terça-feira, 8 de março de 2016
#506 1986 COMBOIO DO TERROR (Maximum Overdrive, EUA)
Direção: Stephen
King
Roteiro: Stephen
King (baseado em seu conto)
Produção: Martha
Schumacher, Milton Subotsky (Coprodutor), Don Levin, Mel Pearl e Dino de
Laurentiis (Produtor Executivo)
Elenco: Emilio Estevez, Pat Hingle, Laura
Harrington, Yeardley Smith, John Short, Ellen McElduff
Stephen King decidiu dirigir Comboio do Terror porque gostaria de ver os seus filmes feitos
corretamente no cinema. É de conhecimento público que King simplesmente
DETESTOU a adaptação de O Iluminado de Stanely Kubrick, por
exemplo. Então baseado na premissa do “se quiser fazer algo bem feito, faça
você mesmo”, lá foi o escritor sentar na cadeira de diretor e o resultado foi
esse aborto da natureza cinematográfico. A começar pela trama, você já percebe
que a coisa não daria muito certo de jeito nenhum. Naquele período dos anos 80
em que rolava a febre do Cometa Haley, um cometa passou pela Terra e o planeta
ficou durante sete dias envolvido em sua cauda, o que fez com que todos (quer
dizer, quase todos, sabe-se lá porquê) os equipamentos eletrônicas ganharam
vida e um impulso homicida. Tosco não é? Mas sabe o que é o mais
impressionante? O conto, chamado “Caminhões”, publicado na coletânea “Sombras
da Noite”, é ótimo! Mas é um conto, deve ter sei lá, 30 páginas. Transformá-lo
em um longa metragem de mais de uma hora e meia resultou em uma verdadeira
bomba e um martírio para o público assistir. Afinal, por mais que seja um
filme trash assumido,
ele se leva muuuuuuito a sério, e somado a isso o fato de King como diretor ser
um excelente escritor, estar chapado de cocaína durante as filmagens, sem a
menor ideia do que estava fazendo (como o próprio admitiu futuramente), as
atuações serem péssimas, a construção dos personagens (e até os nuances e
desdobramentos da trama em si) serem risíveis e o desenrolar entediante (sem
contar o final chumbrega), Comboio do Terror é
tudo de ruim e foi um fracasso retumbante de público e crítica. Logo no começo,
ao som do AC/DC, banda escolhida pessoalmente por King para compor a trilha
sonora da produção, as máquinas começam a demonstrar seu descontrole e o
próprio escritor/roteirista/diretor faz uma ponta sendo chamado de idiota por
um caixa eletrônico. Esse é o grande momento do filme, pois é a atitude mais
verdadeira e acertada de todo o longa. Depois o maquinário pira causando um
baita acidente entre carros e caminhões em uma ponte levadiça, uma máquina de
refrigerantes atira latinhas como se fosse um canhão, uma faca elétrica corta o
braço de uma garçonete e um cortador de gramas sai por aí aparando pessoas. O
núcleo de “pessoas normais em uma situação limítrofe lutando por suas vidas”
tão comum na obra de King se concentram no Dixie Boy, uma parada de caminhões
gerida pelo escroto Bubba Hendershot (Pat Hingle), cujo cozinheiro é o
ex-presidiário Bill Robinson (Emilio Estevez, filho de Martin Sheen que já
havia atuado em duas outras adaptações de King produzidas por Dino de
Laurentiis: A Hora da Zona Morta e Chamas da Vingança). Um comboio de caminhões
liderado por um Fenemê gigante da Happy Toyz, que tem um gigante rosto do
Duende Verde em sua frente faz os humanos de reféns dentro do recinto e começam
a ameaçar o grupo díspar, o qual ainda se juntaria uma caronista, Brett (Laura
Harrington) que rapidão vira o par romântico do personagem de Estevez e até
mandam a situação cabreira às favas para dar uma trepada e ficar vendo o efeito
atmosférico causado pela cauda do cometa que transformou o céu em verde em um
interlúdio romântico dos mais cafonas possíveis, e os recém-casados Curtis (que
de babaca se torna um Ash em potencial) e Connie (a insuportável que só grita e
choraminga), respectivamente John Short e Yeardley Smith (que três anos mais
tarde daria pela primeira vez a voz à Lisa Simpson e o resto é história). Só
que o maior motivo por Comboio do Terror andar de marcha ré (RÁ, que infame)
são as situações estapafúrdias. Primeiro que o tal Henderson tem em seu porão
um verdadeiro arsenal do exército. O sujeito tem até uns javelins que disparam
mísseis nos caminhões. Outra coisa que incomoda qualquer espectador que tenha
mais de dois neurônios é por que diabos só aqueles caminhões estão possuídos pela
