segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
#022 1932 A ILHA DAS ALMAS SELVAGENS Island of Lost Souls, EUA)
Direção: Erie
C. Kenton
Roteiro: Waldemar Young,
Phillip Wyla (baseado na obra de H.G. Wells)
Produção: Erie
C. Kenton
Elenco: Charles
Laughton, Richard Areln, Leila Hyams, Bela Lugosi, Kathleen Burke, Arthur Hohl
A Ilha das
Almas Selvagens é a primeira adaptação livre para o cinema do
famoso livro de H.G. Wells, A Ilha do Dr. Moreau, publicado em 1896. E com
certeza, é a melhor das três adaptações que o filme já recebeu, sendo que as
duas mais famosas são de 1977 e 1996. Acredito que todo mundo deve já
conhecer o conceito básico da história, principalmente por sua versão mais
recente, estrelando um caricato e deprimente Marlon Brando: Um náufrago
acidentalmente vai parar em uma ilha no pacífico sul, onde Moreau, um brilhante
cientista extraditado por suas técnicas não usuais de vivissecção animal,
começa a desenvolver uma pesquisa horrenda para transformar animais em homens,
gerando assim um exército de criaturas deformadas, que não são nem humanas, nem
animais. O tal náufrago é Edward Parker, resgatado em alto mar por um navio que
estava a caminho da ilha, levando uma série de espécimes animais para o local.
Lá ele conhece o Sr. Montgomery, lacaio de Moreau, que cuida de sua saúde até
sua plena recuperação. Após envolver-se em uma confusão com o capitão alcoolatra
do navio, que destratou um dos bestiais ajudantes de Montgomery, M’Ling, Parker
é largado a sua própria sorte na ilha, permanecendo como hóspede forçado de
Moreau. Lá ele conhece a principal criação do cientista que quer brincar de
Deus: Lota, a Mulher Pantera (interpretada por Kathleen Burke, detentora de uma
exótica e estranha beleza). Diferente das demais monstruosidades, Lota, a única
mulher em toda a ilha, é o mais próximo que o doutor conseguiu chegar de um ser
humano, e a intenção de Moreau é que ela e Parker se envolvam romanticamente,
para dar frutos a uma nova raça. E quase dá certo, não fosse pela noiva de
Parker aparecer na ilha para resgatá-lo. O Moreau de Charles Laughton é uma
espécie de déspota cruel e presunçoso, tomado por uma gigantesca vaidade, que
não mede esforços para conseguir seu objetivo. Alguns das suas criações são
usadas como serviçais, como o caso de M’Ling. Outras, vivem em bandos no meio
da floresta tropical, vivendo sob a rígida Lei, conjunto de regras criadas pelo
autoritário cientista para tentar socializar as criaturas. Entre as principais
leis, estão: “Não andar de quatro”, “Não comer carne” e “Não matar”, para dar
uma noção de civilização e para que as feras não deixem se levar por seus
instintos. O responsável por ditar essas
leis é o Mestre da Lei, personagem de Bela Lugosi, com um rosto todo peludo,
que recita as leis de Moreau em voz alta e pergunta o que eles são, senão
homens, com aquele seu característico sotaque húngaro. Quem desobedecer a essas
leis, será levado para a Casa da Dor, mais conhecido como o laboratório de
Moreau, onde será torturado e sofrerá dores indescritíveis, na tentativa de
continuar retardando o processo de regressão à forma animal. Claro que com
todos esses elementos misturados, uma hora a coisa ia dar merda, e o bando de
criaturas iria dar início a uma insurreição contra o totalitário cientista /
ditador. E durante essa revolta somos apresentados a uma das cenas mais
chocantes do cinema de terror até então, quando Moreau finalmente é capturado e
é vivissecado pelas bestas ensandecidas (claro que off screen), pagando na
mesma moeda o que fazia com os pobres animaizinhos. A Ilha das Almas
Selvagens tem vários pontos para colocá-lo como um clássico do gênero.
