segunda-feira, 26 de outubro de 2015

BLOOD MOON (EUA, 2014)


TALES OF HALLOWEEN (EUA, 2015)


2014 LAST SHIFT


#288 1973 O HOMEM DE PALHA (The Wicker Man, Reino Unido)


Direção: Robin Hardy
Roteiro: Anthony Shaffer
Produção: Peter Snell
Elenco: Edward Woodward, Christopher Lee, Diane Cilento, Britt Ekland, Ingrid Pitt

O Homem de Palha é um filme polêmico e extremamente controverso. Assim como todo bom filme que ouse propor concepções diferentes de religião e que batam de frente com o cristianismo. Se O Exorcista traz o poder cristão ao topo máximo da pirâmide contra o mal, já o filme escrito pelo excelente roteirista Anthony Shaffer (o mesmo de Frenesi, de Hitchcock), renega essa crença e aposta no paganismo como fonte da solução de todos os problemas de uma remota ilha na costa escocesa. Tudo começa quando o Sargento Howie (Edward Woodward) chega até a ilha, guiado por uma carta que recebeu no continente, para investigar o repentino sumiço de uma garota local, Rowan Morrison. Cristão fervoroso, a ponto de não acreditar no sexo antes do casamento e ser um daqueles sujeitos bem carolas, ao chegar no local fica extremamente chocado com a orientação religiosa dos moradores da ilha, que acreditam em deuses da fertilidade, sem nenhum pudor fazem sexo grupal pelos campos, ensinam sobre a importância de venerar o falo abertamente na escola e até recebe uma cantada descarada da filha do estalajadeiro, que fica dançando e batendo na porta do seu quarto nua em pelo (nessa cena, a atriz Britt Ekland usou uma dublê de corpo para fazer as cenas onde aparece dançando de costas), convidando-o para uma noite de luxúria. Cada vez mais abismado com o que vê a sua volta, Howie então percebe que há uma imensa conspiração entre os moradores da ilha para ocultar o que realmente aconteceu (ou irá acontecer) com Rowan, incluindo o Lorde Summerisle (Christopher Lee, magnífico), neto do responsável por instalar a religião oficialmente por lá. Em suas investigações, o sargento descobre que a colheita do ano anterior tinha sido um fracasso, e segundo as tradições, um sacrifício humano deveria ser realizado para o Deus do Sol e a Deusa dos Pomares, afim de garantir uma farta colheita no próximo outono. E Rowan será sacrificada durante esses festejos de 1º de maio (não, não será em nenhuma festa da CUT ou da Força Sindical).
ALERTA DE SPOILER – Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco.
Apenas no finalzinho do filme que é revelada a verdadeira intenção de Summerisle e seus seguidores: tudo não passou de um embuste para atrair o virgem adulto Sargento Howie, que chegou ao local por livre e espontânea vontade, apenas para ser ele a vítima do sacrifício para aplacar os deuses da fertilidade da ilha, e ser queimado vivo dentro do tal homem de palha gigante construído na encosta. O Homem de Palha é um filme bem excêntrico, que mistura elementos de terror e suspense, com doses de humor e muitas peças musicais (sim, isso mesmo: musicais). É extremamente bem executado pela dobradinha entre o diretor Hardy e o roteirista Shaffer, que vão nos conduzindo em uma trama quase policial, com um final extremamente impactante e sinistro, sem apelar para um banho de sangue ou para os estereótipos góticos das produções inglesas de terror que vinham sendo realizadas até os anos 70, principalmente da Hammer. Talvez o quesito mais polêmico do filme foi o fato de escancarar o uso da religião de uma forma extremista, independente de qual seja, para que os fins justifiquem os meios, colocando no centro do debate toda a mesquinharia religiosa do ser humano, que pode muito bem fazer o mal a outra pessoa que não seja de sua crença para o seu proveito, ainda mais se essa tal crença julgar ser a certa e única do universo, enquanto todo o resto não passa de pecador e herege. Enfim, discussões teológicas à parte, é um excelente filme que ficou por muito tempo desconhecido do grande público, uma vez que os negativos foram acidentalmente destruídos e a versão que se viu foi uma versão com cortes. O filme na íntegra só pode ser conferido quando em 2002, a versão original do diretor foi lançada em DVD nos EUA. Chegou até a ser lançado no Brasil pelo desbravador selo Dark Side da Works Editora. E para provar que eu não estou mentindo, Christopher Lee considera esse seu principal papel no cinema (e olha que não há nenhum outro ator no mundo com mais filme no currículo que ele) e trabalhou na produção sem receber cachê, pois sabia do orçamento baixo e principalmente, acreditava muito no potencial do filme. Potencial esse que Hollywood e sua fábrica de estupidez conseguiu estragar de uma forma sem precedentes, ao refilmar o clássico em 2006, com ninguém mais, ninguém menos que Nicholas Cage, o maior canastrão do cinema, no papel do detetive e Ellen Burstyn (coitada!) no papel da Irmã Summerisle (sim, uma mulher), em uma trama que se passa nos Estados Unidos e deturpou toda a história original do filme. Aqui no Brasil, recebeu o nome de O Sacrifício sendo que sacrifício mesmo é conseguir assistir essa bomba até o final. Corra!
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/10/19/288-o-homem-de-palha-1973/

