sábado, 18 de julho de 2015

#200 1967 A DANÇA DOS VAMPIROS (The Fearless Vampire Killers, EUA, Reino Unido)


Direção: Roman Polanski
Roteiro: Gérard Brach, Roman Polanski
Produção: Gene Gutowski, Martin Ransohoff (Produtor Executivo)
Elenco: Roman Polanski, Jack McGowran, Alfie Bass, Sharon Tate, Ferdy Mayne

“Quem disse que vampiros não são objeto de riso?”. Com esse mote, Roman Polanski nos presenteia com a sua irreverente paródia ao universo vampiresco, principalmente com relação ao estilo de filmes dos sugadores de sangue que a inglesa Hammer vinha imprimindo durante o final de década de 50 e toda a década de 60. Comédia anacrônica e debochada, A Dança dos Vampiros foi a primeira investida do diretor no cinema americano. Para mim, a equação é simples. A Dança dos Vampiros está para os filmes de vampiro assim como O Jovem Frankenstein está para os filmes de Frankenstein e Todo Mundo Quase Morto está para os filmes de zumbi. É uma obra imprescindível de Polanski para todo e qualquer fã do gênero e que se diz adorador da mitologia vampírica, pois somente com uma crítica rasgada em forma de comédia bufona, que conseguimos entender o quão ridículos podem ser as tramas que envolvem os mortos-vivos e todas as suas idiossincrasias, e captar o verdadeiro porquê de adorarmos de verdade todo esse exagero. Vindo depois do perturbador Repulsa ao Sexo, e antes da obra prima O Bebê de Rosemary, A Dança dos Vampiros foge da curva de toda a filmografia do diretor polonês. Despretensiosíssimo e com a veia cômica saltada na medida certa, a história simples traz dois caçadores de vampiros, Professor Abronsius (paródia de Abrahan Van Helsing da história original de Bram Stoker) e seu ajudante medroso e atrapalhado, Alfred (vivido pelo próprio Polanski, que aqui quando novo tinha a cara do Ayrton Senna) que não tem nada de destemidos, como supõe o título sarcástico, e muito menos de eficientes. Eles estão na terrível Transilvânia em pleno inverno brutal para seguir sua peregrinação em encontrar, estudar, e claro, acabar com essa raça das trevas. Ao pararem na estalagem absurdamente clichê, com seus alhos pendurados em todos os cantos e aldeões supersticiosos entupindo-se de cervejas e linguiças, ficam hospedados sob a tutela do estalajadeiro Shagal, sua obesa esposa Rebecca, e sua filha Sarah, interpretada por uma estonteante e deliciosíssima Sharon Tate, que passa grande parte da película nua tomando um banho de espuma. Parêntese para lamentar o horror e o desperdício da morte da atriz, assassinada pela família Manson. Obviamente haverá um ataque de vampiro no local, pois o Conde Von Krolock (Iain Quarrier) e seu capanga corcunda precisam de carne fresca para alimentar seus convidados no baile anual de inverno que o vampiro mor promove todos os anos em seu castelo. A primeira vítima é Shagal, que vai se transformar em uma espécie de Reinfield paspalhão. A segunda, obviamente é Sarah, que é raptada pelo Conde. Alfred, que já havia ficado perdidamente apaixonada pela garota ruiva, dirige-se com seu mestre, uma espécie de Albert Einsten caçador de vampiros, até o castelo, onde irão vivenciar diversas facetas de comédia de situação