sábado, 17 de outubro de 2015

#281 1973 THE ASPHYX O ESPÍRITO DA MORTE (The Asphyx, Reino Unido)


Direção: Peter Newbrook
Roteiro: Brian Comport, Christina Beers e Laurence Beers (história)
Produção: John Brittany, Maxine Julius (Produtora Associada)
Elenco: Robert Stephens, Robert Powell, Jane Lapotaire, Alex Scott, Ralph Arliss, Fiona Walker

O Espírito da Morte é um filme bastante interessante. Apesar de eu, particularmente, achar datado até mesmo para sua época, por trazer aquelas características do cinema gótico de horror, muito comum durante todos os anos 60, em um momento cinematográfico em que o gênero tornara-se cada vez mais brutal e factível, não deixa de trazer uma história das mais criativas, malucas e afetadas. E o tema que se envolve nesse enredo são as tentativas de um cientista em capturar o espírito da morte, o tal Asphyx do título original, que é a materialização de uma força sobrenatural fantasmagórica que aparece para cada indivíduo no momento de sua morte, e aprisioná-lo em um recipiente, o que daria a vida eterna àquele que tivesse o seu Asphyx capturado. Uma maluquice né? Aquele tipo de ideia esdrúxula que só o cinema de terror pode te oferecer. Mas acontece que apesar dessa premissa, digamos, engenhosa, o filme é muito bem construído e te mantém ligado até o final da película, lembrando bastante os tempos áureos da Hammer e colocando o personagem principal, Sir Hugo Cunningham (Robert Stephens), até como uma espécie de discípulo metafísico do Dr. Frankenstein. E o final também é dos mais bacanas e pessimistas. Na verdade, Cunningham é um estudioso de fenômenos sobrenaturais em uma sociedade de parapsicologia na Inglaterra vitoriana. Sua última investigação é o intrigante aparecimento de uma mancha estranha em todas as fotos, tiradas por pessoas diferentes, de indivíduos pouco antes de seu falecimento. A sociedade conclui que é a evidência da alma deixando o corpo no momento da morte. Utilizando técnicas avançadas de física, química, fotografia e ótica, Cunningham irá descobrir, no meio de evolução de sua pesquisa, o tal Asphyx, quando ele projeta uma espécie de luz ultravioleta em um condenado sendo enforcado em praça pública, concluindo também que aquela combinação de elementos químicos e visuais chama a atenção do espírito e com isso, ele será capaz de prendê-lo. Cunningham não está sozinho nessa empreitada. Seu braço direito será seu genro e protegido, Giles (Robert Powell), que está preste a pedir a mão de sua filha, Christina Cunningham (Jane Lapotaire) em casamento. A obstinação de Hugo pelo Asphyx tem seu estopim após uma tragédia que acometeu a família, quando em um idílico passeio de barco, onde o pesquisador filmava os familiares, seu filho mais velho, Clive (Ralph Arliss) e sua recém e apaixonada noiva, Anna Wheatley (Fiona Wlaker), morrem afogados em um acidente. Após o sucesso em capturar o Asphix de um porquinho da Índia, o próximo passo, obviamente é passar para os humanos. Sir Hugo será cobaia de seu próprio teste, para que seu espírito fique guardado em segurança em uma caixa selada no mausoléu da família, e só Giles teria a combinação para abrir essa caixa. Após quase ser morto eletrocutado em uma cadeira elétrica, o experimento é bem sucedido e Hugo começa a pressionar Giles e Christina para que seus Asphyxes (será esse o plural?) também sejam capturados, e assim, vivam eternamente, para Hugo não ter de viver com a dor da morte dos entes queridos mais uma vez.
ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco.
Até aí tudo uma maravilha, certo? Até que as coisas irão complicar quando Hugo e Giles tentarão capturar o Asphyx da assustada e contrária Christina. A moça é colocada em uma guilhotina, para forjar sua morte, só que a experiência dá terrivelmente errada quando o mesmo porquinho da Índia rói os cabos da traquitana e a donzela acaba sendo degolada. Como vingança, Giles obriga Hugo a também transformá-lo, para que ambos possam sofrer toda a eternidade a dor da perda, enquanto Hugo na verdade prefere e morte e barganha para que o seu Asphyx seja liberado. Giles sacaneia Hugo, dá uma combinação errada e acaba morrendo durante a experiência, condenando o pobre diabo a uma vida eterna de sofrimento e culpa. Isso nos leva a primeira e última cena do filme, com Hugo extremamente velho, deformado, louco e vivendo como um mendigo com seu porquinho da Índia, envolvendo-se em um acidente de carro já na Londres dos anos 70, porém, continuando ainda vivo, por toda a eternidade. Abusando de vários clichês do gênero e com efeitos especiais que na época deveriam ser assustadores e chocantes e hoje são ultrapassados, O Espírito da Morte destaca-se por sua originalidade e por um tema controverso e obscuro. Foi rodado no mesmo Shepperton Studio em Londres, famoso pelas produções da Hammer e da Amicus, quando a Inglaterra era uma dos mais vastos celeiros do cinema de horror do mundo.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/10/10/281-o-espirito-da-morte-1973/