Primeiro pela bem sucedida utilização da maquiagem do não creditado maquiador
Wally Westmore, para criar as feras, que no ano anterior, tinha sido
responsável pelo visual simiesco do Mr. Hyde em O Médico e o Monstro. Segundo pela fotografia expressionista
que sempre passa a impressão de confinamento (no caso representando o cárcere
de Parker), mesmo havendo uma ilha tropical inteira à disposição para o doutor
e seus animais. Terceiro pelo uso de forma precisa e aterrorizante do som,
tanto dos gritos de dor vindo da Casa da Dor, quanto dos uivos e grunhir dos
animais. Mas de todos esses elementos citados, o mais importante de todos é o
fato de A Ilha das Almas Selvagens levantar temas polêmicos em plena
década de 30, como bestialismo, miscigenação, ética científica e colonialismo.
Afinal as mensagens chaves da obra de Wells são sua crítica ao imperialismo
europeu, que tentava ascender os povos nativos do seu status de “animal” para o
de “ser humano”, representados pelo homem branco; crítica a religião, já que
Moreau também faz as vezes de “Deus” criando mandamentos muito parecidos com os
bíblicos e há até um sumo sacerdote que prega as Leis à exaustão em uma espécie
de semi-culto, muito parecido com os pastores evangélicos e sua lavagem
cerebral que vemos hoje em dia; e a pesquisa científica desenfreada e desumana,
principalmente se tratando do mal trato em animais. Tanto por isso, A Ilha
das Almas Selvagens foi proibido na Inglaterra e em partes dos EUA até o
começo da década de 50. E apesar de sua extensiva campanha de marketing para
levar os americanos ao cinema para conhecer a estonteante e misteriosa Mulher
Pantera, o filme fracassou de forma retumbante nas bilheterias, e somente muito
tempo depois atingiu seu lugar merecido no panteão dos mais importantes filmes
de terror da década de 30.
FONTE: http://101horrormovies.com/
domingo, 2 de fevereiro de 2014
#130 1960 HORROR HOTEL (The City of the Dead / Horror Hotel, Reino Unido)
Direção: John
Llewellyn Moxey
Roteiro: George
Baxt, Milton Subotsky (história)
Produção: Donald
Taylor, Max Rosenberg (não creditado), Seymour S. Dorner e Milton Subotsky
(Produtores Executivos)
Elenco: Christopher
Lee, Dennis Lotis, Patricia Jessel, Tom Naylor, Betta St. John
Horror Hotel foi
o primeiro filme da produtora inglesa Amicus, de Milton Subotsky e Max J.
Rosenberg, ainda chamada de Vulcan Productions, famosa por rivalizar com a
Hammer durante os anos 60 e 70, e responsável por uma sequência inesquecível de
filmes que traziam várias antologias de terror. Filme curto, com apenas 78
minutos de duração, orçamento de 45 mil libras, fotografia preta e branca,
estrelado por um jovem Christopher Lee com 38 anos na época, Horror
Hotel foi escrito por George Baxt, em uma história de Subotsky, e traz uma
sinistra trama de bruxaria permeada com aquele característico clima gótico que
seria marca registrada de grande parte dos filmes de terror até o final dos
anos 60. Um prólogo, que faz lembrar bastante o começo de outros filmes de
bruxaria, como A Máscara de
Satã de Mario Bava (lançado no mesmo ano) ou Terror nas
Trevas de Lucio Fulci, se passa no ano de 1692, na cidade de Whitewood,
Massaschusetts. Lá, uma feiticeira, Elizabeth Selwyn (vivida por Patricia
Jessel) é condenada à fogueira, e como uma boa bruxa, enquanto está ardendo no
fogo, ela jura vingança e joga uma maldição sobre toda a cidadezinha. Passados
centenas de anos, o professor Allan Driscoll, personagem de Christopher Lee,
recomenda a cidade com um local para seus estudantes se aprofundarem mais nos
aspectos históricos do estudo da bruxaria. Uma de suas alunas, Nan Barlow
(Venetia Stevenson) fica completamente fascinada com a história contada pelo
professor e resolve passar suas férias na cidade, para incrementar as pesquisas
de sua tese. Mesmo indo contra as recomendações do ciumento namorado, Bill
Maitland (Tom Naylor), que tem uma série de picuinhas com o professor Driscoll
por conta da garota. Pois bem, Nan viaja até o local, que é sinistro pacas, com
