quinta-feira, 4 de junho de 2015

#160 1963 O CORVO (The Raven, EUA)


Direção: Roger Corman
Roteiro: Richard Matheson (baseado no poema de Edgar Allan Poe)
Produção: Roger Corman, Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson (Produtores Executivos)
Elenco: Vincent Price, Peter Lorre, Boris Karloff, Hazel Court, Jack Nicholson

O Corvo é um pastiche que Roger Corman utiliza para satirizar o horror gótico em si e a sua própria série de filmes inspirados nos contos de Edgar Allan Poe. Uma comédia com (pouquíssimos) elementos de terror, para mim é a mais fraca das oito incursões do diretor no universo do escritor americano, talvez pelo excesso do tom jocoso e alegórico da produção. Não que eu não goste de filmes de terror com pitadas de comédia. Longe disso. O próprio Roger Corman já nos brindou com algumas deliciosas comédias de humor negro, como o cult A Loja dos Horrores. Mas aqui, perto do requinte das outras produções anteriores (e futuras) o caminho do escracho em O Corvo acaba passando um pouco da medida. Talvez pelo fato da junção inédita do triunvirato do horror na mesma película, Vincent Price, Peter Lorre e Boris Karloff, o resultado mantenha-se de qualquer forma um degrau acima. Mas parando para analisar friamente, só a presença destes três já propicia todo o abuso da teatralidade de seus personagens, junto ainda de um trapalhão Jack Nicholson irreconhecível de tão novo. Duelos de magia, pantomimas, exageros, de tudo um pouco encontramos nessa produção. O que é em si uma baita contradição pois o poema O Corvo é um dos mais tristes e melancólicos de Poe, com a agourenta ave trazendo apenas a desilusão da perda em uma triste e solitária noite fria de dezembro. Aqui, o mago Erasmus Craven, papel de Price, está em seu quarto, também cabisbaixo, lamentando a perda de sua amada Lenore (interpretada por Hazel Court) brincando como uma criança com seus poderes telecinéticos e desenhando um corvo de energia em pleno ar, quando o pássaro negro bate em sua janela. Craven deixa-o entrar e aí temos a piada mais inteligente e divertida de todo o filme, quando ele declama: “Quem o mandou? É algum mensageiro alado e obscuro do além? Responda-me monstro, diga a verdade: terei novamente nos braços aquela que os anjos chamam de Lenore?”. E o corvo ao invés de proferir o famosíssimo “nunca mais” (nervermore), solta a pérola: “e como eu iria saber? O que eu sou, um adivinho?”. Genial Segue isso uma das histórias mais absurdas. O corvo na verdade é o também mago Dr. Adolphus Bedlo, vivido por Lorre, que já havia tido um embate com Price, mas como degustador de vinhos, em outro filme de Corman inspirado na obra de Poe: Muralhas do Pavor. Ele foi transformado de humano em ave pelo poderoso Dr. Scarabus, gran mestre supremo da irmandade, que foi durante muito tempo rival de Roderick Craven, pai de Erasmus. Quem faz o papel de Scarabus é Karloff, que também estava no elenco da clássica adaptação O Corvo da Universal de 1935, onde contracenava com Bela Lugosi. Após trazer Bedlo de volta a sua forma original através de uma poção com inusitados ingredientes, como aranhas gelatinosas e fios de cabelo de uma pessoa morta (não antes de uma patética tentativa frustrada onde o rosto de Bedlo, com seus olhos esbugalhados, fica em um corpo cheio de penas negras), o mago ex-corvo jura de pé junto que viu sua esposa Lenore no castelo de Scarabus, o que força Erasmus, sua filha Estelle e o filho de Bedlo, Rexford (Jack Nicholson) a irem confrontar o poderoso mago. Lá eles descobrem que na verdade tudo não passa de um embuste, e Lenore era uma sem vergonha vigarista que trocou Erasmus pelo poder e dinheiro de Scarabus, assim como Bedlo fazia parte da armadilha para atrai-lo. Quando Craven, sua filha e Rexford são presos, Bedlo se arrepende do trato com Scarabus, e acaba sendo transformado em corvo novamente, o que o faz ajudar Erasmus a ser libertado, no intuito de travar uma batalha mágica final com o inimigo, uma burlesca luta cheia de extravagantes efeitos especiais (para a época), com direito a levitação, cobras transformadas em echarpe, morcegos transformados em um leque japonês, balas de canhão que explodem confete, gárgulas aterrorizantes que tornam-se filhotinhos de cachorros, e por aí vai. A disputa vai se intensificando até seu final, onde obviamente, o personagem de Price torna-se o vencedor. Ver Price como uma caricato sensível, Lorre como um irritadiço e rabugento alcóolatra, Karloff como um sacana sem moral e presunçoso e os decotes de Hazel Court valem o filme, obviamente. Mas ainda assim mantenho a opinião de que é o filma mais fraco do ciclo Poe dirigido por Corman e com produção da AIP. E olha que o roteiro também é assinado pelo excelente Richard Matheson. O Corvo É aquele tipo de filme B que deixa a desejar, sabe, mas que dever ser conferido de qualquer forma. Deve ser visto uma vez pelo menos, e talvez, como diria o corvo: nunca mais!
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/05/11/160-o-corvo-1963/