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

#278 1973 CARNE PARA FRANKENSTEIN (Flesh for Frankenstein / Andy Warhol’s Frankenstein, EUA, Itália, França)


Direção: Paul Morrissey
Roteiro: Paul Morrissey, Tonino Guerra e Pat Hackett (não creditados)
Produção:Andrew Braunsberg, Louis Peraino, Carlo Ponti e Jean Yanne (não creditados)
Elenco: Joe Dallesandro, Monique van Vooren, Udo Kier, Arno Juerging, Dalila Di Lazzaro, Srdjan Zelenovic

Sem dúvida alguma, Carne para Frankenstein é a mais grotesca, bizarra, amoral e retardada adaptação para as telas de cinema do clássico da literatura escrito por Mary Shelley, e anos luz de diferença do original da Universal de 1931, com Boris Karloff, ou de qualquer viagem da franquia da Hammer com Peter Cushing retratando o cientista louco. Carne para Frankenstein manda às favas a moral e os bons costumes e bombardeia o espectador com sangue e vísceras em profusão, brutalidade gráfica, erotismo, nu frontal, demência, incesto e necrofilia, cheio de personagens sacanas, situações absurdas e nenhuma preocupação com a famosa estética camp dos filmes de Frankenstein, focando no humor negro escrachado, personagens racistas, sexualmente depravados, cenas de gore abundantes e tosqueiras. Começa com a história de que o diretor Paul Morrissey pegou, digamos, emprestado o nome de Andy Warhol, creditando no filme apenas para promover e ajudar a vendê-lo, tendo a maior figura do pop art americano absolutamente nada a ver com a realização desta iguaria do cinema de horror. Pior ainda, o diretor de segunda unidade foi o italiano Antonio Margheriti (MAR-GHE-RI-TI!!!), que para também ajudar a vender a película na Itália, foi creditado como co-diretor do mesmo. O ator principal, Udo Kier, declarou que ele não teve nada a ver com a realização do longa, todo dirigido por Morrissey, e isso acabou gerando um processo dele contra Margheriti e o produtor italiano do filme. Discussões e roubos de direito autoral à parte, a trama mórbida e grotesca de Carna Para Frankenstein desvirtua o já famoso padrão gótico, onde Udo Kier interpreta o exagerado e demente Barão Frankenstein, em um papel afetadíssimo com seus olhos esbugalhados e trejeitos corporais alucinados, onde com a ajuda de seu ajudante Otto (Arno Juerging), querem construir um casal de seres humanos sérvios perfeitos (com seus “nasum” ou narizes sendo o ponto de partida de um corpo correto) e colocá-los para copular, assim dando origem a uma nova raça obediente e sem defeitos. Qualquer semelhança com as doentes experiências de eugenia dos nazistas e a ascensão da raça ariana é mera coincidência, tá? O barão, por sua vez é casado com a Baronesa Katrina Frankenstein (Monique van Vooren), que além de sua esposa, também é sua irmã e mãe de seus dois filhos, um casal de crianças sinistras que ficam andando para lá e para cá no castelo, sem dizer sequer uma palavra, com expressões impassíveis de crueldade. Pois bem, depois de Frankenstein conseguir terminar seu espécime feminino, (vivida por Dalila Di Lazzaro, que passa o filme inteiro sem roupa só com uma tanguinha escondendo suas partes baixas) obviamente utilizando partes dos corpos de cadáveres, como dita a regra do bom e velho cirurgião, utiliza a garota morta para satisfazer seus desejos carnais desequilibrados fazendo sexo com o cadáver e penetrando nas imensas cicatrizes em seu corpo. Na busca em completar o par ideal para sua beldade, Frankenstein e Otto encontram o pobre Sacha (Srdjan Zelenovi), um camponês que decide entrar para o monastério, mas que havia sido levado para um bordel pelo seu melhor amigo, Nicholas (Joe Dallesandro) para tentar dissuadi-lo