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terça-feira, 17 de novembro de 2015

#332 1976 UMA FILHA PARA O DIABO (To the Devil a Daughter, Reino Unido, Alemanha Ocidental)


Direção: Peter Sykes
Roteiro: Chris Wicking, John Peacock (baseado na obra de Dennis Wheatley)
Produção: Roy Skeggs
Elenco: Richard Windmark, Christopher Lee, Honor Blackman, Denholm Elliott, Michael Goodlife, Nastassja Kinski

Uma Filha para o Diabo é o canto do cisne da Hammer, antes de fechar as portas. O prego no caixão daquele que foi o mais importante estúdio de terror durante o final das décadas de 50 e 60, reinventando os monstros da Universal e trazendo sangue, sexualidade e cores para o gênero, e que desde o começo dos anos 70, vinha mostrando perda de força e principalmente de público, em grande parte por se ater a uma narrativa gótica com seus vampiros e criaturas sobrenaturais, que a audiência não queria mais ver nos cinemas. Tanto que Uma Filha para o Diabo é uma tardia tentativa da Hammer de se equiparar ao crescente anseio dos fãs de terror pelo satanismo, muito impulsionado primeiramente por O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski, de 1968, e depois pelo sucesso estrondoso de O Exorcista, de William Friedkin, lançado no ano anterior. Reflexo do final da Era de Aquarius e aquele sentimento desgostoso na boca dos americanos com o fim da geração “paz e amor” e o crescimento do pessimismo pós-guerra do Vietnã, que tentou ser aproveitado pelo estúdio assim como outras modinhas de época, que deram miseravelmente errados (como os filmes de kung-fu no inenarrável A Lenda dos Sete Vampiros, ou de espionagem em Ritos Satânicos de Drácula). Porém, como tudo que envolvia A Casa do Horror em seus últimos anos, o filme foi cercado de problemas, insatisfação de atores, escolhas de casting de última hora e até revolta do escritor Dennis Wheatley, que escreveu o livro em que o filme se baseia. Após ver o resultado final, o sujeito simplesmente proibiu que qualquer outro livro dele fosse levado às telas pela Hammer, por considerar o filme obsceno e muito longe de sua fonte literária. E olha que quase dez anos antes, a Hammer lançaria talvez seu melhor filme, As Bodas de Satã, também baseado em um livro do autor. Entre a penca de problemas envoltos na produção, a Hammer e a EMI, co-produtora do filme, tiveram percalços financeiros e atritos para conseguir chegar a um consenso e selecionar tanto o responsável pela direção do longa, que ficou a cargo de Peter Sykes e para o papel de John Verner (Richard Widmark). A contratação de Windmark fez com que outros atores fossem dispensados, pois seu cachê era muito alto para o orçamento que tinham em mãos, e com isso os atores Michael Goodlife e Anthony Valentine foram escalados de última hora. Junte isso também a polêmica envolvendo duas cenas de nudez, uma de Christopher Lee, feita pelo seu habitual dublê de corpo, e outra o nu frontal da ninfeta Nastassja Kinski, que tinha só 17 aninhos na época. Tudo corria para ser um desastre. O filme até que tem uma temática interessante e se sustenta por grande parte dos seus 95 minutos, principalmente por conta da caralhada de heresias e blasfêmias colocadas em cena, algo que a audiência clamava desde que Regan McNeil, sob influência de Pazuzu, mandou o moralismo dos filmes de horror às favas, e a magnânima atuação do sempre ótimo Christopher Lee como Michael Rayner, um padre excomungado que resolve se tornar adorador de Astaroth, e de Natassja Kinski como a freirinha Catherine Beddows, que apesar da bata, foi criada desde pequena para ser uma serva do mal e transpira malícia e sensualidade. O que dá muito errado é exatamente a nêmese do padre Michael, o escritor inglês de livros sobre ocultismo, Verner, que não é um adversário a altura do eterno Drácula, os efeitos especiais bisonhos (como o pequeno bebê demônio, que mais provoca riso que espanto), o roteiro desconexo, as situações atabalhoadas, principalmente do controle mental que o padre Michael tem sobre a jovem Catherine, a direção frouxa de Sykes e o final abrupto e que deixa muito a dever. É um filme ambíguo que tinha tudo para dar certo, e tenho certeza que se fosse lançado na fase áurea da Hammer (vide o próprio As Bodas de Satã) seria um filmaço. A trama é que o padre Michael ao abandonar a Igreja há vinte anos, tornou-se um seguidor do chifrudo e começou uma nova ordem satânica no interioria da Bavária, na Alemanha. Os Beddows fizeram um pacto e ofereceram sua filha recém-nascida, Catherine, para que quando florescesse os seus 18 anos, na noite de Todos os Santos, seria usada como receptáculo para trazer o Coisa-Ruim à terra e dominar o mundo. Porém, arrependido, o pai da moçoila, Henry Beddows (Denholm Elliot) resolve voltar atrás e pede ajuda de Verney para manter a menina em segurança e frustrar os planos do padre Michael, com a ajuda de sua agente literária e seu amante. O embate entre dois entendedores das artes ocultas se dará até seu final, mas em uma dinâmica que não chega nem aos pés de Duc de Richeleau (Lee, bonzinho) contra o terrível satanista Mocata (Charles Gray) em As Bodas de Satã. Você vê que não paro de comparar as duas produções, tamanho o abismo entre elas. Uma curiosidade é que aquele final tosco e do nada não é o final original de Uma Filha para o Diabo. 
ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco.
No roteiro original, o padre Rayner se recupera da pedrada que leva (sim, o vilão do filme é detido com uma pedrada!) e persegue Verner que acabara de salvar Catherine e levá-la carregada para fora do local onde está para acontecer a missa negra. Ele então é atingido por um relâmpago quando ele cruza o círculo de sangue protetor que fez no chão. Seria “menos pior”. Vale a pena dar uma conferida em Uma Filha para o Diabo, obviamente. A Hammer não atingiu sua redenção, e teve que encerrar suas atividades, sendo revivida como o próprio Drácula só depois de quarenta anos. Mas apesar da gema em mãos, que foi literalmente jogada fora por um conjunto de fatores internos e externos, poderia ser muito pior. Imagine se o último filme do estúdio tivesse sido o anterior e sofrível A Lenda dos Sete Vampiros? Ainda bem que este aqui foi lançado pelo menos com certo esforço para tentar, pela última vez, fazer dar certo.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/12/20/332-uma-filha-para-o-diabo-1976/

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

#305 1974 A LENDA DOS 7 VAMPIROS (The Legend of the 7 Golden Vampires, Reino Unido, Hong Kong)


Direção: Roy Ward Baker
Roteiro: Don Houghton
Produção: Don Houghton, Vee King Shaw, Run Run Shaw e Rumme Shaw (Produtores Executivos – não creditados)
Elenco: Peter Cushing, David Chiang, Julie Ege, Robin Stewart, Szu Shih, John Forbes-Robertson, Shen Chan

