terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

#480 1984 C.H.U.D. A CIDADE DAS SOMBRAS (C.H.U.D., EUA)


Direção: Douglas Cheek
Roteiro: Parnell Hall, Christopher Curry e Daniel Stern (não creditados), Shepard Abbott (história)
Produção: Andrew Bodine, Alfonso Tafoya e Thomas H. Field (Produtores Associados), Larry Abrams (Produtor Executivo)
Elenco: John Heard, Daniel Stern, Christopher Curry, Kim Greist, Laure Mattos, Brenda Currin

CHUD – A Cidade das Sombras é mais um típico filme B dos anos 80, tão característico a essa década adorada pelos fãs do horror, feito com baixo orçamento, que vive escondido na obscuridade como os monstros que ele resolve aqui retratar, porém, objeto de culto dos fãs do trash e acessível graças à Internet! Para começo de conversa, a sigla C.H.U.D. (do título original) é um acrônimo de “Cannibalistic Humanoid Underground Dweller”, que é algo mais ou menos como canibais humanoides moradores do subterrâneo. Trata-se exatamente das criaturas deformadas canibais que vivem nos esgotos de Nova York, que são na realidade horrendas mutações de mendigos expostos ao lixo tóxico despejado nos túneis da Big Apple. Tanto que C.H.U.D. também significa “Contamination Hazard Urban Disposal”, que mal pode ser lido nos containers de lixo tóxico, logo abaixo daquele famoso logotipo de risco de vida. Pois bem, então já matamos a trama. A comissão nuclear está descartando material radioativo no subterrâneo do sujo, opressor e decadente centro de Nova York (aquela NY que era muito bem retratada em filmes do período, como o Táxi Driver de Martin Scorcese e O Assassino da Furadeira de Abel Ferrara, entre outros) e os mendigos que vivem lá embaixo estão passando por essa mutação e sendo atacados por esses “monstros do esgoto”, que não são jacarés gigantes jogados na descarga, não. Aparentemente ninguém liga para o sumiço deles, até que “moradores da superfície” começam a sumir também, incluindo aí a esposa do Capitão Bosch (Christopher Curry) que foi atacada por algo que sai do bueiro certa noite, logo nos primeiros minutos do filme ao sair para passear com o cachorro. Bosch então ignorando os avisos de seus superiores, que mais tarde descobriremos estarem mancomunados com a agência nuclear, comandada pelo nefasto Wilson, interpretado por George Martin, começa a investigação quando acha estranho o fato de uma moradora de rua ter tentado roubar a arma de um policial para se proteger de “monstros”. Ele encontra A.J. Shepherd, também conhecido como Reverendo (Daniel Stern, que você deve conhecer como o ladrão Marv de Esqueceram de Mim, companheiro de enrascadas de Joe Pesci) que serve sopão comunitário para os mendigos, primeiro a reportar os desaparecimentos e encontrar roupas de proteção e contadores Geiger no subsolo. Paralelo a isso, o fotógrafo George Cooper (John Heard, que você também deve conhecer de Esqueceram de Mim como Peter McCallister, o pai relapso que esquece Macaully Culkin em casa) vive com a modelo Lauren Daniels (Kim Greist) e havia tirado fotos dos mendigos para uma reportagem, quando recebe o pedido de ajuda da mesma senhora presa que eu disse no parágrafo acima. Ao entrar nos túneis descobre um dos moradores com a perna parcialmente devorada por uma criatura, e suas fotos acabaram sendo usadas como provas contra a terrível corporação. Na metade final do filme que a coisa começa a pegar para valer, quando um gás é liberado nos túneis irresponsavelmente por Wilson para que as monstruosidades possam aparecer e serem eliminadas, quando eles finalmente vem a superfície e começa a escalada de mortes e do gore que a gente tanto adora. As criaturas mutantes possuem uma pele necrosada, aparência disforme e grandes olhos amarelos brilhantes, que até que são bacanas tendo em vista toda a limitação de época e de orçamento. Para os fãs da sangreira, há uma cena onde Lauren, recém-descoberta grávida, está tomando banho (sem nudez antes que você fique aí todo animadinho) e o ralo entope. Na verdade é alguma coisa tentando subir por ali. Quando a moçoila tenta desentupi-lo com um cabide, ela acerta algo que irá estourar num jorro de sangue na garota. Sei lá, ela deve ter acertado a artéria do bicho, não é possível. Enquanto seu companheiro, o Capitão Bosch e o reverendo tentam dar cabo do problema, ela está presa no apartamento tendo que sobreviver ao cerco dos mutantes canibais. Dirigido por Douglas Cheek, que depois não dirigiria mais nada em sua carreira e tornou-se editor de documentários, CHUD – Cidade das Sombras ironicamente serviu como ponte para que os atores que trabalharam nessa pérola depois se tornarem conhecidos do grande público, como os dois presentes em Esqueceram de Mim que já citei e o grande ator John Goodman, que faz a ponta de um policial. Inclusive dois dos membros do elenco, Stern e Curry, ajudaram a escrever o roteiro (de forma não creditada), assinado por Parnell Hall com história de Shepard Abbott (que também roteirizam apenas esse longa). CHUD – Cidade das Sombras é um filme que não fez sucesso nenhum na bilheteria, recebeu críticas medianas e caiu no ostracismo, sendo resgatado por novas gerações de fãs do terror como um desses “cults dos anos 80”. Ganhou uma continuação execrável em 1989 que nem merece menção.
FONTE: https://101horrormovies.com/2014/07/18/480-chud-a-cidade-das-sombras-1984/

