sexta-feira, 17 de abril de 2015

#123 1959 A MÚMIA (The Mummy, Reino Unido)


Direção: Terence Fisher
Roteiro: Jimmy Sangster
Produção: Michael Carreras, Anthony Nelson-Keys (Produtor Associado)
Elenco: Peter Cushing, Christopher Lee, Yvonne Furneaux, Eddie Byrne, Felix Alymer, George Pastell

Continuando seu processo de renovação dos monstros da Universal, depois de Frankenstein e de Drácula, agora é a vez de a Hammer trazer a criatura egípcia enfaixada às telas, em cores, com todas as características peculiares do estúdio inglês. Estou falando de A Múmia. Mais uma vez, temos o prazer de ver a eterna dupla dinâmica, Peter Cushing e Christopher Lee atando juntos. Cushing faz o papel do arqueólogo John Banning. A Lee ficou o papel de Kharis, o ex-alto sacerdote do deus Karnak, mumificado por amar a princesa Ananka e tentar trazê-la de volta à vida através de um ritual proibido. O roteiro, assinado por Jimmy Sangster, é baseado no que eu chamo de “segunda múmia”. A primeira é aquela de Boris Kharlof no clássico seminal A Múmia, de 1932, onde ele vive Imhotep, às voltas com a tentativa de ressuscitar seu grande amor milenar, a princesa Ankh-es-en-amon. A segunda é a aquela que veio dar norte a todas à franquia, que teve início com A Mão da Múmia, de 1940. Nela, um grupo de arqueólogos no Egito encontram o túmulo perdido da princesa Ananka, e isso enfurece uma seita religiosa dos seguidores de Karnak, que trazem a múmia Kharis de volta à vida para destruir aqueles que cometeram tal sacrilégio. Kharis, a múmia que também é representada neste filme, foi eternizado por Lon Chaney Jr. a partir do terceiro da série da Universal, O Fantasma da Múmia. Mas nesta produção há uma espécie de salada de enredos com varias passagens da série toda, inclusive do original, com cenas que remetem estes filmes bem destacadas, ainda mais para quem reviu todos eles recentemente, como foi meu caso, para escrever os textos no blog. E se você acompanha assiduamente as postagens, encontrou todos os filmes da múmia aqui resenhados. Aqui a coisa é mais ou menos a mesma. A expedição liderada pelo experiente arqueólogo Stephen Banning, Joseph Whemple e John Banning, descobrem a tal tumba da princesa Ananka. Mehemet Bey, um dos seguidores do deus Karnak os avisa para não profanar o sono eterno da princesa, mas é veementemente ignorado, e Stephen maravilhado, adentra em seu sarcófago. Enquanto Whemple vai avisar o enfermo John sobre a descoberta, Stephen tem o primeiro vislumbre da múmia de Kharis, trazido de volta através da leitura de um pergaminho sagrado e no mesmo momento enlouquece, entrando em um estado irreversível de demência, tomado pelo medo mais primitivo. John manda selar novamente o túmulo, mas não antes de levar o corpo da princesa para o Museu Britânico. Passados três anos, Stephen está internado em uma instituição psiquiátrica e John tenta continuar sua vida, com sua amada Isabelle. É quando Mehemet Bey chega até Londres com sua múmia embaixo do braço e seu plano de se vingar de todos aqueles infiéis. Quando vemos pela primeira vez Lee embaixo da gaze, saindo do interior de um pântano lamacento, é realmente um impacto visual marcante. A maquiagem a cargo de Roy Ashton, que já havia mostrado ao que veio em A Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, faz mais uma vez um excelente trabalho com o monstro. Falando em maquiagem, não posso deixar de citar aqui a cena que reproduz o funeral da princesa Ananka há quatro mil anos. Apesar de a ambientação ser bastante bacana, Christopher Lee se passando por egípcio, com a pele escura, ficou bem ridículo. Mas tudo bem, isso passa. Aproveitando o parágrafo, o design de produção de Bernard Robinson é grandioso, dando ares de “superprodução” do estúdio inglês, principalmente quando se trata da reprodução do Egito Antigo e seus rituais. Voltando ao enredo, a múmia começa a perseguir um a um para enforcá-los e concretizar sua vingança. Primeiro invade o hospício onde Stephen está internado para matá-lo. Depois assassina Whemple. John é o próximo. Claro que o inspetor Mulrooney, investigando os crimes, não acredita nesta história de múmia. Indestrutível, Kharis parte para cima de John e só não o mata quando Isabelle interfere, já que ela é praticamente idêntica à princesa Ananka (a atriz fez o papel das duas) e confuso, Kharis obedece seu amor. Daí cabe a John e Mulrooney descobrir toda a verdade por traz do monstro mofado e da conspiração de Mehemet Bey, e impedi-los antes que seja tarde demais. Claro, A Múmia não tem o mesmo charme dos filmes de Frankenstein ou de Drácula, muito mais emblemáticos para a Hammer. Assim como acontecia também na Universal. Os filmes da múmia eram meio série B, tanto que quando rolava um crossover entre todos os monstros, ela sempre ficava de fora. Mas isso não deixa de fazê-lo um bom filme, ótima direção de arte, com maquiagem primorosa da criatura, muito bem representada por Christopher Lee se arrastando por aí, assim como a sempre galante presença de Peter Cushing na tela.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/29/123-a-mumia-1959/