Mas era só o que me faltava! Vampiros que lutam kung-fu? Mas sim, a Hammer conseguiu levar essa premissa adiante em A Lenda dos Sete Vampiros. Uma caricatura do que o grande estúdio já foi um dia, agora tentando desesperadamente recuperar o interesse do público jovem e levá-los aos cinemas, misturando uma história com o Drácula (porém sem Christopher Lee vestindo a capa e presas) na China, às voltas com um grupo de irmãos lutadores que gostam de distribuir sopapos por aí. Em primeiro lugar, é melhor encará-lo como uma comédia trash do que um filme de terror propriamente dito. Segundo, desde o começo dos anos 70, quando a Casa do Horror começara a entrar em declínio e sua estética gótica, tão popular e famosa na década anterior, passou a não gerar o mínimo interesse em novos espectadores, o estúdio começou a perder muita grana e a Hammer tentou de toda maneira possível conseguir recuperar seu status quo. Começou aumentando a dose de sangue e colocar belas garotas nuas nos seus filmes. E quando nada parecia dar certo, eles tiveram a brilhante ideia de abrir os olhos para o crescente do mercado dos filmes de kung-fu, por conta do estrondoso sucesso mundial de Bruce Lee. E também colocando esses mesmos olhos no mercado asiático, eis que a Hammer se uniu a produtora Shaw Brothers, de Hong Kong, em uma turbulenta parceria, e deu origem a esse híbrido bizarro de lutas marciais com vampirismo em A Lenda dos Sete Vampiros. Na boa? É o pior filme da Hammer, sem sombra de dúvida. Talvez o emergente mercado de filmes de artes marciais fosse uma solução, porém o tiro saiu pela culatra de forma bisonha. Dirigido pelo já lendário Roy Ward Baker (com as cenas e suas coreografias de luta sendo dirigidas por Cheh Chang, de forma não creditada), a trama escrita por Don Houghton parece até piada de mal gosto: O monge chinês Kah (Shen Chan) resolve ir até a Transilvânia (a pé, pelo que dá a se entender no começo do filme) barganhar com o Conde Drácula em pessoa (aqui vivido pelo péssimo John Forbes-Robertson) uma ajuda para trazer de volta à vida os terríveis sete vampiros dourados que viveram em um ermo vilarejo chinês, e assim voltar a tomar o controle do seu povoado. Drácula, que não é lá o sujeito ideal para se pedir ajuda, desdenha de Kah e resolve se apoderar do corpo do monge, disposto a vagar até a China e trazer os terríveis vampiros de volta à vida, e assim orquestrar sua vingança contra a humanidade, escravizando a aldeia, sugar o sangue das virgenzinhas chinesas e tocando o terror. Passados 100 anos, o destemido Prof. Van Helsing (interpretado pela última vez por Peter Cushing), promove uma palestra sobre vampiros em uma universidade da China no comecinho do Século XX, quando é motivo de xacota dos alunos orientais, exceto Hsi Ching (David Chiang), que precisa da ajuda do velho caçador para libertar sua aldeia da terrível presença de Drácula e de seus Sete Vampiros Dourados ressuscitados. Enquanto Ching e seus outros cinco irmãos e irmãs partem junto de Van Helsig, seu filho Leyland (Robin Stewart) e a Sra. Vanessa Buren (Julie Ege) que financia a expedição, eles serão atacados dezenas de vezes pelos vampiros e seus comparsas, apenas para poderem mostrar todas as suas habilidades nas artes marciais nas cenas de pancadaria, com vários socos, chutes, voadoras, espadas, lanças, maças, e corações sendo arrancados com as próprias mãos. Isso até eles conseguirem chegar ao vilarejo, onde vampiros e carniçais desmortos cavalgam em cavalos e usam máscaras e armaduras, e o clã Ching tentar liberar seu povo, com Van Helsing travando a última e definitiva batalha contra sua nêmesis vampiro na história do estúdio inglês. O eterno Drácula, Christopher Lee, foi convidado para participar do filme, mas adivinhe só qual foi sua resposta ao ler o roteiro? O papel caiu no colo de John-Forbes Robertson, que faz um dos piores vampiros mor da história e ainda ficou puto da vida quando descobriu que foi dublado por outro ator. Isso quando não vemos a maior parte do tempo, o china Chan Shen na pele do Príncipe das Trevas. E não tem como passar incólume a fatídica cena em que Peter Cushing tropeça, cai sobre a brasa e quase parte dessa para uma melhor (se você nunca viu, está lá devidamente esculhambada no Horrorcast do filme lá no final do post). A Lenda dos Sete Vampiros foi uma tortuosa jornada até chegar ao seu produto final, principalmente por conta dos inúmeros desentendimentos e brigas entre os executivos da Hammer e da Shaw Bros. Pior ainda que grande parte do elenco e equipe técnica não falavam uma palavra em inglês (nem “the book is on the table”) e o filme foi totalmente dublado mais tarde. Nem a trilha sonora contundente do veterano James Bernard consegue se salvar (e olhe que a Hammer chegou até a lançar um vinil com a narração da história feita por Cushing e a trilha de Bernard, chamado “The First Kung-Fu Horror Soundtrack Album”). Mas nada adiantou. Apesar da boa recepção no oriente, essa mistura nada usual não convenceu os chefões da Warner Bros. que só lançou o longa nos cinemas americanos SEIS ANOS depois, e ainda com 20 minutos a menos de duração. O que deveria ser um alívio par ao publico. “O primeiro filme de caratê e vampiro”, como alardeado pela publicidade brasileira durante seu lançamento nas terras tupiqinquins, A Lenda dos Sete Vampiros é na verdade uma tristeza. Era para ser divertido, inusitado, emocionante, mas é apenas um melancólico espectro do que fora a genialidade da Hammer de outrora, e trágico por em seus últimos suspiros, fazerem qualquer negócio para ganhar mais algumas libras.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/11/13/305-a-lenda-dos-sete-vampiros-1974/

sábado, 10 de outubro de 2015

#267 1972 DRÁCULA NO MUNDO DA MINISSAIA (Dracula A.D. 1972, Reino Unido)


Direção: Alan Gibson
Roteiro: Don Houghton
Produção: Josephine Douglas, Michael Carreras (Produtor Executivo)
Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Stephanie Beacham, Christopher Neame, Michael Coles, Marsha A. Hunt