névoas fantasmagóricas que nunca se dissipam e habitantes estranhos, e se
hospeda no Ravens Inn, único hotel da cidade, cuja proprietária é a não menos
sinistra Sra. Newless (que também é interpretada por Patricia Jessel). Daí,
obviamente todos na cidade tem aquele comportamento padrão de um local que
sofre uma maldição secular, e várias vezes durante sua pesquisa, Nan é ameaçada
e recebe avisos assustadores, como do cego Reverendo Russell, que a alerta para
que parta imediatamente, pois sua vida corre grande perigo. Após seu repentino
desaparecimento, a neta do padre, Patrícia Russel (Betta St. John), que
administra um antiquário e tinha simpatizado com a moça, resolve pedir ajuda
para o irmão de Nan, Richard Barlow e seu namorado, Bill, que também partem
para a cidade. Investigando a fundo in loco, eles irão descobrir as atividades
de uma seita satânica, que faz o sacrifício de jovens garotas duas vezes por
ano, onde ridicularizam a igreja local e assim mantém o terrível pacto de vida
eterna com o demônio. Interessante é encarar o clima mórbido e pesado deHorror
Hotel, algo completamente incomum para uma produção do começo dos anos 60,
recheado de violência moderada, demonismo, rituais de magia negra, clima
desolador e ambientação lúgubre. Há uma interessante comparação entre a linha
narrativa de Horror Hotel e Psicose, de Alfred Hitchcok, sendo que
ambos foram lançados no mesmo ano. Lançados em setembro e junho de 1960,
respectivamente, ou seja, foram rodados praticamente juntos.
ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e
risco.
Dois filmes começam estabelecendo
uma jovem e atraente loira que ao ponto de vista do espectador, é a personagem
principal (aqui Nan Barlow, e Marion Crane, personagem de Janet Leigh
em Psicose). Em ambos os filmes, ela viaja até um local distante e
hospeda-se em um hotel / motel que é dirigido por um(a) gerente excêntrico(a) e
nos dois casos também a plateia é pega de surpresa quando no meio da história,
a personagem é assassinada de forma abrupta e violenta. Além disso, no caso dos
dois filmes começa-se uma busca pela garota envolvendo namorados e familiares e
incluem uma cena chocante quando um cadáver é revelado. Coincidência,
não? Horror Hotel tem vários furos no roteiro e peca por falta de
recursos, como todo filme de baixo orçamento, mas é um interessantíssimo
exemplar do cinema gótico envolvendo bruxaria, satanismo e seitas diabólicas,
tema sempre controverso no cinema clássico de terror e que seria explorado em
algumas outras produções durante esta década, até culminar no seminal O Bebê de
Rosemary, de Roman Polanski, em 1968.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/04/08/130-horror-hotel-1960/
#081 1955 A NOIVA DO MONSTRO (Bride of the Monster, EUA)
Direção: Edward D. Wood Jr.
Roteiro: Edward D. Wood Jr.,
Alex Gordon
Produção: Edward D. Wood
Jr., Donald E. McCoy e Tony McCoy (Produtores Executivos)
Elenco: Bela
Lugosi, Tor Johnson, Tony McCoy, Loretta King, Harvey B. Dunn
Bom, para aqueles que porventura
não saibam, Edward D. Wood Jr., ou simplesmente Ed Wood, é considerado o pior
cineasta de todos os tempos. Com isso você mais ou menos já sabe o que esperar
deA Noiva do
Monstro. Só que como muitas vezes acontecesse nesse meio, o pior
acaba se tornando cultuado, e principalmente também graças a um filme
biográfico dirigido por Tim Burton, onde Johnny Depp (ah, quem mais seria?) faz
o papel do diretor, Wood pode ser imortalizado no Olimpo dos filmes B. Wood era
fã declarado de filmes de horror, principalmente dos clássicos da Universal da
década de 30, e também tiete confesso de Bela Lugosi, com quem trabalhou em
dois filmes e meio (Lugosi viria a falecer durante as gravações do infame Plano 9 do Espaço Sideral, esse sim taxado o pior filme de
todos os tempos). Seu sonho de ser diretor sempre passou por cima de qualquer
problema estético, técnico e orçamentário, e todas os seus filmes foram feitos
com uma mixórdia e com o que havia de mais precário em termos de efeitos especiais.
