sábado, 6 de dezembro de 2014

154 1942 A MARCA DA PANTERA (CAT PEOPLE, EUA)


Direção: Jacques Tourneur
Produção: Vai Lewton, Lou L. Ostrow
Roteiro: DeWitt Bodeen
Fotografia: Nicholas Musuraca
Música: Roy Webb
Elenco:
Simone Simon ………Irena Dubrovna Reed
Kent Smith …………. Oliver Reed
Tom Conway ………...Dr. Louis Judd
Jane Randolph ………Alice Moore
Jack Holt ……………. Comodoro

Os filmes de terror produzidos pela Val Lewton/RKO na década de 40 são um ponto alto do gênero, obras célebres pela aura sutil de medo em vez de efeitos especiais repugnantes. A marca da pantera, dirigido por Jacques Tourneur, apresenta a história trágica de Irena, a mulher-felina que teme destruir aqueles que mais ama. Ollie Reed (Kent Smith) vê a bela e sexy Irena Dubrovna (Simone Simon) desenhando uma pantera negra no zoológico. O breve romance dos dois leva ao casamento, mas sinais de problemas não tardam a surgir, Irena parece obcecada por grandes felinos e ouve seus gritos ("como os de uma mulher") à noite. No entanto, quando Ollie leva um gatinho para casa para lhe dar de presente, ele rosna e bufa. "Estranho", fala o dono da loja de animais para Ollie, "gatos sempre percebem quando há algo de errado com uma pessoa." O que há de errado com Irena permanece essencialmente ambíguo e essa é a força do filme. Será ela uma jovem reprimida com medo de consumar seu casamento, conforme sugere seu psiquiatra (Tom Conway), ou uma herdeira das malévolas bruxas adoradoras de Satã de seu vilarejo natal na Sérvia? Irena teme que emoções fortes como luxúria, ciúme ou raiva libertem a pantera assassina que vive dentro dela. De fato, essas, emoções fogem ao seu controle: em uma cena ela arrasa seu afetuoso analista e, em outra sequência assustadora, ela persegue sua rival Alice (Jane Randolph), que trabalha com Ollie e também o ama. A marca da pantera não vai matá-lo de medo; por outro lado, também não exagera na abordagem sexual como a risível refilmagem de 1982, de Paul Schrader, com suas cenas de bondage e violência gráfica. O filme é assustadoramente eficaz, especialmente no uso de luz e sombra. Em uma cena merecidamente famosa, Irena segue Alice até uma piscina subterrânea, forçando-a a nadar em pânico enquanto ouvem-se sons misteriosos e sombras bruxuleiam em reflexos líquidos de luz. Embora um tanto datado, A marca da pantera conta com diálogos afiados. Alice provoca simpatia como "o novo tipo de mulher" - inteligente, independente, respeitável e amorosa. Ollie é provavelmente dócil demais para merecer o amor de uma mulher do seu tipo. É Irena quem domina a atenção e permanece na cabeça do espectador, um dos monstros mais dignos de compaixão do cinema de horror (como Bóris Karloff no papel da criatura de Frankenstein). Simon está encantadora - um pouco "exagerada" com seu rosto de gata, doce, triste e inconscientemente perigosa. CFr
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 154)



#048 1942 SANGUE DE PANTERA (Cat People, EUA)
Direção: Jacques Tourneur
Roteiro: DeWitt Bodeen
Produção: Val Lewton
Elenco: Simone Simon, Tom Conway, Kent Smith, Jane Randolph

