sexta-feira, 16 de junho de 2017
369 1961 O ANO PASSADO EM MARIENBAD (L’Année Dernière à Marienbad, EUA)
Ano
Passado em Marienbad
(Année
dernière à Marienbad, L', 1961)
Por Juliano
Mion, em 04/08/2008
Obra-prima
de Alain Resnais que foge dos convencialismos.
Ano
Passado em Marienbad é um filme difícil de digerir – aliás, dificílimo.
Contudo, não há razão para pânico agora: esta crítica não irá partir de uma
retórica acadêmica – pelo contrário. A “pretensão” aqui é outra, é a de
justamente abordá-lo de forma não-pretensiosa, oferecendo uma degustação do
filme, uma impressão, ou então uma pequena introdução a esta obra que é uma das
mais discutidas e controversas da história do cinema francês – e não seria
exagero dizer do cinema mundial. Este é um filme europeu por excelência, do
chamado “cinema de autor”, sendo frequentemente objeto de estudo em teses e
dissertações, costumeiramente citado na bibliografia sobre a teoria do cinema,
bem como caracteriza um daqueles longas que rendem centenas de artigos
científicos e análises pelo viés da semiótica e da filosofia. Mas reitero: este
não é (necessariamente) o caso.
Dirigido
por Alain Resnais, um dos mais importantes nomes no movimento de cinema francês
conhecido como Nouvelle Vague, que aconteceu em meados das décadas de 50 e 60 e
teve como principais expoentes os cineastas Jean-Luc Godard, François Truffaut
e o diretor do filme em questão, que por sua vez também tornou-se
conhecido pelo longa Hiroshima Meu Amor. O movimento, entre
muitas outras características (que renderiam um enorme artigo só para si),
elevava a figura do diretor de cinema ao cargo máximo imaginável dentro do
filme, este que passava a ser acima de tudo o reflexo dos seus anseios
artísticos, estéticos e pessoais, demonstrando sua visão particular de mundo. O
diretor passa a dispor da mesma autonomia que, por exemplo, obtiveram os
compositores de música erudita no período clássico, onde a obra não mais seria
feita simplesmente sob demanda, mas que, para ser dotada de legitimidade,
deveria originar-se de elementos mais subjetivos e intangíveis proporcionados
por seus autores. É interessante mencionar um pouco do contexto em que Ano
Passado em Marienbad surgiu para posteriormente ao menos compreender a sua
suposta inelegibilidade, principalmente se comparado ao “abecê” do cinema dito
vigente e comercial. Com o movimento da Nouvelle
Vague, haveria um evidente choque de valores, que confrontavam tanto com o
modelo de produção do cinema enquanto produto de uma indústria, mas que
inevitavelmente também trazia para a tela conseqüências na própria linguagem do
material produzido, rompendo com diversas tradições do modelo predominante que
fora forjado nos EUA, especialmente por D.W. Griffith, que de qualquer modo tem
seus reflexos ainda hoje.
Enfim,
mas vamos direto ao ponto. Filmada em preto e branco, a trama do filme é
apresentada por meio de uma gama de imagens ambientadas em um luxuoso palacete,
um hotel deslumbrante repleto de salões com seus lustres rebuscados, escadarias
vertiginosas, corredores infinitos e estatuas atemporais. Em meio a esse clima
de arquitetônicas paisagens imbuídas de um tom aristocrático, desenrola-se um
pouco trivial triângulo amoroso, onde um homem (denominado simplesmente como
“X”) tenta, a todo custo, fazer a mulher (personagem intitulada “A”) lembrar-se
do romance que teriam tido um ano antes. O problema é que a dama, na companhia
de seu marido (este por sua vez o “M”), de início sequer lembra de alguma
coisa. O curioso é o fato de que, apesar do impasse o qual vivencia, a mulher
ora sente-se repelida, ora atraída por aquele homem e pelos detalhes e
passagens que a faz rememorar e as sensações que lhe são invocadas.
Detalhes sutis como a sua mão que repousa sobre seu ombro, o espelho da
penteadeira, as estátuas, ou seja, todas as menções que o homem faz agem no
psiquismo da mulher de maneira que sua memória seja afetada, e sentimentos
materializados em imagens pouco convencionais venham involuntariamente à tona.