força do cometa e os carros com que o casal e Brett e o vendedor de bíblia
chegaram ao posto, não? E mais, porque depois de causar alvoroço, atacar a
garçonete e até as máquinas de fliperama matar um sujeito, todos os eletrônicos
de dentro do Dixie Boy voltaram às suas funções normais? Agora sem dúvida um
dos momentos mais vergonha alheia de King e sua trupe é quando um jipe do
exército aparece metralhando tudo e emite uma mensagem buzinando em código
Morse. Felizmente um garoto que sabe código Morse (???!!!!) aparece no Dixie
Boy pouco antes e consegue decifrá-la. Como os caminhões fatalmente estavam
ficando sem combustível depois de rodarem sem parar em volta do local, o jipe
ordena que os humanos os abasteçam e nenhum deles será ferido. Agora caso o contrário,
todos irão morrer. E toda a frota de caminhões dos EUA começa a chegar para ter
seus tanques cheios. Até que finalmente toda aquela situação dá no saco dos
mocinhos e armados até os dentes, eles resolvem fugir por suas vidas em direção
a uma ilha que não tenha caminhões. Olhe, Stephen King tem adaptações de suas
obras para as telas que são um lixo, mas acredito que essa seja a pior de
todas. Talvez só quem seja muito fã xiita do escritor e sei lá, curtia o Clube
Irmão Caminhoneiro Shell nas manhãs do SBT, devem gostar dessa bagaceira. E
termino essa resenha com a resposta do próprio mestre, ao ser indagado do por
que nunca mais ter dirigido nenhum filme: “Assista Comboio do Terror e
você entenderá”.
FONTE:
https://101horrormovies.com/2014/08/23/506-comboio-do-terror-1986/
domingo, 6 de março de 2016
#505 1986 A CASA DO ESPANTO (House, EUA)
Direção: Steve
Miner
Roteiro: Ethan Wiley, Fred Dekker (história)
Produção: Sean
S. Cunningham, Patrick Markey (Produtor Associado), Roger Corman (Produtor
Executivo – não creditado)
Elenco: William Katt, George Wendt, Richard Moll,
Kay Lenz, Mary Stavin, Michael Ensign
É muita vergonha alheia gostar de A Casa do Espanto. Mas acontece que este é mais um daqueles típicos
casos de filmes que falam mais por conta do saudosismo da infância nos anos 80 do
que por qualquer mérito técnico ou artístico. Dirigido por Steve Miner e
produzido por Sean S. Cunninghan, ambos oriundos dos primórdios da série Sexta-Feira 13 e com a história de Fred
Dekker (diretor de A Noite dos Arrepios, simplesmente um dos meus
filmes PREFERIDOS dos anos 80), o longa se encaixa na perfeita definição do
“terrir”, muito comum em alguns filmes de terror daquela década.
Trasheira da brava, envelheceu mal e quase toda a
fita se mostra constrangedora, exceto por alguns poucos momentos que se preze,
entre elas a excelente maquiagem do “zumbi” soldado Big Ben (Richard Moll),
cortesia de Barney Burman que ganharia um Oscar pelo novo Star
Trek em 2009 e Brian Wade, e algumas pirações sobre passagens
extradimensionais localizadas na tal casa em certos pontos específicos do
imóvel, ao melhor estilo Lovecraft. Casa essa que é “mal assombrada”, assim
entre aspas porque não é daquela forma tradicional do gênero. No começo os
desavisados podem até imaginar que o filme seguirá por esse caminho, pois um
entregador encontra uma velha senhora morta, enforcada em um dos quartos. A
senhora em questão é a tia do escritor de livros de terror, Roger Cobb,
interpretado por William Katt, famoso nos anos 80 por protagonizar a série de
TV, Super-Herói Americano. O sujeito vem passando por maus bocados
desde que seu filho misteriosamente desapareceu na própria casa. O seu
casamento com a bela atriz Sandy Sinclair (Kay Lenz) terminou e ele passa por
um bloqueio criativo para escrever seu próximo livro, pressionado por editor e
fãs. Como se não bastasse, Cobb sofre de estresse pós-traumático por ter
servido no Vietnã e sempre volta a sonhar com os combates na selva e com Big
Ben agindo de forma tempestuosa, até ser capturado pelos vietcongues e
torturado, deixado para trás pelo escritor enquanto implora pela morte. Como
ele ganhou de herança a casa, e passou sua infância por lá, resolve se mudar
para tentar finalizar seu livro sobre os dramas e horrores pessoais que viveu
no sudeste asiático. Não demora a coisas estranhas e fenômenos paranormais
começarem a aterrorizá-lo na casa, como ver a velha tia enforcada, seu filho