da ideia. Ao ver duas prostitutas saindo do quarto onde eles estavam (sem saber que uma era para Nicholas que também estava no local), os dois cientistas erroneamente acreditam que aquele é um garanhão com uma potência sexual incrível, e também com o “nasum” perfeito, diga-se de passagem, e cortam sua cabeça para integrar ao corpo masculino que estavam montando. Nesse ínterim, Nicholas acaba contratado por Katrina após encontrar seu melhor amigo decapitado, para trabalhar como cavalariço do castelo, e principalmente, transar com a mulher promíscua, já que seu marido Barão não dava mais no coro e ficava enfurnado o dia inteiro no laboratório com suas experiências. Em um determinado jantar, o orgulhoso Dr. Frankenstein exibe suas novas criações para a família, e Nicholas descobre que aquele na verdade é seu amigo Sacha, sem entender muito bem o que estava acontecendo, pois viu o rapaz ter perdido a cabeça. Ao decidir investigar o que está acontecendo, com a ajuda das crianças, ele bisbilhota o laboratório e testemunha a frustrada tentativa de coito entre seus dois novos experimentos, pois a garota não consegue estimular a libido do ex-futuro monge. Revoltado, a insanidade de Frankenstein toma proporções devastadoras, enquanto uma série de desventuras começa a acontecer no castelo. 
ALERTA DE SPOILER. Pule este parágrafo e o próximo ou leia por sua conta e risco:
Nicholas é capturado e preso tentando ajudar o antigo amigo; Katrina tenta educar sexualmente Sacha, explicando-os os prazeres carnais (com a total anuência do marido/ irmão), mas acaba sendo assassinada morta pelo morto-vivo com sua força sobre-humana; e Otto, cansando de ser excluído e nunca recompensado, apaixonadíssimo pela zumbi criada por eles, resolve também dar uns “malhos” na garota morta , lambendo e tentando penetrar em suas cicatrizes, o que acaba a destruindo, fazendo com que a ferida abra e suas vísceras e órgãos internos caiam no chão. Frankenstein mata seu assistente apenas para logo em seguida ser atacado por Sacha, enquanto o seu criador ordenava que ele matasse seu antigo amigo. Primeiro o Barão perde a mão quando o monstro fecha violentamente a porta da cela contra ela, e depois, ele tem, vejam bem, o coração arrancado por uma lança (que foi enfiada em sua barriga, mas de alguma maneira que a ciência médica desconhece, atinge o coração e arranca-o fora). Achando que a única solução é acabar com sua própria vida, a criatura também se destrói, deixando o amigo ali pendurado. É quando aparece o casal de filhos dos dois e você pensa que eles irão libertar Nicholas, mas é aí que um deles pega um afiado bisturi, enquanto o outro começa a descê-lo, mas não fica claro se eles irão cortar as cordas, ou assassiná-lo, escalpelá-lo, desmembrá-lo ou sei lá que outra barbaridade, porque aí o filme corta para os créditos e termina. Esqueça tudo que já foi filmado sobre o proeminente cientista louco que quer brincar de Deus. Carne para Frankenstein chuta o pau do barraco com sua atmosfera grotesca, sexista, preconceituosa e com seus litros de sangue. Como li por aí, é um filme “gótico-gore”, definição bastante bacana, seguindo bem fiel ao grindhouse setentista com todas as suas explorações gráficas e brutais, claro que sempre com um dedo no trash e no exagero. Causa repulsa, mas também causa risos (às vezes involuntários de nervosismo ou perplexidade). Mas vale cada frame. A mesma equipe também lançou no ano seguinte Sangue Para Drácula, aproveitando os mesmos atores e mesmos cenários. Os monstros clássicos nunca mis foram os mesmos.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/10/05/278-carne-para-frankenstein-1973/

