terça-feira, 4 de novembro de 2014

124 1939 ATIRE A PRIMEIRA PEDRA (DESTRY RIDES AGAIN, EUA)


Direção: George Marshall
Produção: Islin Auster, Joe Pasternak
Roteiro: Felix Jackson, baseado no livro de Max Brand
Fotografia: Hal Mohr
Música: Frederick Hollander, Frank Skinner, Ralph Freed
Elenco:
James Stewart …………Tom Destry Jr.
Marlene Dietrich ………Frenchy
Charles Winninger ……Washington Dimsdale
Mischa Auer ……………Boris
Brian Donlevy …………Kent
Warren Hymer …………Bugs Watson
Ainda: Charles Winninger, Allen Jenkins, Irene Hervey, Una Merkel, Billy Gilbert, Samuel S. Hinds, Jack Carson, Tom Fadden, Virginia Brissac, Edmund MacDonald

Como a maioria das comédias de faroeste, Atire a primeira pedra, de George Marshall, é uma sátira às convenções do heroísmo masculino. Destry (interpretado por James Stewart no seu melhor estilo "Ah, droga!"), xerife da ingovernável cidade de Bottleneck, prefere leite a uísque e se recusa a portar uma arma. Isso o torna especialmente interessante para a artista de saloon Frenchy, com Marlene Dietrich obviamente repetindo o papel que a tomou famosa em O anjo azul. Dietrich canta alguns números musicais provocantes no Last Chance Saloon, incluindo o famoso "See What the Boys in the Back Room Will Have". Em outro caso de clichê às avessas, a habitual cena de "luta no saloon" se dá entre duas mulheres, com Frenchy e Lily Belle (Una Merkel) se atracando em uma briga feia. Frenchy, que antes gostava de Kent (Brian Donlevy), se apaixona por Destry, lidera as mulheres da cidade na última batalha contra os bandidos e então se joga na frente de Destry para levar um tiro que era para ele. Uma história divertida, conduzida por mãos habilidosas e com um espírito bastante diferente do romance original de Max Brand - o mais prolífico dos escritores de faroeste -, que já havia sido filmado em 1932 com Tom Mix no papel principal e o seria novamente em 1954, com Audie Murphy. EB
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 124)

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

123 1939 O MAGICO DE OZ (THE WIZARD OF OZ, EUA)


Direção: Victor Fleming
Produção: Mervyn LeRoy, Arthur Freed
Roteiro: Noel Langley, Florence Ryerson, Edgar Allan Woolf, baseado no livro de L. Frank Baum
Fotografia: Harold Rosson
Música: Harold Arien, E. Y. Harburg, George Bassman, George E. Stoll, Herbert Stothart.
Judy Garland ………. Dorothy
Frank Morgan ………. Professor Marvel
Ray Bolger ………….. Hunk
Bert Lahr ……………. Zeke
Jack Haley ……………Hickory
Billie Burke …………. Glinda
Oscar: Herbert Stothart (música), Harold Arien, E. Y. Harburg (canção)
Indicação ao Oscar: Mervyn LeRoy (melhor filme), Harold Rosson (fotografia), Cedric Gibbons, William
A, Horning (direção de arte), A, Arnold Gillespie (efeitos especiais), douglas Shearer (efeitos sonoros) Festival de Cannes: Victor Fleming - Indicação (Palma de Ouro)