E o pior problema de tudo era que Wood realmente levava seus filmes a sério. Pois
bem, A Noiva do Monstro é na verdade, se podemos chamar assim, o
menos pior dos filmes de Wood. Porque apesar da precariedade, ele pelo menos
consegue tentar manter uma certa estrutura narrativa, com um começo meio e fim,
e uma certa coerência na história, diferente dos outros longas do diretor. E
mesmo que tenha todos os efeitos bisonhos, não era muito diferente do que era
feito no cinema trash da década de 50 em geral. Diferente por exemplo
do já citado Plano 9 do Espaço Sideral, com seus discos voadores presos
por barbantes e cenários de papelão. Wood precisava de um orçamento de 60 mil
dólares para fazer o filme acontecer. Claro que ele não tinha essa grana e
nenhum estúdio investiria essa quantia no diretor. Por um acaso em uma festa
beneficente para tentar arrecadar dinheiro para o longa, ele conheceu a atriz
Loretta King, e achando que ela era podre de rica e iria financiar a produção,
a colocou no papel da mocinha, Janet Lawton, personagem esse que seria de sua
namorada Dolores Fuller (que faz apenas uma ponta). Mas na verdade, Wood acaba
no final das contas por descobrir que ela só teria 300 dólares para contribuir.
Sem desistir, Wood conhece Donald McCoy, proprietário de uma indústria de
alimentos processados, que resolve colocar grana no filme, em troca de que seu
filho, Tony McCoy, fizesse o papel do herói, o Tenente Dick Craig, e que no
final, houvesse uma grande explosão nuclear para advertir o público dos perigos
da era atômica. Mesmo não sendo o final escrito por Wood, era o que tinha para
hoje e o diretor concordou com o fato. Na trama, Bela Lugosi (mais uma
interpretação brilhante do ator, dentro de suas limitações de idade), é o Dr.
Eric Vornoff, um cientista louco que está metido em experimentos de
aperfeiçoamento do raio atômico para transformar pessoas em super-humanos. Com
isso, ele criaria um exército que obviamente dominaria o mundo. Seu covil é uma
casa abandonada no meio do pântano e seu capanga é o irracional, porém bem
intencionado, Lobo, vivido pelo ator Tor Johnson, um lutador de luta livres
sueco que vira e mexe fazia pontas em filmes B. Com o constante desaparecimento
de pessoas perto do pântano, uma repórter, Janet, resolve investigar o caso,
mas é raptada por Vornoff para se tornar a tal noiva do monstro. Mas espere aí,
o que é esse monstro? É um gigantesco polvo mutante de borracha que Vornoff
criou com seus experimentos radioativos, que vive no laguinho do lado da
choupana do cientista. Então ele queria casar a mocinha com um polvo? Não, não
é bem assim. O roteiro é cheio de furos mesmo. Entre uma cena ou outra,
policiais são atacados pelo polvo, o Tenente Craig vai atrás do paradeiro de
sua namorada jornalista desaparecida, Lobo se revolta contra o Dr. Vornoff por sentir-se
atraído por Janet e o cientista é bombardeado pelo seu raio atômico ganhando
uma força descomunal. Os efeitos especiais claro são toscos ao extremo, mas o
melhor fica para as aparições do polvo mutante. Algumas cenas são utilizadas de