Sangue de Pantera, o clássico do diretor Jacques Tourneur, é um filme que gira em torno de sexualidade e repressão feminina transbordando da figura interpretada pela bela e exótica atriz Simone Simon, a tal mulher pantera do título em português. Para contextualizar historicamente o filme, o mercado hollywoodiano de filmes de terror era amplamente dominado pela Universal e seus monstros DráculaFrankensteinA MúmiaO Lobisomem, etc. Com grandes orçamentos e sucessos de bilheteria, restava aos outros estúdios fazerem os filmes B. E daí que entra na jogada a RKO Radio Pictures, responsável outrora por grandes produções, entre elas Cidadão Kane, de Orson Wells, mas que estava em péssimas condições financeiras e precisava fazer dinheiro rápido com custos baixíssimos de produção, algo que gastasse no máximo 150 mil dólares, imagine. O produtor Val Lewton foi o escalado para cuidar do departamento de filmes de terror da RKO, e o primeiro deles, foi Sangue de Pantera. E o filme virou um sucesso de público e crítica, começando o movimento de tirar o estúdio do buraco e financiar outras produções de terror. Na história, Irena Dubrovna é uma imigrante sérvia que trabalha com design de moda e se envolve com o engenheiro naval americano Oliver Reed. Conquistado pela beleza peculiar e pelo jeito introspectivo da garota (que confidencia a ele que não tem amigos americanos, ao convidá-lo para uma xícara de chá em seu apartamento) logo eles se apaixonam e consumam o matrimônio. Porém, Irena acredita descender de uma linhagem mítica de mulheres panteras, que se transformam na criatura ao se relacionarem sexualmente ou sentirem-se ameaçadas. Segundo a lenda, as mulheres panteras são descendentes de bruxas executadas pelo Rei João da Sérvia (o qual Irena tem uma estátua em sua sala) durante a Idade Média, e suspeita-se que seu pai foi assassinado por sua mãe, logo após o ato sexual. Tenso! O casamento dos dois vai bem mal das pernas, já que há muita frustração sexual entre o casal, e se complica ainda mais quando dois elementos entram na história: Alice, companheira de trabalho de Reed, que o vê cada vez mais infeliz na relação e o ama secretamente e o Dr. Louis Judd, psiquiatra que Reed contrata para tratar de Irena, mas que também acaba envolvido pela sedução intrigante da estrangeira. Dado certo momento, a tensão crescente entre esse quarteto e o ciúme que Irena começa a sentir, vai saindo do seu controle e toda a sua repressão começa a despertar a “felina” dentro dela. Duas cenas são particularmente memoráveis: Nas duas, a rival Alice é perseguida e ameaçada por Irena, inclusive a clássica cena da piscina, porém tudo de uma forma subentendida, apenas através de vultos e rugidos do animal. E começa aí uma nova escola de filmes de terror, de não escancarar o monstro no plano principal e deixá-lo no imaginário do espectador, técnica essa emprestada dos filmes de suspense e noir. Tourner quase abandonou o barco antes de terminar as filmagens, devido a uma pressão da RKO para que uma pantera de verdade aparecesse em duas cenas no lugar da atriz. Mas no final, mantém-se o apelo do inconsciente e a aparição do animal em cena, mesmo com o baixo orçamento do filme e a falta de recursos animatrônicos na época, acaba não atrapalhando, graças à forma como as cenas são conduzidas pelo diretor. Quarenta anos depois, em 1982, Paul Schrader dirigiu uma nova versão misógina e sexualizada, estrelado por Nastassja Kinski e Malcom McDowell, que aqui no Brasil recebeu o nome de A Marca da Pantera, que assisti muito antes de ver o original, em algum Supercine ou Corujão da vida.
FONTE: http://101horrormovies.com/2012/12/20/48-sangue-de-pantera-1942/

153 1942 SER OU NAO SER (TO BE OR NOT TO BE. EUA)


Direção: Ernst Lubitsch
Produção: Alexander Korda. Ernst Lubitsch
Roteiro: Melchior Lengyel, Edwin Justus Mayer
Fotografia: Rudolph Mate
Musica: Werner R. Heymann, Miklós Rózsa
Elenco:
Carole Lombard …Maria Tura
Jack Benny ………Joseph Tura
Robert Stack …….Lieut. Stanislav Sobinski
Felix Bressart ……Greenberg
Lionel Atwill ………Rawitch
Stanley Ridges ……Professor Siletsky
Ainda: Sig Ruman, Tom Dugan, Charles Halton, George Lynn , Henry Victor, Maude Eburne, Halliwell Hobbes, Miles Mander.

