quinta-feira, 26 de março de 2015

#105 1958 A BOLHA (The Blob, EUA)


Direção: Irwin S. Yeaworth
Roteiro: Theodore Simonson, Kate Phillips, Irvine H. Millgate (ideia original)
Produção: Jack H. Harris, Russel Doughten (Produtor Associado)
Elenco:Steve McQueen, Aneta Corseaut, Earl Rowe, Olin Howland, Steven Chase, John Benson

Um verdadeiro clássico e um dos mais famosos e adorados filmes do terror / sci-fi dos anos 50. OK, A Bolha talvez só seja tão famoso para minha geração por conta do seu excelente remake dos anos 80, A Bolha Assassina. Mas a importância desse filme para o gênero é inquestionável. Primeiro pela perplexidade que causou no público na época, ao ver aquela gelatina de morango espacial vinda de um meteorito que caiu em Phoenixville, Pensilvania, promover um rastro de morte e destruição, sendo praticamente indestrutível e crescendo conforme vai devorando os seres humanos, e tudo isso em cores! Segundo pela já nítida evolução dos efeitos especiais se comparadas a outras produções do gênero. Terceiro por dar a primeira oportunidade cinematográfica ao jovem ator Steve McQueen, futuro astro de Hollywood e indicado ao Oscar. O diretor Irwin S. Yeaworth confessamente inspirou sua geleca em um obscuro sci-fi do estúdio inglês Hammer (sim, aquele mesmo dos filmes de Drácula e Frankenstein com Peter Cushing e Cristopher Lee),X, O Monstro Radioativo. Feito com parcos 240 mil dólares, e exibido em double features com I Married a Monster from Outer Space, A Bolha é mais um exemplo de um filme barato, porém criativo, que deu super certo e tornou-se um sucesso instantâneo para a Paramout, que até então não tinha quase nenhuma tradição no gênero. A abertura de A Bolha não tem absolutamente nada a ver com um filme de terror e até acaba se transformando em um anticlímax, trazendo como música tema uma espécie de surf music bem anos 50. Mas o pior é que ela é bem divertida. Olha só que legalzinha a letra de Beware of the Blob de Burt Bacharach:
Beware of the Blob, it creeps
And leaps and glides and slides
Across the floor
Right trough the door
And all around the wall
A splotch, a blotch
Be careful of the Blob
E essa letra da música resume muito bem o que se esperar da criatura alienígena pegajosa e rastejante do filme e todas as peripécias que essa massa disforme é capaz de fazer. E se você já assistiu ao remake oitentista, a origem é a mesma. A geleia vem dentro de um meteorito que cai em uma fazenda no interior dos EUA, e é encontrada por um velho e seu cachorro. Cutucando a forma translúcida com uma vareta, ela gruda na mão do senhor e começa a consumir o braço do pobre coitado. Até ele ser resgatado por Steve Andrews, papel de McQueen e sua namoradinha virginal Jane Martin (Aneta Corsaut), que estavam dando uns amassos castos no carro e veem uma estrela cadente, que na verdade é o tal meteorito, e resolvem tentar descobrir onde ela caiu. Steve leva o velho até o Dr. T. Hallen, que desconhece o que pode ser aquilo. A bolha faz então sua segunda vítima e vai aumentando de tamanho, fugindo para a cidade para espalhar o terror gelatinoso. A polícia local não acredita na história contada por Steve e Jane, que procuram os demais “adolescentes” rebeldes da cidade para investigarem o paradeiro da bolha, até que eles a encontram na loja de conveniência do pai de Steve, e só conseguem se salvar por se esconderem no frigorífico, e descobrirem que o alienígena gosmento não tolera o frio extremo. Em sua escalada de morte, a Bolha ainda ataca um cinema, o Colonial Theater, em que está sendo exibido Daughter of Horror, filme de 1953 dirigido por John Parker, (que está sendo projetado quando Steve adentra o cinema para pedir ajuda aos amigos) e My Son, the Vampire, este estrelado por Bela Lugosi. Sem precedentes a cena em que a bolha se esgueira pelo duto de ar para devorar o projetor e depois cai pelas janelas da sala de exibição, provocando uma fuga histérica em massa do local. Por fim, Steve, Jane e seu irmãozinho pentelho que foi atrás dela, que você até torce que morra secretado pela gosma alienígena, estão encurralados em uma lanchonete que a bolha, agora com proporções gigantescas, está assimilando, quando através do uso do CO2 provenientes de extintores, toda a população congela a criatura, à espera de que o exército americano leve-a para o ártico, onde ficará para sempre confinada no frio, ou até que o degelo e o aquecimento global a tire de lá, já que no final do filme, após o fatídico letreiro de FIM, aparece um sinistro ponto de interrogação. O grande inimigo de A Bolha no entanto é a passagem dos anos. Aposto R$ 10 que você, assim como eu, assistiu primeiro A Bolha Assassina de 1988, então assistir a versão feita trinta anos depois, com toda aquela inocência, climão e principalmente ritmo característicos da década de 50, deixa muito a desejar. Não é nenhum demérito, mas acontece que o que ocorre com A Bolha foi exatamente a mesma coisa de outros sci-fi dos anos 50 que ganharam suas refilmagens três décadas depois, como, por exemplo, A Mosca, remake de A Mosca da Cabeça Branca e O Enigma de Outro Mundo, remake de O Monstro do Ártico. Todos eles são viscerais, violentos e com doses cavalares de sangue e nojeira, algo que seus originais definitivamente não tinham. Mas isso não tira o fato de que A Bolha é um cult definitivo e muito menos a sua importância para o gênero, tornando-o obrigatório para os fãs. E para finalizar, por sorte, também fomos agraciados com a desistência do roqueiro metido a diretor Rob Zombie em fazer um re-remake do filme. PegandoHalloween – O Início como base, já dava para imaginar que mais um clássico seria assassinado por Zombie.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/09/105-a-bolha-1958/