1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER
566 1973 O HOMEM DE PALHA (The Wicker Man) 1001 T VISTO

#287 1973 O HOMEM-COBRA (Sssssss, EUA)


Direção: Bernard L. Kowalski
Roteiro: Hal Dresner, Daniel C. Striepeke (história)
Produção: Daniel C. Striepeke, Robert Butner (Produtor Associado), David Brown e Richard D. Zanuck (Produtores Executivos)
Elenco: Strother Martin, Dirk Benedict, Heather Menzies, Richard B. Shull, Tim O’Conner, Jack Ging

Quando você tomava muito sol e descascava, e seus pais diziam que você estava se transformando no Homem-Cobra, que pânico! Ou isso não acontecia com vocês, só meus pais eram terríveis a esse ponto? Fato é que há toda uma mística assustadora por trás dessa fita produzida pela dupla David Brown e Richard D. Zanuck (responsáveis por Tubarão, o filme definitivo de animais assassinos), que se dissipa quando você o assiste mais velho. Falando com o coração, O Homem-Cobra é um filme lendário, apavorante, objeto do imaginário popular de toda uma geração. Falando com a razão, é um filme chato pra danar, que envelheceu muito mal e perdeu completamente seu charme. Recomendado apenas para saudosistas, porque duvido que a molecada de hoje em dia vá se impressionar e não achá-lo enfadonho. Mas que verdade seja dita: a maquiagem ainda é bem bacana pros dias de hoje. Sem computação gráfica pilantra, o visual do rapaz que vai se transformando em uma bizarra mutação réptil e tem sua pele transformada em escamas foi criada por Daniel C. Striepeke, que também é produtor e idealizador da história original e leva na bagagem os efeitos de maquiagem de filmes como O Planeta dos Macacos, A Ilha do Dr. Moreau, Grease – Nos Tempos da Brilhantina, O Resgate do Soldado Ryan e Forrest Gump – O Contador de Histórias (sendo que por esse dois últimos, foi indicado ao Oscar). No começo do filme, já somos avisados logo de cara que todas as cobras utilizadas no filme eram reais, importadas do sudeste asiático, e que os atores se puseram em grande perigo ao contracenar com os ofídios.  E vale lembrar que tem muita gente por aí que tem pavor de cobras, então mais um motivo para o filme ser traumático. Abre a história com o cientista louco da vez, Dr. Carl Stoner (Strother Martin), vendendo u de seus experimentos que deu terrivelmente errado (que não sabemos até então) para um dono de um circo de aberrações, por 800 dólares. Obstinado em sua pesquisa, o outrora proeminente herpetológo procura por outro assistente, e encontra o jovem David Blake (vivido por Dirk Benedict, o eterno Templeton “Cara de Pau” Peck do seriado Esquadrão Classe A), indicado pelo infame Dr. Ken Daniels (Richard B. Shull), rival acadêmico do agora decadente e desacreditado Dr. Stoner. Enquanto o pobre estagiário pensa que vai ajudar nas pesquisas de veneno e ainda por cima, se dar bem pegando a filha do cientista, a doce Kristina (Heather Menzies), mal ele sabe que o Dr. Stoner é um louco de pedra travestido na figura de um simpático velhinho bonachão que gosta de se embebedar junto com sua píton de estimação, e que na verdade, irá testar uma fórmula experimental no rapaz e gradativamente transformá-lo em uma criatura metade homem, metade cobra, com a desculpa de injetá-lo um soro que irá imunizá-lo