Baseado no romance infantil homônimo de L. Frank Baum, escrito no fim do século XIX, Este clássico eterno é um dos grandes contos de fadas do cinema, sendo também um musical de primeira grandeza e o filme que fez Judy Garland deixar de ser apenas uma talentosa atriz mirim para se transformar em uma estrela atemporal e icônica. Embora não tenha obtido lucros vultosos quando lançado, talvez por ter sido uma produção caríssima, O mágico de Oz conquistou várias gerações. Como A felicidade não se compra (1946), sua popularidade foi impulsionada na década de 50 por conta de suas exibições natalinas na televisão, que o tornaram um dos filmes mais queridos de todos os tempos. Junto com seu cãozinho Totó, a Dorothy Gale de Garland (com os seios presos por uma cinta para parecer mais jovem) é arrancada de um Kansas em tons de sépia por um tornado e vai parar na Terra de Oz (representada nas cores vibrantes do Technicolor). Lá, sua casa cai em cima de uma bruxa, que morre esmagada e cujos sapatos de rubi mágicos lhe são dados de presente por Glinda, a Bruxa Boa (Billie Burke). Dorothy então segue pela Estrada de Tijolos Amarelos em direção à Cidade Esmeralda para encontrar o caminho de volta para a fazenda da qual antes queria escapar. O tema "Não há lugar como o lar", que serve para o roteirista manter todos os personagens concentrados nas suas respectivas jornadas, sempre pareceu um pouco forçado (por que alguém quereria abandonar as maravilhas de Oz para voltar para o Kansas?). Ele entra em contradição com a interpretação estraga-prazeres de que o filme Inteiro é um sonho delirante no qual Dorothy transformou todos que ela conhece na vida real em seus amigos e inimigos da Terra de Oz.
O filme tem vários esplendores: a magnífica trilha de Harold Arien e E. Y. Harburg (que vai desde a assobiável "Over the Rainbow", passando pela alegria contagiante de "Off to See the Wizard" e "Ding-Dong, the Witch is Dead", até a cômica "lf I Only Had a Braln"); a incrível cenografia da MGM; centenas de Munchkins estridentes e macacos voadores; a gag do "cavalo que muda de cor" e as atuações perfeitas de todo o elenco. Há também uma série de momentos inesquecíveis: O Espantalho de Ray Bolger sendo desmembrado enquanto o Homem de Lata de Jack Haley lamenta: "Bem, você está por todo lado"; o Leão Medroso de Bert Lahr tentando ser assustador ("Vou lutar com você com uma pata nas costas"); a morte da Bruxa Má de Margaret Hamilton depois de levar um balde d'água na cara ("Estou derretendo, estou derretendo!"); Frank Morgan saindo de trás da cortina ("Eu sou um homem muito bom, mas sou um péssimo mago"). Como em E o vento levou, também produzido pela MGM em 1939, os créditos pela direção de O mágico de Oz vão para o profissional Victor Fleming, porém o filme é na verdade fruto da arte dos produtores, com Mervyn LeRoy harmonizando todos os diversos elementos de uma filmagem problemática: Buddy Ebsen foi escalado como Espantalho e depois passou a Interpretar o Homem de Lata, até descobrir-se que ele era alérgico à maquiagem; um número de dança inteiro foi cortado e arquivado até aparecer em Era uma vez em Hollywood (1974); além do boato de que os anões
escalados para o papel dos Munchkins eram incontroláveis. Melhor fala: "Corações nunca vão ser práticos até serem feitos de material inquebrável." KN
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 123)

122 1939 A MULHER FAZ O HOMEM (MR. SMITH GOES TO WASHINGTON, EUA)


Direção: Frank Capra
Produção: Frank Capra
Roteiro: Lewis R. Foster, Sidney Buchman
Fotografia: Joseph Walker
Música: Dimitri Tiomkin
Elenco:
James Stewart ………….. Jefferson Smith
Ruth Donnelly ………….. Emma Hopper
Eugene Pallette ………… Chick McGann
Edward Arnold ………….. Jim Taylor
Claude Rains …………… Sen. Joseph Harrison Paine
Jean Arthur ……………….Clarissa SaundersJean Arthur, James siew.n 1
Ainda: Edward Arnold, Guy Kibbee, Thomas Mitchell, Beulah Bondl, H. B. Warner, Harry Carey, Astrld Allwyn, Ruth Donnelly, Grant Mitchell, Porter Hall, Pierre Watkin
Oscar: Lewis R. Foster (roteiro)
Indicação ao Oscar: Frank Capra (melhor filme), Frank Capra (diretor); Lewis R. Foster e Sidney Buchinin
(roteiro), James Stewart (ator), Claude Ralns (ator coadjuvante), Harry Carey (atot coadjuvante), Lionel Banks (direção de arte), Gene Havlick, Al Clark (edição), Dimitri Tiomkin (música), John P. Livadary (som)

A ode de Frank Capra ao sistema de governo americano foi considerada tão incisiva em sua denúncia da corrupção de alto escalão que algumas pessoas em Washington acharam que A mulher faz o homem não deveria ser lançado em um mundo à beira da guerra. Para mostrar como funciona o sistema, Capra precisou demonstrar como ele pode se corrigir. O republicanismo (e não a democracia) é salvo no filme graças aos esforços heroicos de um idealista ferrenho, que, na melhor tradição do individualismo à La Jefferson (do qual é homônimo), se recusa a obedecer a chefes de partido, que passam a planejar sua ruína. Envergonhado, o político governista de fala mansa escalado para desacreditá-lo publicamente confessa a armação. lames Stewart está perfeito como Jefferson Smith, cuja maior qualificação para o cargo é o fato de ele ser incorrigivelmente humilde, um homem que passa seu tempo chefiando um grupo de jovens escoteiros. No entanto, sua simplicidade não se traduz idiotice ou covardia. Primeiro, Smith convence uma mulher cínica (Jean Arthur), convocada para ficar de olho nele, da sua virtude e sensatez. Em seguida, depois de criar problemas ao propor, inocentemente, a construção de um acampamento para jovens no exato local que a "máquina política" quer usar para seu esquema de corrupção, ele se defende contra acusações falsas em um discurso de várias horas que o deixa quase Incapaz de falar ou continuar de pé. Quem desempenha um papel essencial na trajetória de Smith da irrelevância à desgraça e daí para a retaliação é o personagem do senador Joseph Paine (Claude Rains). Ao contrário do líder político Impiedosamente corrupto Jim Taylor (Edward Arnold), Paine é um homem que acredita no sistema americano, mas que foi seduzido por uma política de concessões e clientelismo. Smith só pode ser salvo através da conversão de Paine. O discurso de Smith também só se faz possível por conta da peculiar lei americana da obstrução dos trabalhos, conhecida como fillbuster, que permite ao indivíduo - não a um grupo, o que é muito simbólico - liberdade de expressão ilimitada dentro de regras preestabelecidas. Assim, Smith consegue contra-atacar o grupo que o condenaria, garantindo sua defesa.
Um impressionante exemplo de americanismo, o filme de Capra é repleto de momentos memoráveis, entre eles a sequência que acompanha a turnê do senador recém-chegado pelos monumentos de Washington, incluindo o Lincoln Memorial. RBP
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 122)