domingo, 12 de abril de 2015

#122 1959 O MONSTRO GIGANTE DE GILA (The Giant Gila Monster, EUA)


Direção: Ray Kellog
Roteiro: Jay Simms, Ray Kellog (história original)
Produção: Ken Curtis, B.R. McLendon, Gordon McLendon (Produtor Executivo)
Elenco: Don Sullivan, Fred Graham, Lisa Simone, Shug Fisher, Bob Thompson

O Monstro Gigante de Gila é o filme mais safado que eu já assisti. Sério. É um nível de truque tão grande, uma picaretagem tão descarada, e um podreira tão imensurável, que não dá para não se divertir com essa pérola do final dos anos 50. Para começo de conversa, os realizadores dessa façanha cinematográfica são os mesmo de O Ataque dos Roedores. O diretor Ray Kellog, o roteirista Jay Simms, os produtores Ken Curtis e Gordon McLendon. Então só por isso já dá para ter uma ideia do que esperar de O Monstro Gigante de Gila. No caso de Kellog, se nota certa evolução na direção, o que é pior, com relação ao seu longa anterior. Não que isso queira dizer muita coisa. E pelo menos, eles usaram um monstro de gila de verdade nas filmagens, e não uma solução alternativa, como vestir cachorros de musaranhos geneticamente alterados. Para também situar o leitor zoologicamente, o monstro de gila é um lagarto venenoso, de cor preta e rosa, que vive no sudoeste dos EUA e norte do México. Segundo a narração introdutória do filme, o tamanho que o monstro gila pode chegar nenhum homem pode prever. Mentira, pode sim. Até 60 cm de comprimento, o que já faz dele o maior lagarto norte-americano. Aqui, ele vira uma ameaça descomunal, pesando toneladas e sendo maior do que um caminhão.A trama é como se Loucuras de Verão encontrasse Godzilla. Embalados pelo rock ‘n’ roll dos anos 50, a história foi filmada nas áridas paisagens do Texas, e voltado para o público adolescente, juventude transvidada da época, que só queria saber de festas, badernas, namoros e andar por aí com seus carros envenenados e tirar rachas. Logo no começo, um casal de jovens está dando um amasso na estrada, quando só vemos a patinha do monstro se aproximando em close e fazendo-os rolar ribanceira abaixo. Depois, outro casal de namorados também desaparece misteriosamente, vítima da criatura que come humanos como se fossem moscas (como diz no excelente trailer do filme). Coloque na conta do monstro de gila também o dono da mecânica onde o jovem aspirante a astro de rock, Chase Winstead, trabalha. Ele está dirigindo um caminhão de combustível pela estrada à noite, quando surge o lagartão, e… bem vou descrever exatamente como é a cena: o caminhão está na estrada, corta para a face do animal, colocando sua língua para fora, corta para o motorista gritando em pânico, corta para um caminhão de brinquedo saindo da estrada, empurrado por um barbante, e explodindo. Eu juro que não estou brincando. Cabe ao heroico Chase, que tem tempo de compor baladas para a irmãzinha deficiente, namorar uma francesinha, gravar um compacto com o DJ Steamroller Smith, o mais famoso disc-jóquei das redondezas, trabalhar guinchando os carros acidentados pelo monstro de gila e ainda organizar uma festa