segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

BATMAN (EUA, 1966)


015 1922 NOSFERATU, UMA SINFONIA DO HORROR (NOSFERATU, EINE SYMPHONIE DES GRAUENS, Alemanha)


Direção: F. W. Murnau
Roteiro: Henrik Galeen
Fotografia: Günther Krampf, Fritz Arno Wagner
Música: James Bernard (versão restaurada)
Elenco:
Max Schreck …………………….Conde Orlok / Nosferatu
Gustav von Wangenheim ……..Thomas Hutter
Greta Schröder ………………… Ellen Hutter
Alexander Granach …………….Knock
Georg H. Schnell ……………… Westenra
Ruth Landshoff …………………Lucy

Oráculo, de Bram Stoker, inspirou um dos mais impressionantes filmes mudos já feitos. A obra adaptada e a mídia cinematográfica parecem casar de modo quase sobrenatural. O romance de Stoker, escrito em sua maior parte na forma de uma série de cartas, possui poucos diálogos tradicionais e muitas descrições, o que é perfeito para a narrativa essencialmente visual dos filmes mudos. Faz sentido que uma história sobre o eterno conflito entre a luz e as trevas seja transposta para um formato que consiste quase inteiramente na interação entre luz e sombra. O diretor F. W. Murnau já havia se estabelecido como um astro do movimento expressionista alemão quando decidiu adaptar o romance de Stoker, rebatizado de Nosferatu após ameaças legais dos herdeiros do autor. Na verdade, depois de concluído, o filme escapou por pouco de uma ordem judicial para que todas as cópias fossem destruídas. Entretanto, no fim das contas, poucas coisas foram alteradas em relação ao romance de Stoker, exceto os nomes dos personagens, e o sucesso de Nosferatu acabou gerando dezenas de subsequentes (e em sua maioria autorizadas) adaptações de Dtrácula. Ainda assim, Nosferatu, mesmo passados tantos anos, se destaca da maioria dos filmes baseados no livro. Uma diferença essencial é a surpreendente presença de Max Schreck, cujo sobrenome significa "medo". Schreck interpreta o vampiro do título com uma simplicidade quase selvagem. Sua criatura da noite pouco difere dos ratos sob seu comando, arrastando-se instintivamente em direção a qualquer traço de sangue com uma ânsia quase incontida. Isso explica o terror de Hutter (Gustav von Wangenheim), que viaja para o castelo isolado do conde Orlok (Schreck) no alto dos Montes Cárpatos para ajudar o estranho homem a resolver alguns problemas legais. A simples menção do nome Orlok faz os moradores da cidade se calarem de medo e os temores de Hutter se aprofundam quando ele descobre que não há ninguém conduzindo a carruagem que o leva até o castelo. O próprio Orlok não o tranquiliza nem um pouco. Seus horários são estranhos e ele mantém Hutter preso em uma torre. Temendo por sua vida – principalmente em razão da sede de sangue do seu raptor -, ele escapa e retorna a Bremen, na Alemanha. Porém Orlok o segue, interessado não em Hutter, mas em sua inocente esposa, Eilen (Greta Schrõder): "Sua mulher tem um belo pescoço", comenta o conde. Da mesma forma que sua ligação com Hutter a ajuda a resgatá-lo das garras de Orlok, Eilen descobre que também lhe cabe atrair a criatura até a sua (definitiva) extinção: ser vaporizada pelos raios do sol nascente. Com Nosferatu, Murnau criou algumas das mais duradouras e apavorantes imagens do cinema: o conde Orlok a rastejar por seu castelo, projetando sombras assustadoras enquanto persegue Hutter: Orlok erguendo-se rijo do seu caixão; o conde, atingido por um raio de sol, encolhendo-se de horror antes de desaparecer. Ele também introduziu diversos mitos sobre vampiros que não só alimentam outros filmes sobre Drácula como também permeiam a cultura popular. JKL
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 015)




#005 1922 NOSFERATU (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, Alemanha)
Direção: F.W. Murnau
Roteiro: Henrik Galeen
Produção:Enrico Dieckman, Albin Grau
Elenco: Max Schreck / Greta Schröeder / Gustav V. Wangenheim

