segunda-feira, 26 de outubro de 2015
#288 1973 O HOMEM DE PALHA (The Wicker Man, Reino Unido)
Direção: Robin
Hardy
Roteiro: Anthony
Shaffer
Produção: Peter
Snell
Elenco: Edward
Woodward, Christopher Lee, Diane Cilento, Britt Ekland, Ingrid Pitt
O Homem de Palha é um filme polêmico e extremamente
controverso. Assim como todo bom filme que ouse propor concepções diferentes de
religião e que batam de frente com o cristianismo. Se O Exorcista traz o poder cristão ao topo máximo da
pirâmide contra o mal, já o filme escrito pelo excelente roteirista Anthony
Shaffer (o mesmo de Frenesi, de Hitchcock), renega essa crença
e aposta no paganismo como fonte da solução de todos os problemas de uma remota
ilha na costa escocesa. Tudo começa quando o Sargento Howie (Edward Woodward)
chega até a ilha, guiado por uma carta que recebeu no continente, para
investigar o repentino sumiço de uma garota local, Rowan Morrison. Cristão
fervoroso, a ponto de não acreditar no sexo antes do casamento e ser um
daqueles sujeitos bem carolas, ao chegar no local fica extremamente chocado com
a orientação religiosa dos moradores da ilha, que acreditam em deuses da
fertilidade, sem nenhum pudor fazem sexo grupal pelos campos, ensinam sobre a
importância de venerar o falo abertamente na escola e até recebe uma cantada
descarada da filha do estalajadeiro, que fica dançando e batendo na porta do
seu quarto nua em pelo (nessa cena, a atriz Britt Ekland usou uma dublê de
corpo para fazer as cenas onde aparece dançando de costas), convidando-o para
uma noite de luxúria. Cada vez mais abismado com o que vê a sua volta, Howie
então percebe que há uma imensa conspiração entre os moradores da ilha para
ocultar o que realmente aconteceu (ou irá acontecer) com Rowan, incluindo o
Lorde Summerisle (Christopher Lee, magnífico), neto do responsável por instalar
a religião oficialmente por lá. Em suas investigações, o sargento descobre que
a colheita do ano anterior tinha sido um fracasso, e segundo as tradições, um
sacrifício humano deveria ser realizado para o Deus do Sol e a Deusa dos
Pomares, afim de garantir uma farta colheita no próximo outono. E Rowan será
sacrificada durante esses festejos de 1º de maio (não, não será em nenhuma
festa da CUT ou da Força Sindical).
ALERTA DE
SPOILER – Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco.
Apenas no finalzinho do filme que é revelada
a verdadeira intenção de Summerisle e seus seguidores: tudo não passou de um
embuste para atrair o virgem adulto Sargento Howie, que chegou ao local por
livre e espontânea vontade, apenas para ser ele a vítima do sacrifício para
aplacar os deuses da fertilidade da ilha, e ser queimado vivo dentro do tal
homem de palha gigante construído na encosta. O Homem de Palha é um filme
bem excêntrico, que mistura elementos de terror e suspense, com doses de humor
e muitas peças musicais (sim, isso mesmo: musicais). É extremamente bem
executado pela dobradinha entre o diretor Hardy e o roteirista Shaffer, que vão
nos conduzindo em uma trama quase policial, com um final extremamente
impactante e sinistro, sem apelar para um banho de sangue ou para os
estereótipos góticos das produções inglesas de terror que vinham sendo
realizadas até os anos 70, principalmente da Hammer. Talvez o quesito mais
polêmico do filme foi o fato de escancarar o uso da religião de uma forma
extremista, independente de qual seja, para que os fins justifiquem os meios,
colocando no centro do debate toda a mesquinharia religiosa do ser humano, que
pode muito bem fazer o mal a outra pessoa que não seja de sua crença para o seu
proveito, ainda mais se essa tal crença julgar ser a certa e única do universo,
enquanto todo o resto não passa de pecador e herege. Enfim, discussões
teológicas à parte, é um excelente filme que ficou por muito tempo desconhecido
do grande público, uma vez que os negativos foram acidentalmente destruídos e a
versão que se viu foi uma versão com cortes. O filme na íntegra só pode ser
conferido quando em 2002, a versão original do diretor foi lançada em DVD nos EUA.