terça-feira, 24 de março de 2015

#104 1958 O ATAQUE DA MULHER DE 15 METROS (Attack of the 50 Foot Woman, EUA)


Direção: Nathan Juran
Roteiro: Mark Hanna
Produção: Bernard Woolner, Jacques Marquette (Produtor Executivo)
Elenco: Allison Hayes, William Hudson, Yvette Vickers, Roy Gordon, George Douglas, Ken Terrell

Como diria um antigo professor de história meu: “Essa mulher é um colosso! Um mulherão”. O Ataque da Mulher de 15 Metros é mais uma daquelas bagaceiras especiais que o ciclo sci-fi dos anos 50 nos proporcionou. Agora imagine só que pesadelo uma mulher de 15 metros! Imagine uma mulher de 15 metros com CIÚMES? Se uma mulher de 1,55m, por exemplo, com um ataque de ciúmes já é duro de controlar, e com esse tamanho todo então? E é bem o que acontece neste filme: o marido idiota da mulher que fica gigante é um verdadeiro porco chauvinista que vive traindo-a com uma ruiva no bar, e não tem como a vida do cara ficar fácil quando ela busca por vingança. Mas antes de colocar a carroça na frente dos bois, vamos a uns pequeno detalhes técnicos do filme: O Ataque da Mulher de 15 Metros foi dirigido por uma figurinha carimbada do universo terror / sci-fida época, Nathan Juran (que aqui assina a direção com o pseudônimo de Nathan Hertz). Em seu currículo, podemos destacar filmes como O Cérebro do Planeta Arous e The Deadly Mantis, que são duas pérolas do gênero, além de vários episódios dos seriados sessentistas de Irwin Allen. No roteiro escrito por Mark Hanna, Nancy Archer (Allison Hayes) é uma ricaça, dona do raro diamante Estrela da Índia (checar), com sérios problemas de alcoolismo e casada com o escroque Harry Archer (William Hudson), que só está interessado no dinheiro da esposa e nas suas puladas de cerca com Honey Parker (a playmate Yvette Vickers), sua fogosa e maquiavélica amante. Nancy já passou um tempo no hospício pelo fato de gostar de um mé, muito por conta do casamento fracassado e do marido interesseiro e ausente, mas acabou fazendo a besteira de voltar para Harry ao receber alta, jurando amor eterno ao patife. Certa noite, após uma briga do casal, Nacny sai de carro pela estrada e no meio do deserto, ela avista um satélite, ou um OVNI, que parece um ovo e dentro dele, sai um gigante careca que usa um colete (que lembra bastante Tor Johnson, ator dos filmes de Ed Wood) e a ataca. Conseguindo escapar do gigante alienígena, claro que na cidade ninguém vai acreditar na mulher, achando que ela está bebendo mais uma vez. Ainda mais depois que o xerife vasculhar o local, mas não encontra absolutamente nada. Pois bem, após colocar sua sanidade em xeque e ser usada pelo marido, que elaborou um plano com a amante para que ela volte a ser internada novamente, ou morta, e eles possam colocar a mão na grana dela, Nancy sai com Harry para