O filme de F.W. Murnau, marco do expressionismo alemão, foi o primeiro a levar às telas a figura do vampiro, o monstro mais clássico e conhecido do cinema. E esqueça o aristocrata, ou o galã que atravessa oceanos de tempo para reencontrar sua amada, ou até mesmo o afeminado que brilha no sol e se alimenta de animaizinhos da floresta. Nosferatu é a encarnação do sanguessuga asqueroso, repulsivo e vil, bem como imaginado por Bram Stoker quando escreveu seu livro clássico, Drácula. Que aliás, é a fonte de inspiração do filme. Não sei se você conhece essa história, mas originalmente o filme era para ser uma adaptação do livro de Stoker, porém sua esposa unha-de-fome não cedeu os direitos do personagem, fazendo com que o famoso Conde Drácula fosse chamado de Conde Orlok, e todos os demais personagens, desde John Harker ao caçador Abraham Van Helsing, tivessem seus nomes trocados. E como se não bastasse, Murnau foi processado por violação de direitos autorais e a justiça determinou que todas as cópias do filme fossem destruídas. Você já imaginou que um dos maiores patrimônios cinematográficos de todos os tempos pudesse não ter nenhum registro e ter se perdido no tempo? Por sorte algumas cópias foram guardadas e assim que a Sra. Stoker bateu as botas, voltaram a circular e o filme transformou-se no clássico cultuado que ele é hoje. Nosferatu traz a conhecida história de Hutter, um corretor de imóveis que vai até a Trânsilvania, cidade romena à sombra dos Montes Cárpatos (cidade essa próxima de onde minha falecida avó nasceu, Bucareste), vender uma propriedade para o conde Orlok em Wisbourg (originalmente, Londres), que é na verdade um temível vampiro que o toma como prisioneiro. Atraído por Ellen, a jovem e bela noiva de Hutter, Orlok vai até Wisbourg espalhar a morte e o medo entre os habitantes, e saciar sua sede por sangue. Apesar de datado, Nosferatu – Uma Sinfonia de Horror ainda impressiona em algumas cenas, principalmente do movimento das sombras da criatura e dele se levantando do caixão, e foi o responsável por criar toda uma estética gótica e sombria que seria usada nos filmes de terror na posteridade. E mesmo com o vampiro sendo derrotado de forma xucra, o final do filme é trágico, o que foge dos padrões convencionais. Merece um parágrafo a parte a estupenda interpretação de Max Schreck como o conde. Existe uma lenda urbana de que Schreck aparecia somente para fazer suas tomadas vestido como o personagem e só queria fazer as filmagens à noite. Bizarro, não é? Existe até um filme bem legal sobre a produção de Nosferatu, que se chama A Sombra do Vampiro, trazendo John Malkovich como Murnau e Willem Dafoe (espetacular, diga-se de passagem), como Schreck e suas esquisitices. Dafoe até foi indicado ao Oscar pelo papel. Vale conferir também. Para finalizar o post, Nosferatu ganhou uma refilmagem em 1979, chamado Nosferatu – O Vampiro da Noite, dirigida por Werner Herzog, tão boa quanto o original.
FONTE: http://101horrormovies.com/2012/11/07/4-nosferatu-uma-sinfornia-de-horror-1922/

domingo, 9 de fevereiro de 2014

014 1922 NANOOK, O ESQUIMÓ (NANOOK OF THE NORTH, EUA)


Direção: Robert J . Flaherty
Produção: Robert). Flaherty
Roteiro: Robert J . Flaherty
Fotografia: Robert J . Flaherty
Música: Stanley Silverman
Elenco: Nanook, Nyla, Cunayou, Allee, Allegoo, Berry Kroeger (narrador -1939, relançamento)

