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sexta-feira, 2 de março de 2018

O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA (The Greatest Show on Earth, EUA, 1952)


OSCAR MELHOR FILME 1953

Direção: Cecil B. DeMille
Sinopse:
O megalomaníaco empresário Brad Braden (Charlton Heston), proprietário de um circo chamado ”Ringling Brothers and Barnum & Bailey”, deseja organizar mais uma temporada de sucesso. Para isso, ele contrata um famoso trapezista conhecido como “O Grande Sebastian” (Cornel Wilde). Porém, Braden e Sebastian logo se tornam rivais, pois disputam o amor da também trapezista Holly (Betty Hutton). Enquanto isso, Braden precisa cuidar de toda sua trupe, que inclui um procurado pela polícia que agora se apresenta como palhaço (James Stewart) e um domador de elefantes cruel (Lyle Bettger).

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A FORMA DA ÁGUA (The Shape of Water, EUA, 2017)


OSCAR MELHOR FILME 2017

TERROR 2018 04 A FORMA DA ÁGUA
Daniel Rodriguez 31/01/2018

Quando um clássico dá lugar à outro

Nos anos 50, um grupo expedicionário embrenhou-se nos confins da selva amazônica com um objetivo muito particular: investigar um possível elo perdido entre seres marinhos e terrestres. Tal aventura levou a descoberta de um ser quase mitológico, dotado de características mistas, uma espécie de homem-peixe, conhecido desde então como Gill-man, igualmente aterrador e arrebatador. Em O Monstro da Lagoa Negra, o monstro humanóide é aniquilado por seus agressores em uma ação que, ainda no campo da ficção, muito se assemelha ao destino de Kong. Passado mais de meio século, Guillermo del Toro retoma a mesma história, sob uma nova ótica. A Forma da Água beira uma sequência, porém partindo da captura bem sucedida da criatura anfíbia pelas mãos dos pesquisadores americanos, sendo finalmente transportado de seu habitat natural para uma base militar nos EUA. A partir daí, estabelece-se uma história poética e romântica, de nuances imprevisíveis e estonteantes, porém não livre de imperfeições. Del Toro é um cineasta familiarizado com as permutas entre gênero, tendo mesclado fantasia, horror e drama por diversas vezes. Aquele que permanece seu melhor trabalho até o dia de hoje, O Labirinto do Fauno, é o ápice dessa combinação, mais uma vez reproduzida aqui. Seu último trabalho busca no horror de monstro dos anos 50 inspiração para a composição de uma obra igualmente única. O monstro, referido apenas como “A Forma”, mais uma vez trabalho da captura de imagem do ator Doug Jones, cria um vínculo afetivo com uma faxineira muda. Em meio a tramas conspiracionistas e dilemas pessoais, inclusão e amores incomuns se destacam. A relação entre besta e mulher surge pela construção do diálogo de dois seres desprovidos da fala. Perante esse fato excludente a faxineira Elisa (Sally Hawkins) vê no monstro um igual, que aprende a amar. Em paralelo a esse amor construído de forma gradual, uma trama de espionagem se desenrola. Em uma dessas tramas que compõem o tecido costurado por Del Toro, há uma ênfase numa deficiência incômoda no mesmo. Ao passo em que ocorre um desenlace afetivo inusitado e cativante, temos um plot conspiracionista que pouco tem a acrescentar àquilo que o longa parece se propor. Há um excesso de ideias aplicadas em um contexto que deveria se entregar mais e mais à relação humana, de maneira que ocorra uma inconstância notável na peça como um todo. É observável que o autor tente misturar não apenas ideias próprias, como trabalhar com referências e acenos constantes ao cinema clássico. Um exemplo disso é o interesse pontual de Elisa por sapateado, que surge como um ponto de encontro entre o filme a história do cinema. A filmografia de Del Toro contém peças fantásticas que geralmente se destacam por conceitos visuais deslumbrantes e assustadores. Se o cineasta mexicano destaca-se imensamente pela transcrição brilhante de suas ideias para  plano cinematográfico, suas mise-en-scenes não impressionam em igual medida, assim como suas histórias frequentemente revelam-se de pouca profundidade. Não obstante, certos planos, especialmente concentrados no último ato do filme, traduzem de forma puramente visual uma história de amor e coragem magistral. É particularmente encantador notarmos que essas duas palavras – amor e coragem – também refletem claramente a existência do filme. Del Toro mostra-se sempre apaixonado por cinema, por monstros, com um toque especial de seu gênero favorito e o faz de maneira enérgica, impassível frente a qualquer tentativa de racionalizar ou amarrar seu trabalho à realidade. A despeito de suas falhas perceptíveis, A Forma da Água destaca-se pela ousadia em abordar os diversos temas escolhidos de maneira tão peculiar e tocante. Em um ano em que o cinema de gênero alcançou notado destaque, este possível vencedor do Oscar é obrigatório nas listas de todos por sua experiência extasiante.
4.5 ovos cozidos para A Forma da Água
Fonte: http://101horrormovies.com.br/review-2018-04-a-forma-da-agua/

sábado, 15 de novembro de 2014

133 1939 REBECCA, A MULHER INESQUECÍVEL (REBECCA, EUA)