dirigir a esmo, tentando encontrar a nave alienígena, o gigante e provar de uma vez por todas que ela não inventou aquilo e não é biruta. Depois de horas e horas rodando, finalmente eles encontram o tal alienígena anabolizado careca que rapta Nancy enquanto o bunda mole do seu marido foge. Essa parece ser a brecha para Harry sair da cidade com a amante, mas quando o fiel mordomo Jess dá parte à polícia, eles os impedem até descobrir o que aconteceu com a mulher.  Passado um tempo, a abduzida é finalmente encontrada no teto da casa de piscina da mansão Archer, e como efeito colateral da exposição exagerada à radiação alienígena, ela passa a crescer descontroladamente. Aqui que o filme começa a ficar interessante, e somos apresentados aos toscos efeitos especiais. Primeiro só vemos o braço do mulherão, estático, feito de gesso, suspenso por correias e correntes, enquanto ela acorda em acessos de fúria e tendo de ser dopada com doses cavalares de morfina que vão fazendo cada vez menos efeito. Ah, detalhe que ela sempre chama pelo marido que está onde? No salão do bar dançando com a amante, claro. Nesse ínterim, através da polícia local, o xerife encontra a nave e consegue adentrar em seu interior e descobre diversos diamantes lá tendro, que ele utiliza como combustível, e por isso, Nancy foi um alvo na estrada. Quando a morfina perde seu efeito e Nancy acorda puta da vida, é que o caldo vai entornar de verdade. Com um podre efeito de sobreposição de imagem, a garota agora tem 15 metros de pura sensualidade, seu cabelo fica loiro (que era moreno até então), com suas pernas gigantescas e barriguinha de fora, afinal misteriosamente suas roupas também ficaram grandes, mas pequenas o suficiente para cobrir apenas as partes íntimas ao mesmo tempo, entendeu? Com esse corpão cheio de estrógeno descontrolado em ebulição, ela vai atrás do marido, destruindo a pequena cidade até chegar ao bar e derrubar o teto do local sobre a vagabunda que dava em cima do marido e reservar para Harry um trágico destino, assim como para si mesma. Mas além de O Ataque da Mulher de 15 Metros ser esse clássico da ficção científica dos anos 50, também faz pensar, e serve como uma alerta para você que é marido ou namorado ganancioso e mulherengo ficar esperto, pois de repente sua esposa ou namorada pode se deparar com um objeto alienígena que fará seu tamanho crescer absurdamente, e aí, literalmente meu amigo, vai ficar pequeno para você.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/08/104-o-ataque-da-mulher-de-15-metros-1958/

#103 1957 OS ZUMBIS DE MORA TAU (Zombies of Mora Tau, EUA)


Direção: Edward L. Cahn
Roteiro: Raymond T. Marcus, George Plympton (história)
Produção: Sam Katzman
Elenco: Gregg Palmer, Allison Hayes, Autumm Russell, Joel Ashley, Morris Ankrum