de arromba em um celeiro, salvar o dia da ameaça réptil, junto com o xerife Jeff, clone do Mazzaropi. E é nesta festa que o gilão (tá, foi infame) vai dar às caras para toda a população, já que antes ficava tudo só em um ineficiente clima de mistério, com uma contundente e repetitiva trilha sonora de tambores. Agora por que eu disse que é o filme mais salafrário já feito? Porque o monstro de gila NUNCA aparece junto com os atores na mesma cena. Não há nenhum efeito de trucagem, sobreposição de imagem, nada. As cenas são: atores/ corte/ close do monstro de gila/ atores/ corte/ close do monstro de gila. É hilário. E quando o animal “contracena” com outros objetos, é uma explosão de risos. Ele se rasteja sobre um cenário em maquete, e quando ele quebra um galho pisando sobre ele, sobe o efeito sonoro de um tronco sendo destruído. Arbustos fazem papel de árvores e morrinhos, papel de colinas. Mas é MUITO mal feito. Em uma fatídica cena do descarrilamento do trem, vemos o pobre do bicho se rastejando todo sobre uma ponte de mentira, de um Ferrorama qualquer, e passa por ela destruindo-a, fazendo com que o trem (de brinquedo, lógico), caia e pegue fogo. Ouvimos o grito desesperado de DOIS passageiros diferentes. No ataque do gila ao celeiro onde está rolando a balada, colocaram o réptil para arrebentar uma casa da Barbie, com carrinhos Hot Weels estacionados ao lado, para dar a impressão de profundidade do tamanho colossal do lagarto. Se você ainda assistir a versão colorizada (competentemente colorizada, por sinal), as tosquices ficam ainda mais evidentes que a versão em preto e branco. Um filme desses é uma afronta. Aula de tudo que não fazer no cinema. Mas por isso ele é tão singular para os fãs das bagaceiras. Não posso esquecer-me de mencionar os cenários. O orçamento foi de 140 mil dólares (o dobro de algumas produções de Roger Corman, por exemplo), mas só há uma locação, que se reveza como bar, oficina, delegacia, casa do Chase. Só mudar as mobílias de lugar. E como se não bastasse isso tudo, há algumas cenas musicais com Chase destilando seu rock ‘n’ roll. A mesma em que ele está cantando para a irmãzinha, só no fast forward mesmo para aguentar. A sensação de enganação de assistir O Monstro Gigante de Gila, ou O Gigante Monstro Gila como foi lançado aqui em DVD (incluindo aí a versão colorizada) é imensa. Algo parecido com assistir Tubarão Cruel do falsário Bruno Mattei, onde não se vê também o tubarão atacando os atores, por ter sido roubadas cenas de outros filmes de tubarão (incluindo aí do Spielberg e a maioria de O Último Tubarão de Enzo G. Castellari). É um dos piores filmes já feitos. Mas o problema é que uma tranqueira como essa, acaba se tornando adorável.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/28/122-o-monstro-gigante-de-gila-1959/

#121 1959 O MONSTRO DE MIL OLHOS (Return of the Fly, EUA)


Direção: Edward L. Bernds
Roteiro: Edward L. Bernds (baseado no conto de George Langelaan)
Produção: Bernard Glasser
Elenco: Vincent Price, Brett Halsey, David Frankjam, John Stutton, Dan Seymour, Danielle De Metz