OSCAR MELHOR FILME 1941

Direção: Alfred Hitchcock
Produção: David O. Selznick
Roteiro: Joan Harrison e Philip MacDonald, baseado no livro de Daphne du Maurier
Fotografia: George Barnes
Música: Franz Waxman
Elenco:
Joan Fontaine …………………. A segunda Sra. de Winter
Laurence Olivier ………………. Maxim’ de Winter
George Sanders ….…………… Jack Favell
Judith Anderson ……………….. Sra. Danvers
C. Aubrey Smith ……………….. Coronel Julyan
Gladys Cooper …………………. Beatrice Lacy
Ainda: Nigel Bruce, Reginald Denny, C. Aubrey Smith, Melville Cooper, Florence Bates, Leonard Carey, Leo G. Carroll, Edward Fielding, Lumsden Hare, Forrester Harvey.

Oscar: David O. Selznick (melhor filme), George Barnes (fotografia)

Indicação ao Oscar: Alfred Hitchcock (diretor), Robert E. Sherwood, Joan Harrison (roteiro), Laurence Olivier (ator), Joan Fontaine (atriz), Judith Anderson (atriz coadjuvante), Lyle R. Wheeler (direção de arte), Hal C. Kern (edição), Jack Cosgrive, Arthur Johns (efeitos especiais), Franz Waxman (música).

É um tanto surpreendente que, apesar da sua longa e prolífica carreira e das várias indicações que receberia, apenas Rebecca, a mulher inesquecível, seu primeiro filme americano, tenha rendido a Alfred Hitchcock um Oscar de Melhor Filme. No entanto, isso talvez sirva mais para indicar o poder de persuasão do produtor David O. Selznick. Ainda colhendo os louros do sucesso de E o vento levou, de 1939, Selznick agarrou a oportunidade de trabalhar com Hitchcock, casando o diretor com a história de fantasmas gótica de Daphné du Maurier. Trabalhando com um grande orçamento, Hitchcock transformou a mansão Manderley ela mesma em um personagem - o que mais tarde serviria de inspiração para a imponente Xanadu de Cidadão Kane. A suntuosa propriedade à beira-mar é o cenário para o tenso romance entre Joan Fontaine e Laurence Olivier. Ele é um rico viúvo que corteja a inocente Fontaine; ela, por sua vez, jamais questiona sua sorte em encontrar um homem tão bom. Eles se casam depois de um namoro relâmpago, porém, à medida que o relacionamento se aprofunda. Fontaine é cada vez mais atormentada pelo espírito da esposa morta - Rebecca. Será o fantasma apenas um delírio da sua imaginação, fruto de uma paranoia, ou alguma força mais nefasta em ação? E o que a Sra. Danvers, uma criada suspeita, tem a ver com os estranhos acontecimentos, se é que tem algo a ver com eles? Rebecca marcou a promissora chegada de Hitchcock à América. Na verdade, ironicamente, o filme derrotou no Oscar o último filme inglês do diretor: Correspondente Estrangeiro. Aqui, todos os seus traços usados à perfeição: temos a sombria e misteriosa história antes da história, as suspeitas mal contidas, o romance de contos de fadas condenado pelo passado invasivo e, é claro, a sensação crescente de traição. No entanto. Rebecca carece do tom jocoso que é a marca registrada de Hitchcock e o filme não possui senso de humor. Essa falta de leveza pode ser creditada em grande parte à natureza ininterruptamente lúgubre e gótica do romance melodramático de du Maurier. A inocente Fontaine é quase levada à loucura pelos segredos que se arrastam em Manderley, porém Hitchcock fica mais que feliz em deixar a tensão crescer e crescer até o apavorante final.
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 133)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

126 1939 E O VENTO LEVOU (GONE WITH THE WIND, EUA)