Tal qual como concebeu o escritor francês Marcel Proust na sua obra Em Busca do
Tempo Perdido, ainda no início do séc. XX, que fazia uso do recurso da “memória
involuntária”, como ficou bem exemplificado na célebre passagem do livro onde
apenas o sabor de uma Madeleine (bolinho típico francês) mergulhada no chá
poderia trazer as mais derradeiras sensações e lembranças.
O
filme, graças ao modo único como é conduzido, dada a sua narrativa singular e
seu não-comprometimento com a linearidade em toda a lógica cinematográfica
clássica, abre campo para as mais distintas reações e interpretações. É
possível acabar de assisti-lo com a (por vezes) deliciosa sensação de não ter
entendido nada, além de ter se deixado prazerosamente levar pelo seu
clima delirante e pelo esplendor de suas imagens – ou seja, simplesmente
deleitar-se. É possível, após o fim da exibição, estar com não só com a
plena sensação de entendimento como estar fervilhando de interpretações. Também
uma possibilidade a ser levada em conta ao estar diante do filme é a de ficar
simplesmente irado com tamanha barbárie de grafia cinematográfica, ou pior, nem
sequer ter paciência para concluir esta experiência. Contudo,
pessoalmente creio que o filme, assim como o imenso livro de Proust, é uma
obra que tem por finalidade principal discutir a forma de se pensar o tempo
(neste caso no cinema). A memória involuntária não restringe-se somente a uma
remomeração consciente dos fatos do passado, mas evoca também sensações,
possibilita revisitar um tempo e um sujeito que não existem mais. E a
transformação constante do sujeito passa a refletir na estrutura e na
estética da obra. O que justifica certos artifícios, como momentos
de repetição constante de certas ações – e ainda por cima em montagem
paralela. Desse modo, vale dizer que o filme é apresentado em escala tridimensional,
pois os elementos narrativos são expostos como fluxo de consciência, e cada
detalhe pode levar a uma progressiva desordem dos sentidos, como dizia o também
francês poeta Rimbaud.
Há
também, como bem discorre o pesquisador Arlindo Machado em seu livro
“Pré-Cinemas & pós-cinemas”, a questão da dualidade entre “cinema e sonho”
e “cinema e subconsciente” em Ano passado em Marienbad. Para Machado, este
filme é sem dúvida o mais onírico de toda a história do cinema. Uma vez que o
longa é todo permeado por constantes inserções de um suposto narrador e de
“vozes do além”, essas palavras da trilha sonora por assim dizer formam
fragmentos acústicos que retornam em vários momentos, nos contextos mais
diversos. Ao passo que passam da boca de um para a boca de outro personagem, são
proferidas em off, trazendo para o filme corpos e elementos ausentes, que na
minha opinião, estão dispostos bem à moda “proustiana”. Também com este
artifício, o diretor leva a discussão sobre até que ponto a fala e o som no
cinema estão ligados aos seus correspondentes, pois uma vez que estão de tal
modo fundidos com a imagem em um filme convencional, se deixam, em certo
sentido, serem “visualizados” petrificando-se aos seus objetos correspondentes.
Alain Resnais estava consciente do poder de fogo deste filme, a polêmica e a
discussão que poderia gerar, tanto como causou ao estrear no Festival de Cannes
em 1961 e como ainda permanece nos circuitos de estudo de cinema.
Uma
curiosidade deste filme é que, assim como por vezes acontece, foi elaborado um
remake compacto desta obra por meio de um videoclipe. Coube a banda inglesa
Blur, que também realizou algo semelhante no clipe da música “The Universal”
com Laranja Mecânica, levar Ano Passado em Marienbad ao clipe da canção
“To The End”, (https://youtu.be/Zlxj_LuggBY) que é simplesmente imperdível.
Vale a pena correr visualizá-lo no YouTube, onde com a mais absoluta perfeição
é recriada toda a atmosfera e todos os principais planos concebidos
por Alain Resnais, só que desta vez com a atuação dos integrantes da banda que,
ao lado do Oasis, reinou nos anos 90 com o gênero de rock
chamado britpop. O filme também foi surpreendentemente indicado para o
Oscar de melhor roteiro original em 1963 – o que evidencia que a academia por
vezes tem lampejos de ousadia e contempla obras que fogem do convencionalismo e
do dito conservador – que neste caso, é a pura vanguarda.