misturada com cenas de trapalhadas físicas ao melhor estilo slapstick. Mas as grandes piadas vem exatamente nas situações absurdas que os dois fracassados são obrigados a se submeter, como por exemplo, a ineficiência de Alfred em conseguir enfiar uma simples estaca de madeira no coração do morto-vivo enquanto Abronsius está entalado em um buraco, ou os gracejos com personagens estereotipados, abusando de situações politicamente incorretas, como Alfred ter de lidar com o filho gay do Conde Von Krolock, ou mesmo a cruz não causar nenhum efeito no vampiro judeu Shagal. Mas o ponto alto do filme é exatamente o tal baile de gala, onde todos os vampiros convidados diretamente de suas tumbas, fazem um gigantesco cerimonial de dança como se estivessem na corte de Luís XV, devidamente vestidos à caráter e praticando as coreografias de época, ensaiadas por Tutte Lemkow, que havia trabalhado anteriormente em Um Violinista no Telhado. Os dois patéticos caçadores se infiltram no baile, também vestidos à rigor, e mostram toda sua destreza durante o grande evento, arquitetando um plano para que consigam fugir do local com vidas, e resgatando Sarah da iminente morte que virá daquela enorme quantidade de presas sedentas de sangue. É hilário. Polanski, acostumado com baixos orçamentos, aqui onde teve mais de 2 milhões de dólares para gastar, resolveu fazer de A Dança dos Vampiros o seu filme impecável. Investiu pesado contratando alguns dos melhores técnicos do cinema britânico. Com completo domínio narrativo, cenários vistosos, fotografia à cores, locações nos Alpes, vestuário elaborado e coreografia adequada para um determinado período épico, entregou exatamente a sua visão detalhadamente planejada, colocando mais de si neste filme do que já havia feito anteriormente, tanto que cada linha do roteiro reflete o humor negro sagaz do diretor e roteirista, mente perturbada como bem sabemos, e a ideia da perdição do ser humano em meio à escuridão, cobiça, luxúria e sexo. Prova disso é o final pessimista, sádico e hilário ao mesmo tempo. Mas Polanski acabou tendo muitos problemas com o filme já finalizado. Apesar de considerá-lo perfeito, a MGM para lançá-lo no mercado americano praticamente ignorou o seu corte final e praticou diversas mudanças e edições no filme para deixá-lo mais cartunesco e menos sombrio, trazendo grande indignação ao diretor. Quando lançado nos cinemas, havia duas versões do filme: a americana e a europeia. Hoje, a versão que sobreviveu ao tempo foi o corte do diretor. E mesmo com a recepção fria da crítica com relação ao filme, a fita tornou-se um sucesso de público. E além de tudo já citado neste texto, A Dança dos Vampiros tem a sua imensa importância histórica por haver sido responsável em catapultar de vez a carreira de Polanski como diretor e de Sharon Tate como atriz, que mais tarde se casaria com o polonês, e principalmente fazer com que o produtor Robert Evans descobrisse Polanski e seu trabalho, lhe valendo o convite para dirigir o clássico sem precedentes de terror O Bebê de Rosemary, que seria seu próximo longa.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/06/29/200-a-danca-dos-vampiros-1967/

