sábado, 5 de setembro de 2015

#086 1956 O LOBISOMEM (The Werewolf, EUA)


Direção: Fred F. Sears
Roteiro: James B. Gordon, Robert E. Kent
Produção:Sam Katzman
Elenco: Steven Ritch, Don Megowan, Joyce Holden, Eleanore Tanin, Kim Charney, Herry Lauter, Ken Christy

Menos conhecido do que seus antecessores da Universal, O Lobisomem de 1956 trata de atualizar a lenda para o seu devido tempo, deixando de lado qualquer tipo de origem mística ou maldita, para transformá-lo em mais uma vítima de cientistas loucos brincando com os perigosos efeitos da radiação. A fita é produzida pelo lendário Sam Katzman, responsável por uma série de filmes B realizados durante os anos 50 pela produtora Clover para a Columbia Pictures, entre eles O Monstro do Mar RevoltoO Ataque vem do Polo (sem dúvida o pior filme de monstro gigante de todos os tempos), O Cadáver Atômico Os Zumbis de Mora Tau. Além destas preciosidades, Katzman também é conhecido pela minissérie do Superman de 1948 e os filmes de Elvis Presley para a MGM na década de 60. Dirigido por Fred F. Sears, aqui a criatura é interpretada por Steven Ritch, que na pele do personagem Duncan Marsh, sofre um acidente de carro no interior dos EUA e é resgatado por dois cientistas que resolvem aplicar um experimento no coitado, que acaba transformando-o na criatura peluda. Diferente do sofrido lobisomem vivido por Lon Chaney Jr. em O Lobisomem de 1941, o monstro de Ritch não tem medo de bala de prata, nem da flor do mata-lobos e também não tem a exclusividade de se transformar nas noites de lua cheia, podendo fazer isso em qualquer horário, dependendo do perigo que corre e do nível de adrenalina em seu corpo. Desorientado, Marsh vai parar em uma cidade montanhosa cercada de florestas, onde mata acidentalmente um dos moradores bêbados após uma briga em um beco, resultado de uma tentativa de roubo. O xerife Jack Haines (Don Megowan) e seu assistente Ben Clovey então começam a investigar a estranha morte, que é creditada a um animal pelo corpo ter sido encontrado com a garganta dilacerada. Porém quando Clovey é atacado, ele tem certeza que o que viu era mais parecido com humano, e sua teoria ajuda a ganhar força ao encontrarem pegadas na neve que mudam de humanas para lobo. Com a ajuda do Dr. Jonas Gilcrist e sua enfermeira, Amy Standish, também noiva do xerife Haines, o caso desenrola-se até se tornar uma verdadeira caçada humana à criatura pelas florestas, sempre sem sucesso. Amy, porém acaba convencendo Haines a não matar Marsh, que nessa altura do campeonato já havia se apresentado a ela e ao doutor e confessado a autoria do crime e sua capacidade em se transformar na besta, ficando comovida com a dramática situação vivida pela vítima, principalmente após a chegada de sua mulher e filhos na cidade. A maquiagem do O Lobisomem é bastante interessante, sempre abusando da mesma técnica de trucagem para a transformação de homem em lobo, usado anteriormente nos clássicos da Universal, como o próprio O Lobisomem com Lon Chaney ou o anterior O Homem Lobo. Claro que não há o dedo do mago da maquiagem Jack Pierce para a criação do monstro, mas Clay Campbell (não creditado) dá conta do recado e faz um lobisomem crível, perto do monte de absurdos com relação aos efeitos especiais que estamos acostumados a ver nos anos 50. O duro é você ver a criatura mudar de forma e continuar alinhada, com a camisa engomadinha, a calça intacta e vestindo os sapatos. O Lobisomem é um filme correto. Ponto. Não acrescenta nada no gênero, a direção é precisa, mas bem burocrática, sem nenhuma ousadia, a explicação do uso da radioatividade é chinfrim. O roteiro abraça muito mais a carga dramática e o sofrimento familiar que o homem-lobo é obrigado a suportar. Acho que no total são contabilizadas três mortes durante o longa. O legal é que O Lobisomem foge um pouco dos monstros gigantes e invasões alienígenas incessantes que víamos no gênero durante aquele período, e também por presenciarmos mais uma incursão do monstro nas telonas, depois do hiato que viveu após os filmes da Universal e suas sequências, até a volta do licantropo em A Maldição do Lobisomem da Hammer, somente na década seguinte
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/02/15/86-o-lobisomem-1956/