#479 1984 CHAMAS DA VINGANÇA (Firestarter, EUA)


Direção: Mark L. Lester
Roteiro: Stanley Mann (baseado no livro de Stephen King)
Produção: Frank Capra Jr., Martha De Laurentiis
Elenco: David Keith, Drew Barrymore, Freddie Jones, Heather Locklear, Martin Sheen, George C. Scott

Chamas da Vingança é um filme fraco para um livro fraco de Stephen King. Preciso confessar que eu comecei a ler A Incendiária e nunca consegui terminar de tão maçante e chato que achei a novela do mestre do terror. O filme segue a mesma toada e pior ainda, com uma piveta Drew Barrymore chata pra cacete pra irritar durantes quase duas horas de duração. Chamas da Vingança segue uma “febre” de filmes lançados no final dos anos 70 e começo dos anos 80 que trazem como pano de fundo poderes extrassensoriais como telepatia, telecinese, geralmente tendo como foco testes secretos e organizações escusas, como A Fúria de Brian De Palma e Scanners – Sua Mente Pode Destruir de David Cronenberg. Aqui no caso, a jovem Charlene “Charlie” McGee possui habilidades pironcinéticas de atear e controlar o fogo. Isso porque seu pai e mãe, Andy McGee (David Keith) e Vicky Tomlinson (Heather Locklear) participaram de um experimento científico onde foram cobaias da injeção de um composto chamado Lote 6, uma droga que estimula a glândula pituitária e lhes deu poderes telecinéticos. Oito anos se passam quando Andy e Charlie começam a ser perseguidos pela inescrupulosa organização conhecida como A Loja, chefiada pelo famigerado Capitão Hollister, papel de Martin Sheen. Após Vicky ser assassinada, os dois vivem como nômades tentando escapar dos tentáculos da perigosa organização que quer usar a menina como arma definitiva. Para isso, ele contrata o impetuoso mercenário John Rainbird (George C. Scott), um pragamático matador descendente de índios americanos (que Scott não tem absolutamente nada a ver) que tem como desejo matar Charlie com suas próprias mãos. Pai e filha acabam capturados, Andy começa a ser drogado como forma de inibir seus poderes telepáticos e Rainbird, passando por um afável faxineiro, faz amizade com Charlie para que ela desencadeie todo seu poder durante os experimentos. Até claro, que fatidicamente a coisa vai dar merda uma hora e Charlie parecer a Fênix Negra dos X-Men e começar a tacar fogo em tudo. Originalmente, Chamas da Vingança deveria ter sido dirigido por John Carpenter, que já se aventurara na direção de uma adaptação de Stephen King no ótimo Christine – O Carro Assassino. O problema é que os executivos da Universal o tiraram do projeto por conta do fiasco nas bilheterias de O Enigma de Outro Mundo (que é SÓ o seu melhor filme e hoje objeto de culto). A vaga ficou na mão do burocrático e preguiçoso Mark L. Lester, que mais tarde dirigiria alguns clássicos do cinema de ação oitentista como Comando Para Matar e Massacre no Bairro Japonês. O filme é uma tragédia só, pior do que ser queimado vivo pela garota. Tudo é enfadonho, clichê, arrastado, sem um pingo de ousadia e transformando a obra num resultado medíocre, tal qual o próprio livro de King. Salvam-se mesmo apenas Martin Sheen que sempre faz um belo vilão (como já havia feito em outra adaptação anterior do escritor, A Hora da Zona Morta) que ficou com o papel com a recusa de Burt Lancaster e o sempre gabaritado George C. Scott, ganhador do Oscar de melhor ator por Patton – Rebelde ou Herói? e o excelente thriller sobrenatural Intermediário do Diabo. Os efeitos especiais para a época também são bem interessantes, principalmente as bolas de fogo lançadas pela menina nos seus algozes. Mas algumas coisas são péssimas, como o esvoaçar do cabelo da garotinha antes da manifestação dos seus poderes (parece com aqueles comerciais de xampu, sabe?) ou a fraquíssima atuação de David Keith (que foi nada menos que a 14ª escolha!!!!). Fora que aguentar a “ternurice” daquela vozinha adocicada chata pra danar de Drew Barrymore é uma barra. Chamas da Vingança ainda rendeu mais de 15 milhões de dólares de bilheteria nos EUA, provando que naqueles tempos, adaptar uma obra do mestre do terror para o cinema era sinal de lucro certo. Por isso mesmo, esse é um dos seis filmes baseados no texto de Stephen King produzidor por Dino de Laurentiis, junto com A Hora da Zona Morta, Olhos de Gato(também com Barrymore no elenco), A Hora do Lobisomem, Comboio do Terror e Às Vezes Eles Voltam. Resumo da ópera: Um livro pobre e ruim transforma-se em um filme pobre e ruim.
FONTE: https://101horrormovies.com/2014/07/17/479-chamas-da-vinganca-1984/