do veneno dos répteis. Descobrimos então que o assistente anterior do Dr. Stoner, que estava dado como desaparecido, é a tal aberração vendida ao circo no começo do filme, sendo que ele não havia chegado ao estágio completo de desenvolvimento e a experiência deu errado. Kristina é enviada para recolher uma cobra rara para mantê-la longe de David, assim ficando à par do que está acontecendo com o recém caso amoroso, e acaba por descobrir o paradeiro do antigo assistente e vê a criatura bizarra em que ele se transformou. Logo ela sabe que o namorado está correndo sério perigo, ao mesmo tempo em que a polícia começa a ficar na bota do herpetólogo por conta dos misteriosos desaparecimentos do Dr. Daniels e de um rapaz que se envolvera em uma briga com David por xavecar Kristina, e acaba por assassinar a cobra de estimação deles. ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Desesperada, ela retorna para casa apenas para descobrir que dessa vez o experimento do pai fora bem sucedido, e em uma cena ruim de doer que mistura trucagem de câmera e os primórdios dos efeitos especiais, David se transforma em uma Cobra-rei, um dos mais perigosos e venenosos espécimes do planeta. Essa cena derruba todo o filme. Lembrou-me bastante de O Homem-Crocodilo, sci-fi dos anos 50 que traz uma premissa bastante parecida, e um ótimo efeito de maquiagem até a criatura ter sua mutação concluída a estragar tudo. Ainda dá tempo do Dr. Stoner ser picado por outra Cobra-rei que ele hipnotizava em seu show para poder conseguir uns trocados e de David ser morto pelo terrível mangusto, único mamífero predador que rivaliza com o réptil e é imune ao seu veneno. No frigir dos ovos o Dr. Stoner é um sujeito cheio de boas intenções. O problema é que como diz o ditado popular, de boas intenções o inferno está cheio. Então a maluquice de querer fazer experiências genéticas para mesclar duas espécies (algo que absolutamente NUNCA terminou bem no cinema de horror) e tentar criar uma raça híbrida é apenas para dar um salto na lenta teoria da evolução das espécies. Claro que a obstinação se confunde com instinto assassino desprovido de qualquer humanidade e remorso. E dá uma dó desgraçada do pobre David se contorcendo, e gritando de dor quando aos poucos vai se transformando naquela criatura peçonhenta. Isso sim metia medo! E somente nos momentos finais a mutação passa a ser o foco principal do filme e a criatura é vista, mantendo um climão de suspense e fazendo escola, assim como aconteceu, por exemplo, com A Mosca de David Cronenberg futuramente. Bom, como disse lá em cima, O Homem-Cobra é filme para os trintões ou quarentões, que viveram o esplendor de ser criança ou adolescente no melhor momento possível da humanidade para tal, quando éramos brindados por filmes como esse sendo exibidos nos canais abertos, logo após a Semana do Presidente e aquela mensagem sinistra de Jesus Cristo (“paz, amor, fé, esperança, luz e união…”), ainda tendo o prazer de ouvir Silvio Santos dizendo que uma de suas filhas havia assistido e recomendava, e nossos pais nos deixavam ver um filme de terror tarde da noite, mandando o politicamente correto às favas.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/10/18/287-o-homem-cobra-1973/