A história do cinema "documentário" - uma abordagem que geralmente imagina-se envolver o registro de uma realidade espontânea por parte do cineasta - começa, na verdade, com a invenção do próprio cinema. No entanto, o rótulo de "pai dos documentários" é habitualmente concedido a Robert J . Flaherty. Criado perto da fronteira EUA-Canadá, desde pequeno Flaherty adorava explorar as terras mais remotas e, depois de concluir os estudos, foi trabalhar como garimpeiro no extremo norte do Canadá. Antes de uma de suas viagens, alguém sugeriu que ele levasse uma câmera de cinema.No decorrer dos anos seguintes, Flaherty filmaria horas de material tanto sobre a terra como sobre seus habitantes e, em 1916, começou a mostrar suas gravações em exibições particulares em Toronto. As filmagens foram recebidas com entusiasmo, porém,quando Flaherty estava prestes a enviá-las para os Estados Unidos, deixou cair uma cinza de cigarro sobre o negativo e todo ele - mais de 9 mil metros - pegou fogo. Flaherty levou anos para arrecadar fundos para voltar ao norte e filmar novamente; quando conseguiu  (graças aos irmãos Revillon, peleteiros franceses), decidiu concentrar-se em Nanook. um famoso guerreiro inuíte. Baseando-se nas lembranças do que havia filmado de melhor, Flaherty "dirigiu" os acontecimentos que seriam incluídos no filme, entre eles algumas coisas que Nanook fazia com frequência, algumas que nunca fizera
antes e outras que costumava fazer, mas há muito não fazia. O resultado foi o profundamente influente - porém sempre controverso - Nanook, o esquimó.
Uma série de de vinhetas que detalham a vida de Nanook e sua família no decorrer de algumas semanas, o filme de Flaherty é uma espécie de ode romântica à coragem e resistências humanas diante de uma natureza esmagadora e essencialmente hostil, Apesar de Nanook ter a honra de dar nome ao filme, o que muitos espectadores guardam na lembrança é a fúria arbitrária da paisagem ártica. Na verdade, o filme ganhou um grande (para não dizer trágico) impulso publicitário quando foi revelado que Nanook e sua família haviam de fato morrido durante uma violenta nevasca pouco depois de o filme ser concluído, o que dá à extraordinária e já poderosa última sequência na qual a família procura abrigo de uma tempestade - uma terrível pungência. Muitos estudiosos de cinema contemporâneos criticam o filme por boa parte dele parecer encenada para a câmera - muitas vezes é quase possível ouvir Flaherty dando para Nanook e os demais -, porém os muitos defensores da obra no decorrer dos anos, entre eles André Bazin, apontam de forma inteligente que a mais notável conquista de Flaherty é a maneira como ele parece captar a textura da vida cotidiana daquelas pessoas. Os detalhes da caça à morsa - se são ou não usadas armas e quando parecem menos importantes do que a decisão do diretor de simplesmente acompanha em plano aberto o lento nado de Nanook em direção à sua presa. Se o rosto radiante de Nanook enquanto aquece a mão do filho é uma atuação, então ele é um dos maiores atores de cinema da história.
Independentemente de como você o classifique: documentário, ficção ou uma espécie de híbrido -, Nanook, o esquimó continua sendo um dos poucos filmes que merecem plenamente a alcunha de clássico. RP.

(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 014)

013 1922 Dr. MABUSE (Dr. MABUSE, DER SPIELER, Alemanha)


Direção: Fritz Lang
Produção: Erich Pommer
Roteiro: Norbert Jacques, Fritz Lang, Thea von Harbou
Fotografia: Carl Hoffmann
Música: Konrad Elfers
Elenco:
Rudolf Klein-Rogge …….. Dr. Mabuse
Aud Egede Nissen ……… Cara Carozza
Gertrude Welcker …………Gräfin Dusy Told
Alfred Abel ……………….. Graf Told
Bernhard Goetzke ………. Staatsanwalt von Welk

SINOPSE E COMENTÁRIO:
Este épico em duas partes alcançou um enorme sucesso comercial na Alemanha em 1922, sem dúvida por atirar para todos os lados, incluindo ação mirabolante, terror, sátira, sexo (com direito a cenas de nudez!), magia, psicologia, arte, violência, pastelão, efeitos especiais. Visto que as picardias de Fantômas (e até de Fu Manchu) se situam naquele limbo entre o surreal e o tosco, Dr. Mabuse se propôs desde o Início a ser mais que um thriIler espalhafatoso: o filme é uma crítica direcionada, utilizando a figura de um supercriminoso mestre dos disfarces para personificar os verdadeiros males da sua época. Os subtítulos de cada uma das duas partes do filme, que fazem alarde sobre o “nosso tempo”, frisam a questão que já fica clara na sequência de abertura, em que a gangue do dr Mabuse (Rudolf Kleln-Rogge) rouba um acordo comercial entre a Suíça e a Holanda não para fazer uso da Informação secreta, mas para criar um caos momentâneo no mercado de ações que permite a Mabuse, disfarçado como um plutocrata disfarçado como um plutocrata de desenho animado, enriquecer de uma hora para a outra. Ele também contrata um bando de cegos como falsificadores, aumentando a sensação dos espectadores alemães  da época de que seu dinheiro não valia nada. (Prevendo isso, Mabuse manda seus amigos a passarem a falsificar dinheiro americano, já que marcos autênticos valiam menos que dólares falsos.). O vilão do título embaralha fotografias como se fossem cartas de baralho, selecionando a identidade que iria assumir no dia e os disfarces que deveria usar. No entanto passam-se quase duas horas até que seu nome "real" seja confirmado - a essa altura já vimos Mabuse em vários outros disfarces, desde respeitado psiquiatra, passando por jogador degenerado, até gerente de hotel. Na segunda parte, ele surge de um ilusionista de um braço só e, finalmente, perde o controle de sua frágil identidade tornando-se um louco megalômano, atormentado pelos fantasmas daqueles matou e, em uma passagem que impressiona até hoje, pelas enormes e grotescas estátuas e pela maquinaria que ganham vida em seu derradeiro covil. Fritz Lang e outros diretores retornariam a Mabuse, personagem que personifica os males da sua época - com ênfase para o filme falado O testamento do Dr. Mabuse e o melodrama espionagem high-tech Os mil olhos do Dr. Mabuse. K N.

