cidade, Selznlck
contratou a inglesa Vivien Leigh Interpretar Scarlett 0'Hara. Insistindo em que
cada detalhe fosse suntuoso, Selznick usou pelo menos três diretores (Sam Wood,
George Cukor e Victor Fleming), botou fogo nos cenários que haviam sobrado de
King Kong para encenar o incêndio de Atlanta, contratou figurantes suficientes
para reencenar a Guerra Civil e aguardou o Oscar para ser aclamado, Concebido
desde o início para ser o maior de todos os filmes de Hollywood, E o vento
levou permaneceria por décadas a fio como a principal referência para os épicos
cinematográficos. Embora o filme seja monumental o bastante para estar além de
qualquer crítica, a maioria das cenas verdadeiramente excelentes está na
primeira metade, em grande parte dirigida por Cukor, que trouxe seu talento
para o desenvolvimento de personagens e nuances ao material empregando um ótimo
ritmo épico. Fleming, por sua vez, mais conhecido por dirigir cenas de ação
vigorosas, acabou ficando com os trechos mais novelescos, à medida que o
casamento dos protagonistas entra em crise, sofrendo altos e baixos durante o
pós-guerra. Estes, no entanto, são bem menos cativantes do que o romance
dilacerado pela guerra e conturbado que os uniu. O que move a trama é o coração
indeciso de Scarlett, que Leigh interpreta como frívola e depois como
empedernida: ela é tão apaixonada pelo galante Ashley Wilkes (Leslie Howard)
que se casa com vários bobalhões medíocres (e malfadados) quando ele escolhe
ficar com a mais feminina (e malfadada) Melanie (Olivia de Havilland). Rhett Butler,
mais pragmático do que idealista, entra em cena e ela se sente atraída por ele quando
a guerra destrói o estilo de vida sulista. Os dois se casam depois de Scarlett
ter jurado nunca mais passar fome e manter Tara, a fazenda de seu pai,
funcionando apesar dos estragos da guerra. Ela só percebe que ama Rhett de
verdade quando ele a rejeita, gerando o clássico final em aberto em que o
personagem de Gable vai embora ("Francamente, minha querida, estou pouco
me lixando") e ela jura conquistá-lo de volta ("Amanhã é um novo
dia"). Como O nascimento de uma nação (1915), E o vento levou maquiaboa parte
de uma história complexa, mostrando apenas escravos felizes e obedientes e
retratando o envolvimento de Ashley em uma organização nos moldes da Ku Klux
Klan durante o pós-guerra como algo genuinamente heroico (embora malfadado).
Contudo, o ritmo do filme é quase Irresistível e as sequências de Selznlck
estão entre as mais emblemáticas da história do cinema: o zoom out a partir de Scarlett enquanto ela cuida dos feridos,
enchendo de cinza a tela com soldados mutilados; a câmera que corre por entre
as chamas enquanto Atlanta pega fogo; Gable carregando Leigh escada acima para
sombras sensuais. Adornado com o exuberante Technicolor de 1939 - os vestidos
em tons pastel e as paixões em vermelho vivo - e com a retumbante trilha de Max
Stelner, este filme ainda pode ser considerado, com justiça, a última palavra
em termos de cinema hollywoodlano. KN
(1001 FILMES PARA VER
ANTES DE MORRER 126)
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
114 1938 AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD (THE ADVENTURES OF ROBIN HOOD, EUA)
Direção: Michael Curtis, William Keighley
Produção: Henry Blanke, Hal B. Wallis
Roteiro: Norman Reilly Raine, Seton L Miller
Fotografia:
Tony Gaudio, Sol Polito
Música:
Erich Wolfgang Korngold
Elenço:
Claude
Rains ………… Príncipe John
Olivia
de Havilland …… Maid Marian
Melville
Cooper …………Grande Xerife de Nottingham
Errol Flynn ……………. Robin Hood
Basil Rathbone ………..Sir Guy of Gisbourne
Ian Hunter …………….. Rei Richard
Oscar:
Carl Jules Weyl (direção de arte), Ralph Dawson (edição), Erich Wolfgang
Korngold (música)
Indicação
ao Oscar: Hal B. Wallis, Henry Blanke (melhor filme)
Quer
seja considerado capa e espada, romance de época ou comédia histórica, As aventuras
de Robin Hood é simplesmente a melhor produção do seu gênero já realizada. Com
o rei Ricardo nas Cruzadas, o reino é governado por seu irmão corrupto, John, interpretado
por Claude Rains, um tirano irascível que escuta gemidos vindos da câmara de
torturas e reflete: "Ah, mais reclamações dos nossos amigos saxãos sobre
os novos impostos." Sir Guy de Gisbourne, o aliado menos divertido porém
mais mortífero de John, é encarnado pelo incomparavelmente desumano Basil
Rathbone com uma malícia cortante. A dama mais bela da região é Marian, a
absurdamente encantadora Olivia de Havilland, com sua pele em tons de Technicolor.