#284 1973 O EXORCISTA (The Exorcist, EUA)


Direção: William Friedkin
Roteiro: William Peter Blatty
Produção: William Peter Blaty, Noel Marshall e David Salven (Produtores Executivos)
Elenco: Ellen Burstyn, Max Von Sydow, Linda Blair, Jason Mille, Lee J. Cobb

O melhor e mais assustador filme de terror de todos os tempos. Com certeza, são dois dos adjetivos mais comuns que podem ser usados para falar de O Exorcista. Sim, para mim é o filme de terror definitivo. O primeiro lugar nessa lista de 1001 filmes. Aquele que marca sua vida para sempre na primeira vez que você assiste. E por mais que haja vários outros clássicos no gênero, nenhum deles carrega a aura pesada de O Exorcista e nenhum é responsável por mexer tanto com a psique e o medo das pessoas do sobrenatural. O sucesso atemporal de O Exorcista pode ser dividido em três fatias iguais do bolo: a direção de William Friedkin, o roteiro de William Peter Blatty baseado no seu livro homônimo e sua trinca principal de atores. Ellen Burstyn como Chris McNeil, Max Von Sydow como o padre Lankester Merrin e Linda Blair como Regan, a garota possuída. Para se entender esse filme e o impacto que ele tem nas pessoas que o assiste, vou tomar a mim mesmo como exemplo para explicar uma certa teoria. A primeira vez que vi O Exorcista, como muito de vocês provavelmente, foi quando eu era criança. O filme é de 1973, mas ao que eu me lembre, devo tê-lo visto no final dos anos 80, começo dos anos 90, não sei bem ao certo. O lance todo já começa por aí, afinal os tempos eram outros, e se você parar para analisar o mundo extremamente careta e coxinha que vivemos hoje, em que sã consciência um pai ou uma mãe deixaria o filho pivete assistir a esse filme? Pois bem, tenho certeza que quase toda minha geração assistiu muito novo, e por isso ele é algo tão impressionante e ficou marcado para sempre. Quando você já é adolescente ou adulto, assisti-lo perde muito de sua graça, pois convenhamos, é um filme que não mete mais medo em ninguém. Nem a cabeça de Regan girando em 360º, o vômito de abacate, a cama levitando… E daí chegamos a minha teoria: toda criança deve assistir O Exorcista. Sei lá, deveria ser exibidos nas escolas, durante o ensino fundamental. Porque só assim, em pleno Século XXI, o filme continuará enraizado no folclore popular como o filme mais assustador de todos os tempos. O filme onde as pessoas saíam passando mal do cinema. O filme que você tinha que dormir de luz acessa com o crucifixo na cabeceira da cama. Porque se essa geração blockbuster de hoje em dia assistir a essa obra prima muito velho, vai detestar, achar besta pacas e capaz de sair falando um monte de groselha nas redes sociais. E pior, vai ficar aí uma lacuna muito grande para futuros fãs dos filmes de horror, impossível de ser preenchida por qualquer filme que venha a ser feito, e isso me preocupa muito. Porque mesmo uma geração ainda depois da minha, conseguiu até vê-lo no cinema, quando a Versão do Diretor foi lançada em 2001. E para essa molecada de hoje em dia sobra o que? Fazer um remake? Pois bem, deixando meus devaneios de lado, todo mundo deve estar careca de saber que O Exorcista traz a história da doce menina filha de uma atriz de Hollywood que fica possuída por um antigo demônio chamado Pazuzu, e após todos os testes médicos e psicológicos darem negativos, o padre e psiquiatra Damien Karras e o padre e arqueólogo Lankester Merrin tem de realizar um ritual de exorcismo para expulsar o cramunhão da garotinha. O best-seller de Blatty foi publicado pouco depois que o terreno perfeito estava completamente preparado nos EUA, com o banho de sangue no Vietnã, o ataque da Guarda Nacional contra os estudantes que protestavam contra a guerra na Universidade de Kent, os assassinatos cometidos pela família Manson e o trágico show dos Rolling Stones que acabou muito mal após uma confusão do público com os Hells Angels, que foram contratados como seguranças do evento (???!!!). Não precisa dizer que foi um sucesso de vendas, né? E