Chegou até a ser lançado no Brasil pelo desbravador selo Dark Side da Works
Editora. E para provar que eu não estou mentindo, Christopher Lee considera
esse seu principal papel no cinema (e olha que não há nenhum outro ator no
mundo com mais filme no currículo que ele) e trabalhou na produção sem receber
cachê, pois sabia do orçamento baixo e principalmente, acreditava muito no
potencial do filme. Potencial esse que Hollywood e sua fábrica de estupidez
conseguiu estragar de uma forma sem precedentes, ao refilmar o clássico em
2006, com ninguém mais, ninguém menos que Nicholas Cage, o maior canastrão do
cinema, no papel do detetive e Ellen Burstyn (coitada!) no papel da Irmã
Summerisle (sim, uma mulher), em uma trama que se passa nos Estados Unidos e
deturpou toda a história original do filme. Aqui no Brasil, recebeu o nome de O
Sacrifício sendo que sacrifício mesmo é conseguir assistir essa bomba até o
final. Corra!
FONTE:
http://101horrormovies.com/2013/10/19/288-o-homem-de-palha-1973/
1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER
566 1973 O HOMEM DE PALHA (The Wicker Man) 1001 T VISTO
#287 1973 O HOMEM-COBRA (Sssssss, EUA)
Direção: Bernard
L. Kowalski
Roteiro: Hal
Dresner, Daniel C. Striepeke (história)
Produção: Daniel
C. Striepeke, Robert Butner (Produtor Associado), David Brown e Richard D. Zanuck
(Produtores Executivos)
Elenco: Strother Martin, Dirk Benedict, Heather Menzies, Richard B.
Shull, Tim O’Conner, Jack Ging
Quando você tomava
muito sol e descascava, e seus pais diziam que você estava se transformando no
Homem-Cobra, que pânico! Ou isso não acontecia com vocês, só meus pais eram
terríveis a esse ponto? Fato é que há toda uma mística assustadora por trás
dessa fita produzida pela dupla David Brown e Richard D. Zanuck (responsáveis
por Tubarão, o filme
definitivo de animais assassinos), que se dissipa quando você o assiste mais
velho. Falando com o coração, O Homem-Cobra é um filme lendário,
apavorante, objeto do imaginário popular de toda uma geração. Falando com a
razão, é um filme chato pra danar, que envelheceu muito mal e perdeu
completamente seu charme. Recomendado apenas para saudosistas, porque duvido
que a molecada de hoje em dia vá se impressionar e não achá-lo enfadonho. Mas
que verdade seja dita: a maquiagem ainda é bem bacana pros dias de hoje. Sem
computação gráfica pilantra, o visual do rapaz que vai se transformando em uma
bizarra mutação réptil e tem sua pele transformada em escamas foi criada por
Daniel C. Striepeke, que também é produtor e idealizador da história original e
leva na bagagem os efeitos de maquiagem de filmes como O Planeta dos
Macacos, A Ilha do Dr.