Primeiro eu gostaria de dar meus parabéns para o sujeito que colocou o título do filme Dracula A.D. 1972 aqui no Brasil no genial Drácula no Mundo da Minissaia. Sério, gente… Não é um dos melhores títulos de filmes de terror de todos os tempos? Drácula… No… Mundo… Da… Minissaia? Milhares de coisas relacionados ao filme passam-se pela cabeça ao ouvir esse nome. Primeiro, obviamente, que se trata de uma sátira pornô. Mas não é nada disso. Drácula no Mundo da Minissaia é somente a reencarnação de Christopher Lee como o maldito Conde na Londres do ano de 1972, trazendo o sanguessuga para o século XX, em meio a adolescente hippies drogados, bandas de rock progressivo, calças bocas de sino (e minissaias) e muito funk e soul na trilha sonora. Sério, o filme é um dos mais divertidos e um dos meus preferidos da franquia do estúdio inglês. Pois é muito engraçado ver o choque de realidades, quando se está acostumado a ver Lee com sua capa, presas e olhos vermelhos, sob a sombra de seu opressivo castelo nos Montes Cárpatos, sugando o sangue de aldeões assustados em seus vilarejos, andando de carruagem e fugindo de revoltosos com tochas e forcados. Sendo que a Europa Medieval era o ambiente único e exclusivo do Príncipe das Trevas (sem contar o Drácula original da Universal, aquele com Bela Lugosi, que se passa na Londres vitoriana, no Século XIX). E basicamente tirando Blacula – O Vampiro Negro, lançado mais cedo no mesmo ano, onde um vampiro aterroriza as ruas de Los Angeles nos anos 70, Drácula no Mundo da Minissaia é um dos pouquíssimos filmes até então que tenta trazer a mitologia vampiresca para o mundo contemporâneo, algo que se provaria um baita sucesso cinematográfico, literário e televisivo futuramente (A Saga Crepúsculo não conta, porque aquilo não é filme e nem livro, é lixo em forma de papel e película, pronto falei!). Enfim, na trama, já no ano de 1872, o Conde enfrenta, em pleno Hyde Park em Londres, Lawrence Van Helsing, interpretado pelo sempre intrépido Peter Cushing, um descendente da nêmese do morto-vivo, Abraham Van Helsing. O vampiro se dá mal e é derrotado pelo professor, com uma roda de carruagem quebrada, que se transforma em uma estaca e perfura seu coração. Mas um dos seguidores capachos de Drácula recolhe suas cinzas e enterra em solo não sagrado. Depois de 100 anos, em 1972, um tal de Johnny Alucard (anagrama ao nome de Drácula), interpretado por Christopher Neame, que é um desses acólitos do Conde, junta uns amigos hippies que adoram se embebedar em um pub em Chelsea, entrar de penetra nas festas, fumar baseado e usar ácido, para praticar uma missa negra, um ritual macabro com o intuito de trazer seu mestre de volta à vida. Neste grupo, está presente Jessica Van Helsing (Stephanie Beacham), neta de Lorrimer Van Helsing (novamente Cushing) e consequentemente, bisneta de Lawrence, o homem que havia destruído Drácula no século anterior. Com o sangue de uma das participantes do ritual, que começa como brincadeira e ganha contornos dramáticos e assustadores (em uma cena apavorante, tremendamente bem executada), Johnny traz Drácula de volta à vida. Claro que seu mestre, primeiro dá uma coça no discípulo insolente em busca de poder e vida eterna, e depois, prepara sua vingança contra Van Helsing, desejando sugar o sangue de sua neta e torná-la uma concubina do inferno. Só que as mortes estranhas chamam a atenção do Inspetor Murray (Michael Coles) da Scotland Yard, que acredita no envolvimento de uma seita satânica e vai se consultar com Van Helsing, proeminente estudioso do oculto, que logo saca, devido a excentricidade das mortes (sangue drenado, duas marca no pescoço, mutilações) que eles podem estar lidando com um vampiro, e mais especificamente, com o grande inimigo de sua família: Drácula. Um combate entre as forças das trevas e do bem é iminente quando Johnny, devidamente transformado em vampiro, também hipnotiza e morde o namorado de Jessica e ambos raptam a garota. Cabe a Van Helsing, trilhar o mesmo caminho dos seus ancestrais e confrontar sozinho o Conde Drácula (que já comandou nações, fala dita por Lee parafraseada do livro original de Bram Stoker). Pena que o Drácula deva estar meio enferrujado por um século de sono, porque ele está um pouco bunda mole e acaba facilmente subjugado por um velhinho! Claro que por se tratar de uma trama passada nos amalucados anos 70, Drácula no Mundo da Minissaia tem algumas das cenas mais patéticas, ridículas e cafonas da franquia, como, por exemplo, a apresentação da banda Stoneground cantando a música Alligator Man, onde Johnny e sua cambada de badernistas estão dançando em uma festa que invadiram da alta sociedade londrina, e mesmo toda a trilha sonora cheia de grooves, comporta por Michael Vickers, que destoa completamente do clima Drácula + filme de terror. Mas vale cada minuto de metragem do longa! Uma curiosidade para quem gosta de futebol assim como eu, em uma das cenas, Cushing passa pela frente de um muro que está pichado Chelsea, com um risco por cima, e escrito West Ham embaixo, dois times rivais futebolísticos da capital inglesa.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/09/20/267-dracula-no-mundo-da-minissaia-1972/

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

#265 1972 O CIRCO DOS VAMPIROS (Vampire Circus, Reino Unido)


Direção: Robert Young
Roteiro: Judson Kinberg, George Baxt e Wilbur Stark (história – não creditados)
Produção:Wilbur Stark, Michael Carreras (Produtor Executivo – não creditado)
Elenco: Adrienne Corri, Thorley Walters, Anthony Higgins, John-Moulder Brown, Laurence Payne, Robert Tayman

O Circo dos Vampiros é mais uma das bobagens da Hammer em sua pior fase. Apesar de ser um dos filmes mais exóticos do outrora prolífico estúdio inglês, e não economizar no sangue, mortes violentas e erotismo, não há muito mais que justifique a fita. A ideia de um circo de bizarrices é sempre algo que rende em filmes de terror, ainda mais se misturado a elementos sinistros. Acho que é algo que não orna muito com vampirismo, mas até que o roteiro tenta passar uma premissa bacana, se não fosse tão afetado pela já falta de dinheiro da Casa do Horror. E até que O Circo dos Vampiros apresenta alguns elementos interessantes como a selvageria feérica de transmorfos que se tornam panteras e macacos; a dilaceração de aldeões e cenas de cabeças sendo arrancadas nos momentos gore; a dança exótica de uma mulher tigre, toda nua e apenas com o corpo pintado; os acrobatas voadores que parecem se materializar em cena, vindos de um delírio lisérgico; e a morte e vampirização de crianças, um tema sempre chocante e controverso. Mas peca muito por sua execução no decorrer da obra. No Século XIX, o Conde Mitterhaus (Robert Tayman) é um daqueles famosos e clichês vampiros aristocráticos que toca o terror em um vilarejo dominado por camponeses supersticiosos. Um levante contra o morto-vivo acontece quando o Conde, auxiliado por Ann Mueller (Domini Blythe), esposa do Prof. Albert Mueller (Laurence Payne), agora transformada em concubina das trevas, sequestra uma criança para servir de almoço para o vampiro. E lá vão os aldeões com suas tochas e forcados, encurralando o vampiro e matando-o em seu castelo, não antes dele proferir uma maldição de que todas as crianças do vilarejo irão sucumbir para que ele volte à vida e ordenar que Ann encontre seu primo, Emil, para que ele possa vingá-lo. Quinze anos mais tarde, a aldeia é assolada pela Peste Negra, enquanto os moradores colocam a culpa nas forças das trevas e na maldição do Conde. O médico, sempre racional, Dr. Kersch (Richard Owens) resolve atravessar um bloqueio imposto pelo vilarejo vizinho, para também não serem expostos à praga, em busca de remédios e ajuda. Com o auxílio de seu filho, Anton (John Moulder-Brown) ele consegue escapar. Enquanto isso, uma trupe circense chega até o vilarejo, promovendo seus espetáculos de encher os olhos e encantar os sofridos moradores. Até que aos poucos, os sinistros membros do Circo da Noite, revelam-se estar às ordens de Emil (o tal homem pantera) e de uma misteriosa cigana, que na verdade, é Ann disfarçada. Aos poucos, os responsáveis por destruir o Conde Mitterhaus vão sendo assassinados um a um, assim como as crianças do vilarejo, cumprindo a profecia do vampiro-mor, esperando apenas o momento em que o sangue deles faça o chupador de jugulares voltar à vida. Cabe mais uma vez ao Prof. Mueller, Dr. Kersh (que voltou são e salvo ao vilarejo com suprimentos médicos) e seu filho Anton, tentarem impedir a ressurreição do Conde e acabar com as atrocidades que o circo vinha cometendo, e mais que isso, impedir que a bela e inocente Dora Mueller (Lynne Frederick), filha do Prof., seja morta e seu sangue usado para que o ritual macabro tenha efeito. O longa traz uma coleção de personagens excêntricos, como todo bom filme que retrate um ambiente circense que se preze. Entre os destaques, fica o fortão interpretado por David Prowse, que mais tarde viria a vestir a ameaçadora roupa de Darth Vader na trilogia original de Star Wars. Nenhuma atuação é digna de nota. E falta carisma à produção, que passa longe dos outros filmes clássicos de vampiro do estúdio. Nenhum dos mortos-vivos com seus cabelos desgrenhados e jeitão cafona conseguem criar empatia com o público e muito menos convencer como terríveis sanguessugas. O Circo dos Vampiros é um filme série B da Hammer, com seu orçamento curto e técnica a desejar. Funciona somente pelas cenas de violência, ao estilo da época, e abuso de nudez e sensualidade para os padrões do estúdio inglês. Chegou a ser lançado no Brasil pelo selo Dark Side, da Works Editora, e quando exibido nos cinemas no ano de 1973, ganhou o título de O Vampiro e A Cigana. Vale dar uma conferida despretensiosa.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/09/18/265-o-circo-dos-vampiros-1972/

sábado, 12 de setembro de 2015

#243 1971 A CONDESSA DRÁCULA (Countess Dracula, Reino Unido)