a escolha de Friedkin foi o verdadeiro golpe de sorte da Warner Bros., porque além da direção magistral, ele conseguiu desenvolver todo o contraponto necessário para que o filme não caísse na armadilha carola de Blatty. Outro ponto de sucesso do filme foi claro, Linda Blair, uma verdadeira joia com sua interpretação brilhante da garota possuída. É sabido que a carreira dela foi para o buraco, limitando-se a paródias de si própria e filmes eróticos (seria mais uma das maldições que envolve a produção?). Mas sem Linda, O Exorcista não teria nem metade da sua força. E tudo que essa menina passou não é brincadeira, como a cena em que ela começa a sacudir de um lado para o outro na cama, onde era controlada por amarras que a apertavam, machucando-a de verdade. Então quando ela grita para “fazer aquilo parar”, estamos presenciando uma reação extremamente autêntica de dor. Na audição para o papel de Regan, Linda com 12 anos na época foi entrevistada por Friedkin:
– Você leu O Exorcista?
– Li
– O Livro é sobre o quê?
– Sobre uma garotinha que é possuída pelo demônio e faz um monte de coisas ruins.
– Que tipo de coisas ruins?
– Ela empurra um cara de uma janela e se masturba com um crucifixo.
– O que isso quer dizer?
– É que ela toca siririca, não é?
– É sim. E você sabe o que é tocar siririca?
– Claro que sim.
– E você faz isso?
– Claro! Você não toca punheta?
E Linda ficou com o papel! Mas apesar disso, a verdadeira força motriz do filme é o papel de Burstyn. Ela é a pedra fundamental pela qual nós vamos mensurando todas as proporções que aquele acontecimento vai tomando e a forma como acaba afetando sua vida, e nos traz próximo do terror de verdade: aquele de ver um ente querido se deteriorando, seja por uma doença ou pela tal força sobrenatural nesse caso. A mesma coisa com o atormentado padre Karras, ao ver sua mãe perdendo o juízo até ser internada em um manicômio público, já que não tem dinheiro para tratamentos ou clínicas particulares, por ter decidido ser padre e feito um voto de pobreza. E isso coloca o questionamento e renovação da fé como um tema que sempre ronda os personagens por todo o filme, até mesmo o intrépido padre Merrin, que conhece os poderes do diabo, já o encontrou antes em suas escavações no Iraque e sabe que seu corpo velho e doente têm limitações contra as artimanhas sobrenaturais da criatura. Mas tirando todo o grosso que impressionou as plateias nos anos 70 e subsequentes, ainda há cenas, mesmo que revendo trocentas vezes, como meu caso, que ainda são assustadoras, como quando Regan durante uma festa fala para o astronauta que ele irá morrer lá em cima. Ou quando Damien vê sua mãe sentada na cama no lugar da garota, perguntando por que ele a abandonou para morrer daquele jeito, em uma tática vil da entidade para desestabilizar o sacerdote. E claro, existe todo aquele, podemos dizer, charme, das maldições envoltas na produção, que adquirem o status de lenda urbana e ajudam até hoje na publicidade do filme, como a morte do ator Jack MacGrowan uma semana após terminar as filmagens (ele interpretava o diretor Burke Dennings, o primeiro a morrer na escadaria), vítima de pneumonia, ou o set de filmagens que pegou fogo, na verdade por causa da quantidade de aparelhos de ar-condicionado ligados ao mesmo tempo para deixar o quarto com uma temperatura baixíssima, e assim vai. Mas vamos pensar que é obra do capeta, né? Bem mais divertido. Para fechar, vejam só O Exorcista concorreu a 10 Oscars. Isso mesmo 10. Mas quantos ganhou? Somente dois: melhor som e melhor roteiro adaptado. Isso diz muito sobre a Academia, como sempre. Nem Linda Blair levou como coadjuvante, nem Friedkin como diretor e o maior absurdo de todos, nem Burstyn como atriz principal. Absurdo maior que esse só anos depois, quando mais uma vez ela perdeu o Oscar de melhor atriz pelo seu papel em Réquiem Para um Sonho para, pasmem… Julia Roberts! Isso sim é coisa do diabo!
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/10/15/284-o-exorcista-1973/