Moreau, Grease – Nos Tempos da Brilhantina, O Resgate do
Soldado Ryan e Forrest Gump – O Contador de Histórias (sendo que
por esse dois últimos, foi indicado ao Oscar). No começo do filme, já somos
avisados logo de cara que todas as cobras utilizadas no filme eram reais,
importadas do sudeste asiático, e que os atores se puseram em grande perigo ao
contracenar com os ofídios. E vale lembrar que tem muita gente por aí que
tem pavor de cobras, então mais um motivo para o filme ser traumático. Abre a
história com o cientista louco da vez, Dr. Carl Stoner (Strother Martin),
vendendo u de seus experimentos que deu terrivelmente errado (que não sabemos
até então) para um dono de um circo de aberrações, por 800 dólares. Obstinado
em sua pesquisa, o outrora proeminente herpetológo procura por outro
assistente, e encontra o jovem David Blake (vivido por Dirk Benedict, o eterno
Templeton “Cara de Pau” Peck do seriado Esquadrão Classe A), indicado pelo
infame Dr. Ken Daniels (Richard B. Shull), rival acadêmico do agora decadente e
desacreditado Dr. Stoner. Enquanto o pobre estagiário pensa que vai ajudar nas
pesquisas de veneno e ainda por cima, se dar bem pegando a filha do cientista,
a doce Kristina (Heather Menzies), mal ele sabe que o Dr. Stoner é um louco de
pedra travestido na figura de um simpático velhinho bonachão que gosta de se
embebedar junto com sua píton de estimação, e que na verdade, irá testar uma
fórmula experimental no rapaz e gradativamente transformá-lo em uma criatura metade
homem, metade cobra, com a desculpa de injetá-lo um soro que irá imunizá-lo do
veneno dos répteis. Descobrimos então que o assistente anterior do Dr. Stoner,
que estava dado como desaparecido, é a tal aberração vendida ao circo no começo
do filme, sendo que ele não havia chegado ao estágio completo de
desenvolvimento e a experiência deu errado. Kristina é enviada para recolher
uma cobra rara para mantê-la longe de David, assim ficando à par do que está
acontecendo com o recém caso amoroso, e acaba por descobrir o paradeiro do
antigo assistente e vê a criatura bizarra em que ele se transformou. Logo ela
sabe que o namorado está correndo sério perigo, ao mesmo tempo em que a polícia
começa a ficar na bota do herpetólogo por conta dos misteriosos desaparecimentos
do Dr. Daniels e de um rapaz que se envolvera em uma briga com David por
xavecar Kristina, e acaba por assassinar a cobra de estimação deles. ALERTA DE
SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco.
Desesperada, ela retorna para casa apenas para descobrir que dessa vez o
experimento do pai fora bem sucedido, e em uma cena ruim de doer que mistura
trucagem de câmera e os primórdios dos efeitos especiais, David se transforma
em uma Cobra-rei, um dos mais perigosos e venenosos espécimes do planeta. Essa
cena derruba todo o filme. Lembrou-me bastante de O
Homem-Crocodilo, sci-fi dos anos 50 que traz uma premissa
bastante parecida, e um ótimo efeito de maquiagem até a criatura ter sua
mutação concluída a estragar tudo. Ainda dá tempo do Dr. Stoner ser picado por
outra Cobra-rei que ele hipnotizava em seu show para poder conseguir uns
trocados e de David ser morto pelo terrível mangusto, único mamífero predador
que rivaliza com o réptil e é imune ao seu veneno. No frigir dos ovos o Dr.
Stoner é um sujeito cheio de boas intenções. O problema é que como diz o ditado
popular, de boas intenções o inferno está cheio. Então a maluquice de querer
fazer experiências genéticas para mesclar duas espécies (algo que absolutamente
NUNCA terminou bem no cinema de horror) e tentar criar uma raça híbrida é
apenas para dar um salto na lenta teoria da evolução das espécies. Claro que a
obstinação se confunde com instinto assassino desprovido de qualquer humanidade
e remorso. E dá uma dó desgraçada do pobre David se contorcendo, e gritando de
dor quando aos poucos vai se transformando naquela criatura peçonhenta. Isso
sim metia medo! E somente nos momentos finais a mutação passa a ser o foco
principal do filme e a criatura é vista, mantendo um climão de suspense e
fazendo escola, assim como aconteceu, por exemplo, com A Mosca de David Cronenberg
futuramente. Bom, como disse lá em cima, O Homem-Cobra é filme para
os trintões ou quarentões, que viveram o esplendor de ser criança ou
adolescente no melhor momento possível da humanidade para tal, quando éramos
brindados por filmes como esse sendo exibidos nos canais abertos, logo após a
Semana do Presidente e aquela mensagem sinistra de Jesus Cristo (“paz, amor,
fé, esperança, luz e união…”), ainda tendo o prazer de ouvir Silvio Santos
dizendo que uma de suas filhas havia assistido e recomendava, e nossos pais nos
deixavam ver um filme de terror tarde da noite, mandando o politicamente
correto às favas.