Direção: Peter Sasdy
Roteiro: Alexandre Paal, Peter Sasy, Gabriel Ronap (ideia) (baseado na obra de Valentine Penrose – não creditado)
Produção: Alexandre Paal
Elenco: Ingrid Pitt, Nigel Green, Sandor Elès, Maurice Denham, Lesley-Anne Down

A Condessa Drácula é mais um daqueles clássicos absolutos da Hammer, que desta vez, apesar do título errôneo tentando capitalizar em cima da franquia vampírica do estúdio, nada tem a ver com o personagem imortalizado por Christopher Lee, e mesmo com vampiros em si, e sim, é inspirado pela lenda da infame Condessa Elisabeth Bathory, conhecida com A Condessa Sangrenta. Bathory foi uma condessa húngara do século XVI, sádica, cruel, arbitrária que castigava e torturava os camponeses dos vilarejos próximos de seu castelo das piores formas possíveis. Após cem anos de sua condenação e morte, um padre jesuíta chamado László Turoczy localizou documentos históricos e recolheu histórias que circulavam entre os habitantes locais e incluiu relatos de que sugeria que a condessa banhava-se no sangue das garotas virgens que matava, para rejuvenescer. É a partir deste enredo que os roteiristas Jeremy Paul e Alexander Paal desenvolvem o roteiro de A Condessa Drácula, criando a personagem Elisabeth Nodosheen que seria interpretada pela voluptuosa polonesa Ingrid Pitt, que já havia feito sucesso chupando sangue e mostrando seus seios fartos e corpo perfeito em Carmilla – A Vampira de Karnstein, da Hammer, também no ano anterior. Na trama, a velha e carcomida Condessa descobre o poder rejuvenescedor do sangue das virgens logo após a morte de seu marido, quando na leitura do testamento, vê-se obrigada a dividir o castelo e a fortuna com a filha Llona, há muito longe. Auxiliada pelo seu amante, Capitão Dobi (Nigel Green) o intendente do castelo e sua criada e confidente, Julie Sentash (Patience Collier), Elizabeth começa a raptar as jovens do vilarejo logo depois de ser salpicada com o sangue de uma de suas criadas ao se cortar tentando descascar um pêssego. Instantaneamente o local onde o sangue espirrou em seu rosto começa a aparentar mais jovem. Espero que a Avon, Natura, Jequiti e todas essas empresas de cosmético que retardam o envelhecimento da pele não tentem essa saída. Devaneios a parte, a Condessa é tão ruim que começa a se passar por sua filha Ilone e manda Dobi raptá-la e mantê-la em cárcere privado. Linda, jovem, livre, Elizabeth se engraça com o jovem soldado Imre Toth (Sandor Elès), que havia servido o exército com seu ex-marido e lhe salvado a vida várias vezes, recebendo de herança uma casa e o estábulo com todos os seus cavalos. Dobi fica puto em saber que a Condessa está de casamento marcado com o rapaz, se passando por sua jovem filha, e tenta sabotar seu plano, primeiro tentando fazer com que Elizabeth pegue o amado com uma prostituta na cama (só que o sujeito estava tão bêbado que não conseguiu nem chegar aos finalmentes), momento em que a Condessa descobre realmente que só o sangue das virgens poderia rejuvenescê-la ao tentar se banhar com o sangue da rameira. Depois Dobi conta toda a verdade para Imre, levando-o até onde a também bela (e jovem de verdade, sem uso de cosmét…ops, sangue) Llona está presa e desmascarando a Condessa diabólica. Apesar de a história ser deveras sinistra e retratar uma das figuras mais malignas da história da Europa medieval, a direção preguiçosa de Peter Sady (que já havia dirigido O Sangue de Drácula para a Hammer) deixa o longa arrastado, quebrando todo e qualquer clima, além do roteiro ser bastante superficial mesmo com a total ausência de qualquer conflito de culpa ou consciência pesada dos personagens vilanescos do filme, mas que não é o suficiente para torná-lo dinâmico e atrativo. O que vale a pena, obviamente, e o que 11 em cada 10 espectadores do sexo masculino esperam no filme, é a cena onde Ingrid Pitt é pega no flagra, peladinha, banhando-se com o sangue de mais uma de suas vítimas. É uma cena muito rápida e ela logo já esconde suas vergonhas, sendo bem menos explícita do que o seu banho em uma banheira minúscula e sua corridinha de toalha atrás de uma ninfeta em Carmilla – A Vampira de Karnstein. Mas mesmo assim, está valendo. Fora isso, há também um ou outro peitinho a mostra, algumas cenas de lesbianismo, mas nada ultrajante e sangue sem muita abundância. Mérito mesmo é para a maquiagem da equipe de Tom Smith, fazendo a belíssima Pitt se transformar em uma velha megera. A Condessa Drácula vale como uma forma de incitar a curiosidade em procurar textos e documentários, que há aos montes na Internet, sobre a terrível Condessa Elizabeth Bartory, que sem dúvida foi uma das personagens que inspiraram as lendas que deram origem ao mito do vampiro e ajudaram a fomentar a sua importância no gênero do horror e na cultura pop.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/08/20/243-a-condessa-dracula-1971/

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

#233 1970 O SANGUE DE DRÁCULA (Taste the Blood of Dracula, Reino Unido)


Direção: Peter Sasdy
Roteiro: John Elder
Produção: Ainda Young
Elenco:Christopher Lee, Geoffrey Keen, Gwen Watford, Linda Hayden, Peter Sallis, Anthony Corlan, Isla Blair

O Sangue de Drácula é a prova cabal do quanto a franquia do vampiro mor da Hammer, interpretado por Christopher Lee, já estava entrando em franca decadência. Até então, é o filme mais fraco da série (sem contar As Noivas de Drácula, onde Lee sequer dá as caras). É aquele mesmo problema que acomete todas as sequências, sabe? Tem hora que você não aguenta mais ver a cara de determinado personagem na telona. Isso aconteceu com Frankenstein e a Múmia na Universal, agora com Drácula e mais para frente, com todos os famosos movie maniacs, tipo Jason, Freddy, Michael Meyers, Leatherface, Pinhead, Jigsaw, e por aí vai. Enfim, filme fraquinho, fajuto, com prazo apertado para conclusão das filmagens e orçamento baixíssimo, que começa exatamente onde termina o anterior, Drácula, o Perfil do Diabo, com o morto-vivo morrendo empalado por uma cruz. Um comerciante perdido no meio da floresta dá de cara com o agonizante vampiro e é testemunha ocular de sua destruição. Com tino para os negócios, o sujeito recolhe a capa, anel, medalha e o sangue de Drácula para vendê-lo mais tarde, para o Lorde Courtley, adorador do oculto, que junto com três distintos cavalheiros ingleses, William Hargood (Geoffrey Keen), Samuel Paxton (Peter Sallis) e Jonathon Secker (John Carson), em busca de aventuras excitantes, resolvem praticar um ritual de magia negra e ressuscitar o monstro, provando seu sangue, tal qual fosse um Jesus Cristo de presas. O indigesto sangue vampiro não cai bem no infame Lorde Courtley e com medo, os três senhores espancam o pobre diabo e fogem em disparada para suas casas, enquanto o corpo sem vida de Courtley então dá lugar ao Drácula ressuscitado de sua tumba, com seus olhos vermelho e tudo, jurando vingança contra aqueles que causaram a morte de seu servo (ah, tá, desde quando o Drácula se importa com a saúde e bem estar de seu capangas?). Um por um, e com a ajuda sempre bem vinda das suas rameiras do inferno da vez, a bela loirinha Alice Hargood (Linda Hayden) e a morena lasciva Lucy Paxton (Isla Blair) conquistadas por meio de hipnose ou uma chupadela de sangue na jugular, Drácula vai matando suas três vítimas. Acontece que naquele vilarejo todo mundo tinha suas ligações. Por exemplo, o filho de Samuel Paxton, Paul (Anthony Higgins) é namorado de Alice, filha de William (que era um escroto pai abusivo que repreendia a menina). Já a irmã de Paul, Lucy, era namorada de Jeremy Secker, filho de Jonathon. Ou seja, está tudo mais ou menos em família, meio novelão mexicano. Com o desaparecimento de Lucy e de Alice, Paul, aconselhado por uma carta deixada por Jonathon antes de morrer, se municia do kit básico para matar vampiros, com estacas, martelos e cruzes, e vai ao encalço de Drácula, para tentar destrui-lo e salvar a alma da sua amada, mesmo sendo contrariado pelo inútil e rabugento inspetor Cobb, interpretado por Michael Ripper, eterno coadjuvante da Hammer, tendo participado de três filmes da franquia. E é isso. Dentro daquele esquema maniqueísta de todos os filmes de Drácula, e da Hammer como um todo por bem dizer, o mocinho vence no final, o vampiro é derrotado mais uma vez, mas prontinho para voltar na próxima sequência, O Conde Drácula, lançado no mesmo ano e que é bem melhor do que O Sangue de Drácula, e também muito mais violento e sanguinário. Christopher Lee sempre sinistrão com aquela cara carrancuda de Drácula salva o filme, apesar de mais uma vez, ter pouquíssimas falas por conta de ter ficado descontente com o roteiro e de resto, mais do mesmo: mulheres bonitas, carruagens, estética gótica decadente que já está perdendo seu encanto, e por aí vai. E o pior é que Vincent Price foi cotado para participar do filme, no papel de William Hargood, mas que foi preterido pela falta de grana para pagar seu cachê.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/08/07/233-o-sangue-de-dracula-1970/