1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER
571 1973 O EXORCISTA (The Exorcist) 

#283 1973 O EXÉRCITO DO EXTERMÍNIO (The Crazies, EUA)


Direção: George A. Romero
Roteiro: George A. Romero, Paul McCollough
Produção: A.C. Croft, Margaret Walsh (Produtora Executiva)
Elenco: Lane Carrol, Will MacMillan, Harold Wayne Jones, Lloyd Hollar, Lynn Lowry

Depois de mudar para sempre o cinema de horror, fundando os alicerces dos filmes modernos de terror com seus zumbis, George Romero volta sua metralhadora crítica cinematográfica para a paranoia humana, alienação, descontrole militar, medo da guerra biológica e os fantasmas que ainda rondavam os americanos com o fracasso da Guerra do Vietnã em O Exército do Extermínio. Diferente do seminal A Noite dos Mortos-Vivos, O Exército do Extermínio foi um fracasso retumbante de bilheteria. Esperando por um desenrolar da infestação zumbi, ou a simples volta dos cadáveres ambulantes, o público se decepcionou com o resultado do filme de Romero. Mas a verdade é que sai o zumbi, mas a paranoia humana e o estado de selvageria e necessidade básica de sobrevivência, egoísmo, racismo e xenofobia, sentimentos típicos que ficam enraizados em boa parte dos seres humanos e afloram quando cutucados, continuam ali. Ou seja, pior que um morto-vivo devorador de cérebro, está de um lado uma cidade inteira vítima de uma epidemia que os transforma em maníacos insanos assassinos, e do outro, o exército truculento que declara lei marcial, coloca o local em quarentena e não mede o uso de força para impedir que o vírus se espalhe, nem que isso implique em metralhar civis sem dó nem piedade. E pronto, está costurado o emaranhado político social que Romero, em sua filmografia marginal e independente de guerrilha vista em seu início de carreira, traveste de cinema de gênero. Essa cidadezinha é Evans City, na Pennsylvania, e o tal do vírus é o Trixie, uma arma biológica criada secretamente pelo exército dos EUA que acidentalmente cai no reservatório de água quando um avião de testes lotado do componente químico ainda não testado cai por lá, deflagrando uma epidemia que irá atingir praticamente todo e qualquer morador do local, afinal, todo mundo bebe água. À surdina, o exército, sem alertar a população, coloca a cidade toda em quarentena, formando sua base no escritório do Dr. Brookmyre (Will Disney, sem parentesco com Walt), de onde despacharão o Major Ryder (Harry Spillman) e o Coronel Peckem (Lloyd Hollar), que enviarão centenas de soldados, vestidos com roupas brancas de proteção e máscaras de gás, recolherem todos os munícipes e os confinarem na escola local para testes e contenção. Custe o que custar. Há três fugitivos desse cerco: os bombeiros David (Will McMillan) e Clank (Harold Wayne Jones) e a namorada grávida de David, Judy (Lane Carrol). Judy descobriu sobre a existência do vírus e foi testemunha dos métodos nada pacíficos do tal “exército do extermínio”, pois é enfermeira do consultório do Dr. Brookmyre. Junto dos dois, eles levam consigo em sua escapada Artie (Richard Liberty) e Kathy (Lynn Lowry), pai e filha. Enquanto não se sabe quem são mais loucos, se os moradores infectados pelos vírus, que irão matar familiares e militares, em reações adversas entre medo e efeitos patológicos do experimento, ou os soldados que abusam de poder e força bruta, seguindo apenas ordens dos altos escalões governamentais americanos, que não pouparão esforços para que a quarentena não seja quebrada e a praga se espalhe pelo interior do país. Enquanto o exército se mostra completamente ineficaz, seguindo ordens rígidas que impedem até que o Dr. Watts (Richard France), cientista que desenvolveu o vírus, trabalhe em uma cura, os cinco tentam salvar suas vidas, usando dos mesmos métodos