FONTE:
http://101horrormovies.com/2013/10/18/287-o-homem-cobra-1973/
#284 1973 O EXORCISTA (The Exorcist, EUA)
Direção: William Friedkin
Roteiro: William Peter Blatty
Produção: William Peter Blaty, Noel Marshall e David Salven
(Produtores Executivos)
Elenco: Ellen Burstyn, Max Von Sydow, Linda Blair, Jason Mille, Lee
J. Cobb
O melhor e mais
assustador filme de terror de todos os tempos. Com certeza, são dois dos
adjetivos mais comuns que podem ser usados para falar de O Exorcista.
Sim, para mim é o filme de terror definitivo. O primeiro lugar nessa lista de
1001 filmes. Aquele que marca sua vida para sempre na primeira vez que você
assiste. E por mais que haja vários outros clássicos no gênero, nenhum deles
carrega a aura pesada de O Exorcista e nenhum é responsável por mexer
tanto com a psique e o medo das pessoas do sobrenatural. O sucesso atemporal
de O Exorcista pode ser dividido em três fatias iguais do bolo: a
direção de William Friedkin, o roteiro de William Peter Blatty baseado no seu
livro homônimo e sua trinca principal de atores. Ellen Burstyn como Chris
McNeil, Max Von Sydow como o padre Lankester Merrin e Linda Blair como Regan, a
garota possuída. Para se entender esse filme e o impacto que ele tem nas
pessoas que o assiste, vou tomar a mim mesmo como exemplo para explicar uma
certa teoria. A primeira vez que vi O Exorcista, como muito de vocês
provavelmente, foi quando eu era criança. O filme é de 1973, mas ao que eu me
lembre, devo tê-lo visto no final dos anos 80, começo dos anos 90, não sei bem
ao certo. O lance todo já começa por aí, afinal os tempos eram outros, e se
você parar para analisar o mundo extremamente careta e coxinha que vivemos
hoje, em que sã consciência um pai ou uma mãe deixaria o filho pivete assistir
a esse filme? Pois bem, tenho certeza que quase toda minha geração assistiu
muito novo, e por isso ele é algo tão impressionante e ficou marcado para
sempre. Quando você já é adolescente ou adulto, assisti-lo perde muito de sua
graça, pois convenhamos, é um filme que não mete mais medo em ninguém. Nem a
cabeça de Regan girando em 360º, o vômito de abacate, a cama levitando… E daí
chegamos a minha teoria: toda criança deve assistir O Exorcista. Sei lá,
deveria ser exibidos nas escolas, durante o ensino fundamental. Porque só
assim, em pleno Século XXI, o filme continuará enraizado no folclore popular
como o filme mais assustador de todos os tempos. O filme onde as pessoas saíam
passando mal do cinema. O filme que você tinha que dormir de luz acessa com o
crucifixo na cabeceira da cama. Porque se essa geração blockbuster de
hoje em dia assistir a essa obra prima muito velho, vai detestar, achar besta
pacas e capaz de sair falando um monte de groselha nas redes sociais. E pior,
vai ficar aí uma lacuna muito grande para futuros fãs dos filmes de horror,
impossível de ser preenchida por qualquer filme que venha a ser feito, e isso
me preocupa muito. Porque mesmo uma geração ainda depois da minha, conseguiu
até vê-lo no cinema, quando a Versão do Diretor foi lançada em 2001. E para
essa molecada de hoje em dia sobra o que? Fazer um remake? Pois bem, deixando
meus devaneios de lado, todo mundo deve estar careca de saber que O
Exorcista traz a história da doce menina filha de uma atriz de Hollywood
que fica possuída por um antigo demônio chamado Pazuzu, e após todos os testes
médicos e psicológicos darem negativos, o padre e psiquiatra Damien Karras e o padre
e arqueólogo Lankester Merrin tem de realizar um ritual de exorcismo para
expulsar o cramunhão da garotinha. O best-seller de Blatty foi
publicado pouco depois que o terreno perfeito estava completamente preparado
nos EUA, com o banho de sangue no Vietnã, o ataque da Guarda Nacional contra os
estudantes que protestavam contra a guerra na Universidade de Kent, os
assassinatos cometidos pela família Manson e o trágico show dos Rolling Stones
que acabou muito mal após uma confusão do público com os Hells Angels, que
foram contratados como seguranças do evento (???!!!). Não precisa dizer que foi
um sucesso de vendas, né? E a escolha de Friedkin foi o verdadeiro golpe de
sorte da Warner Bros., porque além da direção magistral, ele conseguiu
desenvolver todo o contraponto necessário para que o filme não caísse na
armadilha carola de Blatty. Outro ponto de sucesso do filme foi claro, Linda
Blair, uma verdadeira joia com sua interpretação brilhante da garota possuída.