OSCAR MELHOR FILME 1940

Direção: Victor Fleming, George Cukor
Produção: David O. Selznick
Roteiro: Sidney Howard, baseado no livro de Margaret Mitchell
Fotografia: Ernest Haller, Ray Rennahan, Lee Garmes
Musica: Max Steiner
Elenco:
Vivien Leigh…………Scarlett O’Hara
Clark Gable………….Rhett Butler
Olivia de Havilland….Melanie Hamilton Wilkes
Leslie Howard……….Ashley Wilkes
Hattie McDaniel……..Mammy
Thomas Mitchell, Barbara O'Neill, Evelyn Keyes, Ann Rutherford, George Reeves. Fred Crane, Hattie McDaniel,

Oscars: William Cameron Menies (Prêmio honorário – uso de cor); David O Selznick (melhor filme), Victor
Fleming (diretor), Sidney Howard (Roteiro), Vivien Leigh (atriz), Hattie MacDaniel (atriz coadjuvante), Lyle R. Wheeler (direção de arte), Ernest Haller, Ray Rennahan (fotografia), Hal C. Kern James E Newcom (edição), Don Musgrave (prêmio de inovação técnica)
Indicação ao Oscar: Clark Gable (ator), Olivia de Havilland (atriz coadjuvante), Max Steiner (música),Thomas T. Moulton (som). Jack Cosgrove, Fred Albin, Arthur Johns (efeitos especiais)

O best-seller sobre a Guerra Civil de Margaret Mitchell foi agarrado pelo megalomaníaco produtor David O. Selznlck, que resistiu à sugestão de escalar Basil Rathbone como Rhett Butler em favor da única escolha que os fãs aceitariam: Clark Gable. Depois de caçar talentos no país inteiro e de uma briga de foice em Hollywood envolvendo cada protagonista feminina em potencial da cidade, Selznlck contratou a inglesa Vivien Leigh Interpretar Scarlett 0'Hara. Insistindo em que cada detalhe fosse suntuoso, Selznick usou pelo menos três diretores (Sam Wood, George Cukor e Victor Fleming), botou fogo nos cenários que haviam sobrado de King Kong para encenar o incêndio de Atlanta, contratou figurantes suficientes para reencenar a Guerra Civil e aguardou o Oscar para ser aclamado, Concebido desde o início para ser o maior de todos os filmes de Hollywood, E o vento levou permaneceria por décadas a fio como a principal referência para os épicos cinematográficos. Embora o filme seja monumental o bastante para estar além de qualquer crítica, a maioria das cenas verdadeiramente excelentes está na primeira metade, em grande parte dirigida por Cukor, que trouxe seu talento para o desenvolvimento de personagens e nuances ao material empregando um ótimo ritmo épico. Fleming, por sua vez, mais conhecido por dirigir cenas de ação vigorosas, acabou ficando com os trechos mais novelescos, à medida que o casamento dos protagonistas entra em crise, sofrendo altos e baixos durante o pós-guerra. Estes, no entanto, são bem menos cativantes do que o romance dilacerado pela guerra e conturbado que os uniu. O que move a trama é o coração indeciso de Scarlett, que Leigh interpreta como frívola e depois como empedernida: ela é tão apaixonada pelo galante Ashley Wilkes (Leslie Howard) que se casa com vários bobalhões medíocres (e malfadados) quando ele escolhe ficar com a mais feminina (e malfadada) Melanie (Olivia de Havilland). Rhett Butler, mais pragmático do que idealista, entra em cena e ela se sente atraída por ele quando a guerra destrói o estilo de vida sulista. Os dois se casam depois de Scarlett ter jurado nunca mais passar fome e manter Tara, a fazenda de seu pai, funcionando apesar dos estragos da guerra. Ela só percebe que ama Rhett de verdade quando ele a rejeita, gerando o clássico final em aberto em que o personagem de Gable vai embora ("Francamente, minha querida, estou pouco me lixando") e ela jura conquistá-lo de volta ("Amanhã é um novo dia"). Como O nascimento de uma nação (1915), E o vento levou maquiaboa parte de uma história complexa, mostrando apenas escravos felizes e obedientes e retratando o envolvimento de Ashley em uma organização nos moldes da Ku Klux Klan durante o pós-guerra como algo genuinamente heroico (embora malfadado). Contudo, o ritmo do filme é quase Irresistível e as sequências de Selznlck estão entre as mais emblemáticas da história do cinema: o zoom out a partir de Scarlett enquanto ela cuida dos feridos, enchendo de cinza a tela com soldados mutilados; a câmera que corre por entre as chamas enquanto Atlanta pega fogo; Gable carregando Leigh escada acima para sombras sensuais. Adornado com o exuberante Technicolor de 1939 - os vestidos em tons pastel e as paixões em vermelho vivo - e com a retumbante trilha de Max Stelner, este filme ainda pode ser considerado, com justiça, a última palavra em termos de cinema hollywoodlano. KN
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 126)