#159 1962 O CASTELO ASSOMBRADO (The Haunted Palace, EUA)


Direção: Roger Corman
Roteiro: Charles Beaumont (baseado no poema de Edgar Allan Poe e na obra de H.P. Lovecraft)
Produção: Roger Corman, Ronald Sinclair (Produtor Associado), Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson (Produtores Executivos)
Elenco: Vincent Price, Debra Paget, Lon Chaney Jr., Frank Maxwell, Leo Gordon, Elisha Cook Jr.

Roger Corman, Edgar Allan Poe, H.P. Lovecrarft e Vincent Price. Só de citar estes quatro monstros sagrados do horror na mesma frase (consequentemente estando no mesmo filme) não precisaria escrever mais nada neste post para entender-se que O Castelo Assombrado é um clássico absoluto. Isso sem contar que Lon “Lobisomem” Chaney Jr. também está no filme, que é roteirizado por outro peso pesado do universo fantástico, Charles Beaumont e produzido pela American International Pictures de Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson. Não tinha como dar errado. E não deu. O Castelo Assombrado é um dos melhores filmes dessa safra, do chamado ciclo Poe de Corman, mas que tem muito mais elementos do universo do Rei do Indizível, baseando-se nos temas de um dos seus mais famosos contos: O Caso de Charles Dexter Ward, que faz parte da mitologia de Cthulhu. No conto, o jovem Charles Dexter Ward, ao melhor estilo Lovecraft, começa a ficar obsessivo em descobrir histórias sobre seu descendente, Joseph Curwen, um bruxo acusado de praticar magia negra no século XIX. Na sua busca inquietante, ele volta a cidade natal do seu antepassado em busca de textos, anotações e cartas, tanto em sua residência quanto em seu túmulo, e isso vai jogando o personagem em uma espiral de loucura que culmina em um completo colapso graças ao poderoso terror ancestral que ele acaba descobrindo. Mais Lovecraft, impossível. Partindo deste pressuposto e utilizando o nome de Poe para ajudar a vender o filme, já que as adaptações anteriores da parceria Corman e Price havia sido um baita sucesso, como O Solar Maldito,A Mansão do Terror e Muralhas do Pavor. Price faz o papel tanto do bruxo Curwen, perseguido pela população assustada do vilarejo de Arkham, que é queimado vivo e jura retornar em busca de vingança, amaldiçoando os moradores do local e suas próximas gerações, quanto de seu tataraneto, Charles Dexter Ward, que herda o castelo e vai para a Nova Inglaterra com sua esposa, Ann (Debra Paget) para começar a sofrer da possessão do tataravô obcecado em se vingar e concluir seu trabalho inacabado a 110 anos: trazer à vida os chamados Antigos, criaturas pré-diluvianas  poderosíssimas da mitologia de Lovecraft, que habitaram nosso planeta há milhões de anos e aguardam silenciosamente para voltarem e tomar o controle do que lhes pertence. Isso sem contar também que o nefasto Curwen além de praticar o ocultismo, também realizava bizarras experiências genéticas mal sucedidas com as moradoras da antes pacata Arkham, inseminando-as com as lendárias e profanas criaturas, dando