filmagens reais do molusco (que Wood adquiriu de um estúdio que tinha feito
várias tomadas ao acaso e resolveu colocá-lo em seus filmes. Plano
9 também utiliza bastante dessas cenas), mescladas com a criatura
pseudo-mectarônica de borracha. Eu digo pseudo porque reza a lenda que o polvo
foi roubado dos estúdios da Republic, onde havia sido usado no filme No
Rastro da Bruxa Vermelha, com John Wayne. Só que os espertos esqueceram de
roubar também o motor que faria o protótipo funcionar. Ou seja, quando o
monstro está atacando os policiais ou mesmo Lugosi com seus tentáculos, os
atores que ficam se esperneando mexendo os membros de borracha do cefalópode de
mentira. É simplesmente hilário. Originalmente, A Noiva do
Monstro deveria ter ser chamado A Noiva do Átomo, tão sem sentido quanto o
nome que acabou ganhando. É altamente recomendável assistir ao filme Ed
Wood de Tim Burton, que conta a trajetória do diretor, suas esquisitices,
seus métodos canastríssimos de direção e produção. Valeu até um Oscar® de
Melhor Ator Coadjuvante a Martin Landau pela sua emocionante interpretação de
um decadente e viciado Bela Lugosi em final de carreira / vida, e a Palma de
Ouro em Cannes para Burton. É um ótimo filme, que já vi e revi dezenas de
vezes.
FONTE:
http://101horrormovies.com/2013/02/07/81-a-noiva-do-monstro-1955/
sábado, 1 de fevereiro de 2014
009 1920 WITHIN OUR GATES (EUA)
Direção: Oscar Micheaux
Produção:
Oscar Micheaux
Roteiro:
Oscar Micheaux. Gene DeAnna
Música:
Philip Carli
Elenco:
Evelyn Preer ………… Sylvia Landry
Flo Clements ………… Alma Prichard
James D. Ruffin ……… Conrad Drebert
Jack Chenault ……….. Larry Prichard
William Smith ………… Detetive Philip Gentry
Charles D. Lucas ……… Dr. V. Vivian
SINOPSE E COMENTÁRIO:
Autor
de sucesso, editor, proprietário de terras e cineasta, Oscar Micheaux é
amplamente considerado o pai do cinema afro-descendente. Sendo apenas sua
segunda incursão no cinema, Within Our Gates (Dentro de nossos portões) é um
dos 40 filmes que Micheaux escreveu, dirigiu e produziu de forma independente
entre 1919 e 1948.
Além
da narrativa envolvente e dos méritos artísticos, Within Our Gates possui um
imenso valor histórico por ser a mais antiga obra preservada de um diretor
afrodescendente. Poderoso, controverso e ainda perturbador em seu retrato das
atrocidades cometidas por americanos brancos contra os negros no decorrer desta
era, o filme permanece, nas palavras de um crítico, "um poderoso e
esclarecedor documento cultural [que] não perdeu a relevância que possuía em
1920".
Produzido
apenas cinco anos após O nascimento de uma nação (1915), a obra-prima racista
de D. W. Griffith, Within Our Gates acompanha a luta de Sylvia Landry (Evelyn Preer),
uma professora negra do Sul que viaja para o Norte no intuito de levantar
fundos para sua escola. Porém esta é apenas uma das várias histórias que
Micheaux (que também escreveu o roteiro) entrelaça no seu cativante retrato da
repressão física, psicológica e econômica contra os afro-descendentes.