FONTE:
http://www.cineplayers.com/critica/ano-passado-em-marienbad/1389
terça-feira, 13 de junho de 2017
CLASS 1ª TEMPORADA (REINO UNIDO, 2016)
01 01x01 For Tonight
We Might Die
DIREÇÃO: Ed Bazalgette
ROTEIRO Patrick Ness
DATA REINO UNIDO: 22/10/2016
Os Refugiados alienígenas, Miss
Quill e Charlie, estão escondidos na Academia Coal Hill, disfarçados de
professora e aluno. Quando os Sombrios invadem a Coal Hill e matam um aluno,
Charlie é forçado a revelar a April, Tanya, Ram e Matteusz, que ele e Miss
Quill são os últimos sobreviventes de uma guerra alienígena, ele um príncipe, e
ela é sua escravo/guarda-costas. Durante o sexto baile de formatura, os
Sombrios passam pelo rasgo, matando a namorada de Ram, Rachel, e cortando sua
perna. O Doutor ,
que resgatou Charlie e Miss Quill e os fez se esconderem na escola, chega para
derrotar os Sombrios. Ele nomeia Miss Quill e os alunos como protetores da
escola, observando que se tornou uma fenda durante todo o espaço-tempo. April é
deixada dividindo um coração com o Rei dos Sombrios, e Ram tem sua perna
substituída por uma perna robótica.
02 01x02 The
C oach with the Dragon Tattoo
DIREÇÃO: Ed Bazalgette
ROTEIRO Patrick Ness
DATA REINO UNIDO: 22/10/2016
Ram luta para se recuperar do
ataque que sofreu no baile. O treinador Dawson repreende-o pelo mau desempenho
no futebol e rebaixa-o para a segunda equipa de jogadores. Naquela semana, Ram
testemunha uma criatura atacar tanto o treinador assistente como uma limpadora
da escola, mas luta para encontrar evidências de suas mortes depois do fato,
levando-o a questionar sua sanidade. Tanya, Charlie e April investigam em seu
nome, e aprendem que um dragão que se manifesta em diferentes partes da escola
está conectado com o treinador Dawson. Eles aprendem que o treinador foi ligado
a uma fêmea dragão que veio através de uma fenda no tempo, e fundiu-se ao seu
corpo como uma tatuagem. Seu companheiro vaga pela escola, matando para
alimentá-la. Convencido pelos alunos, o dragão leva sua companheira junto com o
treinador de volta através da fenda no tempo. Ram depois conta a seu pai sobre
os eventos do baile.
03 01x03 Nightvisiting
DIREÇÃO: Ed Bazalgette
ROTEIRO Patrick Ness
DATA REINO UNIDO: 29/10/2016
No segundo aniversário da morte
de seu pai, Tanya é visitada por uma aparição dele, implorando que ela pegue
sua mão e ligue suas almas através do espaço e do tempo. Em todo o leste de
Londres, videiras alienígenas vindas da fenda do espaço-tempo em Coal Hill
estão capturando londrinos com imagens de seus entes queridos mortos. Mesmo
Miss Quill é visitada por uma entidade que alega ser sua irmã. Ram e April
investigam juntos e se aproximam. Matteusz e Charlie levam sua relação para o
próximo nível depois que Matteusz é expulso de casa por seus pais homofóbicos.
Depois de interrogar sua "irmã", e confirmando que a Terra
simplesmente foi invadida por uma criatura alienígena faminta chamada Lan Kin,
Quill corta a videira da casa de Tanya usando um ônibus roubado de dois
andares, fazendo com que os Lan Kin fujam com dor.
04 01x04 Co-Owner
of a Lonely Heart (Parte 1)
DIREÇÃO: Philippa Langdale
ROTEIRO Patrick Ness
DATA REINO UNIDO: 05/11/2016
Após os eventos do baile, April
está lutando para controlar a si mesma desde que ela começou a compartilhar seu
coração com o Rei dos Sombrios. As tentativas do Rei para mitigar sua
deficiência têm um tiro pela culatra, dando a ele e April uma conexão psíquica
ainda mais profunda. Dorothea Ames apresenta-se como a nova Diretora da Coal
Hill após a morte do Sr.Armitage. Ela conta a Miss Quill como os Governadores
estão interessados nela e mais tarde a apresenta a uma flor carnívora
alienígena que tem se repetido em números preocupantes. O pai de April é
libertado da prisão e visita a sua família. Durante um confronto, os pais de
April descobrem a verdadeira natureza de seu problema enquanto ela
incontrolavelmente ataca os dois. Sentindo que o Rei dos Sombrios descobriu sua
localização, April pula através de uma fenda no espaço-tempo para pegar seu
coração de volta, com Ram acompanhando-a de perto.