(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 013)

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

010 1921 A CARRUAGEM FANTASMA (KÕRKARLEN, Suécia)


Direção: Victor Sjõstrõm
Produção: Charles Magnusson
Roteiro: Victor Sjõstrõm, baseado no livro de Selma Lagerlöf
Fotografia: Julius Jaenzon
Elenco:
Victor Sjöström ……….. David Holm
Hilda Borgström ……….. Sra. Holm
Tore Svennberg ………… Georges
Astrid Holm …………… Edit
Concordia Selander …….. Mãe de Edith
Lisa Lundholm …………. Maria

SINOPSE E COMENTÁRIO:
Um sucesso mundial quando lançado, A carruagem fantasma não só estabeleceu a fama do diretor-escritor-ator Victor Sjõstrõm e a do cinema mudo sueco como também. Exerceu uma bem documentada influência artística em muitos grandes diretores e Produtores. O mais famoso elemento do filme é sem dúvida a representação do Mundo espiritual como um aflitivo limbo entre o Céu e a Terra. A sequência em que o Protagonista - o odioso e autodestrutivo alcoólatra David Holm (Sjõstrõm) - acorda à meia noite do Ano-Novo apenas para olhar para o próprio cadáver, sabendo que está condenado ao Inferno, é umas das mais citadas da história do cinema. Através de uma série de sobreposições simples, porém trabalhosas e meticulosamente ensaiadas, o cineasta, seu fotógrafo e o chefe do laboratório criaram a ilusão tridimensional de um mundo fantasmagórico que foi além de qualquer coisa vista no cinema até então. Mais importante, talvez, seja a narrativa complexa, porém acessível do filme por meio de uma série de flashbacks - e até de flashbacks dentro de flashbacks que eleva esta vigorosa história de pobreza e degradação à excelência poética.Em comparação com as obras anteriores de Sjõstrõm, A carruagem fantasma é uma Extensão teológica e filosófica dos temas sociais apresentados em Ingeborg Holm, sua controversa estreia de 1913. Os dois filmes retratam a paulatina destruição da dignidade humana em uma sociedade fria e cruel, levando suas vítimas à brutalidade e à loucura. A conexão entre as duas obras é reforçada pela presença de Hilda Borgstrõm, inesquecível como Ingeborg Holm e, aqui, no papel de uma esposa atormentada – outra desesperada Sra. Holm. Neste filme, ela novamente faz o papel da mãe pobre que se encaminha para o suicídio ou para a vida em um hospício.
Passados cerca de 80 anos, a ingenuidade religiosa que é central ao romance fielmente adaptado de Selma Lagerlöf pode, vez por outra, levar ao riso um espectador leigo. Porém as atuações contidas e "realistas" e o destino sombrio dos personagens cujo desenlace é quase lógico, exceto o final melodramático -, nunca deixam de impressionar. M T
(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 010)


#003 1921 A CARRUAGEM FANTASMA (Körkarlen, Suécia)
Direção: Victor Sjöström
Roteiro: Victor Sjöström (baseado no livro de Selma Lagerlöf)
Produção: Charles Magnusson (não creditado)
Elenco: Victor Sjöström, Hilda Bogström, Tore Svennber, Astrid Holm