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

#277 1973 A CASA DA NOITE ETERNA (The Legend of Hell House, Reino Unido)


Direção: John Hough
Roteiro: Richard Matheson
Produção: Albert Fennell, Norman T. Herman, James H. Nicholson (Produtor Executivo), Susan Hart (Produtora Executiva/não creditada)
Elenco: Roddy Mcdowall, Gayle Hunnicutt, Pamela Franklin, Clive Revill

Filmes sobre casas mal-assombradas são quase sempre o máximo! E A Casa da Noite Eterna é um dos melhores e mais assustadores exemplares desse gênero. Uma verdadeira aula de como se fazer um filme de terror, desde a história fantasmagórica que te prende do começo ao fim, até a utilização de efeitos sonoros, fotografia, design de produção e direção a seu favor. Escrito pelo fantástico roteirista e escritor Richard Matheson (Mortos que MatamAs Bodas de SatãO Incrível Homem que Encolheu,Encurralado, e por aí vai), baseado em seu próprio livro, muito do que se vê nesse filme é inspiração direta do livro A Assombração da Casa da Colina, de Shirley Jackson e sua adaptação para o cinema, o seminal Desafio do Além. Na verdade Matheson era confesso admirador do livro de Jackson e do filme. Por isso, resolveu escrever a sua própria história sobre um casarão mal-assombrado. Aqui, um excêntrico bilionário inglês oferece ao físico Chris Barret (Clive Revill) 100 mil libras para investigar os efeitos paranormais por trás da mansão do falecido Emeric Belasco, um sujeito vil e repugnante que praticava todo tipo de perversão dentro daquela casa. Em um dos diálogos do filme, explica-se as diversas atrocidades que aconteceram na tal “Casa do Inferno”, como o local é conhecido: vício de drogas, alcoolismo, sadismo, bestialidade, mutilação, assassinato, vampirismo, necrofilia e canibalismo, para não mencionar uma porção de perversões sexuais. Tá bom para você, ou quer mais? Junto com Barret, sua esposa Ann (Gayle Hunnicut), a médium mental Florence Tanner (Pamela Franklin) e o médium físico Ben Fischer (Roddy McDowell), único sobrevivente da casa, tem de passar uma semana confinados no local, no intuito de entregar um parecer ao velho que comprou a casa e conseguir ficarem com a grana, afinal ali é o único local na face da terra que a presença da vida após a morte pode ser provada. Lá vai então o grupo de mala e cuia para a “Casa do Inferno”, e não demora muito para que coisas bizarras e assustadoras comecem a tomar forma, manifestando-se através de Tanner, vítima de possessão, assim como Ann, e poltergeists que tentam matar os ali presentes através de objetos que se movem, candelabros que caem, lareiras que se incendeiam sozinhas, e por aí vai. Tudo para colocar mais mortes na conta do terrível Belasco. Percebe-se um grande esmero de todos os envolvidos em A Casa da Noite Eterna para fazer um excelente filme de terror. E todos conseguiram atingir seus objetivos muito bem. Primeiro porque é realmente assustador e tem cenas desaconselháveis àqueles que tem medo desse tipo de filmes de espíritos e casas mal-assombradas. Desafio-os a assistir sozinhos à noite. Algumas manifestações físicas, possessões, mudanças de tons de voz, e a famosa cena onde Tanner é estuprada por um fantasma, são impactantes. A direção do inglês John Hough é impecável. Ele utiliza-se de diversos ângulos, enquadramentos, grandes angulares e closes para deixar o filme ainda mais prazeroso de assistir, refutando qualquer tipo de direção preguiçosa. O que ajuda também é a cenografia da casa muito bem construída, que ganha vida auxiliada pela excelente fotografia de Alan Hume, tanto dos espaços interiores, utilizando muito bem o uso das cores nos aposentos, principalmente o vermelho e o roxo, quanto nos takes externos da casa cercada por uma névoa que nunca se dissipa. Soma-se a isso a ótima trilha sonora fúnebre, com elementos eletrônicos com ruídos e sussurros. Para completar, temos também as grandes atuações de Roddy McDowall (o memorável Peter Vincent de A Hora do Espanto) e Gayle Hunnicutt, principalmente quando ela é possuída pela força sexual perversa da casa e fica sedenta por luxúria (isso sim é parapsicologia!). Ou seja, trocando em miúdos, A Casa da Noite Eterna é um dos grandes clássicos do terror dos anos 70, deleite para os fãs de filmes sobre casas mal-assombradas, que querem levar uns bons sustos e ficarem envolvidos com uma ótima história.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/10/04/277-a-casa-da-noite-eterna-1973/