É sabido que a carreira dela foi para o buraco, limitando-se a paródias de si
própria e filmes eróticos (seria mais uma das maldições que envolve a
produção?). Mas sem Linda, O Exorcista não teria nem metade da sua
força. E tudo que essa menina passou não é brincadeira, como a cena em que ela
começa a sacudir de um lado para o outro na cama, onde era controlada por
amarras que a apertavam, machucando-a de verdade. Então quando ela grita para
“fazer aquilo parar”, estamos presenciando uma reação extremamente autêntica de
dor. Na audição para o papel de Regan, Linda com 12 anos na época foi
entrevistada por Friedkin:
– Você leu O
Exorcista?
– Li
– O Livro é
sobre o quê?
– Sobre uma
garotinha que é possuída pelo demônio e faz um monte de coisas ruins.
– Que tipo de
coisas ruins?
– Ela empurra um
cara de uma janela e se masturba com um crucifixo.
– O que isso
quer dizer?
– É que ela toca
siririca, não é?
– É sim. E você
sabe o que é tocar siririca?
– Claro que sim.
– E você faz
isso?
– Claro! Você
não toca punheta?
E Linda ficou com o
papel! Mas apesar disso, a verdadeira força motriz do filme é o papel de
Burstyn. Ela é a pedra fundamental pela qual nós vamos mensurando todas as
proporções que aquele acontecimento vai tomando e a forma como acaba afetando
sua vida, e nos traz próximo do terror de verdade: aquele de ver um ente
querido se deteriorando, seja por uma doença ou pela tal força sobrenatural
nesse caso. A mesma coisa com o atormentado padre Karras, ao ver sua mãe
perdendo o juízo até ser internada em um manicômio público, já que não tem
dinheiro para tratamentos ou clínicas particulares, por ter decidido ser padre
e feito um voto de pobreza. E isso coloca o questionamento e renovação da fé
como um tema que sempre ronda os personagens por todo o filme, até mesmo o
intrépido padre Merrin, que conhece os poderes do diabo, já o encontrou antes
em suas escavações no Iraque e sabe que seu corpo velho e doente têm limitações
contra as artimanhas sobrenaturais da criatura. Mas tirando todo o grosso que
impressionou as plateias nos anos 70 e subsequentes, ainda há cenas, mesmo que
revendo trocentas vezes, como meu caso, que ainda são assustadoras, como quando
Regan durante uma festa fala para o astronauta que ele irá morrer lá em cima.
Ou quando Damien vê sua mãe sentada na cama no lugar da garota, perguntando por
que ele a abandonou para morrer daquele jeito, em uma tática vil da entidade
para desestabilizar o sacerdote. E claro, existe todo aquele, podemos dizer,
charme, das maldições envoltas na produção, que adquirem o status de
lenda urbana e ajudam até hoje na publicidade do filme, como a morte do ator
Jack MacGrowan uma semana após terminar as filmagens (ele interpretava o
diretor Burke Dennings, o primeiro a morrer na escadaria), vítima de pneumonia,
ou o set de filmagens que pegou fogo, na verdade por causa da quantidade de
aparelhos de ar-condicionado ligados ao mesmo tempo para deixar o quarto com
uma temperatura baixíssima, e assim vai. Mas vamos pensar que é obra do capeta,
né? Bem mais divertido. Para fechar, vejam só O Exorcista concorreu a
10 Oscars. Isso mesmo 10. Mas quantos ganhou? Somente dois: melhor som e melhor
roteiro adaptado. Isso diz muito sobre a Academia, como sempre. Nem Linda Blair
levou como coadjuvante, nem Friedkin como diretor e o maior absurdo de todos,
nem Burstyn como atriz principal. Absurdo maior que esse só anos depois, quando
mais uma vez ela perdeu o Oscar de melhor atriz pelo seu papel
em Réquiem Para um Sonho para, pasmem… Julia Roberts! Isso sim é
coisa do diabo!