Considero O Monstro de Mil Olhos um filme menosprezado. Fracasso retumbante de bilheteria, essa continuação de A Mosca da Cabeça Branca, que traz novamente Vincent Price no elenco, não chega a ser indispensável, mas eu gostei mesmo do filme e principalmente da maquiagem da cabeçona de mosca do monstro, mais bem feita do que o filme original, por exemplo. O grande problema, opinião até compartilhada por Price em entrevista dada em 1988, é que o que fez o filme não ser tão bem aceito quanto seu predecessor, foi o fato dele ter sido filmado em preto e branco, exigência da 20th Century Fox, sendo que A Mosca da Cabeça Branca era todo cores vivas em Technicolor. Além de que o desfecho do original é completamente pessimista e o deste aqui é uma porcaria de um final feliz. Um parágrafo a parte para o título do filme. Sabemos que a cultura no nosso país é dar o título mais mercadológico possível para as produções que chegam ao cinema (e mais tarde em VHS, DVD, Blu-Ray, VOD, e por aí vai). Mas O Monstro de Mil Olhos???? Custava ser O Retorno da Mosca? Assim como o original, precisava se chamar A Mosca da Cabeça Branca, ao invés de simplesmente A Mosca? Mas enfim, devaneios a parte, a história se passa 15 anos após os trágicos acontecimentos quando a experiência de teletransporte de Andre Delambre deu miseravelmente errado e ele se transformou em duas criaturas mutantes distintas: um homem com cabeça e pata de mosca e uma mosca com cabeça (branca) de homem. Agora, seu filho crescido, Phillipe (Brett Halsey), após a morte de sua mãe, resolve retomar as experiências do pai e reconstruir a máquina capaz de desintegrar e reintegrar matéria. Claro que seu tio e tutor, François, papel reprisado por Vincent Price (detalhe que o garotinho do filme anterior se torna um jovem adulto e o personagem de Price não envelhece sequer uma ruga) é completamente contra a ideia, devido à tragédia que se abateu com a família durante todos esses anos. Mas Phillipe não dá a menor bola a continua o projeto, mudando-se para a antiga casa de seu avô com seu assistente Alan Hines, onde pretende reconstruir a máquina no porão. Porém quando a grana começa a ficar curta e ele precisa do financiamento do tio e do dinheiro das empresas, ele chantageia François ameaçando vender sua parte na companhia o qual é sócio, herdada de seu pai, fazendo com que não sobre alternativas para o tio a não ser continuar investindo no experimento, até como forma de se manter próximo de Phillipe e evitar que algum acidente parecido aconteça. Um dos testes para constatar a confiabilidade da máquina, é colocar um porquinho da índia no teletransportador e armazená-lo por um tempo no limbo, decidindo trazê-lo de volta apenas no dia seguinte. E Hines, solicitamente oferece todo seu auxílio e trabalha de graça para Phillipe. Mas como quando a esmola é muita, o santo desconfia, Hines se mostra na verdade um espião industrial usando um nome falso. Seu verdadeiro nome é Ronald “Roonie” Holmes, fugitivo da polícia britânica, que fecha um acordo escuso com Max, um sujeito meio gângster e meio dono de uma funerária (???!!!), para que ele venda os esquemas e diagramas da invenção revolucionária para importantes companhias, traindo Phillipe e ganhando uma bolada com isso. Certa noite, enquanto Hines (ou Holmes) está fotografando os diagramas da máquina de teletransporte, um detetive inglês que finalmente encontrou seu paradeiro entra no laboratório às escondidas e dá voz de prisão ao escroque, que não se rende e enfia o detetive dentro do teletransportador, trazendo-o de volta na sequência junto com o porquinho da índia desmaterializado anteriormente. A fusão celular faz com que o homem ganhe as patas do roedor, e o bichinho braços humano. Após dar sumiço do corpo e do carro do detetive e sair para encontrar Max, a fim de lhe enviar provas para conseguir concretizar a venda secreta do experimento, ele volta e encontra Phillipe no laboratório questionando-o, quando em uma violenta briga, Hines (ou Holmes) também mete o antigo parceiro na máquina e por pura maldade, enfia uma mosca junto com ele. Phillipe volta com a horrenda cabeça de uma mosca, assim como uma pata, tal qual aconteceu com seu pai, e o pequeno inseto ganha a cabeça do jovem cientista. Phillipemosca foge do laboratório e vai ao encontro de Max e Hines (ou Holmes…ah você já entendeu), matando ambos. Infelizmente a morte do salafrário é por um simples estrangulamento com a pata de mosca. Nada nojento como vomitar e derreter o vilão, como acontece em A Mosca de David Cronenberg. Lutando contra seus instintos e preservando o pouco que resta da consciência de Phillipe, a criatura volta até a casa, onde o Inspetor Beecham conseguiu aprisionar a Moscaphillipe em uma jarra, e François coloca os dois no teletransportador, para tentar reverter o processo. Daí o final babaca do filme (já deve imaginar o que acontece né?). O Monstro de Mil Olhos parece mais do mesmo, mas não é um filme cansativo e você não tem aquela impressão de que perdeu seu tempo assistindo mais uma fraca sequência. Eu sinceramente gosto do filme, principalmente, como disse acima, da maquiagem de Phillipemosca com seu cabeção inseto, que chega a ser hilário e assustador ao mesmo tempo. Claro, nada comparado à maquiagem de Rob Bottin na refilmagem de 1986, mas é bastante interessante, pensando nos padrões do final da década de 50.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/27/121-o-monstro-de-mil-olhos-1959/