05 01x05 Brave-ish
Heart (Parte 2)
DIREÇÃO: Philippa Langdale
ROTEIRO Patrick Ness
DATA REINO UNIDO: 12/11/2016
April e Ram chegam ao planeta dos
Sombrios, conhecido como o Underneath, onde ela procura o Rei para reivindicar
seu coração. Enquanto isso, na Terra, as pétalas de flores carnívoras estão
continuamente se multiplicando e estão inundando ruas e consumindo seres
humanos. Dorothea Ames recruta Miss Quill para forçar Charlie a usar o Gabinete
das Almas (uma arma de destruição em massa composta das almas preservadas de
sua espécie) para matar as pétalas, mas parece dividido entre sacrificar as almas
do seu povo e deixar a humanidade morrer. Canalizando o próprio poder do Rei,
April o derrota no combate e se torna o Rei dos Sombrios. Voltando à Terra, ela
despacha seu exército para destruir as pétalas, poupando Charlie de sua
decisão. O ex-Rei preso rompe sua conexão com April, no entanto, mais uma vez
quebrando seu controle sobre os Sombrios. Ames está satisfeita em ter explorado
a situação para aprender mais sobre Charlie e o Gabinete das Almas.
06 01x06 Detained
DIREÇÃO: Wayne Yip
ROTEIRO Patrick Ness
DATA REINO UNIDO: 19/11/2016
Miss Quill coloca Charlie, April,
Ram, Tanya e Matteusz em "detenção" enquanto ela atende a assuntos
urgentes. Um meteoro voa através de uma venda no espaço-tempo e desloca a sala
de aula que os cinco estão em um local desconhecido descrito como sendo fora do
tempo e espaço. Eles estão presos. Com ninguém além de um pequeno meteoro. Este
meteoro força quem quer que esteja a mantê-lo para revelar verdades horríveis e
pessoais. Eles logo descobrem que o meteoro é a consciência de um Serial Killer
preso. E os cinco alunos estão atualmente em sua cela de prisão aumentada.
Charlie logo percebe que ele é mais culpado do que o próprio prisioneiro é
assim capaz de derrotá-lo e retornar o grupo de volta à Coal Hill de uma só
vez. Miss Quill retorna, tendo tido um bom dia enquanto eles estavam ausentes -
como é evidente pelo fato de que ela agora é capaz de usar uma arma.
07 01x07 The
Metaphysical Engine, or What Quill Did
DIREÇÃO: Wayne
Yip
DATA REINO UNIDO: 26/11/2016
Em simultâneo com os
acontecimentos do episódio anterior, Quill encontra-se com Ames depois de
deixar Charlie detido. Explicando que os governadores decidiram ajudar Quill
remover o Arn de seu cérebro, Ames introduz um metamorfo alienígena chamado
Ballon (que se congelou). Os três são teletransportados para uma realidade
metafísica. Ames explica que, enquanto um lugar pode ser acreditado, existe e
pode ser visitado usando este dispositivo. Ao longo do tempo, eles encontram um
espécie de Arn para estudar, e obter o sangue do 'Diabo' (descongelar Ballon
para que ele possa realizar a cirurgia em Quill). Eles finalmente obtém o
cérebro de uma deusa Quill para estudar antes de retornar a Coal Hill. Ballon
executa a cirurgia e remove o Arn, libertando Quill mas deixando seu olho
cicatrizado. Logo é revelado que os dois estão, de fato, no Gabinete das Almas
e Ames só permitirá que um deles possa voltar à Terra. Eles acabam lutando até
a morte, com Quill ganhando uma vitória agridoce. Quill retorna à escola no
momento em que o episódio anterior terminou. Ela desmaia e Charlie descobre que
está visivelmente grávida.
08 01x08 The
Lost
DIREÇÃO: Julian Holmes
ROTEIRO Patrick Ness
DATA REINO UNIDO: 03/12/2016
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Direção: George Sluizer Roteiro: Tim Krabbé (baseado em seu livro), George Sluizer Produção: Anne Lordon, George Sluizer Elenco: ...
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Direção: Guillermo Del Toro Roteiro: Guillermo del Toro Produção: Arhtur Gorson, Bertha Navarro; Francisco Murguía, Bernard L. Nuss...