#078 1955 GUERRA ENTRE PLANETAS (This Island Earth, EUA)


Direção: Joseph Newman
Roteiro: Franklin Coen, Edward G. O’Callaghan (baseado na história de Raymond F. Jones)
Produção: William Alland
Elenco: Jeff Morrow, Faith Domergue, Rex Reason, Lance Fuller, Russell Johnson

 Existem alguns filmes que são fadados a serem escrachados por toda a eternidade. Tudo bem, vamos levar em conta que o ano é 1955 e não poderia se esperar muito de um filme no quesito efeitos especiais naquela época (mesmo eles alardeando que levou dois anos e meio para ficar pronto). Mas o duro mesmo é quando o roteiro é tão ridículo, tão estapafúrdio, que além dos efeitos e cenários, só ajuda mais ainda o filme virar motivo de chacota. E esse é o caso de Guerra Entre Planetas. Pense no típico filme B de ficção científica da década de 50. Pense na estética camp, nas vestimentas prateadas, nos computadores gigantes com luzes que piscam, toda uma parafernália visual geométrica, discos voadores redondos, nos cenários de papel alumínio, dos fundos pintados a mão, alegoria da invasão comunista e o medo nuclear, e uma criatura alienígena simplesmente tosca, com uma roupa de borracha, pele verde, olhos esbugalhados e cérebro gigante à mostra. Guerra Entre Planetas consegue ter tudo isso, e mais um pouco. É um daqueles filmes, que como O Planeta Proibido, foram responsáveis por criar todo um padrão clichê da ficção científica futurista (até para ser explorado em sátiras vindouras) e da visita dos humanos a outros planetas. Tá bom, OK, os xiitas de plantão vão me atirar pedras porque Guerra Entre Planetas é um clássico, e como disse no parágrafo a cima, serviu como fonte de inspiração estética para o cinema fantástico, e principalmente para essa nossa noção enraizada de como é o visual de um filme de ficção dos anos 50. Mas me desculpe, não tem como levar a sério. Se eu fosse um baby boomer e tivesse nascido ou vivido os anos 50 e 60, tudo bem. Mas nasci na década de 80, e assistir a um filme como esse só dá para dar risada mesmo, inclusive do roteiro e dos nomes utilizados nele, como o planeta Metaluna, em guerra com Zagon, ou o alienígena de nome Exeter e seu aparelho comunicador chamado interocitor. Enfim, já disse que Metaluna está em uma ferrenha guerra contra Zagon, que vive bombardeando o planeta rival com naves espaciais que lançam meteoros (???!!!). A única forma de Metaluna se defender é através de um campo de força iônico que aos poucos está sendo destruído pela fúria dos ataques. Resta aos sobreviventes descobrir uma fonte de energia alternativa para conseguir manter o escudo funcionando, e é claro, que estamos falando de energia nuclear, a qual nós, reles terráqueos, sabemos manipular tão bem. Para isso, o líder de Metaluna, conhecido com O Monitor, envia um grupo de cientistas para a Terra, chefiados por Exeter (Jeff Morrow), um alienígena com aparência humana, mas com uma testa enorme, pele bronzeada e cabelos platinados, para recrutar as mentes