Antes de George Romero reinventar o gênero em 1968, os filmes de zumbi tiveram seu auge durante os anos 30 e 40, sempre baseando-se na origem haitiana da criatura, em filmes como Zumbi Branco e A Morta-Viva, além de outras desgraças do Poverty Row. Após esse período, os mortos-vivos caíram no ostracismo e assim como outros monstros do cinema, foram substituídos pelo terror sci-fi da década de 50. Os Zumbis de Mora Tau é um desses poucos exemplares do gênero produzidos no período antes deA Noite dos Mortos-Vivos. E é de se tirar o chapeu para Os Zumbis de Mora Tau, que apesar de não ser aquela maravilha da sétima arte, tentou investir em uma trama criativa, que atualizava a relação da figura do zumbi com a maldição vodu, e tentou escapar de qualquer enredo que envolvesse foguetes, alienígenas ou poderio nuclear. E um detalhe curioso é que os zumbis já haviam se tornado vítimas da radiação em um filme anterior do mesmo produtor, Sam Katzman, em O Cadáver Atômico. Nessa altura do campeonato se você já está acompanhando a lista do blog, conhece o nome Sam Katzman, icônico produtor responsável pela Clover Productions, responsável por alguns filmes trashesda década de 50 dignos de nota (entenda isso como quiser), como O Monstro do Mar RevoltoO Lobisomem (que foi lançado em sessão dupla com Os Zumbis de Mora Tau) e O Ataque vem do Polo. Agora se você veio parar nesse post porque é fã neófito dos zumbis e adora o seriado The Walking Dead, então com certeza vai acabar se decepcionando com Os Zumbis de Mora Tau, e sinceramente, com todos os filmes do gênero pré-Romero (apesar de que esse foi uma das inspirações confessas de Romero para criar seu clássico seminal).Ainda falando sobre a Clover Productions, o diretor de O Lobisomem e O Ataque vem do Polo, Fred F. Sears, pupilo de Katzman, seria o responsável por dirigir também Os Zumbis de Mora Tau tendo montado alguns takes do filme e preparado todos os storyboards. Mas infelizmente Sears morreu prematuramente antes de dar andamento na produção, por conta das reações negativas que recebeu durante a primeira exibição de O Ataque vem do Polo (para mim, o pior filme de monstro já feito na história), fazendo com que Sears virasse um recluso em seu sítio e fosse encontrado morto três meses depois. No post de O Ataque eu conto um pouco mais sobre essa história trágica. Então quem finalizou o longa foi o diretor Edward L. Cahn. Aqui a aventura se passa na África Ocidental, e não no Caribe, devolvendo a maldição vodu para suas raízes africanas. E neste balaio de gato, vamos ser apresentados a zumbis marujos que têm medo de fogo e vivem embaixo d’água, submergindo vez ou outra molhados e com algas marinhas penduradas no corpo. Pronto, isso já é o suficiente para imaginar a pérola que vem por aí. Soma-se isso a atuações enfadonhas, um roteiro pragmático engessado (por mais que tente ser criativo) e uma locação na África em um lugar desconhecido, que nem parece a África na verdade, e sequer tem africanos como personagens. A jovem e bela Jan Peters (Autumm Russell) retorna à casa de sua reclusa bisavó na costa africana para descobrir que o local é tomado por uma maldição. E ela não é a única a desembarcar por lá, já que um grupo de aventureiros está em busca de encontrar uma fortuna em diamantes submersos, nos resquícios