desaparecido chamando na janela, um peixe espada empalhado ganhando vida, um
monstro macabro que sai do armário pontualmente à meia-noite e até sua esposa
ter se transformado em um horrendo monstrengo gordo, ou melhor, um bonecão de
uma tosquíssima fantasia de látex. Toda aquela situação inverossímil
arquitetada pela casa culmina em uma viagem no tempo/espaço onde o próprio
zumbi de Big Ben volta para se vingar. Além dos problemas sobrenaturais, Cobb
ainda tem de aguentar o bonachão e intrometido vizinho Harold Gorton (George
Wendt, também oriundo dos seriados, dessa vez a sitcom Cheers) e a
vizinha gostosona Tany (Mary Stavin) que primeiro parece dar pinta para o
escritor, mas depois só quer usá-lo como babá cuidando do seu filho enquanto
tem um compromisso (o moleque de mullets é
o próprio filho do diretor Steve Miner). Agora o maior problema de A
Casa do Espanto, apesar de ser cheio de problemas, mas que o torna
simpático e querido (ainda mais se você estiver na casa dos 30), e de uma
trilha sonora oitentista completamente inadequada, é o seu final. Apesar de
todos os furos gigantescos do roteiro e as baboseiras que até relevamos,
principalmente por ele nunca tentar se levar a sério efetivamente, aquele
finalzinho safado, mela cueca e totalmente feliz, não dá para engolir. A
Casa do Espanto é o retrato de um período muito específico do cinema
de terror, que foi invadido por esse tipo de produção despretensiosa e
engraçadinha, que é na verdade um entretenimento válido. Fez uma boa grana de
bilheteria para a New World Pictures de Roger Corman (faturou 19 milhões de
dólares nos EUA contra três milhões gastos) e inevitavelmente ganhou outras
três continuações, que nem valem menção.
FONTE:
https://101horrormovies.com/2014/08/22/505-a-casa-do-espanto-1986/
#504 1986 CAÇADOR DE ASSASSINOS (Manhunter, EUA)
Direção: Michael
Mann
Roteiro: Michael
Mann (baseado no livro de Thomas Harris)
Produção: Richard
Roth, Bernard Williams (Produtor Executivo), Dino de Laurentiis (Produtor
Executivo – Não creditado)
Elenco: William Petersen, Kim Greist, Joan Allen,
Brian Cox, Dennis Farina, Tom Noona, Stephen Lang
Muita gente não sabe, mas Anthony Hopkins não foi o
primeiro Hannibal Lecter do cinema e O Silêncio dos Inocentes não
foi o primeiro filme a trazer o famoso canibal, criação de Thomas Harris, para
as telas. Em 1986, um ainda novato Michael Mann dirigia Caçador de Assassinos, produção do todo poderoso Dino de Laurentiis, baseado no livro “Dragão
Vermelho” de Harris. Em tempos em que a história de “Dragão Vermelho”, com toda
sua liberdade poética, é revisitada no excelente, soturno e sangrento seriadoHannibal,
voltar os olhos para Caçador de Assassinos é uma tarefa que se
torna extremamente satisfatória até como uma forma de traçar um paralelo entre
as duas abordagens (claro que temos que pensar que são duas mídias diferentes:
cinema e televisão) e também até com a sua refilmagem mais recente, tendo aí um
papel de mais destaque para o antropófago (já vivido por Hopkins) e com Edward
Norton fazendo o papel do personagem aqui de William Petersen (hoje mais
conhecido por ter estrelado a série CSI: Investigação Criminal). A
pontual diferença entre as obras é a figura de Mann na cadeira de diretor (até
porque Brett Ratner do VERGONHOSO terceiro filme dos X-Men não merece sequer
nota). Caçador de Assassinos é um thriller oitentista na sua
mais perfeita definição e com um vislumbre da estética que o diretor atingiria
principalmente em seus filmes mais recentes da fase Colateral (ÚNICO
filme em que Tom Cruise tem uma boa atuação),Miami Vice (ótima
adaptação “moderna” da série deixando de lado a cafonalha – e as ombreiras e o
paletó branco – do show que o próprio Mann foi produtor executivo) e Inimigos
Públicos (onde Christian Bale e Johnny Depp dão show). Mann impõe uma
expectativa minimalista sufocante, com um amplo sentido de urgência se abatendo
na investigação antes que o assassino conhecido como “Fada dos Dentes” faça sua
nova vítima. A ação é contida, a investigação é toda baseada em detalhes e o
ritmo vai literalmente te consumindo até o final, quando aí sim, auxiliado
muito pela escolha pontual da trilha sonora, vemos aquele Michael Mann que hoje