#120 1959 OS HORRORES DO MUSEU NEGRO (Horrors of the Black Museum, Reino Unido)


Direção: Arthur Crabtree
Roteiro: Herman Cohen, Aben Kandel
Produção:Samuel Z. Arkoff, Herman Cohen, Jack Greenwood
Elenco: Michael Gough, June Cunningham, Graham Curnow, Shirley Anne Field, Geoffrey Keen

Horrores do Museu Negro, é um clássico exemplo dessa mudança de ares do gênero, muito influenciado pela Hammer, que ditou um novo rumo para o cinema de horror, trazendo para a tela cenas mais violentas, com sangue e abusando de cores vivas para chocar os espectadores. Não precisa ir até o expressionismo alemão da década de 20, por exemplo, para se traçar um paralelo. Podemos pegar o começo da própria década de 50 e sua enxurrada de filmes de ficção científica, o medo nuclear e a paranoia comunista, principalmente tratando-se do cinema americano. Enquanto isso, os ingleses, são responsáveis por alguns dos melhores filmes de terror dos anos 50, mesmo aqueles que tinham o sci-fi como ponto de partida. Só da Hammer, entra nessa lista britânica: Terror que MataX, O Monstro RadioativoA Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, isso sem esquecer do obscuro The Trollenberg Terror e do ótimo e gosmento O Horror Vem do Espaço, do diretor Arthur Crabtree. E esse mesmo senhor é o responsável pela direção do igualmente ótimo Horrores do Museu Negro, uma sádica história de assassinato, trazendo um impiedoso serial killer, ajudando a pavimentar uma nova fórmula e estética no gênero, que remete descaradamente ao Grand Guignol, e que depois reverberaria em clássicos como o próprio Psicose de Alfred Hitchcock, A Tortura do Medo de Michael Powell e Os Olhos Sem Rosto de Georges Franju, por exemplo. E por falar nisso, Horrores do Museu Negro é o primeiro filme da chamada Sadian Trilogy, nome dado pelo crítico de cinema David Pirie à sequência de três filmes britânicos do final dos anos 50 e começo dos anos 60, relacionados por uma premissa com forte ênfase na violência, crueldade, sadismo e conotações sexuais. Seguem-se a ele o já citado A Tortura do Medo e Circo dos Horrores, de Sidney Hayers. Horrores do Museu Negro é a primeira produção em Cinemascope da lendária AIP de Samuel Z. Arkoff, e co-produzido pela Anglo-Amalgamated, de Nat Cohen e Stuart Levy. Chamou muita atenção na época de seu lançamento por apresentar antes do início do filme, um curta de 13 minutos chamado de Hipno-Vista, que chocava a plateia com cenas reais de hipnose e agulhas sendo enfiadas no corpo de pessoas. Isso gerou diversos protestos tanto na Inglaterra quanto nos EUA, mas como toda boa polêmica sempre ajuda um filme, acabou transformando a fita em um sucesso absoluto de bilheteria. Na trama diabólica, Edmond Bancroft, interpretado brilhantemente por Michael Gough (o Alfred dos filmes do Batman de Tim Burton e Joel Schumacher) é um escritor de artigos e livros sobre crime em Londres, que vive fazendo troça com a ineficácia da Scotland Yard em resolver certos casos, e que tem como sadio passatempo, manter um museu de horrores, retratando os mais famosos crimes cometidos na Inglaterra, cheio de aparelhos de tortura medievais e modernas, no porão de sua casa. Uma série de terríveis assassinatos vem assolando Londres. O primeiro, no prólogo do filme já é sensacional, com uma armadilha preparada em um binóculo enviado sem remetente para uma bela jovem, que ao colocar sobre os olhos, aciona dois pregos que furam os olhos da pobre coitada. Logo de cara sacamos que Bancroft é um sujeito psicótico, até pelo seu terrível hobby, e que ele é o serial killer, auxiliado por seu assistente Rick (Graham Curnow), a quem mais tarde descobrimos que é cobaia de uma fórmula que Bancroft injeta no rapaz para transformá-lo em uma besta sádica e violenta, causando até alterações em suas feições e um aumento exponencial de adrenalina, parecida com a poção de O Médico e o Monstro, clássico de Robert Louis Stevenson. O motivo que Bancroft realiza seus assassinatos, que no começo são aleatórios, só depois as vítimas passam a ser pessoas abelhudas que começam a interferir em seu trabalho, é dos mais sublimes: poder escrever sobre eles com toda clareza de detalhes e vender centenas de livros, ajudando-o a ser conhecido como um dos mais prolíficos escritores sobre crimes, uma espécie de autoridade do assunto. Entre seus métodos nada ortodoxos de assassinatos, ele e seu comparsa se utilizam de guilhotinas, facas, choques elétricos, e por aí vai. Gough, sempre acostumado a papeis de coadjuvante, dá uma aula de interpretação no filme. Seus trejeitos, a forma como manquitola apoiando em sua bengala, seu temperamento bipolar e sua homossexualidade implícita (em determinado momento do filme ele solta a pérola misógina: “nenhuma mulher consegue segurar sua língua. Elas são uma raça viciosa, não confiável”) são incríveis. Sua presença nas cenas decerto eleva o nível da produção. O grande problema de Horores do Museu Negro é seu final, apressado, com uma solução canhestra e que acaba deixando muito a desejar, faltando por um triz que a obra fosse impecável. Uma pena, mas não prejudica o conjunto. Horrores do Museu Negro é o último filme de Crabtree na direção, antes de se envolver em um processo judicial por violentar sua filha adotiva, que também desencadearia um séria de problema de saúde que levaria o diretor à morte. O que fica como seu legado, e do filme em si, é uma espécie de começo do fim da inocência do cinema de horror, que seria brevemente explorado durante toda a década seguinte, até chegar de vez nos obscuros anos 70 com suas produções pessimistas, sangrentas e a explosão do cinema grindhouse.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/26/120-horrores-do-museu-negro-1959/