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

#275 1972 NO QUARTO ESCURO DE SATÃ (Il tuo vizio è una stanza chiusa e solo io ne ho la chiave / Your Vice is a Locked Room and Only I Have the Key, Itália)


Direção: Sergio Martino
Roteiro: Adriano Bolzoni, Ernesto Gastaldi, Luciano Martino e Sauro Scavolini (história)(Baseado no conto de Edgar Allan Poe)
Produção: Luciano Martino
Elenco: Edwige Fenech, Anita Strindberg, Luigi Pistilli, Ivan Rassimov, Franco Nebba, Riccardo Salvino

O diretor Sérgio Martino, diretor italiano de filmes giallo, aqui em No Quarto Escuro de Satã, faz um filme “miado”. Rá! Que piada infame!!! Isso porque na verdade, a produção é uma livre adaptação do conto O Gato Preto, dos mais famosos de Edgar Allan Poe. Um filme deveras interessante do diretor, que na verdade possui algumas características do giallo, porém a meu ver, não se encaixa exclusivamente no gênero, transformando-se em uma amálgama dos populares filmes de suspense italianos, contendo um assassino misterioso, mortes violentas e claro, sexo a rodo, mas também com um clima mais pesado de vingança e um viés sobrenatural em seu final, tal qual o conto do escritor americano. Mas o mais importante, como é típico da obra de Martino, é que todos os personagens são dotados de uma idiossincrasia específica, que reflete a verdadeira falta de escrúpulo e pudores, desde aqueles que consideramos realmente culpados, quanto aqueles que pensamos ser as vítimas. Todos eles têm algo de podre, de suspeito, de sujo. São personagens mesquinhos, alcoólatras, promíscuos, racistas, que não dão o menor valor para vidas humanas e sentimentos alheios. E o gato preto, que tem o conveniente nome de Satanás, é apenas o espectador de um relacionamento disfuncional, julgando-os com seus olhos amarelos brilhantes, esgueirando-se pelos cantos do casarão. A trama de luxúria, abuso, assassinato e vingança nos coloca no olho do furacão que é o relacionamento amoral e superficial do falido e beberrão Oliviero Rouvigny (brilhantemente interpretado por Luigi Pistilli), outrora famoso e bem sucedido escritor e professor, e sua esposa, Irina (outra brilhante interpretação, da atriz sueca Anita Strindberg), que é feita de saco de pancada pelo marido chauvinista que a agride fisicamente, humilha e tortura psicologicamente. Irina vive uma vida amargurada de remorso e provações, com o ódio pelo marido infiel saindo pelo ladrão, e esse mesmo ódio, acaba sendo direcionado também para o gato de estimação de Oliviero, herdado de sua mãe, que também era uma megera daquelas em vida. A contagem de corpos começa quando uma atendente de uma biblioteca, que tem um caso com Oliviero desde a época que era uma de suas alunas, o chantageia para que ele continue saindo com ela, e é brutalmente assassinada por um sujeito misterioso usando capa, chapéu e luva, e usa uma pequena foice de mão para abrir a sua jugular. Obviamente todas as suspeitas cairão sobre Olivieiro, que sequer tem um álibi decente, pois não havia dormido em casa na noite do crime. Mas a submissa Irina acaba livrando a barra do maridão quando a polícia resolve interrogá-lo. Não demora para mais assassinatos acontecerem, como da empregada negra que trabalhava como governanta da casa (e também era humilhada frequentemente e obrigada a praticar atos sexuais com o patrão). E o caldo começa a entornar de verdade quando a lasciva sobrinha de Olivieiro, Floriana (a belíssima Edwige Fenech, que já havia trabalhado com Martino em Lâmina Assassina) vai passar um tempo na casa dos tios, e como uma verdadeira libertina, passa a manipular a todos e transar com qualquer um que apareça em sua frente: o tio, a tia, o entregador. Só o gato fica livre, senão seria zoofilia! Pois bem, a teia da aranha está tecida para Floriana começar a arquitetar um plano diabólico, despertando o sentimento de vingança de Irina, enchendo a cabeça dela de caraminhola para que ela mate o tio, e vice-versa, seduzindo o tio para se livrar da esposa e ficar com ela. Até o entregador, que também é piloto de motocicleta nas horas vagas, entra na dança, sendo convencido a fugir com a moça. Todo um comportamento cínico, que culmina nas maiores chantagens para que a garota se dê bem e ainda consiga faturar uma grana com as joias da avó que o decadente casal herdara.
ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco.
Como todo bom filme italiano dos anos 70, espere uma reviravolta estrambólica (legal essa palavra né?), onde veremos que pior que Olivieiro, é mesmo a coitada Irina, que chegou ao limite dos maus tratos, e resolve se vingar e tentar incriminar o marido com a ajuda de um amante, Walter (Ivan Rassimov, famoso por atuar em diversos filmes do próprio Martino e uma penca de filmes de canibais, incluindo aí o pioneiro Mundo Canibal). A dupla matou todas as vítimas anteriores, e ainda assim, deu cabo do marido e emparedou o cadáver na adega no porão, assassinou Floriana e o entregador Dario, fazendo parecer um acidente na estrada e ainda por fim, Irina joga o cúmplice penhasco abaixo. Nem o gato escapa do descontrole vingativo da moça, que em certo momento do filme, após o bichano atacar suas galinhas, ela arranca o olho do felino com uma tesoura. E não é aí que a inspiração do conto de Poe termina. Na sequência final, os inspetores estão investigando a adega da casa, após ouvir o miado incessante de Satanás, que parece ferido, e descobre que ele vem de trás da parede, assim como o conto, onde eles irão encontrar o gato e o marido sepultados. Martino acerta a mão, mantendo sempre a curiosidade do espectador alta em No Quarto Escuro de Satã, aproveitando o seu domínio sobre elementos chave que garantem o sucesso do longa e do gênero em si, como o distanciamento de qualquer afeição pelos personagens, a típica fotografia barroca, mortes violentas, e várias cenas carregadas de erotismo e nudez, outro ponto comum na filmografia do diretor. Uma boa pedida, e um dos melhores exemplares do prolífico cinema de terror italiano dos anos 70. Até foi lançado no Brasil em DVD pela Magnus Opus.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/10/02/275-no-quarto-escuro-de-sata-1972/