conhecemos tão bem pisando no acelerador e transformando a experiência impaciente
em um rápido ritmo exagerado ao melhor molde anos 80. Na trama, também escrita
por Mann, somos agraciados com a atuação na medida de Petersen como o austero,
amargurado e intenso Will Graham, ex-agente do FBI, perito na construção de
perfis, que alcançou o estrelato ao prender Garry Jacob Hobs nos anos 70, o
assassino conhecido como o “Picanço de Minessotta”. Brevemente citado no filme
(e muito bem explorado na série), a experiência o traumatizara e Graham fora
submetido a tratamento psiquiátrico até voltar a ativa e se envolver na caçada
ao “Estripador de Chesapeake”, que descobre ser na verdade Hannibal (que aqui
tem o sobrenome de Lecktor), que o estrebucha e o deixa à beira da morte (nada
disso é de fato mostrado em Caçador de Assassinos). Lecktor é preso
e Graham afasta-se do trabalho para viver com a esposa Molly (Kim Greist) e
filho em uma praia paradisíaca, preocupado apenas com a sobrevivência de
tartarugas marinhas recém-nascidas. Até seu ex-chefe, Jack Crawford (Dennis
Farina) pedir sua ajuda na captura de um assassino que tem matado famílias
inteiras e substituído seus olhos por pedaços de vidro, seguindo o ciclo da
lua, o tal Fada dos Dentes. O que vemos então é Petersen levando Caçador
de Assassinosnas costas, até a rápida, porém importantíssima, aparição de
Lecktor, vivido pelo escocês Brian Cox e seu sotaque carregado. Graham vai
pedir sua ajuda, mas acaba mesmo é caindo em mais um de seus joguinhos mentais
e tendo sua própria família ameaçada em uma troca de correspondência por código
com a Fada. É dificílimo não imaginarmos Hopkins como Lecter no cinema, e mais
difícil ainda desassociá-lo. Cox continua se impondo, desta vez menos
fisicamente e mais com palavras, astuto em sua manipulação e escolha de frases.
O canibalismo não é sequer mencionado. É um personagem secundário de luxo, pois
o filme é de Graham. Mas não deixa de ser uma figura tenebrosa. E em seus
momentos de solilóquio, de total atenção aos detalhes da trama, pensando como
assassino e repetindo seus passos, o ex-agente, contando com a competência de
Mann que preferiu sobrepor o conteúdo à forma (exceto em sua sequência final),
coloca o espectador como seu parceiro, correndo contra o tempo e instigando
esse sentimento de pressa controlada, examinando todos os menores detalhes e
seguindo uma envolvente e coesa linha de investigação. E o que se segue é o
maniqueísmo, o preceito religioso e a dicotomia que reina o ser humano, no
embate entre o herói Graham e o vilão, Francis Dollarhyde, identidade da Fada
dos Dentes. Que por sinal é o elo fraco da corrente de Caçador de
Assassinos. Toon Noonan, apesar de fisicamente estar surpreendente e
assustar, com sua cicatriz na boca, a dentadura postiça que usa para morder as
vítimas, e principalmente, suas desequilibradas motivações e admiração pelos
quadros de William Blake, é muitas das vezes apático e como se estivesse no
automático. Suas frustrações, medos e pesadelos obscuros que vivem em sua
mente, e até a ligação afetiva e distante ao mesmo tempo com a cega Reba McLane
(Joan Allen) acaba por não convencer, apesar dos traumas de infância e das
bagagens pessoais do assassino que influenciam suas motivações. Além de sentir
falta da tatuagem em Dollarhyde, que Mann considerou “exagerada” após o término
de horas de maquiagem em Noolan. Outro ponto fraco é o final extremamente feliz
e positivo. Não que seja proibido um final feliz, mas foi completamente
ignorado em relação ao livro (e que contém na refilmagem) a ligação que Graham
cria com Dollarhyde durante essa caçada e a verdadeira ameaça que ele acaba
oferecendo à sua família para cumprir sua psicose. E isso acaba por
desvalorizar uma das poucas ações arquitetadas pela brilhante mente de Lecktor/
Lecter contra sua nêmese. Caçador de Assassinos é um baita filme.
Sabemos de todo o potencial inexplorado do psiquiatra que gosta de comer
fígados com fava e um bom Chianti, mas mais uma vez, o foco do filme é
completamente outro e se mostra uma experiência satisfatória em acompanhar a
mão de Michael Mann nos guiando pela tênue linha entre a loucura e obstinação,
entre o bem e o mal, entre o certo e o errado e entre o brilhantismo e a
psicose, num ótimo suspense.