quinta-feira, 16 de julho de 2015

#199 1967 UM CLARÃO NAS TREVAS (Wait Until Dark, EUA)


Direção: Terence Young
Roteiro: Robert Carrington, Jane-Howard Carrington (baseado na peça de Frederick Knott)
Produção: Mel Ferrer
Elenco: Audrey Hepburn, Alan Arkin, Richard Crenna, Efrem Zimbalist Jr., Jack Weston, Julie Herrod

Um Clarão nas Trevas é um senhor filme de suspense. Praticamente perfeito em todos os elementos que o compõe, desde a direção fluente de Terence Young, ao roteiro muito bem construído de Robert e Jane-Howard Carrington (baseado na peça de Frederick Knott) e atuações irrepreensíveis, com destaque para os dois oscarizados Audrey Hepburn (no melhor papel de sua carreira?) e de Alan Arkin. Sabe aquele tipo de filme que te prende do começo ao final? Inteligente, intrigante, que sabe muito bem explorar todas as nuances e construção da história? Pois bem, esse é Um Clarão nas Trevas. Há toda uma exploração do terror psicológico, aflitivo. Ao você pensar de forma simples no enredo, uma trama em que três criminosos invadem o apartamento de uma mulher cega em busca de uma boneca, pode vir na sua cabeça qualquer tipo de brutalidade física que cairia com uma luva em um filmeexploitation ou torture porn. Mas não aqui. Ainda estamos nos anos 60. E graças a isso, há o medo induzido através de atitudes planejadas, infligido a uma mulher cega aparentemente indefesa, que é muito pior que qualquer banho de sangue ou tortura desmedida. Audrey interpreta de forma absolutamente fantástica a recém-cega Susy Hendrix, que vem tentando se adaptar ás rotinas e dificuldades de um deficiente visual, ainda mais porque seu marido, Sam (Efrem Zimbalist Jr.), vive sempre a desafiando para que ela não se entregue à sua condição física. Para ela, o marido quer que ela seja a campeã mundial cega. E é exatamente essa condição de sobrepor-se à sua limitação, que salvará sua pele contra os escroques. O filme, de forma bem explicativa, começa com uma boneca sendo estofada com heroína no Canadá, para despistar a polícia durante o voo para Nova York. Porém ao chegar em seu destino, Lisa, a “mula” que carrega a boneca contendo as drogas, percebe que está sendo vigiada e entrega-a para um estranho qualquer no aeroporto, que vem a ser Sam. A partir daí, com uma dinâmica absurdamente teatral, Roat, o bandido que estava no aeroporto, sujeito ruim à beça, mata Lisa e contrata dois capangas, Mike Talman (Richard Crenna) e Carlino (Jack Weston), para que façam parte de um plano mirabolante de obter as drogas, já que ele não conseguiu encontrar a boneca no apartamento. Através de um telefonema falso, Sam que é fotógrafo, pega um trabalho à noite fora da cidade, e deixa Susy em casa, quando um elaborado esquema para tentar convencer a mulher a dizer onde a boneca está é colocado em prática, envolvendo Mike como um amigo que serviu com Mike durante a Guerra da Coreia, Carlino interpretando o papel de um detetive e Roat, de um pai e seu filho, que acreditam que Sam traiu Suzy no Canadá com Lisa e ganhou dela esta boneca, inventando uma desculpa esfarrapara para a esposa. Dessa forma começa um jogo psicológico para desestabilizar a mulher. O que eles não contam é que Susy não é nem um pouco indefesa, e apesar de não conseguir enxergar, todos seus outros sentidos são mais apurados, então ela consegue perceber quando eles estão abrindo e fechando a persiana da janela, ou limpando os lugares que tocam para não deixar as impressões digitais, ou o simples barulho dos sapatos na escada. E depois do plano dos criminosos desbaratinado, ela resolve tirar sua vantagem desligando todas as luzes da casa, e dando início uma verdadeira luta pela sobrevivência contra o implacável Roat. Iniciam-se então os momentos de maior tensão do filme, nas sequências na escuridão de tirar o fôlego, iluminadas brevemente por fósforos ou pela luz da geladeira. Se a atuação de Audrey vinha sendo magnífica até então, agora é a hora que ela deixa todos de queixo caído, demonstrando toda sua angústia, pavor e desespero, e ao mesmo tempo, suas iniciativas em tentar sobreviver e se defender das investidas do bandido psicótico e cruel. Tanto que levou sua quinta indicação ao Oscar® de melhor atriz. Nível de adrenalina lá em cima, tanto para os personagens, quanto para nós espectadores, mordendo o travesseiro assistindo ao desfecho. Um Clarão nas Trevas é um thriller intenso, angustiante e inesquecível, digno dos maiores exemplares de suspense já produzidos até hoje. Peca um pouco pelo final óbvio e feliz (repito, ainda estamos nos anos 60. Se fosse 10 anos mais tarde…), o que o deixa a um triz de ser uma obra prima do gênero. Mas mesmo assim é um filmaço. E Audrey Hepburn é linda. É um prazer visual vê-la em cena.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/06/28/199-um-clarao-nas-trevas-1967/

quarta-feira, 15 de julho de 2015

JURASSIC WORLD (EUA, 2015)


#115 1959 O ATAQUE DOS ROEDORES (The Killer Shrews, EUA)


Direção: Ray Kellogg
Roteiro: Jay Simms
Produção: Ken Curtis, Gordon McLendon (Produtor Executivo/não creditado)
Elenco: James Best, Ingrid Goude, Ken Curtis, Gordon McLendon, Baruch Lumet