domingo, 16 de agosto de 2015

#230 1970 O HORROR DE FRANKENSTEIN (The Horror of Frankenstein, Reino Unido)


Direção: Jimmy Sangster
Roteiro: Jimmy Sangster, Jeremy Burnham
Produção: Jimmy Sangster
Elenco: Ralph Bates, Kate O’Mara, Veronica Carlson, Dennis Price, Jon Finch, Bernard Archard, David Prowse

Quem pensa que reboot é um mal apenas da indústria atual do cinema, está redondamente enganado. Começar a contar novamente a história de algum personagem ou dar uma nova diretriz para uma série de filmes já foi utilizado até pela Hammer, o famoso estúdio inglês, com sua segunda mais famosa franquia de monstro. O Horror de Frankenstein é uma tentativa do estúdio de renovar as peripécias científicas do Dr. Victor Frankenstein e dar uma nova cara ao teor do filme, deixando de lado as características singulares dos anos 60 e trazendo em seu lugar filmes mais cruéis, violentos e sexuais, porém sem o mesmo requinte e esmero (e orçamento, diga-se de passagem), que seus antecessores. Uma das provas disso é a substituição do eterno Barão Frankenstein vivido pelo distinto Peter Cushing, ator que imortalizou o cientista louco que brinca de Deus e interpretou-o em todos os filmes até aqui, por Ralph Bates vivendo um jovem Frankenstein, muito mais perverso e irônico que seu antecessor, desde sua ida a faculdade de medicina, até sua volta para casa, com seu título, aprendizado e vontade de fazer experiências mirabolantes para criar a vida a partir de partes desmembradas de seres humanos, e claro, um cérebro. Ainda extremamente distante da obra original de Mary Shelley, é muito fácil detestar Frankenstein neste filme. O cara é um verdadeiro escroto, aproveitador, galinha, egoísta, não demonstra um pingo de lealdade ou amor por ninguém (nem ao próprio pai), trata a governanta como uma escrava sexual (se bem que ela gosta), o melhor amigo e ajudante na pesquisa científica como um peão em seu tabuleiro de xadrez (e ainda mata o infeliz), trata com o maior desrespeito a apaixonada Elizabeth (a ponto de contratá-la como governanta da casa quando ela perde tudo após seu pai ser assassinado – envenenado por Victor, diga-se de passagem – e ter deixado uma batelada de dívidas) e ainda até sacaneia com o ladrão de cadáveres que vende os pedaços humanos ao Barão (tais quais os Assassinatos de Burke e Hare) e sua esposa. Resta-nos torcer pelo monstro, claro (se é isso que não fazemos sempre). Uma versão mais humana e menos monstruoso da criatura, com maquiagem da equipe chefiada por Tom Smith, é interpretada por David Prowse, o mesmo ator que vestiu a roupa de Darth Vader na trilogia clássica Star Wars (dublado por James Earl Jones, como todos já sabemos). Esqueça o verde com pinos de Boris Karloff ou a versão pútrida de Christopher Lee. Aqui, o monstro tem pele humana, algumas cicatrizes de seus remendos, uma cabeçona exagerada (como todo bom monstro de Frankenstein) e usa inicialmente apenas bandagens, para depois vestir uma roupa estropiada em seu corpanzil de quase dois metros de altura. Com um comportamento agressivo, incapacidade de raciocínio e de formular palavras, por conta de um caco de vidro enfiado no cérebro do outrora proeminente Prof. Heiss (pai de Elizabeth), o gigante acaba virando alvo da vingança do Barão Frankenstein, dando cabo de qualquer um que se meta em seu caminho ou que esteja perto de descobrir a criatura que ele mantém aprisionada no porão. Claro que com a onda de mortes e desaparecimentos, é chamada a atenção da polícia, e o Tenente Henry Becker (Jon Finch), que nutre uma paixão platônica frustrada por Elizabeth (que por sua vez arrasta a asa para Frankenstein e está morando em sua casa neste momento da trama), começa a investigar o acontecido e passa a suspeitar do Barão, já que o monstro sempre é avistado perto de sua propriedade. O final é deliciosamente maquiavélico. Não pense encontrar o famoso embate entre criador e criatura, marca registrada dos filmes do monstro desde os tempos de Frankenstein da Universal. Pelo contrário teremos um desfecho completamente amoral. 
ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco.
Encurralado pela polícia e por dois camponeses, um pai e sua filha como testemunhas, no seu laboratório, Victor mantém sua cara de pau ao limite e desafia o oficial a vasculhar sua residência que não encontraria nada por lá, porém não sem um mandado, enquanto mantém o monstrengão escondido em seu tanque. A pequena camponesa pentelha começa a mexer em todas as roldanas e alavancas do laboratório, tirando o Barão do sério, até que acidentalmente libera a comporta que despeja ácido no tanque e já era. Dessa forma, o Barão com uma cara de tacho vê sua preciosa criação destruída sem querer por uma inofensiva garotinha. O Horror de Frankenstein não é um primor de filme, e muito menos o melhor da franquia do cientista louco e de seu monstro da Hammer. Mas é outra visão de uma história batida que sabemos de cor e salteada e que se encaixa nos novos padrões de filmes do estúdio inglês na década de 70, marcando já o começo da decadência da Casa do Horror, com suas produções mais cruas e com menos requinte do que na década anterior, quando ela reinava absoluta neste terreno cinematográfico.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/08/02/230-o-horror-de-frankenstein-1970/

#226 1970 O CONDE DRÁCULA (Scars of Dracula, Reino Unido)


Direção: Roy Ward Baker
Roteiro: John Elder
Produção: Aida Young
Elenco:Christopher Lee, Dennis Waterman, Jenny Hanley, Christopher Matthews, Patrick Troughton, Michael Ripper