Indicação ao Oscar: Werner R. Heymann, Miklós Rózsa (música)

"O que ele fez com Shakespeare nós estamos fazendo com a Polônia", brinca um coronel alemão referindo-se a um ator de teatro exagerado na ultrajante comédia de humor negro de guerra de Ernst Lubitsch. Em uma era em que nada é sagrado ou sério demais para ser satirizado, é difícil imaginar a controvérsia que cercou originalmente a escrachada farsa antinazista brilhantemente espirituosa e hilária de Lubitsch. Lubitsch era um judeu alemão que se estabeleceu nos Estados Unidos na década de 20 e realizou uma série de comédias arrasadoras e de estilo inimitável. Mesmo assim, o diretor hesitou quando Melchior Lengyel - que concebeu Ninotchka (1939), também dirigido por ele - surgiu com esta ideia sobre uma trupe de atores que se fingem de membros da Gestapo para salvar membros da Resistência polonesa. No entanto, o diretor acabou por acreditar - e esperar - que os americanos se preocupariam mais com a Polônia se ele pudesse estimular a compaixão deles através do riso, aplicando o famoso Toque de Lubitsch (com um roteiro sofisticado de Edwin Justus Mayer) aos nazistas e seus adversários. O comediante Jack Benny, em seu momento mais brilhante, interpreta Josef Tura, o vaidoso ator-diretor de uma companhia de teatro eternamente em conflito com sua volúvel esposa Maria, a atriz principal do grupo, interpretada pela deliciosa Carole Lombard (que aceitou o papel contra a vontade de seu marido Clark Gable e foi tragicamente assassinada antes do lançamento do filme). Depois dessa batalha na guerra dos sexos, os Turas têm coisas mais importantes para se preocupar - como a invasão da Polônia - e se envolvem em espionagem. O tom muda a partir de uma traição e volta a mudar quando a trupe briguenta de Tura põe suas divergências de lado e bola uma audaciosa farsa para resgatar Maria e seu admirador - o herói da Resistência interpretado por Robert Stack - do quartel-general da Gestapo. Este já foi considerado por muitos o filme mais engraçado de Lubitsch, justamente por ser o mais sério deles - prova disso é Sou ou não sou, a refilmagem de Mel Brooks de 1983, que, apesar de engraçado, não compartilha da mesma urgência de se realizarem proezas desesperadas em uma época perigosa. Os momentos sarcásticos (como a imitação perversa que Tom Dugan faz de Hitler) não ofuscam a essência da sátira, que é o olhar do filme sobre o mal de que homens comuns são capazes quando sentem o gosto do poder, ou sua mensagem de que mesmo atores egoístas podem fazer algo de bom quando agem como seres humanos. AE
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 153)




sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

ANOS INCRÍVEIS (The Wonder Years, EUA, 1990)


                                       3ª TEMPORADA (1990)
1.   "Summer Song" - Canção de Verão
2.   "Math Class" - Aula de Matemática
3.   "Wayne on Wheels" - Wayne Motorizado
4.   "Mom Wars" - Guerras Com Mamãe
5.   "On the Spot" - O Holofote
6.   "Odd Man Out" - O Rejeitado
7.   "The Family Car" - O Carro da Família
8.   "The Pimple" - A Espinha
9.   "Math Class Squared" - O Professor de Matemática
10. "Rock 'n Roll" - Rock'n Roll
11. "Don't You Know Anything About Women?" - Você Não Entende Nada de Mulheres
12. "The Powers That Be" - O Poder Constituido
13. "She, My Friend, and I" - Ela, Meu Amigo e Eu
14. "St. Valentine's Day Massacre" - O Massacre do Dia Dos Namorados
15. "The Tree House" - A Casa na Árvore
16. "Glee Club" - O Coral da Oitava Série
17. "Night Out" - A Festa
18. "Faith" - Fé
19. "The Unnatural" - Nada Natural
20. "Goodbye" - Adeus
21. "Cocoa and Sympathy" - Chocolate e Simpatia
22. "Daddy's Little Girl" - A Queridinha do Papai
23. "Moving" - A Mudança

152 1942 CASABLANCA (CASABLANCA, EUA)


Direção: Michael Curtiz
Produção: Hal B. Wallis, Jack L. Warner
Roteiro: Julius J. Epstein, Philip C. Epstein, Howard Koch, baseado na peça de Murray Burnett e Joan Alison
Fotografia: Arthur Edeson
Música: M. K. Jerome, Jack Scholl, Max Steiner
Elenco:
Ingrid Bergman …………Ilsa Lund
Humphrey Bogart ………Rick Blaine
Sydney Greenstreet ……Signor Ferrari
Conrad Veidt ……………Major Strasser
Paul Henreid ……………Victor Laszlo
Claude Rains ……………Capitão Renault
Ainda: Sydney Creenstreet, Peter Lorre, S. Z. Sakall, Madeleine LeBeau, Dooley Wilson, Joy Page, lohn Qualen, Leonid Kinskey, Curt Bois.