terça-feira, 13 de outubro de 2015

#082 1955 A REVANCHE DO MONSTRO (Revenge of the Creature, EUA)


Direção: Jack Arnold
Roteiro: Martin Berkeley, Willian Alland (história)
Produção: William Alland
Elenco: John Agar, Lori Nelson, John Bromfield, Nestor Paiva, Grandon Rhodes, Clint Eastwood (técnico de laboratório)

Claro que um filme de monstro da Universal teria que ter uma continuação. Se Drácula teve, Frankenstein teve, A Múmia teve, O Lobisomem teve e até O Homem Invisível teve, por que seria diferente com O Monstro da Lagoa Negra? Pois é, o Gill Man volta a atacar em A Revanche do Monstro. Novamente dirigido por Jack Arnold, o diretor do primeiro filme, aqui vemos a criatura anfíbia Gill Man (algo como tradução literal de Homem Guelra) tendo sua paz mais uma vez atazanada em pleno Rio Amazonas, seu habitat natural. Agora, o Prof. Clete Ferguson e Joe Hayes vão pescar o mutante para levá-lo até o aquário Ocean Harbor na Flórida, afim de estudá-lo e colocá-lo como a mais nova atração do parque aquático. Uma verdadeira crueldade com o Gill Man. Ao chegar ao parque aquático, eles recebem a ajuda da ictióloga Helen Dobson, por quem Clete acaba rapidamente se apaixonando assim como o Gill Man. Claro né, afinal em O Monstro da Lagoa Negra já dava para sacar que ele era chegado em uma mamífera humana. E aqui enquanto ele está acorrentado no fundo do tanque onde é cativo, ele vira e mexe recebe a visita da garota que o olha com dó, mas só até Clete aparecer e eles começarem a flertar na frente da criatura, que fica os encarando com aquele olhar de peixe morto (RÁ). Puto da vida, preso, com tesão reprimido e ainda sendo cutucado com uma vara elétrica e azucrinado pelos cientistas, não ia dar outra. Gill Man revoltado consegue estourar as correntes e toca o terror no parque aquático, sendo um espécie de predecessor de Tubarão 3 e Piranha, até voltar para o mar. Então várias manchetes de jornais dão conta de ataques que o monstro vai cometendo nas praias e costas, até encontrar novamente com Clete e Helen em uma baladinha à beira de um rio em Jacksonville, chamada The Lobster House (isso antes de dar uma bela olhada na garota tomando banho em outra cena). Gill Man promove o pânico ali naquele bar e rapta Helen, talvez querendo gerar pequenos monstrinhos da lagoa negra com ela. Com o auxílio da polícia local, Clete vai ao encalço do anfíbio mutante para livrar sua amada das garras escamosas do monstro. Destaque mais uma vez para a tosca, mas legal, roupa de Gill Man, design criado por Jack Kevan, com suas guelras que se abrem e fecham, que foi interpretado por Tom Hennesy nas tomadas em terra firme, e por Ricou Browning, em sua diversas cenas embaixo d’água, quando a criatura mostra com toda desenvoltura seu balé aquático. Filmado com a tecnologia 3D da época, uma das principais curiosidades de A Revanche do Monstro é que foi a primeira participação de Clint Eastwood no cinema, em um papel não creditado, como um técnico de laboratório chamado Jennings, no comecinho da fita. As cenas que se passam no Ocean Harbor foram na verdade filmados no Marineland of Florida, o primeiro oceanário do mundo.

FONTE: http://101horrormovies.com/2013/02/08/82-a-revanche-do-monstro-1955/

#062 1945 A CASA DE DRÁCULA (House of Dracula, EUA)



Direção: Erle C. Kenton
Roteiro: Edward T. Lowe
Produção: Paul Mavern, Joe Gershenson (Produtor Executivo)
Elenco: Lon Chaney Jr., John Carradine, Martha O’Driscoll, Lionel Atwill, Onslow Stevens, Jane Adams

