domingo, 6 de abril de 2014

300 ASCENÇÃO DO IMPÉRIO (EUA, 2014)


#475 1983 PESADELOS DIABÓLICOS (Nightmares, EUA)


Direção: Joseph Sargent
Roteiro: Jeffrey Bloom, Christopher Crowe
Produção: Christopher Crowe, Ana Barnette (Produtor Associado), Alex Beaton e Andrew Mirisch (Produtores Executivos)
Elenco: Cristina Raines, Emilio Estevez, Lance Henrikssen, Richard Masur, Veronica Cartwright

Todo mundo tem alguns filmes que lhe trazem lembranças que transcendem a qualidade da produção e acabem tendo um lugar cativo e saudoso na sua memória e seu coração. Bonito, não? Isso só para dizer que Pesadelos Diabólicos é um deles. Não é nenhuma maravilha da sétima arte e existem dezenas de outros filmes nesses moldes de antologia com vários contos melhores, mas eu tenho um daqueles fotogramas de um momento congelado no tempo em minha lembrança de quando o assisti pela primeira vez. Era uma noite de sábado, final dos anos 80, o filme era exibido no Super Cine, da Rede Globo, e eu estava na casa de minha avó, ali na Vila Alpina, junto com meu primo mais velho, assistindo a exibição na TV aberta no escuro da sala iluminado apenas pela luz do aparelho televisor. Moleque de tudo, vibrei com o episódio do Bispo da Batalha e morri de medo do rato gigante destruidor do último segmento. Mas vamos lá. Pesadelos Diabólicos, como já disse, é um portmanteauaos melhores moldes dos longas popularizados pelo estúdio inglês Amicus durante os anos 60 e 70. São quatro histórias, com roteiro de Jeffrey Bloom e Christopher Crowe, e direção de Joseph Sargent (que em sua filmografia também tem o tenebroso Tubarão 4 – A Vingança), que na verdade foi originalmente escrito e dirigido como episódios da série de TV Darkroom da ABC, porém a Universal considerou muito intenso para a telinha e resolveu adicionar algumas filmagens extras e lançar nos cinemas como um longa metragem. O primeiro segmento, “Terror in Topanga”, parece mais uma propaganda antitabagista. Um lunático acaba de fugir do hospício, matar um policial e se esconder pelos lados de Topanga, na Califórnia em uma noite qualquer. Lisa (Cristina Raines, de A Sentinela dos Malditos) é uma fumante inveterada, que resolve sair à noite as escondidas, depois de proibida pelo maridão Phil (Joe Lambie), para comprar um maço de cigarro. Só que durante a volta, a gasolina do carro acaba e ela terá um encontro com o maníaco que pode ser fatal. Já a segunda história, “Bishop of Battle” surfa na onda do sucesso deTron – Uma Odisseia Eletrônica lançado pela Disney no ano anterior e mistura videogame com realidade. J.J. Cooney (papel de Emilio Estevez) é um gamer que debulha no fliperama e fica obcecado em atingir um quase impossível nível 13 na máquina do Bispo da Batalha. De castigo por conta das péssimas notas e não querer mais nada da vida e só ficar no arcade o dia inteiro, ele foge de casa à noite, invade o fliperama para jogar a partida derradeira, que o colocará no tal nível inatingível e trará as ameaças virtuais para que ele confronte na vida real, onde não poderá inserir mais fichas se der game over. Claro que em tempos de PS4 e Xbox One, quem assistir ao filme vai achar os efeitos especiais obsoletos, mas que foram surpreendentes para a época. E detalhe que as sequências, geradas por um ACS1200, custou tanto que quase levou a produção à falência pelo estouro de orçamento. A terceira sequência é aquela com a pegada sobrenatural. Lance Henrikssen vive um padre que questiona sua fé no segmento “The Benediction”. Após a morte de um garoto do vilarejo onde fica sua paróquia e deixar de acreditar em Deus, ele pega suas coisas, coloca no porta-malas do carros e abandona a batina, só para ter essa falta de fé testada no meio da estrada, em pleno deserto, quando passa a ser perseguido por uma infernal picape preta toda filmada, aos melhores moldes de Encurralado ou O Carro – A Máquina do Diabo. Encerra o filme com o quarto e último segmento, “Night of the Rat”, quando a casa da família Houston passa a ter problemas com roedores. Claire (papel de Veronica Cartwright) vive às turras com o marido ausente, Steven (Richard Masur), querendo contratar um exterminador, mas o sujeito quer economizar dinheiro e culpa a esposa em não fazer nada por conta própria. Quando um rato filhote é pego em uma ratoeira deixada no sótão, mal eles sabem que irão descobrir que sua mãe é uma ratazana gigante (cujo tamanho é criado por aqueles efeitos de sobreposição toscos), que na verdade é uma criatura demoníaca indestrutível, que começa a destruir a casa e soltar guinchos que parecem mais os gritos sônicos do Raio Negro da Marvel.
FONTE: https://101horrormovies.com/2014/07/11/475-pesadelos-diabolicos-1983/