origem a deformidades mutantes, verdadeiras aberrações que se arrastam pelas ruas do vilarejo ou vivem trancafiadas pelos seus assustados e vergonhosos pais. Em dado momento do filme, Ward e sua esposa são atacados por essas horrendas bestas, no intuito bem sutil dos moradores em dissuadi-los a ir embora. Apenas o Dr. Willet é quem se aproxima do casal e explica para Ward o motivo dele ser tão mal recebido pelos aldeões. Nesta explicação, ele até cita o nome dessas divindades idealizadas por Lovecraft, como o próprio Cthulhu e Yog Sothoth e também que Curwen era detentor de uma das cópias do infame Necronomicon, livro dos mortos escrito por Abdul Alhazred, uma espécie de compêndio fictício de ritos mágicos e sabedoria proibida, que seria muito citado em diversas obras do autor e filmes. Com ajuda de seus antigos lacaios, Simon Orne (papel de Chaney) e Jabez Hutchinson, que permaneceram vivos durante todo esse tempo graças a magia negra, Curwen se apodera de uma vez por todas do corpo de Ward, e após trazer à vida sua amada também morta, Hester Tillinghast, usará, Ann Ward para completar seu ritual de sacrifício inacabado aos Antigos. Detalhe muito interessante e ousado para época e até para os dias de hoje, é que temos o vislumbre de uma dessas criaturas cósmicas aprisionadas em uma cela subterrânea no porão do castelo de Curwen, mesmo sabendo que há uma imensa dificuldade em traduzir para as telas as formas destes seres imaginados pela mente afetada de Lovecraft e não cair no ridículo. E Corman conseguiu mandar bem mais uma vez. E como não podia deixar de ser em um filme dessa fase de Corman, todos aqueles elementos góticos característicos estão ali presentes, como o velho castelo no topo da colina, com mobília de mau gosto e cheio de teias de aranha e passagens secretas, um cemitério com uma névoa que nunca se dissipa, os aldeões assustados, carruagens, penumbra, e por aí vai. Outro detalhe é que Francis Ford Copolla (que dispensa apresentações, certo?) começou sua carreia ao lado de Corman, e ele é responsável por auxiliar no roteiro de O Castelo Assombrado, trabalhando de forma não creditada nos diálogos adicionais. Oficialmente, O Castelo Assombrado é a primeira adaptação da obra de H.P. Lovecraft para as telas de cinema. E uma das melhores de todas, já que sempre foi extremamente complicado enxertar o universo complexo do autor em um filme de 90 minutos. Os resultados futuros seriam algumas bombas sem precedente, e outras preciosidades, como no caso das adaptações feitas pelo diretor Stuart Gordon e o produtor Brian Yuzna nos anos 80. Mas eu ainda chego lá.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/05/10/159-o-castelo-assombrado-1963/

O MISTÉRIO DAS DUAS IRMÃS (The Uninvited, EUA, 2009)


RENASCIDA DO INFERNO (The Lazarus Effect, EUA, 2015)


A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ADALINE (EUA, 2015)


SOB A PELE (Under the Skin, EUA/REINO UNIDO/SUÍÇA, 2014)


THE LIZZIE BORDEN CHRONICLES (EUA, 2015)