O título original de O Ataque dos Roedores é The Killer Shrews. A tradução literal seria Os Musaranhos Assassinos. Você sabe o que é um musaranho? É o menor mamífero do mundo. Só que o pequeno roedor é extremamente voraz, come mais que um elefante, seu metabolismo é tão rápido quanto o de um beija-flor, e ainda tem veneno em suas presas. Agora imagine um filme onde na trama, musaranhos gigantes, geneticamente alterados, são assassinos e encurralam um grupo de pessoas em uma cabana, em uma ilha deserta. Agora como se não bastasse a criatividade ímpar, imagine que esses musaranhos são interpretados por cachorros! Isso mesmo, cachorros fantasiados de roedores com pelos, máscara e rabo de rato! Acho que é o cúmulo que o cinema bagaceira conseguiu chegar. Assim, seus olhos não estão preparados para ver essa preciosidade. Normal vermos cães atuarem no cinema. Olhem só o grande ator que é Rin-Tin-Tin, mas cães fantasiados de ratos gigantes que ficam escavando a terra, roendo as paredes da cabana e atacando seres humanos? Não poderia fazer um filme sobre cães assassinos, então? Sério, é até chocante essa podreira. E como surgiram essas terríveis criaturas mutantes? O capitão Thorne Sherman chega até uma ilha inóspita para trazer mantimentos para o seleto grupo de moradores do local, um bando de cientistas que está desenvolvendo um projeto secreto. Esse projeto, chefiado pelo Dr. Marlowe Craigis em conjunto com o Dr. Radford Baines (interpretado pelo produtor executivo do filme – não creditado – Gordon McLendon) visa acabar com a fome do mundo, temendo a iminente superpopulação do planeta (mais ou menos como o enredo de Tarântula, sabe?). Só que a ideia genial, excepcional, merecedora de um prêmio Nobel, é reduzir as pessoas de tamanho, pois assim, a humanidade comeria menos. Como ninguém pensou nisso antes ou ainda não colocou essa ideia em prática? Enfim, para estudar uma forma de diminuir os seres humanos sem afetar nosso metabolismo, o animal escolhido foi justamente o musaranho. Só que a experiência dá miseravelmente errada e os musaranhos então cresceram demasiadamente e estão rondando a casa, procurando saciar sua incontrolável fome. Fora que eles têm a mordida venenosa também, não podemos nos esquecer. Segue-se então uma luta do pequeno grupo, incluindo aí a filha do Dr. Craigis, Ann e o salafrário Jerry Farrel, o “vilão” humano do filme (interpretado pelo produtor Ken Curtis – PS: um filme que tem o orçamento tão baixo onde os dois produtores fazem papeis chave no filme é porque a coisa é BEM feia), pelas suas vidas, enquanto os demais vão sendo mortos, aumentando a contagem de corpos. A solução final para eles fugirem em segurança pela ilha e chegar até o navio atracado de Thorne também é emblemática. Eles criam armaduras improvisadas com grandes barris de óleo, onde entram por debaixo deles e vão caminhando até a praia.  Tony Stark morreria de inveja! Mas nenhuma tosqueira do filme vai superar os cães-musaranhos ladrando (sim, é tão podre que eles ladram mesmo como cães) para suas futuras presas. Mas sabe o que é realmente o pior de tudo? Que a droga do filme é bem conduzido até sua metade. É até vergonhoso admitir, mas o diretor Ray Kellog consegue criar um bom clima de suspense, primeiramente com a desconfiança de Thorne de que alguma coisa muito errada está acontecendo, até por conta do pavor da mocinha e urgência em ir embora. Além da ideia dos personagens estarem isolados naquela cabana, sem nenhuma comunicação com o mundo, cercado por criaturas assassinas mutantes, e tentar resistir para que eles não entrem e acabem com a raça de todo mundo lá dentro, fora os conflitos de interesse e nervos exaltados que o cárcere forçado faz surgir. É tipo uma versão roedora de A Noite dos Mortos-Vivos, feita quase 10 anos antes. Mas aí depois os cachorros fantasiados aparecem e tudo é posto a perder! Assista O Ataque dos Roedores. Não há como descrever a experiência, sério. É só isso que tenho a dizer. E por incrível que pareça esse filme foi lançado no Brasil pela Flashstar, e ainda em versão colorizada.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/20/115-o-ataque-dos-roedores-1959/

#198 1966 O CARRASCO DE PEDRA (It!, Reino Unido, EUA)


Direção: Herbert J. Leder
Roteiro: Herbert J. Leder
Produção: Herbert J. Leder, Tom Sachs (Produtor Associado), Robert Goldstein (Produtor Executivo/ Não Creditado)
Elenco: Roddy McDowall, Jill Haworth, Paul Maxwell, Aubrey Richards, Ernest Clark