sábado, 11 de abril de 2015

BETTER CALL SAUL (EUA, 2015)


 1ª TEMPORADA

01x01 UNO DIREÇÃO: Vince Gilligan ROTEIRO: Vince Gilligan & Peter Gould DATA: 08/02/2015
Jimmy tenta um médico pouco convencional para conseguir clientes em potencial.

01x02 MIJO DIREÇÃO: Michelle MacLaren ROTEIRO: Peter Gould DATA: 09/02/2015
Os problemas de Jimmy se complicam, o que o deixam em ainda mais dificuldades. Enquanto isso, descuidos colocam Chuck em risco.

01x03 NACHO DIREÇÃO: Terry McDonough ROTEIRO: Thomas Schnauz DATA: 16/02/2015
Jimmy está ansioso para provar que seu perigoso cliente é inocente.

01x04 HERO DIREÇÃO: Colin Bucksey ROTEIRO: Gennifer Hutchison DATA: 23/02/2015
Jimmy deve enfrentar as consequências quando suas relações se tornam tensas.

01x05 ALPINE SHEPHERD BOY DIREÇÃO: Nicole Kassell ROTEIRO: Bradley Paul DATA: 02/03/2015
Notícias alarmantes perturbam os esforços de Jimmy em angariar novos negócios, o que força Jimmy a tomar uma decisão difícil.

01x06 FIVE O DIREÇÃO: Adam Bernstein ROTEIRO: Gordon Smith DATA: 09/03/2015
O passado trágico de Mike retorna para assombrá-lo e ele é forçado a procurar ajuda em uma fonte pouco usual. Enquanto isso, o compasso moral de Jimmy é testado.

01x07 BINGO DIREÇÃO: Larysa Kondracki ROTEIRO: Gennifer Hutchison DATA: 16/03/2015
Jimmy se encontra com potenciais novos clientes. Na sequência tendo a oportunidade de fazer a coisa certa, ele cobra um favor a um aliado inesperado.