Mais uma presepada da Universal com seus monstros, que um dia foram tão fantásticos e nessa altura do campeonato, viraram chacota. Felizmente, A Casa do Drácula é a última incursão dessas adoráveis criaturas no cinema, fechando de vez a Era de Ouro de terror do estúdio. E quando pensávamos que a vergonha alheia não poderia ser maior, eis que o diretor Erle C. Kenton (que já havia dirigido A Casa de Frankenstein), com a ajuda do roteiro de Edward T. Lowe consegue nos apresentar mais um filme meia boca, com uma história das mais esdrúxulas, encerrando de forma deprimente o ciclo de monstros da Universal. Novamente, estão reunidos o Conde Drácula, o lobisomem e o monstro de Frankenstein para seu derradeiro adeus, e mais uma vez rola também um cientista louco e uma corcunda (sim, do sexo feminino). Pois bem, o filme começa com Conde Drácula, mas uma vez interpretado por John Carradine, que nunca convenceu nem um pouco como o chupador de sangue, chegando até a casa do proeminente Dr. Franz Edelmahn, em busca de uma cura para seu vampirismo. Sim, é isso mesmo que você leu. Em busca de uma cura! O maligno conde está cansado da sua maldição e sua vida praticando atos nefastos e resolve procurar um médico para curá-lo. Segundo as pesquisas do Dr. Edelmahn, o vampirismo é uma doença sanguínea, e através da transfusão do sangue de alguém não contaminado (no caso o próprio médico é a cobaia), Drácula irá receber novos anticorpos que colocarão um fim na sua condição de vampiro. Claro, afinal tudo se resume a uma doença sanguínea. Não ter reflexo no espelho, torrar com a luz do sol, transformar-se em morcego e fugir da cruz são apenas efeitos colaterais da tal doença do sangue. Como se não bastasse, outro monstro vai ter uma consulta com o médico: Larry Talbot, conhecido na boca pequena como o lobisomem. Mais uma vez o amargurado personagem de Lon Chaney Jr. quer se livrar da sua maldição de virar uma assassina criatura peluda que uiva para a lua cheia. Ignorando completamente a cronologia estabelecida em A Casa de Frankenstein, onde ele havia sido morto com um tiro de bala de prata, Talbot também recebe o diagnóstico do médico: a licantropia é causada por uma pressão na caixa cerebral do indivíduo, fazendo com que ele sofra de uma espécie de auto-hipnose tão poderosa que irá liberar uma grande quantidade de hormônio que irá transformá-lo no lobisomem. Mas há uma cura. Como uma cirurgia no cérebro para dilatar a caixa craniana seria extremamente perigosa, o doutor, ajudado por uma enfermeira e a sua assistente corcunda (é claro que ele tem uma assistente corcunda para ajudá-lo) cultiva uma espécie raríssima de planta que produz um esporo que serve como uma antitoxina que irá resolver de vez o problema do peludão, sem precisar ir para a faca. Como se não bastasse, o Dr. Edelmahn ainda encontra o monstro de Frankenstein em uma gruta localizada em um precipício na encosta, quando estava procurando por Talbot, que resolveu se jogar na tentativa de se matar de uma vez por todas. Daí, agora