do navio Susan B., naufragado em 1884. Reza a lenda que o navio afundou depois da tripulação europeia roubar os diamantes da tribo nativa local, que por sua vez, mandou ver uma maldição contra o homem branco, transformando-os em zumbis por toda a eternidade, obrigando-os a matar qualquer um que vier atrás dos diamantes, como já acontecera com outras quatro expedições anteriores, até que os diamantes sejam destruídos ou jogados fora, o que você preferir, e suas almas possam descansar para sempre. A equipe liderada pelo inescrupuloso George Harrison (não, não é aquele dos Beatles), interpretado por Joel Ashley, quer a todo custo colocar as mãos nas preciosidades, e para isso conta com a ajuda do mergulhador Jeff Clark (Gregg Palmer) e do escritor Dr. Jonathan Eggert (Morris Ankrum). Claro que nenhum deles acredita na Vovó Peters e na ladainha sobre os zumbis. Nesse ínterim, ainda conhecemos a vulgar esposa de Harrison, Mona (vivida por Allison Hayes, a gigante de O Ataque da Mulher de 15 Metros) e também rola um interlúdio romântico entre Jan e Jeff. Ah, e também descobrimos que o marido da Vovó Peters faz parte da tripulação dos zumbis, pois foi o capitão do Susan B. O resto é confete. Mona é atacada pelos zumbis e acaba tornando-se uma deles, e nem isso consegue frear a ganância do capitão Harrison e nem de Jeff, que arriscam a própria vida em cenas subaquáticas com direito a trajes completos de mergulho e escafandros (e com os zumbis andando debaixo d’água, muito antes da antológica briga entre um tubarão e um zumbi aquático em Zumbi 2 – A Volta dos Mortos de Lucio Fulci). E no final, Jeff com dó da pobre velhinha ao ver seu antigo marido ali zumbificado, joga os diamantes no rio e fica tudo por isso mesmo, sendo o grande altruísta do dia. Mas o que simplesmente não me desce em Os Zumbis de Mora Tau é que sem sombra de dúvida, os zumbis aqui são os mais patéticos de todo o gênero. Eles são lerdos, burros, e quase estáticos. Não conseguem representar ameaça nenhuma. Nem sei como eles conseguiram matar todo um grupo de exploradores das outras vezes. E eles têm esse medo de fogo, certo? Então porque diabos eles simplesmente não atearam fogo em todos eles, até viraram cinza e depois fugiram com os diamantes, tornando-se milionários? Mas incrivelmente apesar dos apesares, a produção de Katzman serviu com um novo ponto de partida para o gênero e influenciaria os demais filmes de zumbi que viriam por aí, até chegarmos no conceito cinematográfico dos mortos-vivos que estamos acostumados (e já até saturados) a ver nos dias de hoje. Em Os Zumbis de Mora Tau, é a primeira vez que vemos um ataque em massa dos mesmos, arrastando-se para perseguir os heróis e estrangulando quem quer que esteja na sua frente, dando já um preview da fórmula dos filmes de apocalipse zumbi tão comuns atualmente. Além disso são os primeiros que são capazes de transformar suas vítimas em zumbis. E simplesmente é impossível destruí-los (exceto se a maldição for quebrada), ou seja, não se pode conter a terrível ameaça. Ou seja, apesar do filme ser dos mais meia boca, Os Zumbis de Mora Tau acabou incidentalmente transformando-se em um marco do gênero e uma evolução da criatura nas telonas.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/07/103-os-zumbis-de-mora-tau-1957/