Oscar: Hal B. Wallis (melhor filme), Michael Curtiz (diretor), Julius J. Epstein, Philip G. Epstein, Howard Koch (roteiro)

Indicação ao Oscar: Humphrey Bogarl (ator), Claude Rains (ator (Coadjuvante), Arthur Edeson (fotografia), Owen Marks (montagem), Max Steiner (música)

O mais querido de todos os ganhadores do Oscar de Melhor Filme, este romântico melodrama de guerra sintetiza a febre da década de 40 por exotismos de estúdio, com os terrenos da Warner transformados em um Norte da África fantástico que parece muito mais autêntico do que qualquer outro lugar meramente real poderia ser. Casablanca também conta com mais atores cult, falas passíveis de citação, clichês instantâneos e descaramento hollywoodiano do que qualquer outro filme da era de ouro do cinema. O Rick de Humprey Bogart ("De todas as espeluncas que servem gim..."), vestindo ternos brancos ou sobretudo com cinto, e a lisa de Ingrid Bergman ("Eu sei que jamais terei forças para deixá-lo novamente"), com seus figurinos mais apropriados para um estúdio do que para uma cidade no meio do deserto, flertam em um café-cassino enquanto aquela canção inesquecível ("As Time Goes By") soa ao fundo, transportando-os de volta para uma vida mais simples antes de a guerra arruinar tudo. Contudo, a melhor interpretação fica por conta de Claude Rains, como o cínico, porém romântico, chefe de polícia Renault ("Reúna os suspeitos de sempre"), um irônico observador dos absurdos da vida que é ao mesmo tempo um sobrevivente oportunista e o mais verdadeiro romântico do filme - merecendo plenamente seus últimos e famosos instantes ("Louis, acho que este é o começo de uma bela amizade"), que mostram que ele, e não Ilsa, é o parceiro ideal para o herói recém-comprometido-com-a-liberdade de Rick. O extenso elenco de coadjuvantes também é memorável: Victor Laszlo, o tcheco patriota de Paul Henreid, liderando a escória do continente em uma empolgante execução da Marselhesa que abafa a cantoria nazista e restaura o fervor patriótico até dos mais ardorosos colaboracionistas e parasitas; o vigarista Ugarte de Peter Lorre, admitindo timidamente que confia em Rick por ele o desprezar; o vilão nazista Major Strasser de Conrad Veidt, tentando fazer uma ligação que jamais conseguirá completar; o leal Sam de Dooley Wilson, dedilhando seu piano e trocando olhares com os protagonistas; Carl, o obeso mordomo de S. Z . Sakall, um austro-húngaro deslocado e suarento apesar do ventilador de teto; e o improvável empresário árabe-italiano Ferrari de Sydney Greenstreet, acocorado no que parece um tapete mágico com seu barrete. Mesmo os figurantes foram escalados de forma brilhante, acrescentando à atmosfera viva, sedutora e povoada de um filme que, mais do que qualquer outro, seus fãs desejam habitar, um impulso que serve de combustível para Sonhos de um sedutor, a charmosa homenagem de Woody Allen. Curtiz conta uma história complicada e cheia de truques - que sofre com um excesso de explicações e é estruturada em torno de um flashback no meio do filme, que se passa em Paris e quebra boa parte das regras de roteiro - com tão pouco alarde e tanta segurança que o conjunto parece impecável, apesar de ter sido supostamente reescrito dia a dia para que Bergman não soubesse até a filmagem da cena final se ela iria partir no avião com Henreid ou ficar com Bogey. Sua grandeza duradoura como cult se deu por conta dessa postura, mas também pela sua rara sensação de incompletude: realizado antes do fim da guerra, ele ousa deixar seus personagens literalmente no ar ou no meio do deserto, fazendo com que seus espectadores originais - e os muitos que descobriram o filme no decorrer dos anos - ficassem se perguntando o que teria acontecido com aquelas pessoas (cujos problemas mesquinhos não passam de "um monte de feijões") nos turbulentos anos que se seguiram. KN
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 152)