Poucos
compreenderam Within Our Gates como Micheaux gostaria; o filme foi
repetidamente editado pelos censores, que consideraram as cenas de estupro e linchamento
provocativas demais em vista dos protestos raciais que ocorreram em 1919 em
Chicago. Depois de ficar 70 anos perdido, Within Our Cates foi redescoberto na
Filmoteca Espanhola, em Madri, e restaurado logo em seguida. S J S
(1001 FILMES PARA VER
ANTES DE MORRER 009)#028 1932 ZUMBI BRANCO (White Zombie, EUA)
Direção: Victor Halperin Roteiro: Garnett Weston (baseado na obra de William B. Seabrook)
Produção: Edward
Halperin, Phil Goldstone
Elenco: Bela
Lugosi, Madge Bellamy, Jospeh Cawthorn, Robert Frazer, John Harron
Antes da noite, da madrugada e do
dia. Antes dos comedores de cérebro. Antes de The Walking Dead, Zumbi Branco é
o primeiro filme de zumbis da história do cinema. Estrelado por um caricato
Bela Lugosi, o filme remonta a origem haitiana da lenda dos mortos-vivos
ressuscitados através de mágica. Portanto, não espere as famosas criaturas
canibais putrefatas imortalizada por Geroge A. Romero quase quarenta décadas
depois com A Noite dos Mortos-Vivos. O filme foi inspirado pelo livro
escrito por William B. Seabrook em 1929, A Ilha da Magia. O livro parte de um
relato sensacionalista, realidade misturada com ficção (apesar de jurar de pé
junto que todos os eventos ali contidos são a mais pura verdade), onde o autor
conviveu durante um período no Haiti e teve contato com toda a cultura e
religião local, e inclusive, teve a oportunidade de encontrar um zumbi de
verdade, trazido de volta à vida através de feitiçaria. Pois bem, pensando em
levar esses novos monstros sem cérebro e vontade própria para o cinema, e
aproveitar a carona do sucesso dos filmes de terror da Universal, os diretores
e produtores Victor e Edward Halperin resolveram financiar um filme
independente e chamaram o roteirista Garnett Weston, que já havia adaptado para
as telas um livro anterior de Seabrook, para capturar a essência da obra e
escrever um roteiro com os famosos mortos-vivos. A produção tirou a sorte
grande quando se deparou com um Bela Lugosi falido, desesperado por dinheiro,
vítima de um contrato mal articulado com a Universal para o papel de Drácula e após fazer a burrada de rejeitar o papel
de Frankenstein. Lugosi interpreta ‘Murder’ Legendre, um europeu
que torna-se mestre nas práticas rituais haitianas e descobre o segredo de “zumbificar”
e controlar as pessoas. O filme começa de uma forma muito promissora, com o
casal americano Neil e Madeline, recém chegados de Porto Príncipe, andando de
carruagem durante à noite, quando deparam com uma cerimônia de sepultamento bem
no meio da estrada. O cocheiro então explica que o motivo era o medo de
roubarem os cadáveres para serem transformados em zumbis. Ao chegarem na casa
de Beaumont (após outra interrupção no caminho, quando encontram o personagem
de Lugosi e seus zumbis rapidamente pela primeira vez), um colega também
americano, para se casarem, eles descobrem que Beaumont não é nem um pouco boa
gente quanto imaginam e que ele é apaixonado por Madeline. Para impedir a união
dos pombinhos, ele contrata o famigerado Legendre para transformá-la em uma
morta-viva. E para isso, tome close-ups do olhar penetrante de
Lugosi! Pensando na mitologia atual dos comedores de carne humana, duas cenas
são bastante peculiares. A mina de açúcar onde mostram os zumbis realizando
trabalho escravo, já mostrando olhos arregalados e capacidade motora reduzida e
repetitiva, e no embate final, quando os zumbis se aproximam lentamente, quase
se arrastando e são imunes aos tiros alvejados contra eles. A maquiagem
realista e assustadora para a época é fruto do trabalho em parceria entre Carl
Axcelle e Jack Pierce (o mesmo que no ano anterior foi responsável por
Frankenstein). Por não ser um filme de estúdio, nota-se a precariedade da
produção com relação a sua qualidade de filmagem, som e edição. Mas o filme foi
um sucesso de bilheteria em seu lançamento, em plena Grande Depressão (o que
aterrorizou o público, que logo fez analogia dos trabalhadores autômatos sem
vida com o aumento dos desempregados vagando pelas ruas) e definitivamente
colocou os zumbis no mapa dos filmes de terror do século XX.
FONTE:
http://101horrormovies.com/
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