domingo, 22 de março de 2015

SONG OF THE SEA (Bélgica, Dinamarca, França e Irlanda, 2014)


#101 1957 A MALDIÇÃO DE FRANKENSTEIN (The Curse of Frankenstein, Reino Unido)


Direção: Terence Fisher
Roteiro: Jimmy Sangster (baseado na obra de Mary Shelley)
Produção: Anthony Hinds, Max Rosenberg, Michael Carreras (Produtor Executivo), Anthony Nelson Keys (Produtor Associado)
Elenco: Peter Cushing, Cristopher Lee, Robert Urguhart, Hazel Court

É preciso afirmar que A Maldição de Frankenstein iniciou uma nova era no cinema de terror. Primeiro, por ser a primeira produção do lendário estúdio inglês Hammer Films atualizando os clássicos de monstro da Universal. Segundo, por ser a primeira aparição da dupla Peter Cushing e Cristopher Lee em cena. Terceiro, por trazer cores vivas ao universo do horror. E quarto, e não menos importante, por finalmente mostrar aquilo que todo fã que se preze mais gosta de ver no gênero: sangue! É bom se atentar ao momento histórico do lançamento de A Maldição de Frankenstein. Após os filmes de monstro da Universal terem tomado de assalto os cinemas no início da década de 30 e suas infindáveis continuações, seguidos pelos filmes da RKO Radio Pictures e do Poverty Row na década de 40, após a Segunda Guerra Mundial sabemos que o terror mesmo, aquele de verdade, praticamente minguou a partir de 1947. Os olhos do cinema fantástico estavam voltados ao sci-fi com seus monstros espaciais, invasões alienígenas e alegorias para o medo nuclear e o comunismo. Foi nesse contexto que a Hammer, que já havia tido sua incursão na ficção científica com Terror que Mata e X, O Monstro Radioativo, e em seu filme próprio de monstro, O Abominável Homem das Neves, resolveu refilmar os clássicos de monstro da Universal em cores, trazendo para o espectador um novo aspecto de horror mais gráfico e abusando, na medida do possível, do vermelho vivo do sangue para chocar a plateia. Tanto que se você acompanhar a evolução do cinema de horror (até mesmo assistindo na ordem cronológica cada fita que postei até então), verá que esse é o primeiro longa que além de mostrar sangue de verdade (quer dizer, de mentira né…) em vermelho vivo, traz partes de corpos decepados como mãos, olhos e cérebros. E ah, como a gente adora ver isso depois de uma batelada de filmes em preto e branco cercados de uma certa aura de inocência, digamos assim. Ou seja, A Maldição de Frankenstein é muito mais violento que todos os seus predecessores. E mais que isso, cria uma certa marca registrada com seus filmes com aquele ar cafona vitoriano de castelos e carruagens, dá uma luz ao termo Grand Guignol, que seria o pai do cinema gore, eleva a violência gráfica a um novo patamar e claro, traz aos efeitos de maquiagem em látex para a era do technicolor. A história é a mesma que conhecemos, só que mais visceral. Peter Cushing interpreta o bitolado Barão Victor Von Frankenstein em sua busca insana por construir uma criatura a partir de partes de mortos e trazê-la a vida. E a criatura é o debute de Cristopher Lee nas telas, que um ano mais tarde, se consagraria no papel como o conde Drácula definitivo, e hoje está no Guinness como o ator que mais atuou em filmes durante toda a história da sétima arte (e contando, afinal acabou de estrelar O Hobbit lançado no final do ano passado nos cinemas). A criatura pode não ter o mesmo charme de Boris Karloff e a maquiagem eternizada por Jack Pierce em Frankenstein da Universal, mas a Hammer preferiu dar um aspecto mais cadavérico ao monstro, deixando-o com um horrível corpo putrefato, retalhado e com escaras. Claro que para a época o longa recebeu uma enxurrada críticas negativas, sendo considerado pela implacável censura britânica uma “afronta ao bom gosto”. Mas como o que é do homem o bicho não come, A Maldição de Frankenstein foi um sucesso de bilheteria e a pedra angular para o estúdio que nos próximos 20 anos se dedicaria ao cinema de horror, fazendo incontáveis clássicos e eternizando os gentlemans Cushing e Lee, que para mim, são os dois maiores astros dos filmes de terror de todos os tempos.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/05/101-a-maldicao-de-frankenstein-1957/

SEVENTH SON (EUA, China, 2015)


sábado, 21 de março de 2015

#100 1957 I WAS A TEENAGE WEREWOLF (I Was a Teenage Werewolf, EUA)


Direção: Gene Fowler Jr.
Roteiro: Herman Cohen, Aben Kandel (com o pseudônimo de Ralph Thornton)
Produção: Herman Cohen
Elenco: Michael Landon, Yvonne Lime, Whit Bissell, Tony Marshall, Dawn Richard, Barney Phillips