FONTE:
http://101horrormovies.com/2013/10/15/284-o-exorcista-1973/
1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER
571 1973 O EXORCISTA (The Exorcist)
1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER
571 1973 O EXORCISTA (The Exorcist)
#283 1973 O EXÉRCITO DO EXTERMÍNIO (The Crazies, EUA)
Direção: George
A. Romero
Roteiro: George
A. Romero, Paul McCollough
Produção: A.C.
Croft, Margaret Walsh (Produtora Executiva)
Elenco: Lane Carrol, Will MacMillan, Harold Wayne Jones, Lloyd
Hollar, Lynn Lowry
Depois de mudar para
sempre o cinema de horror, fundando os alicerces dos filmes modernos de terror
com seus zumbis, George Romero volta sua metralhadora crítica cinematográfica
para a paranoia humana, alienação, descontrole militar, medo da guerra
biológica e os fantasmas que ainda rondavam os americanos com o fracasso da
Guerra do Vietnã em O Exército do Extermínio. Diferente do seminal A Noite dos
Mortos-Vivos, O Exército do Extermínio foi um fracasso
retumbante de bilheteria. Esperando por um desenrolar da infestação zumbi, ou a
simples volta dos cadáveres ambulantes, o público se decepcionou com o resultado
do filme de Romero. Mas a verdade é que sai o zumbi, mas a paranoia humana e o
estado de selvageria e necessidade básica de sobrevivência, egoísmo, racismo e
xenofobia, sentimentos típicos que ficam enraizados em boa parte dos seres
humanos e afloram quando cutucados, continuam ali. Ou seja, pior que um
morto-vivo devorador de cérebro, está de um lado uma cidade inteira vítima de
uma epidemia que os transforma em maníacos insanos assassinos, e do outro, o
exército truculento que declara lei marcial, coloca o local em quarentena e não
mede o uso de força para impedir que o vírus se espalhe, nem que isso implique
em metralhar civis sem dó nem piedade. E pronto, está costurado o emaranhado
político social que Romero, em sua filmografia marginal e independente de
guerrilha vista em seu início de carreira, traveste de cinema de gênero. Essa
cidadezinha é Evans City, na Pennsylvania, e o tal do vírus é o Trixie, uma
arma biológica criada secretamente pelo exército dos EUA que acidentalmente cai
no reservatório de água quando um avião de testes lotado do componente químico
ainda não testado cai por lá, deflagrando uma epidemia que irá atingir
praticamente todo e qualquer morador do local, afinal, todo mundo bebe água. À
surdina, o exército, sem alertar a população, coloca a cidade toda em
quarentena, formando sua base no escritório do Dr. Brookmyre (Will Disney, sem
parentesco com Walt), de onde despacharão o Major Ryder (Harry Spillman) e o
Coronel Peckem (Lloyd Hollar), que enviarão centenas de soldados, vestidos com
roupas brancas de proteção e máscaras de gás, recolherem todos os munícipes e
os confinarem na escola local para testes e contenção. Custe o que custar. Há
três fugitivos desse cerco: os bombeiros David (Will McMillan) e Clank (Harold
Wayne Jones) e a namorada grávida de David, Judy (Lane Carrol). Judy descobriu
sobre a existência do vírus e foi testemunha dos métodos nada pacíficos do tal
“exército do extermínio”, pois é enfermeira do consultório do Dr. Brookmyre.