151 A ESTRANHA PASSAGEIRA (NOW, VOYAGER, EUA)


Direção: Irving Rapper
Produção: Hal B. Wallis
Roteiro: Casey Robinson, baseado no livro de Olive HIggins Prouty
Fotografia: Sol Polito
Música: Max Steiner
Elenco:
Bette Davis ………Charlotte Vale
Paul Henreid ……Jerry Durrance
Claude Rains ……Dr. Jaquith
Gladys Cooper …..Sra. Henry Windle Vale
Bonita Granville …June Vale
John Loder ……….Elliot Livingston
Ainda:  Ilka Chase, I ee Patrick, Franklin Pangborn, Katharine Alexander, James Rennie, Mary Wiekes

Oscar: Max Steiner (música)

Indicação ao Oscar: Bette Davis(atriz), Gladys Cooper (atrizcoadjuvante)

O fato de A estranha passageira, de Irving Rapper, ter conservado sua popularidade pode ser explicado pelos despudorados crescendos emocionais do filme, pelo carisma de sua estrela e, especialmente, pelo prazer - por mais perverso que ele seja - que retiramos de ver a transformação de Bette Davis de um patinho feio em um cisne (sua atuação lhe tendeu uma indicação ao Oscar). Um dos melodramas americanos clássicos e o precursor dos filmes de "transformação", A estranha passageira conta a complexa história da solteirona Charlotte Vale (Davis), a filha inacreditavelmente desleixada (basta olhar para as sobrancelhas grossas e para os óculos dela) de uma matriarca opressora de Boston. O psiquiatra Dr. Jaquith (Claude Rains) salva Charlotte mandando-a para um sanatório, onde sua cura é antecipada quando o médico quebra de forma teatral seus óculos (que mulher "normal" precisa deles?) e dá-se seu renascimento (ao som da trilha dramática de Max Stelner) como a estrela de cinema Bette Davis: deslumbrante desde as sobrancelhas feitas até suas sapatilhas bicolores. Essa borboleta recém-saída do casulo decide viajar e se apaixona por Jerry Durance (Paul Henreld), um homem casado; o romance deles é contado em grande parte através do uso expressivo dos cigarros, que sugerem o sexo que não vemos na tela. A trama se desenrola maravilhosamente a partir daí, terminando com a decisão de não buscar mais que amizade com a célebre, embora misteriosa, fala de Charlotte: "Oh, Jerry, não vamos almejar a Lua. Nós temos as estrelas." MO
 (1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 151)


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

150 1942 MULHER DE VERDADE (THE PALM BEACH STORY, EUA)


Direção: Preston Sturges
Produção: Paul Jones
Roteiro: Preston Sturges
Fotografia: Victor Milner
Música: Victor Young
Elenco:
Claudette Colbert ……Gerry Jeffers
Joel McCrea ………….Tom Jeffers
Mary Astor ……………Princesa Centimillia
Rudy Vallee ………….J.D. Hackensacker III
Sig Arno ……………...Toto
Robert Warwick ……..Sr. Hinch
Ainda: Robert Dulley, Frank Faylen, Sig Arno, Arthur Stuart Hull, Torben Meyer, Jimmy Conlin, Victor Potel, William Demarest, Jack Norton, Robert Creig, Roscoe Ates, Dewev Robinson

Oscar: Max Steiner (música)

Indicação ao Oscar: Bette Davis (atriz), Gladys Cooper (atriz coadjuvante)

Rudy Vallee tem a melhor atuação de sua carreira como o milionário gentil e franzino John D. Hackensacker III nesta brilhante comédia escrachada de 1942, que é ao mesmo tempo singela e mordaz. Claudette Colbert, esposa de um arquiteto ambicioso, porém sem um tostão (Joel McCrea), viaja para a Flórida e acaba sendo cortejada por Hackensacker. Quando McCrea chega, ela o convence a fingir ser seu irmão. Para completar, temos algumas criações inesquecíveis de Sturges, como o Rei das Salsichas (Robert Dudley), os alucinadamente destrutivos membros do Ale and Quall Club, a irmã Beda de Hackensacker (Mary Astor) e seu namorado europeu de origens obscuras. O personagem de Hackensacker talvez seja a coisa mais próxima de um auto-retrato em forma de paródia no cânone de Sturges, no entanto, Mulher de verdade é imbuído de tamanha sabedoria irônica e humor que transcende sua natureza pessoal. O papel foi feito para Vallee depois que Sturges o viu em um musical, percebeu que a plateia ria toda vez que ele abria a boca e concluiu que aquele homem era hilário sem nem ao menos saber disso. Essa inconsciência da própria graça exercia um papel fundamental no conceito de comédia de Sturges, que incluía também a ingenuidade da plateia e dos próprios personagens. A frenética sequência de abertura "entrega" o final-surpresa da trama antes de os espectadores começarem a entender o que está acontecendo. Conforme o crítico James Harvey notou muito bem: "Neste filme, sempre que a realidade se toma um problema - no caminho para a Penn Station, por exemplo, quando um taxista interpretado por Frank Faylen concorda em levar Colbert até lá de graça -, ela é simplesmente revogada" JRos
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 150)