Prensado entre a infinidade de ficção científica da década, está I Was a Teenage Werewolf, um filmecult de lobisomem, de uma época passada em que lobisomem não era só coadjuvante de vampiro em filme de açãozinha barata ou romance adolescente estúpido. Lançado pela magnânima American International Pictores de Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson, e produzido por Herman Cohen, aqui mais uma vez, como em O Lobisomem de Fred. F. Sears, lançado um ano antes, a licantropia no personagem principal é culpa de um cientista louco, ao invés de uma maldição ou explicação sobrenatural. Reflexo dos tempos modernos, sabe? O determinado cientista quer desenvolver uma vacina capaz de regredir o ser humano ao seu estado primitivo, animalesco, que acaba resultando na transformação de um adolescente problemático em um lobisomem que anda por aí com a jaqueta do colégio. No caso, o tal adolescente “juventude transviada” é Tony Rivers, interpretado por Michael Landon, que tinha na época 21 anos e fingia estar no high school, famoso mais tarde por protagonizar as séries Bonanza e Os Pioneiros, que passam aqui no Brasil no TCM, e foi até indicado a um Globo de Ouro de melhor ator de série de TV, categoria Drama. Quase um selvagem da motocicleta lupino, Tony só se mete em confusão e é todo esquentadinho, brigando com todo mundo por qualquer motivo idiota. A revolta do rapaz explode quando em uma festa de Halloween, outro jovem tenta pregar uma peça tocando uma corneta em seu ouvido, e ele espanca o pobre diabo e dá um chega para lá na sua namorada, Arlene. Tony resolve procurar ajuda médica, com o Dr. Alfred Brandon (Whit Bissell, General Heywood Kirk, de O Tunel do Tempo), renomado psiquiatra / cientista, após ouvir inúmeros conselhos de que deveria se tratar, inclusive do Detetive Donovan, que sempre passou um pano para o moleque. O Dr. Brandon só quer uma cobaia para seus testes de involução humana, e o rapaz vem no momento certo, sendo o alvo perfeito devido ao seu histórico de enfezado. Administrando injeções em Tony, junto com sessões de hipnoterapia, o jovem acaba se transformando em lobisomem, sem precisar de lua cheia nem nada. A primeira vítima é um dos seus amigos do colégio que inocentemente voltava para casa pela floresta tarde da noite. A segunda vítima é uma atleta de ginástica olímpica de seu colégio. Tony a vê treinando e mais uma vez o instinto animal de lobo macho alfa vem à tona, fazendo com que ele ataque e mate a garota (que já era uma coelhinha da Playboy com seus 22 anos de idade na época do lançamento do filme). Mas dessa vez ele é pego no flagra, e reconhecido por sua jaqueta e calças, que milagrosamente nunca se rasgam ou se danificam na transformação. Acuado, Tony se esconde na floresta, trava uma terrível batalha com um cachorro e precisa se esgueirar entre os arbustos, a fim de evitar que uma turma de policiais (com tochas na mão, como todo bom filme de lobisomem que se preze) o encontre. Desesperado, Tony corre para pedir socorro ao Dr. Brandon, que seda o rapaz e quer documentar sua transformação final, gravando-a e assim, ser laureado no mundo científico. Mas o incontrolável adolescente lobisomem mais uma vez é tomada por um acesso de fúria e as coisas não vão acabar muito bem para o cientista e seu assistente, até que a polícia o encontre e seja obrigada a agir rápido para terminar com as matanças de uma vez por todas. Com orçamento baixíssimo (custou 82 mil dólares e faturou 2 milhões nos cinemas) e filmado em apenas sete dias, I Was a Teenage Werewolf acabou tornando-se cultuado e uma grande referência da cultura pop, inspirando uma enxurrada de filmes, a maioria paródias, como I Was a Teenager Zombie, I Was a Teenage Mummy, e por aí vai, virando título da música da banda punk The Cramps, e aparecendo ou sendo citado em vários outros filmes, seriados de TV e desenhos (até em Bob Esponja!!!). E para sacar como a estética desta produção B influenciou culturalmente, é só lembrar de O Garoto do Futuro com Michael J. Fox, que também era um teenage werewolf. Ou então do jovem Michael Jackson transformado em lobisomem com sua jaqueta colegial no clipe de Thriller. E olha, até que a maquiagem do lobisomem é bastante decente, tendo em vista as limitações técnicas e de efeitos visuais (apesar de a transformação, filmada com trucagem de imagens, ser uma das piores do gênero). E para completar I Was a Teenage Werewolf foi um verdadeiro choque para as plateias na época, pois até então, nenhum outro personagem adolescente tinha virado um monstro nos cinemas. Ao bem da verdade, foi um golpe de mestre da AIP, sabendo que os adolescentes sempre representaram a maior fatia do público frequentador das salas de cinema, isso até hoje, só ver o tanto de filmes slasherque explodiram nos anos 80, falando especificamente de terror, e tantas outras porcarias genéricas que são lançadas atualmente voltadas exatamente para essa fatídica faixa etária.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/04/100-i-was-a-teenage-werewolf-1957/