mais brilhantes do planeta a fim de trabalhar em pesquisas com energia nuclear. O cientista, engenheiro eletrônico E piloto Dr. Cal Meacham (Rex Reason) o típico canastrão, petulante, mulherengo e cheio de pose dos anos 50, autoridade na áera de energia nuclear é convidado a se juntar a esse seleto grupo de cientistas, junto com a Dr. Ruth Adams (Faith Domergue). Aos poucos, Cal desconfia de Exeter e de seu comparsa Brack (de aparência quase idêntica) e de seu estranho confinamento e tenta uma fuga do local. Após a perseguição, ao tentarem escapar de avião, o casal de cientistas é raptado através de um raio trator que os leva para o interior da nave alienígena, onde são involuntariamente levados até Metaluna, só para serem testemunhas da iminente aniquilação do planeta. Só que o sabichão do Monitor queria na verdade transferir o planeta para nossa amada Terra. Enquanto Exeter acreditava em uma convivência pacífica entre os dois povos, Monitor queria mesmo era controlar nossa mente e nos tirar o livre arbítrio. E aí o paralelo com o medo comunista grita alto, assim como todos os problemas relacionados à Guerra Fria e a corrida armamentista entre os americanos e soviéticos, principalmente no que se diz respeito a estudos e controle da energia atômica, que poderiam ser usadas para fins bélicos. E nos momentos finais do filme, durante a fuga desesperada de Metaluna, somos agraciados com a presença da criatura mutante que serve para trabalhos braçais no planeta, o tal tosquíssimo alienígena verde com o cérebro gigante e olhos esbugalhados. Pronto, o monstro extraterrestre não aparece nem cinco minutos em cena com sua roupa de borracha, mas já é o suficiente para ele ficar eternizado como uma das mais significantes criaturas alienígenas da história do cinema de ficção científica. Tanto que na verdade, Guerra Entre Planetas é considerado parte do ciclo de monstros da Universal, como uma de suas últimas produções. Filmado em Technicolor o que dá um tremendo charme para o filme e ao mesmo tempo expõe ainda mais sua desastrosa passagem pelos anos (ainda mais hoje que chegamos a um nível absurdo de efeitos especiais), a fita é produzida por William Alland, famoso produtor da Universal que também foi responsável por outros clássicos do período para o estúdio, como: A Ameaça que Veio do EspaçoO Monstro da Lagoa Negra Tarântula. Bom, como dizem por aí, clássico é clássico. É óbvio que Guerra Entre Planetas tem seu valor inestimável, contribuição importantíssima para o cinema fantástico e uma legião de fãs. Mas não dá para assistir sem dar muita risada, isso é verdade. E se meu texto está detonando o filme, mas com carinho, você precisa assistir a O Filme Mais Idiota do Mundo, tosquíssima tradução em português para o longa metragem da inteligente série de TV Mystery Science Theater 3000, onde Guerra Entre Planetas foi massacrado nesta paródia.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/02/04/78-guerra-entre-planetas-1955/