O Carrasco de Pedra é mais um daqueles filmes que tem a cara das produções de terror dos anos 60. Orçamento baixo, roteiro cheio de furo, despretensioso, e extremamente divertido. Passado na Inglaterra moderna (da década de 60), atualiza a lenda do golem e tem no elenco Roddy McDowall, o eterno Peter Vincent, destemido caçador de vampiros, de A Hora dos Espanto. E cá entre nós, a atuação dele está fantástica. Mistura cômica e dramática, com todos os seus trejeitos, expressões corporais e faciais, dominando muito bem o personagem Arthur Pimm, assistente curador do museu que descobre como trazer o golem de volta à vida e tem a estátua ao seu controle para fazer coisas ao seu bel prazer, que vão desde assassinar o novo curador do museu até derrubar uma ponte. A maior ambição de Pimm é assumir o controle do museu após a misteriosa morte do Sr. Trimingham (Oliver Johnston), aparentemente morto pelo carrasco de pedra logo na abertura da fita. Só que apesar de ser um funcionário exemplar, Pimm não tem seu trabalho reconhecido, apenas ganhando um aumento de 150 libras anuais no salário, enquanto o arrogante Professor Weal (Aubrey Richards) é convidado pela junta curadora do museu para assumir o cargo. Isso já deixa o rapaz problemático deveras frustrado. Misture isso ao desequilíbrio mental que Pimm sofre (inclusive de uma patologia copiada descaradamente de Norman Bates, guardando o esqueleto de sua mãe na sala do seu apartamento, em uma cadeira de balanço, conversando com ela à noite), o amor não correspondido da filha de Trimingham, Ellen (e loira estonteante Jill Haworth) e a ameaça do americano Jim Perkins (Paul Maxwell), vindo para conferir a autenticidade da estátua e levá-la para Nova York, por quem Ellen se apaixona (e vice-versa). Pronto, você tem a combinação psicológica perfeita para Pimm surtar de vez e começar a deixar se levar pelo fascínio causado por aquele golem e seu terrível poder. A estátua de 1500 quilos remete à tradicional lenda da criatura de pedra, que teria sido criada pelo rabino Rabbi Loew em Praga, na antiga Tchecoslováquia, durante o século XVI e através de um pergaminho com uma inscrição mágica colocada embaixo de sua língua, ganharia vida e tornar-se-ia um ser indestrutível, servindo todos os desejos daquele que descobrisse como controlar esse poder mágico. Vale lembrar que a criatura do golem já foi tema de um dos principais filmes do expressionismo alemão, O Golem, de 1921, um dos pioneiros do gênero. Esse filme até é citado em O Carrasco de Pedra, quando o detetive que investiga os assassinatos cometidos pela estátua está questionando onde Pimm estava na noite de um determinado crime, e ele disse que estava no cinema assistindo a um filme alemão, que é exatamente O Golem. Pimm, através da ajuda de um rabino judeu, consegue a tradução dos hieróglifos talhados na pedra, e nele consta um aviso prontamente ignorado: “Aquele que no Século XX ousar me invocar, cuidado, porque nem pelo fogo, nem pela água, nem pela força e nem por nada criado pelo homem, poderei ser destruído”. Então depois que Pimm enlouquece de vez, foge do hospital psiquiátrico, rapta Ellen e rouba o cadáver de sua mãe no necrotério, e os leva para uma casa em uma área afastada de Londres, onde seria construída uma nova ala medieval do museu, não há nada que possa parar a estátua viva. O exército bem que tenta destrui-lo com tiros de bazuca e canhões, mas nada surte efeito. Até que o Ministério de Defesa autoriza o uso de uma ogiva nuclear pequena com um raio de destruição de apenas 2km (mas e a radiação que iria se espalhar?). Antes da detonação, Jim consegue ainda salvar Ellen, pois o especialista em aferir a autenticidade em obras de arte também se mostra um às na motocicleta, mas mesmo o poderio de uma bomba atômica, não faz sequer um risco no golem. O Carrasco de Pedra é uma bobagem sem tamanho. Ingênuo, despretensioso, roteiro cheio de falhas, erros de continuidade crassos, efeitos de maquiagem do golem (interpretado pelo ator Alan Sellers) toscos, e por isso mesmo, é deliciosamente divertido, ainda mais para quem é fã dessa safra de filmes dos anos 60.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/06/27/198-o-carrasco-de-pedra-1967/

terça-feira, 14 de julho de 2015

#197 1966 A SERPENTE (The Reptile, Reino Unido)