FONTE:
https://101horrormovies.com/2014/08/21/504-cacador-de-assassinos-1986/
sexta-feira, 4 de março de 2016
#501 1985 SEXTA-FEIRA 13 5: UM NOVO RECOMEÇO (Friday the 13th: A New Beginning, EUA)
Direção: Danny Steinmann
Roteiro: Martin Kitrosser, David Cohen,
Danny Steinmann
Produção:Timothy Silver, Frank Mancuso Jr. (Produtor Executivo)
Elenco: Melanie Kinnaman, John Shepherd,
Shavar Ross, Richard Young, Marco St. John, Juliette Cummins, Dick Wieand
Sério, o que falar sobre Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo? Todo mundo que é fã da cinesérie
sabe que desde que o acampamento Crystal Lake se transformou no Acampamento
Sangrento no primeiro filme lançado em 1980, a franquia passou por altos e
baixos. Essa quinta parte é o mais fundo do poço que ele conseguiu chegar?
Olhe, não sei mesmo, afinal as partes oito e nove são realmente de doer o
âmago. Mas não há nada, absolutamente nada, que trabalhe minimamente a favor
para tirar esse aqui da lista dos piores. Bom, talvez a ideia tenha sido
louvável. Ou não, porque Jason Voorhees é Jason Voorhees. Como o subtítulo entrega, a ideia era dar um novo
começo para Sexta-Feira 13. Afinal, se bem lembramos e ainda
temos um pouco de juízo (apesar de adorarmos ser enganados por três coisas
nessa vida: por Hollywood, pelos políticos e pela CBF), Sexta-Feira 13 – O Capítulo Final lançado no ano anterior era para ser
o, hã, capítulo final, com o assassino da máscara de hóquei sendo estraçalhado
por Tommy Jarvis em seu desfecho. Era essa a ideia do produtor Frank Mancuso
Jr. Mas, não era a ideia de seu pai, figurão da Paramount na época, Frank G.
Mancuso. No auge da febre slasher, se o público
queria continuar vendo esses filmes, vamos meter goela abaixo até espremer a
última gota do bagaço. Só que Jason criou uma horda de fãs e espectadores fiéis
que acompanharam as chacinas do psicopata nos últimos anos. E isso fez com que Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um
Novo Começo, se mostrasse um tiro no pé. Agora se na receita
juntarmos um prazo apertadíssimo de filmagem, roteiro escrito às pressas por
seis mãos por conta da brilhante decisão do patrão, orçamento menor que seu
filme anterior, um diretor preguiçoso, atores do mais baixo calibre e ainda uma
mutilação da MPAA para conseguir uma censura R cortando nada menos que
DEZESSEIS cenas de matança e sexo, teremos aí o fracasso completo. Bom, a ideia
inicial era explorar a volta do personagem Tommy Jarvis (agora mais velho,
vivido pelo péssimo John Shepherd) como o substituto de Jason, afetado por ser
testemunha da violência desmedida quando criança e atormentado por pesadelos constantes
e alucinações com aquele que matou. Só que ao invés de explorar isso, o
roteiro repleto de falhas de continuidade resolve caminhar por outro caminho
tortuoso e apresentar uma historiazinha das mais medíocres. Após um prólogo com
o jovem Tommy (participação especial de Corey Feldman que volta apenas nesses
primeiros minutos do filme por estar no meio das gravações de Os Goonies) vendo
Jason saindo de seu túmulo (com máscara e tudo) e trucidando dois sujeitos que
foram perturbar seu descanso eterno, ele acorda em uma ambulância em direção a
uma instituição psiquiátrica que nunca existiria no mundo real. Coordenada pelo
psiquiatra Dr. Matt Letter (Richard Young) e sua assistente, Pam Roberts
(Melanie Kinnaman), ambos são adeptos a um, hã, que palavra posso usar aqui?