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

#240 1971 CALAFRIO (Willard, EUA)


Direção: Daniel Mann
Roteiro: Gilbert Ralston (baseado na obra de Stephen Gilbert)
Produção: Mort Briskin, Charles A. Pratt (Produtor Executivo)
Elenco: Bruce Davison, Sondra Locke, Elsa Lanchester, Michael Dante, Jody Gilbert, Ernest Borgnine

Sabe A Vingança de Willard, certo? Aquele filme com o Crispin Glover, que fez até relativo sucesso no Brasil, onde um garoto deslocado socialmente, tímido e que é feito de gato e sapato pelo patrão faz amizade com ratos? Pois bem, Calafrio é a versão original desse filme, de 1971, dirigido por Daniel Mann. Baseado no livro do obscuro irlandês Stephen Gilbert, The Ratman’s Notebook, a base da história é a mesma se você conhece a versão mais recente: Willard Stiles (aqui interpretado por um novo Bruce Davidson, o Senador Robert Kelly do primeiro filmes dos X-Men e o Dr. Stegman de Kingdom Hospital, aquela série do Stephen King) perdeu o pai muito novo, e teve que cuidar de um casarão caindo aos pedaços e de sua velha e decrépita mãe esclerosada (vivida por Elsa Lanchester, a eterna noiva do monstro de Frankenstein do clássico da Universal). Como se isso não bastasse, o sócio de seu pai, o Sr. Martin (Ernest Borgnine) ficou com a fábrica que deveria ser sua e o trata como lixo no trabalho, exercendo todo tipo de assédio moral possível e imaginável em uma empresa. Com essa vidinha social, profissional e familiar miserável, Willard faz amizade com um bando de asquerosos ratos que aparecem em seu jardim, dando-lhes casa, comida e treinamento, tendo neles os únicos amigos que já teve em toda sua vida. Entre os roedores, dois merecem destaque e atenção especial: o fofo e inteligente ratinho branco Sócrates e a perversa, violenta e maligna ratazana Ben (aquela mesmo da música do Michael Jackson, mas ainda vou chegar nesse post futuramente). Enfim, como o que está ruim sempre pode piorar, a Sra. Stiles morre e então o Sr. Martin se vê dispensado da promessa de manter sempre o pobre Willard empregado, e resolve mandá-lo embora. Fora isso, também quer comprar a casa do infeliz e despejá-lo, já que a mãe deixou uma hipoteca gigantesca para vencer e Willard não teria como continuar sustentando a casa. Só que antes disso, um dos passatempos do fracassado era levar os ratinhos para seu trabalho, até que um dia, Sócrates é encontrado no almoxarifado e matado a pauladas pelo Sr. Martin, coisa que QUALQUER UM FARIA COM UM RATO EM SUA EMPRESA OU RESIDÊNCIA! Willard não pode fazer nada para salvar o amiguinho (pois se dissesse que o rato era seu brother, ia ser internado em um hospício!) e assiste a violência contra o roedor, assim como Ben. A amizade entre Ben e Willard então vai para as cuias, pois até o rato considera-o um covarde, e Ben fitando-o com raiva (sim, fitando-o com raiva, o rato ATUA) promete que o pior está por vir, deixando aflorar seu lado maligno e tornando-se violento e fora de controle. Ao mesmo tempo, o saco de pancada Willard, agora já psicótico, usará seu exército de ratos para se vingar do patrão abusivo. Mas até que o cara merece um desconto, né? Ele foi criado a vida inteira por velhas nefastas, bebendo leite com pera e “ovomaltino”, sempre infantilizado por elas (veja só a cena de aniversário de 27 anos do rapaz, com direito a vela, bolo, chapeuzinho e línguas de sogra), recluso socialmente, com um emprego enfadonho e nenhum ou pouquíssimo contato com garotas (apenas vai ficar semi-apaixonado por Joan, interpretada por Sandra Locke, temporária que Sr. Martin contratou só para ajudá-lo a organizar suas atividades diárias no escritório). Só que pesa contra Willard o fato dele ser boçal, tímido, sem traquejo social e muitas das vezes, incompetente no trabalho (atrasando-se, não entregando relatórios e pedidos no prazo, e por aí vai). Então não dá muito para ficar do lado do cara também. É aí que o instinto maligno do sujeito aflora e ele usará seu exército de ratos para se vingar do patrão abusivo, em uma cena daquelas antológicas do cinema de horror. Após a sensação de dever cumprido, Willard tenta matar todos os ratos afogados no jardim, mas Ben sobrevive, o que faz com que Willard novamente tente matá-lo, envenenando sua comida. Mas como ele é um rato acima da média, inteligentíssimo e psicopata também, Ben comanda um exército das pragas para atacar Willard e se vingar da desfeita. Daí é pano para manga para a continuação lançada no ano seguinte, Ben – O Rato Assassino. Calafrio é um daqueles filmes que vira e mexe passava em reprises infinitas nas madrugadas da televisão aberta. E enquanto a maioria de filmes com animais são difíceis de roer (tá, desculpem o trocadilho infame), este daqui é um dos melhores exemplares do gênero, exatamente por trabalhar o lado psicológico do protagonista e como o ambiente a sua volta o afeta, e fora as atuações de Davidson e do imortal Borgnine e suas calças vermelhas de poliéster. Mas sem dúvida nenhuma, os astros do filme são mesmo os ratos.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/08/16/240-calafrio-1971/