violentos, não se importando nem um pouco de abater também os soldados. Porém, os efeitos nocivos do contágio começam a aparecer aos poucos no pequeno grupo, elevando o nível de desconfiança e intolerância entre eles, levando aquele relacionamento forçado a se igualar a um rastilho de pólvora pronto para se acender e explodir. Para aumentar ainda mais o clima de tensão, tome balas e mais balas cuspindo das metralhadoras dos igualmente assustados soldados, banho de sangue, assassinatos frios desenfreados, velhinhas outrora dóceis matando guerrilheiros com agulhas de crochê, desejos obscuros aflorando (como a desconcertante cena em que o pai superprotetor tenta estuprar a filha em um ato febril de descontrole) e um ritmo alucinado de filmagem imposto por Romero. E o ritmo talvez seja o grande pulo de gato do diretor, pois é ele que segura o interesse na premissa até o final pessimista e aberto do longa (outra das características ímpares de Romero) e mistura momentos de adrenalina pura de busca pela sobrevivência, da insurreição e revolta dos “loucos” e da sufocante tomada de decisões do exército e de seus superiores, com momentos mais contidos de reflexão psicológica e de crítica velada. E pensando no contexto histórico, O Exército do Extermínio foi lançado dois anos antes do final da Guerra do Vietnã, já com seu quadro absurdo de baixas, e seus desdobramentos já começavam a sepultar o American Way of Life e trazer à tona o pessimismo misturado do fim do sonho americano, o que servia como combustível para a exploração de temas pertinentes como o uso do poderio militar contra civis e armas químicas e biológicas (associado ao Napalm, um dos símbolos desta barbárie). Sendo assim, Romero acertaria mais uma vez na mosca colocando toda essa mensagem subliminar em sua obra. E muito fácil traçar paralelos em cenas como, por exemplo, Clank ficando louco e saindo pelo meio da floresta atirando como se fosse o Rambo personificado, com as atitudes americanas no sudeste asiático. O roteiro de O Exército de Extermínio foi escrito originalmente por Paul McCollough sob o título de “The Mad People”, porém o foco era muito mais na história dos sobreviventes do que na histeria militar, que estaria presente apenas nas 10 primeiras páginas do script. Quando o produtor Lee Hessel leu o material, interessou-se em produzir e distribuir o longa, com um orçamento de 270 mil dólares, porém pediu modificações na história, por considerar a tomada da cidade pelo exército muito mais interessante. Romero aceitou e este passou a ser o mote principal do filme. O longa foi filmado tanto na própria cidade de Evans quanto em Zelienople, duas cidadezinhas da Pennsylvania, 30 minutos ao norte de Pittsburgh e teve muito de seus locais trabalhando como extras, além de próprios bombeiros das cidades e adolescentes dos colégios usando as roupas brancas anti contaminação para representar os soldados. Com o fracasso, atribuído a Romero pela pequena distribuição da fita nos cinemas americanos, mesmo com o esforço dos produtores em relançarem em várias cidades com nomes diferentes, o diretor logo teve de voltar seus olhos para seus zumbis novamente, e entregar cinco anos mais tarde o magnífico Despertar dos Mortos. Mais tarde, até pelo sucesso do cinema morto-vivo de Romero, O Exército do Extermínio ganharia o status de uma de suas obras mais cultuadas. De quebra, em 2010 ganhou um decente remake atualizado que no Brasil foi batizado de A Epidemia, mais parecido com a ideia do roteiro originalmente descartado, pois foca muito mais na insurreição dos “loucos”, seus atos violentos e a luta pela sobrevivência dos três protagonistas que o cerco militar em si.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/10/12/283-o-exercito-do-exterminio-1973/