domingo, 23 de março de 2014

#106 1958 OS DEVORADORES DE CÉREBROS (The Brain Eaters, EUA)


Direção: Bruno Vesota
Roteiro: Gordon Urquhart (baseado na obra de Robert A. Heinlein – não creditado)
Produção: Edwin Nelson, Stanley Bickman (Produtor Associado), Roger Corman (Produtor Executivo/não creditado)
Elenco: Edwin Nelson, Alan Frost, Jack Hill, Joanna Lee, Jody Fair

“Há algumas semanas, Riverdale, Illinois, era apenas uma tranquila cidade pequena, mas naquele sábado, após a meia-noite, um pesadelo começou”. Promissora narração de abertura de Os Devoradores de Cérebro, mais um filme com a marca registrada de Roger Corman como produtor, mesmo que não creditado, para a American International Pictures. E quando eu digo marca registrada, é que vem por aí mais um sci-fi de baixíssimo orçamento, feito à toque de caixa, com muita criatividade em seu roteiro (até demais), empenho de todos os envolvidos e efeitos especiais toscos e divertidos. Produzido e protagonizado pelo ator Ed Nelson, que já havia atuado para Corman antes em Um Balde de Sangue e Ataque das Sanguessugas Gigantes e dirigido pelo escudeiro de Corman, Bruno Vesota, Os Devoradores de Cérebro é um filme curto, funcional e extremamente interessante. Porém em seu lançamento, Os Devoradores de Cérebro sofreu de uma pendenga judicial e teve vida curta nas telonas, pois Corman foi processado pelo escritor Robert A. Heinlein, por plágio, alegando que o roteiro do filme havia sido copiado de seu livro, The Puppet Master. Corman tentou se defender dizendo que desconhecia o livro quando a produção foi rodada, mas acabou admitindo a imensa similaridade e em um acordo com Heinlein fora dos tribunais, pagou 5 mil dólares ao escritor e ficou tudo por isso mesmo, com Heinlein dispensando o uso do seu nome nos créditos. Somente na década de 60 é que o filme se tornou um favorito nas reprises da televisão e passou a ser cultuado pelos fãs de ficção científica. E antes que você ache que Os Devoradores de Cérebro tenha alguma ligação com zumbis, por conta de A Volta dos Mortos-Vivos, a resposta é não. A ameaça ao nosso status quo dessa vez são parasitas que são capazes de se atarracar em suas vítimas e dominar seus cérebros, controlando-as, retirando sua individualidade em prol de uma consciência coletiva maior e tornando-as agressivas (qualquer semelhança com a forma como os americanos viam o comunismo, é mera coincidência, tá?). Como se não bastasse, esses parasitas ainda liberam um fluído letal no sistema nervoso do hospedeiro, que faz com que o portador seja morto em até 48 horas após o verme ser retirado de seu corpo. E de onde surgiram esses tais parasitas mortais? Bom, na verdade um estranho cone de origem desconhecida surge misteriosamente em Riverdale, sem nenhuma explicação aparente, feito de um material indestrutível, trazendo essas terríveis criaturas. Mortes e desaparecimentos começam a acontecer na pacata cidadezinha, até que o senador Walter K. Powers (Cornelius Keefe, que usa o pseudônimo de Jack Hill no filme) vai de Washington até o local para investigar a origem do cone e tentar desmascarar uma possível fraude. Lá ele encontra o cientista Paul Kettering (Ed Nelson), que estudou o objeto levantando a hipótese de ser de origem extraterrestre. Auxiliando Kettering, está o filho do prefeito