#067 1953 A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO (It Came from Outer Space, EUA)



Direção: Jack Arnold
Roteiro: Harry Essex, Ray Bradbury (história)
Produção: William Alland
Elenco: Richard Carlson, Barbara Rush, Charles Drake, Joe Sawyer, Russell Johnson

Filme B de sci-fi do mais alto gabarito. Isso é A Ameaça que Veio do Espaço, um dos mais perfeitos exemplos de qual era a tônica dos filmes de terror e ficção científica que foram produzidos pós bomba atômica e plena Guerra Fria contra os soviéticos. Em A Ameaça que Veio do Espaço fica escancarado os dois piores medos dos americanos naquele exato momento da geopolítica mundial: primeiro o medo da dominação comunista, detentores das mesmas armas nucleares que os yankees possuíam; segundo, que essas armas, que ao invés de darem conforto para a população estabeleceu uma situação de paranoia generalizada, fossem usadas contra eles. Seguindo o costume de fita sobre invasão alienígena, A Ameaça que Veio do Espaço lotou as salas de cinema em que foi exibido, e foi o primeiro filme 3D da história da ficção científica. Alimentando os temores do público, baseado numa história do mestre Ray Bradbury, aqui somos apresentados a um astrônomo, John Putnam (interpretado por Richard Carlson) e sua namorada, Ellen Fields (Barbara Rush), testemunhas oculares da queda de um objeto incandescente vindo do céu, no meio do deserto. Ao investigar o ocorrido, pensando se tratar de um asteroide, Putnam acaba se deparando com uma nave alienígena que se acidentou no local, e que trazia consigo uma terrível criatura, que logo acabou sendo soterrada por uma avalanche. Criatura essa que eu não consigo explicar muito bem o que é. Imagine uma massa disforme com um gigante olho no meio. Então o alienígena começa a vagar pela cidade, raptando os moradores e criando cópias dos locais, pois sabiam que suas verdadeiras aparências assustariam toda a comunidade, e passam a usá-los  para ajudá-los a reconstruir sua nave e picar a mula deste planeta. Mas claro que a coisa não vai correr de forma tão simples. Puntman começa uma investigação particular para tentar descobrir o plano dos visitantes espaciais forçados, e é desacreditado por todos os moradores da cidade, sendo motivo de xacota, principalmente do xerife Matt Warren (Charles Drake), que arrasta uma asa para Ellen, comprometida com Puntman. Até Puntman conseguir convencer Warren que ele está certo e realmente o local é palco de uma invasão extraterrestre vai quase o filme todo, e mais e mais pessoas vão sendo abduzidas e “copiadas”, até acontecer o mesmo com Ellen. Mas enquanto no final das contas ele tenta ajudar os alienígenas, que caíram por acidente no planeta e só querem ir embora, toda a população vai ser tomada por um ódio xenófobo incontrolável e querer destruir os visitantes de qualquer jeito, alimentando no filme a mensagem sobre tolerância e convívio pacífico racial. Os seres espaciais são poucos vistos durante todo o filme. E ainda bem, porque eles são mal feitos de doer. O grande lance é que o diretor Jack Arnold (que também dirigiria futuramente outros clássicos como O Monstro da Lagoa Negra e O Incrível Homem que Encolheu) conseguiu manter um clima de tensão durante o thriller, sugerindo sempre muito mais do que mostrando, principalmente quando assumimos o lugar do alienígena e vemos através de seu olho gigante. Outro destaque vai para a trilha sonora, que utiliza pontualmente o instrumento theremin nas cenas em que os alienígenas aparecem, criando um som agudo e longo que se tornaria característico nesse tipo de produção, sendo eternamente associado ao gênero. Produzido pela Universal Pictures, outrora casa dos monstros, com um orçamento de 800 mil dólares, A Ameaça que Veio do Espaço é prato cheio para os fãs de ficção científica nenhum botar defeito. Ainda a atriz Barbara Rush levou um Globo de Ouro como atriz revelação pela sua participação na película.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/01/22/67-a-ameaca-que-veio-do-espaco-1953/