No entanto, é o despossuído fora-da-lei Robin de Locksley que dá vida à trama
de intrigas, com o cavanhaque faceiro e charme australiano de Errol Flynn
fazendo dele um raro herói que pode ser um bem humorado vigarista em um momento
e no outro sacar um punhal, tornando-se um ousado rebelde ("Normando ou
saxão, que diferença faz? É a injustiça que eu odeio, não os normandos") e
um romântico escalador de sacadas. A velocidade do ritmo deste filme e a
quantidade de elementos que ele comporta são verdadeiramente impressionantes: a
trama é tão complexa quanto uma comédia shakespeariana. As batalhas, com suas
espadas se chocando e flechas sendo arremessadas, são deliciosas, e a história
termina como todas deveriam terminar: com o bem triunfando e os amantes juntos.
KN
(1001 FILMES PARA VER
ANTES DE MORRER 114)
sábado, 20 de setembro de 2014
088 1935 CAPITÃO BLOOD (CAPTAIN BLOOD, EUA)
Direção:
Michael Curtiz
Produçào:
Harry Joe Brown, Gordon Hollingshead.Hal B. Wallis
Roteiro:
Casey Robinson, baseado no livro de Rafael Sabatini
Fotografia:
Ernest Haller, Hal Mohr
Música:
Erich Wolfgang Korngold, Liszt
Elenco:
Errol
Flynn ……………………. Peter Blood
Olivia
de Havilland …………….. Arabella Bishop
Lionel
Atwill ………………….. Coronel Bishop
Basil
Rathbone …………………. Lavasseur
Ross
Alexander …………………. Jeremy Pitt
Donald
Meek ……………………. Dr. Whacker
Indicação
ao Oscar: Harry Joe Brown, Gordon Hollingshead.Hal B. Wallis (melhor filme),
Michael Curtiz, (direção), Casey Robinson (roteiro), Erich Wolfgang Korngold (trilha
sonora), Nathan Levinson (efeitos sonoros)
Uma
aventura exuberante por excelência dirigida pelo especialista Michael Curtis,
Capitão Blood tornou o australiano Errol Flynn, com seu charme divino, um astro
da noite para o dia. Seu magnetismo animal impressionou enormemente Jack
Warner, que lhe deu o papel depois que Robert Donat o desdenhou. Este é o primeiro
de uma série de bem-sucedidos filmes românticos de capa e espada que Flynn fez
em parceria com Olívia de Havllland, cuja beleza elegante era uma charmosa
contrapartida à exuberância e ao sex appeal atlético dele. Flynn faz o papel de
Peter Blood, um honrado médico irlandês do século XVII injustamente deportado
para o Caribe, onde se torna escravo e lança comentários insolentes e olhares
sugestivos para a requintada Sra. de Havilland. Liderando uma fuga, ele se
torna um pirata, o vingativo justiceiro do alto-mar, e forma uma aliança conturbada
com o covarde bucaneiro francês Basil Rathbone. Os ânimos esquentam quando eles
brigam por conta do butim e da bela prisioneira (de Havilland), o que resulta em
um duelo até a morte na primeira de suas muitas empolgantes lutas de espada nas
telas. Capitão Blood tem tudo o que você pode querer de um filme de capa e
espada: batalhas no mar; lâminas cintilantes; um herói destemido; uma heroína
em perigo, porém corajosa; gargantas cortadas; chapéus emplumados; equívocos
solucionados; homens balançando em mastros como ginastas; e uma empolgante
trilha composta por Erich Wolfgang Korngold. Superdivertldo. AE
(1001 FILMES PARA VER
ANTES DE MORRER 088)
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Direção: George Sluizer Roteiro: Tim Krabbé (baseado em seu livro), George Sluizer Produção: Anne Lordon, George Sluizer Elenco: ...
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Direção: Guillermo Del Toro Roteiro: Guillermo del Toro Produção: Arhtur Gorson, Bertha Navarro; Francisco Murguía, Bernard L. Nuss...