Estilo alternativo de tratamento, onde malucos potencialmente sociopatas ficam
livres em uma fazenda, sem enfermeiro, sem seguranças, com direito de ir e vir,
sair trepando na propriedade dos outros e ainda lhes dão MACHADOS nas mãos para
cortar lenha. E é aí que a “trama” (entre aspas mesmo) se dá início, quando Vic
(Mark Venturini) um sujeito obviamente com sérios problemas de raiva está
cortando lenha e começa a ser importunado pelo gordinho mala Joey (Dominick
Brascia) e não dá outra, o bobão é retalhado pelo maluco e seu machado em
um acesso de fúria. Vic é preso e dois paramédicos são chamados para levar o
corpo do gordinho embora. Bom, já começo meu ALERTA DE SPOILER aqui,
então esteja avisado. Com um close estúpido da expressão do enfermeiro Roy,
TODO MUNDO já manja que ele será o assassino. Na verdade, no final o xerife
explica (de uma forma bem mequetrefe) que Joey era filho do tal paramédico. Daí
um parafuso soltou na cachola do cara e ele começa a se inspirar nas mortes
praticadas por Jason para meter uma máscara de hóquei no rosto e sair por aí
ceifando a vida de gente a torto e a direito, de forma completamente
aleatória, sem nenhum motivo específico (porque ele não matou só o Vic que deu
cabo de seu filho, que ele mesmo tinha vergonha e escondia de toda a
sociedade?). E então como o negócio era matar a esmo,Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo tem nada menos do que VINTE E DOIS
assassinatos na sua contagem de cadáveres. Em entrevistas com o diretor
fracassado (que sumiu depois dessa bomba) Danny Steinmann, ele foi instruído a
seguir duas regrinhas durante o filme: deveria mostrar uma morte (ou então
algum jump scare qualquer) a cada SETE ou OITO minutos
de cena. O grande problema é que quando um filme é tão ruim, esperamos que as
mortes, o sangue, e vai, o sexo, compense. Aí quando ele é todo cortado pela
censura e só temos mortes off screen (ainda
mais depois da violentíssima e explícita quarta parte com direito a maquiagem
de Tom Savini) e umas cenas de nudez ridículas, aí não dá mesmo para salvar
nada. A segunda instrução era transformar Tommy em Jason. Mais uma missão em
que ele falhou miseravelmente, pois apesar da leve, assim beeeeem de leve,
impressão que remete ao primeiro Sexta-Feira 13, em que não sabemos a identidade do
assassino e fica aquela dúvida de quem está cometendo os crimes e tudo mais,
nunca dá na pinta que poderia ser o traumatizado Tommy. E o pior ainda é que o
filme foi tão execrado e a reação de público e crítica tão ruim, que o
bom final, com Tommy vestindo a máscara, pirando o cabeção de vez e
assassinando a mocinha sobrevivente, herdando o facão, foi completamente
ignorado na sexta parte que traz o vilão clássico de volta, ainda com contornos
sobrenaturais e com Tommy como o mocinho da vez. Ou seja, trocando em miúdos: Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um
Novo Começo não
presta para nada. Não tem Jason, não tem mortes gráficas, não tem putaria, e
não foi um novo começo. Próximo, por favor?
FONTE: https://101horrormovies.com/2014/08/16/501-sexta-feira-13-parte-5-um-novo-comeco-1985/
#489 1984 SEXTA-FEIRA 13 O CAPÍTULO FINAL (Friday the 13th: The Final Chapter, EUA)
Direção: Joseph Zito
Roteiro: Barney
Cohen, Bruce Hidemi Sakow (história)
Produção: Frank Mancuso Jr., Tony Bishop (Coprodutor),
Robert M. Barsamain e Lisa Barsamain (Produtores Executivos)
Elenco: Kimberly
Beck, Peter Barton, Corey Feldman, Erich Anderson, Crispin Glover, Clyde Hayes,
Barbara Howard
Sério, Sexta-Feira 13 – O Capítulo
Final (que capítulo final, cara pálida?) é o
meu preferido da cinesérie. Eu sei, eu sei que é mais do mesmo, recauchuta só a
mesma história iniciada lá no primeiro Sexta-Feira 13 de
1980, não traz nada de novo, mas, é aquele que tem as mortes mais escabrosas e
violentas até então e a maior quantidade de nudez. COMO NÃO GOSTAR? Fora que é
o filme que vemos o querido Jason Voohrees desde o começo com sua emblemática
máscara de hóquei (ele é colocado até na gaveta do necrotério com ela, sério…)
e tem claro, aquela cena final impactante (mesmo que copiada do final de Sexta-Feira 13: Parte 2,
aproveitando-se da hã… lerdeza mental do nosso vilão), primeiro por vermos o
assassino deformadão sem a máscara e depois pelo pequeno Tommy Jarvis (Corey