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

#238 1971 O ABOMINÁVEL DR PHIBES (The Abominable Dr. Phibes, Reino Unido, EUA)


Direção: Robert Fuest
Roteiro: James Whiton, William Goldstein
Produção: Ronald S. Dunas, Louis M. Heyward, Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson (Produtores Executivos)
Elenco: Vincent Price, Joseph Cotten, Peter Jeffrey, Hugh Griffith

O Abominável Dr. Phibes é praticamente um dos últimos elos do cinema de terror com o que vinha sendo feito até então nas décadas passadas, principalmente com relação ao estilo imortalizado pela Hammer Films e por Roger Corman, antes do gênero entrar de cabeça no pessimismo dos anos 70, tornando-se de uma vez por todas hostil, cruel e sem esperança, graças a produções que estavam por vir nessa década. Vincent Price encarna aqui o seu papel mais conhecido (talvez somente menos conhecido do que sua participação na música Thriller de Michael Jackson), como um dos mais icônicos vilões do cinema de horror. E não há outra pessoa no mundo que se encaixaria de forma tão perfeita na pele do Dr. Anton Phibes, músico profissional, educado em Heidelberg na Alemanha e doutor em teologia pela Sorbonne, que busca uma engenhosa vingança contra o corpo médico que considera responsável pela morte de sua esposa na mesa de operação. Tudo no filme é exagerado e com um delicioso estilo camp, passando pelos mais variados tipos de absurdos, como: os métodos de vingança de Phibes, inspirados nas pragas bíblicas que caíram sobre o Egito, que vai desde gafanhotos, a ratos, morcegos e um unicórnio de bronze lançado através de uma catapulta bem no meio das ruas de Londres; o gramofone que Phibes usa para falar através de um dispositivo ligado diretamente em sua traqueia; Vulnávia, sua excêntrica e solicita comparsa; a banda de bonecos de corda de tamanho natural que anima seu covil em art-deco; e claro, os inspetores da Scotland Yard que investigam o caso, que mais lembram personagens de um quadro do Monty Python. Isso regado as sessões de órgão onde Phibes executa “War March of the Priests” de Felix Mendelsohn. Inclusive a última vingança que recai sobre o Dr. Vesalius, chefe da equipe de operação, é digna da franquia Jogos Mortais, onde ele tem seis minutos para retirar uma chave colocada dentro do corpo de seu filho mais velho (alusão a maldição do primogênito), antes que uma traquitana derrube ácido em seu rosto, e ele fique deformado para sempre, como aconteceu com o louco músico / cientista após um acidente de carro. E a maquiagem da face deformada de Phibes lembra muito O Fantasma da Ópera de Lon Chaney (fora as outras homenagens óbvias, como o sofrimento do personagem recluso e sua aptidão em tocar órgão). Price, mais uma vez, exuberante, excêntrico, repleto de cacoetes teatrais em sua atuação. Para ganhar ainda mais publicidade em cima da fita, foi vendido como o centésimo filme do ator. E olhem só, Peter Cushing foi originalmente cotado para o papel do Dr. Vesalius, nêmese de Phibes, mas teve de recusar por conta de problemas de saúde de sua esposa na época das filmagens. Imagine só como seria esse embate entre dois monstros icônicos do cinema de horror? Outro detalhe é que Robert Fuest, o diretor do filme reescreveu grande parte do roteiro, onde Phibes originalmente era mais tirano e abusivo com sua capanga, Vulnavia, tornando-o um personagem mais simpático, efetuando também drásticas mudanças no final do filme e outras demais cenas. O Abominável Dr. Phibes é diversão pura do começo ao fim, com um clima bastante diferente do que vamos ver daqui para frente, quando o cinema de terror adquire um outro aspecto muito mais sádico e brutal. O sucesso foi tão grande que ganhou uma continuação no ano seguinte: A Câmara de Horrores do Dr. Phibes.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/08/14/238-o-abominavel-dr-phibes-1971/

MINIONS (EUA, 2015)