da cidade, Glen Cameron (que narra os acontecimentos do filme em primeira pessoa), sua esposa Elaine, o Dr. Wyler e a secretária do prefeito, Alice Summers (que vira o par romântico de Kettering). O prefeito que havia sido dado como desaparecido, retorna à prefeitura extremamente agressivo e travando uma verdadeira batalha interna consigo mesmo. Quando tenta atacar Powers, Kettering e os demais, é que o grupo descobre a iminente invasão dos parasitas, brinquedos de pilhas cobertos com pedaços de casacos velhos e varetas de limpar cachimbo como antenas. Imagine a beleza! História vai, história vem, Riverdale outrora sossegada começa a ter seus habitantes pouco a pouco tornando-se escravos dos parasitas devoradores de cérebro, um complô começa a se formar, os heróis precisam lutar por suas vidas, quando é descoberto um moribundo que aparentemente saiu do cone vazio (o qual Kettering já havia entrado e não encontrada nada em seu interior), que trata-se do Prof. Helsingman, especialista em bioquímica, dado como desaparecido em uma expedição científica fazia cinco anos. Obviamente ele tinha uma criatura presa em seu pescoço. Ao ser levado ao hospital antes de morrer, o velho já com o pé na cova só diz uma palavra: carboníferos. O período carbonífero ocorreu entre 359 e 245 milhões de anos, e foi quando se deu a proliferação dos animais terrestres, com o surgimento dos primeiros répteis e insetos. Ou como dizem no filme, é a Era dos Insetos, “com libélulas gigantes com asas de meio metro” e  “todo tipo de insetos do tamanho de um mamute”. E aqui que fica desvendado que não há nenhuma ameaça alienígena em vista, e sim terrena, com parasitas de mais de 200 milhões de anos que vieram do interior da terra para reclamar seu domínio sobre o planeta. Ah vá! Decididos em adentrar o cone para resolver essa pendenga de uma vez por todas, Kettering e Cameron descobrem então no interior do veículo o Prof. Cole, que havia desaparecido na mesma expedição junto com Helsingman. Cole é interpretado por um irreconhecível Leonard Nimoy, que está mais parecendo o Matusalém. Controlado pelos parasitas, ele dá voz às criaturas revelando seu terrível plano de controlar cada mente da terra e utilizar os homens para trazer todos de volta a superfície, oferecendo em troca para a humanidade uma vida utópica em perfeita harmonia, em paz e sem guerra, cobrando o pequeno custo da vontade e do livre arbítrio. Segue então a tentativa de destruir os parasitas antes que eles saiam do cone e comecem seu ataque em massa. Agora pelo que você leu, fale para mim se esse roteiro não é espetacular? Haja criatividade! E isso sem contar o charme dos parasitas / baratinhas feitos com apenas alguns trocados e a presença ilustre do Dr. Spock parecendo o Edin, pai do Jaspion. Os Devoradores de Cérebro é mais um exemplo de que não é preciso muito para fazer um filme ser divertido e cultuado. E também foi o pioneiro nesse quesito “parasitas terríveis” tendo muito outros exemplares de filmes que abordaram esse tema, de formas diferentes, mas igualmente bem sucedidos, como o apavorante Calafrios de David Croneneberg ou os divertidos A Noite dos Arrepios na década de 80 e Seres Rastejantes mais recentemente.
FONTE:


AS BRUXAS DE ZUGARRAMURDI (ESPANHA FRANÇA, 2013)


O JARDIM DOS ESQUECIDOS (EUA, 2014)