#575 1989 THE CHURCH (La chiesa / The Church, ITÁLIA)


domingo, 2 de novembro de 2014

121 1939 SANGUE DE ARTISTA (BABES IN ARMS, EUA)


Direção: Busby Berkeley
Produção: Arthur Freed
Roteiro: Jack McCowan, Kay Van HI per
Fotografia: Ray June
Música (canção): Harold Arlen, Nacio Herb Brown, Richard Rodgers
Elenco:
Mickey Rooney ……… Mickey Moran
Judy Garland …………Patsy Barton
Charles Winninger …..Joe Moran
Guy Kibbee ………….. Juiz Black
June Preisser ……….. .Rosalie Essex
Grace Hayes …………. Florrie Mora
Indicação ao Oscar: Mickey Rooney (ator), Roger Edens, George E. Stoll (música-trilha)

Busby Berkeley, principal colaborador dos então decadentes musicais que giravam em torno de espetáculos da Warner Brothers, realizou Sangue de artista logo depois de ir para a MGM, mais interessada em adaptações de livros. Seu sucesso gerou três outros filmes no mesmo estilo, voltando a reunir Berkeley com os ídolos adolescentes Mickey Rooney e Judy Garland. O filme se concentra no conflito de gerações, tal como entendido pela MGM e nos padrões de 1939. Para resolver esse conflito, ele segue em duas direções, apresentando ao mesmo tempo uma reminiscência nostálgica do quase extinto entretenimento tradicional (representado pelos minstrel shows, em que atores brancos pintavam o rosto de preto, e pelo vaudeville) - praticado pelos pais dos adolescentes - e a necessidade destes de assumirem o lugar dos pais sob os holofotes. Essa tensão explode no mais impressionante número do filme: "Babes In Arms". Rooney lidera um impetuoso grupo de jovens com tochas nas mãos por becos sinuosos até um playground onde cantigas de ninar surgem como contraponto à canção principal e uma fogueira flamejante simboliza a imolação das coisas infantis. Esses adolescentes tão apaixonados tendem a ficar um pouco melosos de vez em quando, de modo que Sangue de artista se beneficia da presença mais sisuda de June Preisser, como uma arrogante, ainda que amável, ex-estrela infantil, e de Margaret Hamilton, no seu melhor estilo Bruxa Má, como uma velhota que quer meter todos os artistas pestinhas em uma escola profissionalizante. MR
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 121)

120 1939 CRISÂNTEMOS TARDIOS (ZANGIKU MONOGATARI, Japão)


Direção: Kenji Mizoguchi
Roteirro: Matsutarõ Kawaguchi, Yoshikata Yoda, baseado no livro de Shofu Muramatsu
Fotografia: Yozô Fuji, Minoru Miki
Música: Shirô Fukai, Senji Itô
Elenco:
Shôtarô Hanayagi ……… Kikunosuke Onoue
Kôkichi Takada …………..Fukusuke Nakamura
Gonjurô Kawarazaki ……. Kikugoro Onoue
Kakuko Mori ………………Otoku
Tokusaburo Arashi ………Shikan Nakamura
Yôko Umemura ……………Osata

No século XIX, um ator de teatro Kabukl preguiçoso e sem talento nascido em uma família famosa se apaixona pela ama-seca do seu irmão. Contrária à união dos dois, família dele a expulsa de casa. Ele a segue e ela devota sua vida a ajudá-lo a desenvolver sua arte, arruinando sua saúde no processo. No fim, ela morre em casa enquanto ele, alcançando finalmente o reconhecimento como ator, lidera sua trupe em um triunfal desfile de barco por Osaka. Crisântemos tardios é um dos filmes essenciais de Kenji Mizoguchi, uma obra de fascinante elegância e rigor formal, além de um poderoso ataque às estruturas sociais que impõem o papel de vítimas martirizadas às mulheres. Os planos longos de Mlzoguchi conduzem lentamente a narrativa, acomodando a inexorável lógica dos acontecimentos em estruturas mais amplas e complexas. O filme dá ao espectador tempo para reflexão e interiorização, à medida que os personagens, reconhecendo seus papéis dentro das relações de poder, reagem com medo, horror, tristeza ou revolta aos acontecimentos. A narrativa, com sua ênfase em jornadas metafóricas - as migrações da trupe de atores e a jornada do herói rumo à excelência artística -, permite a Mizoguchi criar um duplo filtro metafórico. Para ele, cinema e teatro são máquinas para destilar a beleza e a conquista de uma compreensão trágica. C f u
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 120)