Feldman pré bulinação de Michael Jackson), personagem que ganharia importância
futura na série, virado no Jiraya com seu ataque de facão. Bem, dessa vez o
longa foi dirigido por Jospeh Zito, credenciado pelo ótimo Quem Matou Rosemary? e
teve a volta do mestre Tom Savini na maquiagem, em seu esplendor, mostrando
Jason em sua melhor forma psicopata. Vai ter um enfermeiro com a jugular
cortada por um serrote e a cabeça virada para trás; uma caronista com a
garganta perfurada por uma faca enquanto comia uma banana; a mocinha que foi
nadar pelada de noite atravessada por uma faca com bote inflável e tudo; um
sujeito que toma um arpão nos bagos e é levantado por Jason; o rapaz que tem a
mão presa por um saca-rolha e leva com o cutelo no olho; o sujeito que tem o
rosto esmagado contra o azulejo do box e por aí vai. Imediatamente após os
acontecidos de Sexta-Feira 13 – Parte 3 (contados
no início juntamente com um recap dos
outros dois filmes anteriores) o corpo de Jason é levado para o necrotério
local, supostamente morto, para apenas escapar e continuar sua contagem de
cadáveres (são 13 ao total neste aqui) contra aqueles adolescentes lascivos que
invadem seu território ao redor de Crystal Lake. Fazendo umas contas
rápidas, os eventos de Sexta-Feira
13 – O Capítulo Final começam na noite de um domingo 15 (tendo em vista
que a terceira parte começa na tal data “azarada” e termina dois dias depois) e
tem sua noite de clímax na quinta-feira 17. Deveria ser carnaval por lá ou
rolou uma semana do saco cheio e coisa e tal. Um bando de adolescentes aluga um
chalé no mato (entre eles está um jovem Crispin Glover que mais tarde seria o
pai de Marty McFly em De Volta
Para o Futuro e o Willard de A Vingança de Willard) ao lado da casa dos Jarvis, dos irmãos
Tommy e Trish (Kimberly Beck). Claro que esse monte de gente que só quer nadar
sem roupa, trepar, fumar maconha e festejar estará lá só para servir de vítima
do Jason. Na trama ainda há Rob Dyer (Erich Anderson) que vem rastreando os
passos de Jason na tentativa de caçá-lo e se vingar da perda da irmã, Sandra,
assassinada pelo maníaco na segunda parte.
ALERTA
DE SPOILER: Pule
para o próximo parágrafo, apesar de eu duvidar que você ainda não assistiu ao
filme.
O
confronto final reserva bons momentos para o fã do horror, quando vimos o rosto
deformado de Jason Voohrees, cortesia da excelente maquiagem de Savini (que dizem
as más línguas que só voltou ao filme para poder matar aquilo que havia ajudado
a criar). Após ser acertado com seu próprio facão no olho e o rosto (ou máscara
de látex, vai) e escorregar afundando mais ainda a lâmina, o intrépido vilão
que é mais duro de matar que John McLane mexe os dedinhos, movimento o
suficiente para Tommy pegar a faca e começar a golpeá-lo violentamente diversas
vezes, em uma cena bem chocante por você ver a imagem de uma criança praticando
tal ato. O orçamento de Sexta-Feira
13 – O Capítulo Final foi de pouco mais de um milhão de dólares.
Sendo um terror de baixo orçamento, obviamente muitos problemas aconteceram
durante a produção, o que levou a certo desentendimento entre o diretor Joseph
Zito com diversos atores que tiveram de se submeter a cenas perigosas e
desconfortáveis sem dublês, como a gatinha Judie Aronson (Samantha) que teve de
ficar nua submersa no lago em uma temperatura baixíssima e Peter Barton (Doug)
que realmente se machucou com o ataque de Jason no chuveiro. Ted White que
interpreta Jason advogava em nome dos atores e uma relação tensa se estabeleceu
entre ele e Zito, que culminou em seu nome tendo sido tirado dos créditos e o
mesmo chamando o filme de “verdadeira merda”. Como você bem sabe, a ideia era
que Sexta-Feira 13 – O Capítulo
Final fosse o capítulo final, mas após ele faturar impressionantes 32
milhões de dólares de bilheteria, os executivos da Paramount mudaram de ideia e
decidiram não aposentar a lucrativa franquia. O próximo filme tentou criar um
novo direcionamento na série e até trouxe os desdobramentos do que ocorreu com
o pequeno Tommy após a traumática experiência, mas a recepção de crítica e
público foi péssima e não tardaria para que Jason voltasse logo, mas tudo isso
fica para posts futuros. O que importa é que Sexta-Feira 13 – O Capítulo Final é feito na medida para os
fãs da série slasher.