Junto dos dois, eles levam consigo em sua escapada Artie (Richard Liberty) e
Kathy (Lynn Lowry), pai e filha. Enquanto não se sabe quem são mais loucos, se
os moradores infectados pelos vírus, que irão matar familiares e militares, em
reações adversas entre medo e efeitos patológicos do experimento, ou os
soldados que abusam de poder e força bruta, seguindo apenas ordens dos altos
escalões governamentais americanos, que não pouparão esforços para que a
quarentena não seja quebrada e a praga se espalhe pelo interior do país. Enquanto
o exército se mostra completamente ineficaz, seguindo ordens rígidas que
impedem até que o Dr. Watts (Richard France), cientista que desenvolveu o
vírus, trabalhe em uma cura, os cinco tentam salvar suas vidas, usando dos
mesmos métodos violentos, não se importando nem um pouco de abater também os
soldados. Porém, os efeitos nocivos do contágio começam a aparecer aos poucos
no pequeno grupo, elevando o nível de desconfiança e intolerância entre eles,
levando aquele relacionamento forçado a se igualar a um rastilho de pólvora
pronto para se acender e explodir. Para aumentar ainda mais o clima de tensão,
tome balas e mais balas cuspindo das metralhadoras dos igualmente assustados
soldados, banho de sangue, assassinatos frios desenfreados, velhinhas outrora
dóceis matando guerrilheiros com agulhas de crochê, desejos obscuros aflorando
(como a desconcertante cena em que o pai superprotetor tenta estuprar a filha
em um ato febril de descontrole) e um ritmo alucinado de filmagem imposto por
Romero. E o ritmo talvez seja o grande pulo de gato do diretor, pois é ele que
segura o interesse na premissa até o final pessimista e aberto do longa (outra
das características ímpares de Romero) e mistura momentos de adrenalina pura de
busca pela sobrevivência, da insurreição e revolta dos “loucos” e da sufocante
tomada de decisões do exército e de seus superiores, com momentos mais contidos
de reflexão psicológica e de crítica velada. E pensando no contexto
histórico, O Exército do Extermínio foi lançado dois anos antes do
final da Guerra do Vietnã, já com seu quadro absurdo de baixas, e seus
desdobramentos já começavam a sepultar o American Way of Life e
trazer à tona o pessimismo misturado do fim do sonho americano, o que servia
como combustível para a exploração de temas pertinentes como o uso do poderio
militar contra civis e armas químicas e biológicas (associado ao Napalm, um dos
símbolos desta barbárie). Sendo assim, Romero acertaria mais uma vez na mosca
colocando toda essa mensagem subliminar em sua obra. E muito fácil traçar paralelos
em cenas como, por exemplo, Clank ficando louco e saindo pelo meio da floresta
atirando como se fosse o Rambo personificado, com as atitudes americanas no
sudeste asiático. O roteiro de O Exército de Extermínio foi escrito
originalmente por Paul McCollough sob o título de “The Mad People”, porém o
foco era muito mais na história dos sobreviventes do que na histeria militar,
que estaria presente apenas nas 10 primeiras páginas do script. Quando o
produtor Lee Hessel leu o material, interessou-se em produzir e distribuir o
longa, com um orçamento de 270 mil dólares, porém pediu modificações na
história, por considerar a tomada da cidade pelo exército muito mais
interessante. Romero aceitou e este passou a ser o mote principal do filme. O
longa foi filmado tanto na própria cidade de Evans quanto em Zelienople, duas
cidadezinhas da Pennsylvania, 30 minutos ao norte de Pittsburgh e teve muito de
seus locais trabalhando como extras, além de próprios bombeiros das cidades e
adolescentes dos colégios usando as roupas brancas anti contaminação para
representar os soldados. Com o fracasso, atribuído a Romero pela pequena
distribuição da fita nos cinemas americanos, mesmo com o esforço dos produtores
em relançarem em várias cidades com nomes diferentes, o diretor logo teve de
voltar seus olhos para seus zumbis novamente, e entregar cinco anos mais tarde
o magnífico Despertar dos Mortos. Mais tarde, até pelo sucesso do cinema
morto-vivo de Romero, O Exército do Extermínio ganharia o status de uma de
suas obras mais cultuadas. De quebra, em 2010 ganhou um
decente remake atualizado que no Brasil foi batizado de A Epidemia,
mais parecido com a ideia do roteiro originalmente descartado, pois foca muito
mais na insurreição dos “loucos”, seus atos violentos e a luta pela
sobrevivência dos três protagonistas que o cerco militar em si.
FONTE:
http://101horrormovies.com/2013/10/12/283-o-exercito-do-exterminio-1973/
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