Graças a genialidade dos responsáveis por dar e aprovar títulos nacionais aos filmes, Scars of Dracula, virou O Conde Drácula, e assim no mesmo ano de 1970 e aqui na lista do blog, você tem dois filmes seguidos com o mesmo nome: este e Conde Drácula de Jesús Franco. Em comum, apenas que ambos trazem Christopher Lee mais uma vez vestindo a capa e as presas, como o nefasto Conde Drácula. Nesta produção da Hammer, que traz Lee pela quinta vez reprisando o papel (pois antes de O Conde Drácula, ainda foi lançado O Sangue de Drácula no mesmo ano, mas como a minha lista é em ordem alfabética e não por data de lançamento, este post veio primeiro) que o consagrou no gênero, somos brindados com o mais violento e gore filme do vampiro do estúdio inglês. Também não é para menos, já que estamos começando a presenciar a decadência daquela que foi outrora a casa do horror. Isso porque já no começo dos anos 70, o charme dos monstros do estúdio com toda sua aura gótica sobrenatural já havia entrado em baixa, isso sem contar que tanto a exploração da sexualidade feminina quanto a violência gráfica e o sangue vermelho vivo que marcou a Hammar, já havia sido superado por outras produções e novas formas de terror vindo principalmente do mercado americano, fazendo com que os súditos da Terra da Rainha tivessem de correr atrás. E a melhor forma de enfrentar esse gap e tentar trazer o público de volta às salas de cinema, é ao invés de renovar a franquia com novas ideias, manter a mesma coisa de sempre, só que com muito, mas muito sangue. É por isso que O Conde Drácula é considerado o mais violento filme da série. A direção ficou por conta de Roy Ward Baker, que para a Hammer também dirigiu Sepultura para a Eternidade e já se meteu no universo vampiresco em Carmilla, a Vampira de Karnstein. O roteiro é assinado mais uma vez por Anthony Hinds, usando o costumeiro pseudônimo de John Elder, e o grande destaque fica para a maquiagem sanguinolenta da equipe supervisionada por Wally Schneiderman. Christopher Lee faz um Drácula ruim como nunca aqui (no sentido de mal mesmo, cruel, e não de fraca atuação), que volta das cinzas após um morcego gigante (tosquíssimo, que o acompanha o filme todo, assim como outros, pendurados em um visível fio de nylon transparente e que até lembra o podre O Morcego Vampiro da década de 40, com Bela Lugosi) vomitar sangue em seu túmulo. Após a transubstanciação de cinzas para a forma “humana”, Drácula continuará a dar seu expediente de sugar o sangue de belas jovens e tocar o terror nos aldeões. E logo no começo do filme ele já bota para quebrar, quando um grupo de homens locais, munidos de tochas e forcados (ah, vá?) vai até seu castelo para incendiá-lo, Drácula lidera telepaticamente um exército de vampiros que invade a igreja, onde as suas mulheres esperavam em segurança, e promovem um verdadeiro massacre, dilacerando seus rostos, olhos e etc. Hoje estamos acostumados a banhos de sangue sem noção, mas no início dos anos 70, aquela cena era extremamente chocante. Passado algum tempo, um jovem conquistador e encrenqueiro chamado Paul Carslon (Christopher Matthews), ao fugir de policiais por ter transado com a filha do burgomestre, acidentalmente vai parar no castelo de Drácula. Lá, obviamente ele será morto, como acontece com todos os visitantes indesejados do vampiro mor. Seu irmão Simon (Dennis Watermann) e sua namorada, Sarah (Jenny Hanley) mas que também tem uma queda por Paul, preocupados com o sumiço do rapaz, resolvem investigar seu paradeiro e também vão deparar com o terrível Conde e seu ajudante desgranhento, Klove (interpretado pelo eterno Doctor Who, Patrick Troughton), que nutre uma paixão platônica pelo retrato de Sarah, que encontrou nos pertences de Paul. Auxiliado pelo pároco local, Simon tentará destruir o desmorto de uma vez por todas, e ao mesmo tempo, impedi-lo de possuir sua amada e torna-la uma de suas rameiras do inferno, situação de roteiro básica da franquia. Entre as mortes e cenas deveras violentas presentes no longa, vale destacar a cena em que Drácula, emputecido por uma de suas concubinas vampiras tentar sugar o sangue de Paul, aparece e saca um punhal, esfaqueando a garota violentamente (desde quando Drácula usa armas brancas?), que depois, será mutilada (em off screen) por Klove, utilizando cutelos e serras, a fim de dissolver seu corpo no ácido, e também quando o padre é atacado por um morcego impiedoso que investe contra seu rosto, arrancando nacos de carne e deixando-o completamente desfigurado. Mais do mesmo, mas com um Christopher Lee afiadíssimo com toda sua expressão facial, movimentos de corpo, seus longos caninos e olhos vermelhos de fúria e uma boa dose de sangue fazem O Conde Drácula um dos melhores filmes da série, altamente recomendável para os fãs.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/07/29/226-o-conde-dracula-1970/


sexta-feira, 31 de julho de 2015

#210 1968 DRÁCULA O PERFIL DO DIABO (Dracula Has Risen From the Grave, Reino Unido)


Direção: Freddie Francis
Roteiro: John Elder (baseado no personagem criado por Bram Stoker)
Produção: Aida Young
Elenco: Christopher Lee, Rupert Davies, Veronica Carlson, Barbara Ewing, Barry Andrews, Ewan Hooper, Michael Ripper

Drácula está de volta, no terceiro filme da Hammer em que Christopher Lee encarna o chupador de sangue mor: Drácula – O Perfil do Diabo. E este título em português, hein? Imagino este o título de matéria com um perfil de Drácula naquelas revistas de fofocas, estilo Caras, sabe? Enfim, na minha opinião, Drácula – O Perfil do Diabo é um dos mais bacanas da série. Violento, sanguinário, cruel. Christopher Lee representa um vampiro do mal MESMO mesmo aqui. Tem umas quatro ou cinco falas apenas, mas só de olhar para a cara do sujeito com aqueles caninos pontiagudos e seus olhos vermelhos, já dá o maior medo de encontrá-lo por aí em uma esquina escura da Transilvânia. Dirigido por Freddie Francis, mesmo diretor de O Monstro de Frankenstein (que recebeu esse filme no colo pelo mesmo motivo do anterior, pois Terence Fisher, escalado para dirigir, havia sofrido um acidente de carro), e escrito por Anthony Hinds (sob o pseudônimo de John Elder), Drácula – O Perfil do Diabo já começa com os dois pés no peito, com um padre e seu assistente mudinho encontrando uma bela donzela morta em plena igreja, difamada pelo Drácula. Por conta disso, obviamente a população do vilarejo vive assustada por estar sob a sombra de seu castelo e pararam de ir à igreja aos domingos, que ficou largada às moscas. Até monsenhor Ernest Mueller (Rupert Davies) chegar ao local, dar um esporro no padre e em todos os aldeões supersticiosos, e resolver subir até o castelo de Drácula no topo da montanha, onde ele jazia congelado há um ano, desde o final de Drácula – O Príncipe das Trevas. Ele leva o deprimido e medroso padre (Ewan Hooper) para subir a montanha e colocar uma gigantesca cruz na entrada na porta, para que aquele mal nunca se liberte de lá e o povo volte a frequentar a paróquia local. Só que o padre com medo fica pela metade do caminho enquanto o monsenhor continua sua procissão. Uma tempestade se forma, e a ventania acaba derrubando o padre, que cai no chão ensanguentado. E eis que, milimetricamente, o sangue cai bem na boca de onde Drácula jazia, e o traz de volta à vida. Com seus poderes hipnóticos, Drácula ira transformar o padre em seu ajudante para lhe encontrar novas donzelas para que ele possa sugar o sangue. Nesse ínterim, vamos conhecer Paul (Barry Andrews), um jovem padeiro, ajudante de bar, estudante de medicina e ateu convicto, que namora a inocente e certinha sobrinha do monsenhor, Maria Mueller (Veronica Carlson). Todo mundo sabe que o Drácula é o mais talarico dos monstros, e obviamente ele vai querer dar uma chupada na jugular da moça loira. Mas antes disso ele vai se aproveitar da ruiva Zena (Barbara Ewing), que é preterida por Paul, mesmo arrastando uma asa para cima dele e usando decotes lascivos ao melhor estilo filmes da Hammer. Drácula suga seu sangue, a transforma em uma rameira do inferno, e depois também dá uma gelada na coitada, trocando-a pela inocente Maria. Coitada da Zena! Daí irá se seguir aquela velha batalha do mocinho contra o monstro das trevas pela alma da garota. Só que aí tem um pulo do gato que faz Drácula – O Perfil do Diabo sensacional. Como disse lá em cima, Paul é ateu, então cruzes, estacas, tudo que ele usar contra o vampiro não irá funcionar, porque é preciso fé. E você pensa que no final vai rolar aquela babaquice dele encontrando Deus, tornando-se um cristão fervoroso para destruir Drácula. Nada disso, ele continua irredutível em sua crença, e a redenção para destruir o sanguessuga vai vir mesmo do padre, quando Drácula é empalado pela cruz na montanha, e ele se redime rezando para a vil criatura da escuridão ser destruída de uma vez por todas. Até o próximo filme da franquia, claro. Drácula – O Perfil do Diabo foi o filme comercialmente mais rentável da Hammer, e durante a produção, foi o estúdio foi presenteado com o UK Queen’s Award for Industry. Christopher Lee gosta de contar a história sobre esse prêmio, pois o prêmio foi dado enquanto eram filmadas as cenas finais com Drácula empalado nas rochas, e um grupo de dignitários do governo britânico assistindo Lee gritando e com sangue jorrando por todos os lados. Após a cena, com estômago embrulhado, um ministro inglês virou-se para a mulher e disse: “Esse homem é um membro do meu clube?”. Dá-lhe Hammer. Dá-lhe Christopher Lee!
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/07/10/210-dracula-o-perfil-do-diabo-1968/