149 1941 COMO ERA VERDE MEU VALE (HOW GREEN WAS MY VALLEY, EUA)


Diretor: John Ford
Produção: Darryl F. Zanuck
Roteiro: Philip Dunne, baseado no livro de Richard Llewellyn
Fotografia: Arthur C. Miller
Música: Alfred Newman
Elenco:
Walter Pidgeon ………Sr. Gruffydd
Maureen O’Hara ………Angharad Morgan
Anna Lee ………………Bronwyn
Donald Crisp …………..Sr. Gwillym Morgan
Roddy McDowall ………Huw Morgan
Barry Fitzgerald ……… Cyfartha
Ainda: John Loder, Sara Allgood, Patric Knowles, Morton Lowry, Arthur Shields, Ann E. Todd, Frederick Worlock. Richard Fraser, Evan S. Evans,

Oscar: Darryl F. Zanuck (melhor Filme), John Ford (diretor), Donald Crisp (ator coadjuvante), Richard Day,
Nathan Juran , Thomas Little (direção de arte), Arthur C. Miller (fotografia)

Indicação ao Oscar: Philip Dunne (roteiro), Sara Allgood (atrlz coadjuvante), James B. Clark (edição), Alfred Newman (música), Edmund H.Hansen (som)

Embora John Ford seja obviamente mais famoso por seus faroestes, ele também tinha uma predileção por tudo que envolvesse a Irlanda. Não que esta adaptação, ganhadora do Oscar, do romance de Richard Llewellyn tenha sido transportada pelo Mar da Irlanda de sua ambientação nos vales mineradores do País de Gales; em vez disso, o filme imbuído do mesmo tipo de nostalgia das necessidades excêntricas da vida em família no Velho Continente que caracterizava Depois do vendaval, de 1952. O País de Gales de Ford, na verdade, é tanto um país imaginário quanto o era sua amada Irlanda (pelo menos na maneira como é representada na tela ou invocada em palavras). Isso explica por que a vila mineradora belamente projetada de Richard Day, mesmo com o excruciante nível de detalhe aplicado à sua construção nos terrenos da Fox, parece mais uma representação onírica de um arquétipo daquela região do que um vilarejo de verdade. Isso, no entanto, combina perfeitamente com o clima de nostalgia que alimenta Como era verde meu vale do início ao fim. A história é narrada por um homem que reflete sobre sua infância já longínqua, na qual, como o caçula (Roddy McDowall) da família Morgan, ele observava o pai (Donald Crisp) e seus quatro irmãos subirem a pé diariamente a colina a caminho da mina. Ele se lembra não só das dificuldades - as arriscadas condições de trabalho, a ameaça da pobreza, o frio e a fome - e das mortes trágicas como também do senso de comunidade caloroso e temo que imperava nas vidas tanto da família quanto da vila como um todo. Contudo, essa unidade feliz se perdeu para sempre quando, cortes salariais acarretaram greves e conflitos entre os patriarcas amáveis, porém tradicionais, e os filhos (ligeiramente) mais militantes, o que resultou na partida dos filhos para a Terra Prometida da America - onde mais?-, em busca de trabalhos mais bem remunerados. O filme todo é permeado por recordações agridoces: da morte do pai, da inocência infantil, do país de origem e de um pai rígido, porém justo. Ford, sem dúvida, idealiza o mundo que retrata, entretanto, é isso que o torna tão eficaz. Sim, o filme é feito para arrancar lágrimas, repleto de clichês (os mineradores nunca param de cantar) e os sotaques são uma estranha mistura de todas as partes do Reino Unido e da Irlanda – mas os sonhos não são sempre assim? GA
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 149)