E seu eu lhe contasse que a cena mais famosa de O Iluminado, um dos grandes clássicos do terror, dirigido por um sujeito genial com Stanley Kubrick, que 11 em cada 10 fãs de cinema babam ovo, foi descaradamente copiada (ou inspirada, homenageada, ou sei lá como você queira chamar) de A Carruagem Fantasma, filme sueco de 1921? Pois é, quando você acha Jack Nicholson o máximo destruindo ensandecido uma porta à machadadas para pegar a esposa, o diretor Victor Sjöström já havia feito isso 60 anos antes, em uma cena praticamente I-DÊN-TI-CA! A Carruagem Fantasma é um dos grandes clássicos do cinema fantástico de todos os tempos. Aqui em 1921, apenas 26 anos depois da primeira exibição pública de imagens em movimentos dos irmãos Lumiére, já conseguimos vislumbrar todo o potencial que a sétima arte poderia chegar em seu futuro e como os efeitos especiais virariam parte importante do cinema. Essa produção não só foi responsável por colocar no mapa o diretor / escritor / ator Victor Sjöström e dar o pontapé inicial para o cinema mudo sueco, como também serviu de referência e inspiração para centenas de diretores, como por exemplo, além do próprio Kubrick, Steven Spielberg e Quentin Tarantino, que em determinado momento de suas carreiras, beberam na fonte do que A Carruagem Fantasma desbravou na longínqua década de 20. Pode parecer ingênuo e bobo ao se ver esse filme quase cem anos depois, ainda mais para a geração acostumada aos efeitos especiais de CG, ritmo alucinante e edição que as vezes pode causar até ataques epilépticos nos mais sensíveis. Mas Sjöström foi um baita visionário e percussor no clássico tipo de efeito especial que mostra um mundo etéreo e a presença de fantasmas. Utilizando uma série de sobreposição de imagens meticulosamente ensaiadas, o diretor sueco inventou a forma clássica do fantasma translúcido e impressionou plateias com sua carruagem vagando por estradas e mares e uma presença espectral atravessando portas e paredes. E como se não bastasse isso, ele institui uma narrativa não linear, absurdo para a época, dividindo o filme em cinco capítulos com tramas e histórias entrecortando-se entre si, passeando pelo presente e passado através de flashbacks e um verdadeiro vai e vem temporal. Isso tudo para contar uma história da degradação humana, de forma poética e redentora, muito me lembrando o famoso “Um Conto de Natal” de Charles Dickens. Aqui, baseado no livro de Selma Lagerlöf, somos apresentados a David Holm (interpretado pelo próprio Sjöström), um sujeito alcoólico que cai em desgraça, trazendo sofrimento e infortúnio para sua família e aqueles que se envolvem com ele, e precisa de um chacoalhão sobrenatural para resolver tomar rumo na vida. Chacoalhão esse dado pelo cocheiro da tal carruagem fantasma. Reza a lenda que a última pessoa que morrer na véspera do ano novo (eles não especificaram qual fuso horário que conta, mas enfim…) antes das doze badaladas do sino, está fadado a se tornar o cocheiro da morte e conduzir a carruagem durante todo o próximo ano, coletando corpos para levá-los a danação eterna. Holm envolve-se em uma confusão após se recusar a ver uma salvacionista do Exército da Salvação prestas a morrer, cuja qual ele humilhou e destratou durante todo o ano, após ter se entregado à bebida quando sua esposa, cansada das mazelas, o abandonou. Como se não bastasse, ela está com os dois pés na cova devido a uma pneumonia mortal contraída do próprio David. Nessa briga Holm é esfaqueado e cai morto pouco antes do ano novo começar, e daí o atual cocheiro passeia com ele por elipses de tempo e lugares para conhecermos toda a vida que esse sujeitinho desprezível levava antes de assumir o seu posto. E só o amor e a reparação de seus pecados que poderão salvá-lo desse infortúnio. Como todo o cinema mudo, A Carruagem Fantasma claramente envelheceu e ficou datado e limitado por sua idade. Principalmente o seu dilema moral teosófico, que hoje pouco importaria em um mundo tão sem sentido como esse que vivemos, e a ingenuidade gritante de seus personagens, como a pobre salvacionista, a abnegada Edit, que inexplicavelmente e sem nenhum motivo aparente ama de paixão o bastardo do David, mesmo sendo espinafrada e tratada com um lixo pelo beberrão. Mas é impressionante ver como o filme foi visualmente trabalhado, todo o seu misé-en-scene e principalmente a sua desconstrução cronológica.
FONTE: http://101horrormovies.com/2012/11/06/3-a-carruagem-fantasma-1921/