quinta-feira, 30 de julho de 2015

#208 1968 AS BODAS DE SATÃ (The Devil Rides Out / The Devil’s Bride, Reino Unido)


Direção: Terence Fisher
Roteiro: Richard Matheson (baseado na obra de Dennis Wheatley)
Produção: Anthony Nelson Keys
Elenco: Christopher Lee, Charles Gray, Nike Arrighi, Leon Greene, Patrick Mower

A dobradinha entre o diretor Terence Fisher com o ator Christopher Lee nos presenteia com As Bodas de Satã, um dos melhores filmes da Hammer, dessa vez sem monstros ou vampiros, e sim com uma história de satanismo e magia negra. A trama é uma adaptação da novela de Dennis Wheatley, The Devil Rides Out, onde seu consultor criativo não foi ninguém menos que Aleister Crowley. O grande escritor e roteirista Richard Matheson, responsável por livros e filmes como O Incrível Homem que Encolheu, Mortos que Matam (e a refilmagem Eu Sou a Lenda), Encurralado e Ecos do Além, e alguns episódios das séries Além da Imaginação e Histórias Maravilhosas, foi o responsável por transportar o conteúdo do controverso texto de Wheatley para às telas. No interior da Inglaterra, o Duque Nicholas Richleau (Lee) recebe seu velho amigo Rex Van Ryn (Leon Greene) para se encontrar com Simon Aron (Patrick Mower), filho de um falecido amigo dos dois. Nicholas e Ryn visitam Aron de surpresa e flagram-no em meio a um encontro de 13 pessoas, que na verdade são membros de uma seita satânica. Com certo conhecimento de causa, o duque descobre o que está se passando por ali e que Aron e sua amiga Tanith Carlisle (Nike Arrighi), serão batizados por Mocata (Charles Gray), perverso líder do culto, para que sejam  servos do demônio para sempre. Os heróis acabam raptando o jovem e tentam de toda forma impedir Mocata e seus asseclas de prosperarem em conseguir a alma dos dois, o que não vai ser nada fácil, pois Mocata continua os perseguindo, possui uma extraordinária capacidade hipnótica e não podemos esquecer, está mancomunado com satanás. O tema satanismo e suas seitas eram muito fortes nos anos 60. O próprio O Bebê de Rosemary de Roman Polanski, lançado no mesmo ano, já trazia uma outra visão sobre complôs e cultos ao demo. E As Bodas de Satã é uma das maiores referencias cinematográficas nesse assunto, já que toda a trama está envolvida em rituais, conhecimento do oculto, seitas e conjurações. O diabo propriamente dito até aparece por duas vezes no filme, evocados por Mocata, em cenas até impressionantes e assustadoras para a época. A primeira é na sala do observatório da mansão de Aron, onde uma negro de aparência assustadora e olhar maligno aparece da fumaça e só se afasta quando o personagem de Lee atira um crucifixo nele. A segunda, é na forma de Baphomet, ou Bode de Mendes, durante um sabá na floresta realizado na cerimônia de batismo de Simon e Tanith. Dessa vez ele é vencido novamente pela cruz e pelo acender do farol de milha de um calhambeque (???!!!). Isso sem contar quando o tinhoso opera na forma de uma aranha gigante e como Anjo das Trevas, em determinado momento chave do filme quando tenta quebrar um círculo de proteção criado por Nicholas. Uma pena que os efeitos especiais, extremamente datados, acabem tirando o encanto da cena e transformando-a em um pastiche nos dias de hoje. Interessante que dessa vez, Christopher Lee faz às vezes de mocinho (considerando esse seu papel favorito nos filmes da Hammer), que usa seu conhecimento do oculto para salvar o dia e tentar desbaratar os seguidores de Mocata, que é um verdadeiro nêmese à altura. As Bodas de Satã é uma produção de uma coragem imensa, tendo em vista todo o burburinho que um filme como esses poderia levantar em uma sociedade conservadora como nos anos 60, com um roteiro extremamente intrigante, perfeito para os fãs de histórias que envolvam as forças das trevas, e a batalha sem fim entre o bem e o mal. E claro, que queiram se divertir com mais uma produção clássica dos estúdios Hammer e se deliciar com a intepretação de Cristopher Lee nas telas.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/07/08/208-as-bodas-de-sata-1968/

terça-feira, 21 de julho de 2015

#203 1967 A MORTALHA DA MÚMIA (The Mummy’s Shroud, Reino Unido)


Direção: John Gilling
Roteiro: John Gilling, John Elder (História)
Produção:Anthony Nelson Keys
Elenco: André Morell, John Phillips, David Buck, Elizabeth Sellars, Maggie Kimberly, Michael Ripper