01x08 RICO DIREÇÃO: Colin Bucksey ROTEIRO: Gordon Smith DATA: 23/03/2015
Jimmy mostra a Chuck que está disposto a fazer quase qualquer coisa para ganhar um caso, mesmo que isso signifique sujar as mãos.

01x09 PIMENTO DIREÇÃO: Thomas Schnauz ROTEIRO: Thomas Schnauz DATA: 30/03/2015
Chuck pressiona Jimmy a aceitar uma verdade dolorosa. Enquanto isso, um acordo ameaça sair dos trilhos quando a habilidade de Mike de completar um trabalho é colocada em questão.

01x010 MARCO DIREÇÃO: Peter Gould ROTEIRO: Peter Gould DATA: 07/04/2015
Jimmy aproveita a oportunidade de se reconectar com um velho amigo. Enquanto isso, Chuck ser ajusta a um novo modo de vida.



PENNY DREADFUL (EUA, 2014)



1ª TEMPORADA
01x01 Night Work: Uma mulher e um explorador investigam o assassinato de alguém próximo a eles, pedindo a ajuda do Dr. Frankenstein e de um atirador no caso. 11/05/2014

01x02 Seance: Vanessa e Malcom procuram por respostas na festa dos egipcionistas. Enquanto isso, Ethan fica amigo de uma jovem imigrante irlandesa. 18/05/2014

01x03 Resurrection: Dr. Frankenstein é confrontado sobre o seu passado. Vanessa tem uma visão de Mina. 25/05/2014

01x04 Demimonde: O afeto entre Vanessa e Dorian Gray continua a crescer. O professor Abraham Van Helsing é contratado por Sir Malcolm para trabalhar com o Dr. Frankenstein. 01/06/2014

01x05 Closer Than Sisters: Vanessa relembra seu passado e os eventos que levaram ao desaparecimento de Mina. 08/06/2014

01x06 What Death Can Join Together: A última visão de Vanessa levam Malcolm, Ethan e Sembene a explorar um navio em busca de Mina. Enquanto isso, Van Helsing revela ao Dr. Frankenstein mais detalhes sobre a criatura que levou Mina. Mais tarde, a noite de Vanessa com Dorian liberta algo obscuro dentro dela. 15/06/2014

01x07 Possession: Sir Malcolm, Ethan e Sembene fazem de tudo para salvar Vanessa. 22/06/2014

01x08 Grand Guignol: Sir Malcolm e Vanessa enfrentam seus maiores pesadelos. 29/06/2014


quinta-feira, 9 de abril de 2015

#119 1959 O HOMEM QUE ENGANOU A MORTE (The Man Who Could Cheat Death, Reino Unido)


Direção: Terence Fisher
Roteiro: Jimmy Sangster (baseado na peça de Barré Lyndon)
Produção: Michael Carreras, Anthony Nelson-Keys (Produtor Associado)
Elenco: Anton Diffring, Hazel Court, Cristopher Lee, Arnold Marlé, Delphi Lawrence