FONTE:
https://101horrormovies.com/2014/07/31/489-sexta-feira-13-o-capitulo-final-1984/
quinta-feira, 3 de março de 2016
#500 1985 RE-ANIMATOR (Re-Animator, EUA)
Direção: Stuart
Gordon
Roteiro: Dennis
Paoli, William J. Norris, Stuart Gordon (baseado na obra de H.P. Lovecraft)
Produção: Brian Yuzna,
Michael Avery, Charles Brand e Bruce William Curtis (Produtores Executivos),
Bob Greenberg e Charles Donald Storey (Produtores Associados)
Elenco: Jeffrey Combs, Bruce Abbott,
Barbara Crampton, David Gale
É extremamente difícil transportar as
ideias do texto do escritor americano H.P. Lovecraft para as telas. A parceria
entre o diretor Stuart Gordon e o produtor Brian Yuzna foi a que teve maior
sucesso nesse quesito. E Re-Animator – A Hora dos Mortos Vivos é com certeza a melhor adaptação de
Lovecraft ao cinema, mesmo sendo apenas vagamente baseado no conto original
“Herber West – O Reanimador”. Lançado de forma breve nos cinemas, já que em
meados dos anos 80 o mercado exibidor já havia sido dominado pelos multiplex e as grindhouses e
sessões da meia-noite haviam praticamente desaparecido, o sucesso de Re-Animator se fez exatamente no home video, graças a
popularização do videocassete, presente já em quase todos os lares e
dormitórios dos EUA. E indicou um caminho que seria uma tendência para o
mercado de terror de baixo orçamento. Claro que isso ao mesmo tempo que trouxe
resultados positivos para a indústria, foi catastrófico para o cinema de
horror, pois muito lixo começou a ser produzido e lançado direto em vídeo e a
qualidade dos filmes de terror foi lá embaixo, quase extinguindo o gênero na
década seguinte. Mas isso é uma história mais para frente. Re-Animator pega
a mesma fórmula criada por Sam Raimi em A Morte do Demônio e a mistura com a inspiração do cinema gore italiano para contar a história do Dr. Frankenstein
moderno. Herbet West (interpretado pelo eterno ator Lovecraftiano Jeffrey
Combs) é um jovem médico que desenvolve um soro verde fluorescente capaz de
trazer os mortos à vida. Expulso da Suíça após a morte do proeminente Dr.
Gruber (na primeira cena do filme que já logo mostra ao que veio), West vai
parar na Universidade de Miskatonic, em Arkham (local recorrente da maioria das
obras de Lovecraft), onde conhece o companheiro de estudos Dan Cain (vivido por
Bruce Abbott, mais conhecido por interpretar o juiz Nicholas Marshal na série Justiça Cega, que fez sucesso aqui no Brasil nos anos 90).
Cain já é um sujeito mais normal que namora Meg, a filha do reitor Halsey. O
professor de ambos é o Dr. Carl Hill, nêmese de West, que é acusado por ele de
ser obsoleto e ter plagiado a obra de seu mentor, Gruber. Hill também desperta
uma paixão platônica por Meg. Logo, West que começa a dividir a casa com Cain,
o arrasta para o epicentro das suas experiências terríveis, até que uma delas,
realizada no necrotério, dá desastrosamente errado e acaba matando o Dr.
Halsey. Matando por alguns minutos na verdade, pois é injetado o reagente
químico nele, que volta com um zumbi agressivo, efeito colateral em todos os
ressuscitados. Tudo isso é pano de fundo para muito, mas muito sangue e cenas
escatológicas. E claro, o momento mais emblemático do filme, a originalíssima
cena onde o Dr. Hill, após ter sua cabeça decepada por uma pá e ser reanimado,
rapta a pobre Meg e faz sexo oral nela, segurando a cabeça com as mãos enquanto
pratica a cunilíngua na mocinha! É simplesmente impagável! E ainda no final do
filme, West e Dan precisam enfrentar uma horda de zumbis reanimados pelo Dr.
Hill no necrotério. Detalhe para a trilha sonora da cena de abertura (que é
fantástica, mostrando desenhos de estudos do corpo humano em cores
fluorescentes como verde, roxo e laranja), que é uma homenagem, ou cópia
descarada se preferir, da trilha de Bernard Hermann para Psicose. O sucesso desse clássico do Cine
Trash foi tão grande que gerou duas continuações: A
Noiva de Re-Animator, igualmente divertido, e Re-Animator
– Fase Terminal, que é uma bomba. Stuart Gordon e Brian Yuzna
ainda foram responsáveis por mais duas transposições de Lovecraft ao cinema: o
ótimo Do Além,
que traz novamente Combs no papel principal e Dagon, lançado em
2002. Gordon ainda dirigiu um episódio do seriado Masters of Horror, chamado Sonhos
na Casa da Bruxa, também baseado na obra do rei do indizível.
FONTE: https://101horrormovies.com/2014/08/15/500-re-animator-a-hora-dos-mortos-vivos-1985/
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