012 1922 A SORRIDENTE MADAME BEUDET (LA SOURIANTE MADAME BEUDET, França)


Direção: Germaine Dulac
Roteiro: Denys Amiel, André Obey
Fotografia: Maurice Forster, Paul Parguel
Elenco:
Alexandre Arquillière …… ...Monsieur Beudet
Germaine Dermoz ………… Madame Beudet
Jean d’Yd ………………...... Monsieur Labas
Madeleine Guitty ………...... Madame Labas

SINOPSE E COMENTÁRIO:
O célebre filme de Germaine Dulac é conhecido como um dos primeiros exemplos tanto do cinema feminista quanto do experimental. A trama retrata a vida de uma entediada dona de casa provinciana presa em um sufocante casamento burguês. No entanto, o elemento mais cativante de A sorridente madame Beudet é composto pelas elaboradas seqüências de sonho em que a dona de casa do título (Germaine Dermoz) fantasia uma vida fora dos limites da sua existência monótona. Usando efeitos especiais radicais e técnicas de montagem, Dulac incorpora alguns dos elementos estéticos de vanguard da época para contrastar o poder feminino rico e vigoroso da vida imaginária de madame Beudet com o tédio da rotina compartilhada com seu marido (Alexandre Arquillière). Quando a complexa elaboração visual da sua potencial libertação pela fantasia - a única coisa capaz de colocar um sorriso em seu rosto - é frustrada pelo surgimento do marido em seus devaneios, resta-lhe apenas uma solução: matá-lo.Infelizmente, a tentativa de assassinar o marido é também incompreendida, uma vez que madame Beudet não consegue nem mesmo fazer com que monsieur Beudet perceba suas intenções. Em última análise, Dulac não só aborda explicitamente a opressiva alienação das mulheres no sistema patriarcal como, o que é mais importante, utiliza a ainda nova mídia cinematográfica para oferecer aos espectadores uma perspectiva feminina subjetiva e radical. Isso levou seu filme a ser incluído no primeiro Festival de Cinema Feminino realizado em 1972 em Nova York.

(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 012)

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

011 1921 ÓRFÃOS DA TEMPESTADE (ORPHANS OFTHE STORM, EUA)


Direção: D. W. Griffith
Produção: D. W. Griffith
Roteiro: D. W. Griffith, baseado na peça The Two Orphans, de Eugène Cormon e Adolphe d'Ennery
Fotografia: Paul H. Allen, G. W. Bitzer, Hendrik Sartov
Música: Louis F. Gottschalk, William F. Peters
Elenco:
Lillian Gish ………… Henriette Girard
Dorothy Gish ………… Louise Girard
Joseph Schildkraut ….. Chevalier de Vaudrey
Frank Losee …………. Count de Linieres
Katherine Emmet ……… Countess de Linieres
Morgan Wallace ………. Marquis de Praille

SINOPSE E COMENTÁRIO:
O último dos arrebatadores melodramas históricos de D. W. Griffith, Órfãos da tempestade conta a história de duas jovens presas no turbilhão da Revolução Francesa. Lillian e Dorothy Gish interpretam Henriette e Louise Girard, duas crianças que se tornam "irmãs" quando o pai empobrecido de Henriette, pensando em abandonar sua filha às portas de uma igreja, encontra Louise e, movido pela compaixão, passa a criar as duas meninas. Infelizmente, seus pais morrem por causa da peste e elas ficam órfãs ainda jovens. Mais tarde, uma doença deixa Louise cega; então as garotas vão para Paris em busca de cura. Chegando lá, acabam se separando. Henriette, raptada pelo capanga de um malvado aristocrata, é ajudada por um belo nobre, Vaudrey (Joseph Schildkraut). Louise é salva por um jovem bondoso ao cair no rio Sena, porém, ao ser levada para a casa dele, é colocada para trabalhar pelo irmão cruel do homem. A partir daí, embarcam numa série de aventuras, incluindo prisão na Bastilha, condenação à morte durante o período do Terror e salvamento da guilhotina pelo político Danton (Monte Blue), cujo discurso defendendo o fim da carnificina é um dos momentos mais apaixonantes do filme. Embora baseado em uma peça que obtivera sucesso na década anterior, Griffith escreveu o roteiro durante as filmagens. Apesar das complicações decorrentes disso, Órfãos da tempestade é uma obra-prima em termos de encenação e desempenho do elenco, com as irmãs Gish apresentando talvez as melhores atuações de suas carreiras. R B P

(1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER 011)