Mais uma excelente produção da Hammer, estúdio que com toda certeza, veio para elevar, e mantar alto, o nível dos filmes de terror. O Homem que Enganou a Morte é um clássico muito bem construído, com um ótimo roteiro, brilhantes atuações de Anton Diffring e Christopher Lee e incrível trabalho de maquiagem. E todos os elementos típicos de um filme da Hammer estão lá. A ambientação no século XIX, o figurino (assinado por Molly Arbuthnot, responsável por todo o guarda roupa do estúdio), os cenários repletos de neblina, jogo de luzes, cores estonteantes e o maniqueísmo, imposto em todos os filmes dirigidos por Terence Fisher, do mocinho e do bandido, sendo que o bandido sempre seria derrotado no final. O roteiro mais uma vez foi elaborado pelo escritor usual do estúdio, Jimmy Sangester, baseado na peça The Man in Half Moon Street de Barré Lyndon (roteirista de Ódio que Mata e A Guerra dos Mundos original, entre outros). Fisher e Sangster foram a dupla responsável por A Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, as duas fitas seminais da Hammer que definiriam toda a estética não só do estúdio britânico como do cinema de terror até final dos anos 60. Além da dobradinha, o rosto tarimbado de Cristopher Lee, que aqui pela primeira vez não utiliza nenhum tipo de maquiagem ou presa, atuando de “cara limpa” e os insinuantes decotes de Hazel Court também estão lá para criar todo esse volume criativo de O Homem que Enganou a Morte. A maquiagem, assim como também nos outros filmes da Hammer, ficou por conta de Roy Ashton, que mais uma vez fez um ótimo trabalho. O papel principal inicialmente foi oferecido a Peter Cushing, que recusou apenas poucos dias antes das filmagens começarem. A história, que mistura elementos de O Médico e o Monstro e O Retrato de Dorian Gray é centrada no Dr. Georges Bonner (Diffring), médico, escultor e o tal homem que enganou a morte, que junto com o Prof. Ludwig Weiss (soberba atuação de Arnold Marié), descobriu o segredo da imortalidade e da saúde eterna através de um transplante da glândula paratireoide, que deve ser realizada a cada dez anos. Apesar da aparência de jovem, Bonner tem 104 anos, e precisa imediatamente de uma nova operação. Enquanto ela não é realizada, Bonner é obrigado a tomar uma poção fumegante durantes os últimos dias antes da troca glandular, que irá retardar o processo degenerativo de envelhecimento instantâneo. O único apto para fazer a operação é o Prof Weiss, que agora tem 89 anos e sofreu um derrame que inutilizou sua mão direita, o que o torna incapacitado para a cirurgia. É aí que o personagem de Christopher Lee, o também cirurgião Dr. Pierre Gerrard, entra na história. Gerrard é apaixonado por Janine Du Bois (Hazel Court), que outrora foi a amada de Bonner e sua musa inspiradora para esculpir suas estátuas, abandonada quando o médico teve de sumir por conta de sua condição. Janine reaparece em sua vida durante uma vernissage de uma nova escultura de Bonner, junto com Gerrard. Mais tarde, Bonner apresenta o Prof. Weiss para Gerrard, que o convence a fazer a operação para salvar a vida do colega de profissão. Mas as coisas começam a se complicar quando Bonner mente na frente de todos para o Inspetor Legris, da Suréte francesa, que investiga o sumiço da garota que fora modelo do escultor e vista pela última vez na exposição na noite passada (que nessa altura do campeonato, já sabemos que foi morta – ou não – por Bonner em um demente acesso de fúria, ao perder o controle por não ter tomado a fórmula a tempo). Gerrard recusa-se a operar Bonner após descobrir que o Prof. Weiss, que estaria presente durante a cirurgia, havia partido imediatamente na noite anterior. Na verdade mais uma mentira, já que ele também foi assassinado após descobrir que a glândula que estava à espera para ser transplantada foi retirada de uma pessoa viva, assim como ele vinha fazendo durante todo esse tempo, sempre assassinando as garotas que esculpia. Não compactuando com Bonner e tentando impedi-lo de tomar a poção para que a natureza cumpra seu curso natural, incita a ira do ex-amigo que acaba matando-o estrangulado. A única saída então para que Gerrard o opere, é contar o verdadeiro motivo da urgente necessidade do transplante, abrindo o jogo sobre sua descoberta científica, nunca antes publicada ou revelada por conta de questões morais, pois se descoberta e utilizada, iria desequilibrar todo o processo natural da morte, torando a Terra superpovoada e sem recursos naturais suficientes para garantir o sustento de tantas gerações sem morrer. E além desta causa, há um pequeno detalhe, pois se ninguém morresse, não haveria mais glândulas para serem retiradas para garantir a eternidade. Ainda assim Gerrard não aceita, só cedendo a pressão quando é chantageado a fazê-lo, após descobrir que Janine foi sequestrada e é mantida cativa pela insano Bonner. A intrincada teia de acontecimentos do roteiro e os diálogos é o que mantem alto o resultado de O Homem que Enganou a Morte. É um filme de muito diálogo e pouca ação, então pode acabar desapontando alguns. No livro The Hammer Story: The Authorised History of Hammer Films a produção é considerada uma estranha miscelânea de filme de cientista louco com ficção científica e uma camada gótica. Para mim, é mais um exemplo de que um ótimo texto e excelente dinâmica de atores pode resultar num bom filme mesmo com um orçamento apertado, tendo gastos apenas 84 mil libras.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/25/119-o-homem-que-enganou-a-morte-1959/