A Mortalha da Múmia é o terceiro filme envolvendo o monstro egípcio enfaixado do estúdio inglês Hammer, famoso por imortalizar outras conhecidas criaturas sobrenaturais como Drácula e Frankenstein. Aqui a produção segue a mesma linha tanto dos filmes anteriores da própria Hammer, como da franquia da Universal da década de 30 e 40: uma vingativa múmia retorna do seu sono milenar para cometer uma série de assassinatos contra aqueles que perturbaram o descanso eterno de seu amo. Dirigido pelo competente John Gilling, que também já havia entregue ao estúdio Epidemia de ZumbisA Serpente (ambos de 1966), A Mortalha da Múmia em sua abertura nos leva a uma viagem ao tempo para o ano 2000 a.C., onde a esposa do faraó Men-Ta morre ao dar a luz ao seu primogênito, Kah-To-Bey, futuro rei do Egito. Sem perceber a conspiração que seu irmão invejoso, Amen-Ta estava preparando para tomar o trono, o faraó torna-se uma vítima fácil do ataque do irmão que foi acumulando um poderoso exército enquanto o próprio preocupava-se apenas com os assuntos que envolviam o bem estar do filho. Ao estourar a insurreição, Amen-Ta ordena que seu fiel escravo Prem, fuja com Kah-To-Bey para impedir que ele fosse assassinado. Porém durante a travessia pelo inóspito deserto, o garoto faraó acaba morrendo e enterrado em um túmulo improvisado no meio do deserto, vestido com uma mortalha que continha dizeres que traziam encantamentos relacionados à vida e a morte. Pois bem, durante a década de 20, uma expedição liderada pelo proeminente egiptólogo Sir Basil Walden (André Morell) e financiada pelo milionário arrogante Stanely Preston (John Phillips), partem em busca do túmulo perdido de Kah-To-Bey, junto do filho de Stanely, Paul Preston (David Buck), Harry Newton (Tim Barrett) e a bela Claire de Sangre (que lembra um pouco a musa Barbara Steele, com o mesmo tipo de beleza peculiar, porém loira). Ao chegar ao local onde o corpo do jovem faraó repousa, logo o grupo é ameaçado por Hasmid (Roger Delgado), guardião protetor da tumba e dos mortos que roga uma maldição nos aventureiros. Sem se abalarem, o corpo de Kah-To-Bey é levado para o museu em Mezzara e retifica-se que a múmia encontrada anteriormente e creditada a Kah-To-Bey era na verdade de Prem, utilizando um amuleto real dado pelo menino antes de morrer. Só que o famigerado Hasmid, auxiliado de uma velha cartomante irritante chamada Haiti (Catherine Lacey), lê as inscrições proibidas da mortalha e traz a milenar criatura de volta à vida para se vingar daqueles que violaram o túmulo de seu amo. Um por um, começando pelo Sir Walden, vão sendo assassinados pela força descomunal do monstro esfarrapado, chamando a atenção da polícia local, que não consegue encontrar nenhuma explicação lógica para os assassinatos, cedendo a superstição levantada por uma suposta maldição da múmia, que só poderá ser interrompida quando Claire, a especialista em hieróglifos do grupo que adentrou na tumba da Kah-To-Bey, ler o encantamento da mortalha que poderá devolver a criatura ao seu sono eterno. A Mortalha da Múmia é uma boa surpresa. É um filme interessante, claro que sem o mesmo charme de A Múmia da Universal com Boris Karloff ou o filme homônimo do final da década de 50 com Christopher Lee interpretando o monstrengo. Mas é muito melhor que toda a franquia interminável da Universal (que tinha um filme mais chato que o outro) e a bomba homérica que foi Sangue no Sarcófago da Múmia, último da série da Hammer, quando o estúdio inglês já estava em franca decadência. Gilling consegue fazer a história fluir de forma simples e coesa, contando com boas atuações tanto de John Phillips como chauvinista Stanley Preston, quanto do vilanesco Hasmid de Roger Delgado ou mesmo o capacho de Preston, o pobre Longbarrow, vivido pelo ator fetiche de Gilling, Michael Ripper (que esteve presente nos três filmes da Hammer do diretor). Um ponto que fica devendo é a maquiagem da múmia, interpretada por Eddie Powell, frequente dublê do estúdio. Não pense encontrar o mesmo trabalho detalhado e impressionante de Roy Ashton em Christopher Lee, ou mesmo do mestre Jack Pierce em Karloff. Aqui, a criatura de George Partleton é das mais pobrinhas, e nem parece que está envolta em bandagens, e sim nitidamente usando trajes brancos mesmo para simulá-las. Culpa do baixíssimo orçamento do filme, já que os principais recursos financeiros eram gastos com os filmes de Frankenstein e de Drácula. Uma curiosidade de A Mortalha da Múmia é que erroneamente a narração da abertura do filme é creditada a Peter Cushing e em muito locais é publicado que o ator inglês (que estrelou Frankenstein Tem de Ser Destruído, filme que era exibido na apresentação dupla junto de A Mortalha da Múmianos cinemas) foi o narrador, porém segundo o IMDb, a Hammer não tem nenhum registro de quem narrou a abertura, mas que definitivamente não foi Cushing. O filme chegou a ser lançado no Brasil pelo serlo Dark Side, da Works Editora, junto com diversos outros títulos da Hammer, trazendo o título de A Mortalha da Múmia (tradução literal do original), ignorando o nome que recebeu quando foi exibido na televisão brasileira: O Sarcófago Maldito.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/07/03/203-a-mortalha-da-mumia-1967/

terça-feira, 14 de julho de 2015

#197 1966 A SERPENTE (The Reptile, Reino Unido)


Direção: John Gilling
Roteiro: John Elder
Produção: Anthony Nelson Keys
Elenco: Noel Willian, Jennifer Daniel, Ray Barrett, Jacqueline Pearce, Michael Ripper

Começarei o texto parafraseando a opinião de Christopher Lee sobre A Górgona, porém aplicado a este filme: O único problema de A Serpente, é a própria serpente. Isso porque o filme dirigido por John Gilling é redondo e tem aquele famoso padrão característico da Hammer, até a hora que o monstro aparece em cena. E é bem parecido com o caso de A Górgona, exercendo o mesmo efeito sobre seus espectadores por conta dos efeitos visuais precários. O maquiador oficial da Hammer, Roy Ashton tem excelentes trabalhos para o estúdio inglês em seu currículo, como o monstro de Frankenstein, Drácula e a Múmia. Mas de vez em quando ele dá umas derrapadas, obviamente que por conta de um orçamento reduzido, como é o caso aqui de A Serpente. Apesar de sua inventividade e tentar de uma forma criativa reproduzir o monstro, até utilizando aplicações criadas a partir de um molde feito de pele de cobra de verdade, a hora que a criatura aparece em cena, com seus olhos esbugalhados vermelhos, pele escamosa verde, suas presas salientes e mexendo a linguinha para lá e para cá nervosamente, não dá para não dar risada. Mas o pior é que este é um dos charmes da fita. Baseado de forma não creditada no livro “The Lair of the White Worm” do escritor irlandês Bram Stoker (sim, o mesmo que escreveu Drácula), publicado em 1911, A Serpente foi rodado juntamente comEpidemia de Zumbis, ambos dirigidos pelo competente John Gilling, aproveitando as mesmas locações, cenários e atores, como o caso de Jacqueline Pearce, que interpreta Anna Franklyn, e Michael Ripper, que faz o papel do taberneiro Tom Bailey. Na história, Harry George Spalding (Ray Barrett) muda-se com sua esposa, Valerie (Jennifer Daniel) para a Cornuália, após herdar a casa de seu irmão Charles Edward Spalding, depois dele ser misteriosamente morto por uma praga conhecida como Morte Negra, que vem assustando todos os moradores da região e fazendo diversas vítimas. Mas na verdade, Charles, como percebemos logo na sequência de abertura da fita, foi morto por uma terrível criatura, metade humana, metade serpente, que mata suas vítimas com uma terrível picada, envenenando-as. Cabe então a Harry, o taberneiro Tom Bailey, seu único amigo já que todos os outros aldeões o tratam mal, e Valerie, investigar as terríveis mortes, e entender o comportamento estranho de seu vizinho, Dr. Franklyn (Noel William) e sua filha reclusa e assustada Anna. Através de suas investigações, descobre-se mais tarde, que Dr. Franklyn é teólogo, estudioso das antigas religiões orientais. Na Malásia, ele descobriu uma secreta ordem de adoradores de serpente, e após conhecer todos seus segredos e tentar publicá-los, como forma de vingança, Anna é raptada e através de um ritual é transformada nessa venenosa mulher cobra, dotada de um terrível instinto assassino. O Dr. Franklyn até tenta levá-la para o interior da Inglaterra, porém um sinistro malaio membro da seita o segue até o local e os mantém sob chantagem, controlando a maldição. Para sobreviver no ambiente frio inglês, como as cobras possuem sangue frio, eles constroem um poço fumegante no porão da casa, que mantém a criatura aquecida durante o inverno, quando acontece sua troca de pele, e a alimenta com os pobres coelhos e gatos que vivem na região. Ou seja, literalmente, podemos dizer que essa mulher é uma víbora! A Serpente sofre do mesmo problema de Epidemia de Zumbis, por exemplo. É um bom filme, porém é um filme B da Hammer, renegado a segundo plano pelo estúdio que tinha como suas principais apostas as franquias de Drácula e Frankenstein e os filmes com a dupla Peter Cushing e Christopher Lee. Mesma coisa serve para o diretor John Gilling, que apesar de seu domínio e fluidez na direção, tinha que competir com Terence Fisher, responsável pelas grandes produções do estúdio. Mas ainda assim é Hammer com suas características peculiares, então, vale a sessão pipoca.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/06/26/197-a-serpente-1966/