Direção: John Gilling
Roteiro: John Elder
Produção: Anthony Nelson Keys
Elenco: Noel Willian, Jennifer Daniel, Ray Barrett, Jacqueline Pearce, Michael Ripper

Começarei o texto parafraseando a opinião de Christopher Lee sobre A Górgona, porém aplicado a este filme: O único problema de A Serpente, é a própria serpente. Isso porque o filme dirigido por John Gilling é redondo e tem aquele famoso padrão característico da Hammer, até a hora que o monstro aparece em cena. E é bem parecido com o caso de A Górgona, exercendo o mesmo efeito sobre seus espectadores por conta dos efeitos visuais precários. O maquiador oficial da Hammer, Roy Ashton tem excelentes trabalhos para o estúdio inglês em seu currículo, como o monstro de Frankenstein, Drácula e a Múmia. Mas de vez em quando ele dá umas derrapadas, obviamente que por conta de um orçamento reduzido, como é o caso aqui de A Serpente. Apesar de sua inventividade e tentar de uma forma criativa reproduzir o monstro, até utilizando aplicações criadas a partir de um molde feito de pele de cobra de verdade, a hora que a criatura aparece em cena, com seus olhos esbugalhados vermelhos, pele escamosa verde, suas presas salientes e mexendo a linguinha para lá e para cá nervosamente, não dá para não dar risada. Mas o pior é que este é um dos charmes da fita. Baseado de forma não creditada no livro “The Lair of the White Worm” do escritor irlandês Bram Stoker (sim, o mesmo que escreveu Drácula), publicado em 1911, A Serpente foi rodado juntamente comEpidemia de Zumbis, ambos dirigidos pelo competente John Gilling, aproveitando as mesmas locações, cenários e atores, como o caso de Jacqueline Pearce, que interpreta Anna Franklyn, e Michael Ripper, que faz o papel do taberneiro Tom Bailey. Na história, Harry George Spalding (Ray Barrett) muda-se com sua esposa, Valerie (Jennifer Daniel) para a Cornuália, após herdar a casa de seu irmão Charles Edward Spalding, depois dele ser misteriosamente morto por uma praga conhecida como Morte Negra, que vem assustando todos os moradores da região e fazendo diversas vítimas. Mas na verdade, Charles, como percebemos logo na sequência de abertura da fita, foi morto por uma terrível criatura, metade humana, metade serpente, que mata suas vítimas com uma terrível picada, envenenando-as. Cabe então a Harry, o taberneiro Tom Bailey, seu único amigo já que todos os outros aldeões o tratam mal, e Valerie, investigar as terríveis mortes, e entender o comportamento estranho de seu vizinho, Dr. Franklyn (Noel William) e sua filha reclusa e assustada Anna. Através de suas investigações, descobre-se mais tarde, que Dr. Franklyn é teólogo, estudioso das antigas religiões orientais. Na Malásia, ele descobriu uma secreta ordem de adoradores de serpente, e após conhecer todos seus segredos e tentar publicá-los, como forma de vingança, Anna é raptada e através de um ritual é transformada nessa venenosa mulher cobra, dotada de um terrível instinto assassino. O Dr. Franklyn até tenta levá-la para o interior da Inglaterra, porém um sinistro malaio membro da seita o segue até o local e os mantém sob chantagem, controlando a maldição. Para sobreviver no ambiente frio inglês, como as cobras possuem sangue frio, eles constroem um poço fumegante no porão da casa, que mantém a criatura aquecida durante o inverno, quando acontece sua troca de pele, e a alimenta com os pobres coelhos e gatos que vivem na região. Ou seja, literalmente, podemos dizer que essa mulher é uma víbora! A Serpente sofre do mesmo problema de Epidemia de Zumbis, por exemplo. É um bom filme, porém é um filme B da Hammer, renegado a segundo plano pelo estúdio que tinha como suas principais apostas as franquias de Drácula e Frankenstein e os filmes com a dupla Peter Cushing e Christopher Lee. Mesma coisa serve para o diretor John Gilling, que apesar de seu domínio e fluidez na direção, tinha que competir com Terence Fisher, responsável pelas grandes produções do estúdio. Mas ainda assim é Hammer com suas características peculiares, então, vale a sessão pipoca.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/06/26/197-a-serpente-1966/

INDIGENOUS (EUA,2015)