respeitando os acontecimentos de A Casa de Frankenstein, o monstro está todo envolto em lama, segurando o esqueleto do Dr. Friemann (o personagem de Karloff no filme anterior da saga), tendo chegado naquele local, levado pela correnteza após afundarem na areia movediça. Agora que todos os monstros estão reunidos sobre a batuta do médico, descobrimos a verdadeira intenção de Drácula, que não é se livrar do seu problema coisa nenhuma. Ele foi atrás da enfermeira Miliza (não a corcunda, a bonitinha), antigo caso do vampiro, para transformá-la em uma criatura das trevas assim como ele. Mas precisou fazer tudo isso? Não era mais fácil virar um morcego, entrar pela janela da rapariga e chupar seu sangue? Enfim. Em uma transfusão mal sucedida, Drácula acaba passando seu sangue para o Dr. Edelmahn, que se transforma em um assassino ensandecido, com alguns poderes do Conde, e resolve também ressuscitar mais uma vez o monstro de Frankenstein, que aparece nos três minutos finais do filme apenas para dar um safanão em um polícia (da equipe do inspetor Holtz, mais uma vez interpretado por Lionel Atwill, que parece só saber fazer inspetores de polícia nos filmes da Universal) e levar com uma estante na cabeça, derrubada por Talbot (curado de uma vez por todas da licantropia). O laboratório do doutor pega fogo, e em um mesmo filme, temos Drácula e o monstro de Frankenstein derrotados e o lobisomem curado para sempre. Por mais inverossímil que pareça realmente essa tosqueira toda teve a coragem de ser filmada. A Casa do Drácula beira o ridículo em todo o seu enredo, chegando a ser triste seu resultado final, por mais que eu goste de filmes podres. Apenas algumas coisas se salvam na direção de Kenton (que entre seus trabalhos, tem o ótimo A Ilha das Almas Selvagens), como algumas excelentes brincadeiras com sombras dos personagens, que lembra vagamente o que era feito no expressionismo alemão, e a aparente melhora nos efeitos especiais, principalmente na transformação de Drácula em morcego e vice-versa. Mas o resto todo é sofrível, em pegar toda a explicação sobrenatural e mística da origem dos personagens, e inventar uma patética teoria médica e científica em cada caso. Descansem em paz, Conde Drácula, lobisomem e o monstro de Frankenstein.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/01/16/62-a-casa-de-dracula-1945/

#061 1945 A VINGANÇA DO HOMEM INVISÍVEL (The Invisible Man’s Revenge, EUA)


 Direção: Ford Beebe
Roteiro: Bertram Millhauser
Produção: Ford Beebe
Elenco: John Hall, Leon Errol, John Carradine, Evelyn Ankers, Gale Sondergaard, Lester Matthews

A Vingança do Homem Invisível é o último filme de mais uma das famosas franquias de monstro da Universal. Com a chegada da metade da década de 40 e o constante desinteresse do público, o período mais feroz e derradeiro da Segunda Guerra Mundial, além do despontar de um novo tipo de cinema de horror graças aos filmes produzidos por Val Lewton, era natural que uma hora a fonte da Universal secasse (e já vinha secando há tempos). Com sua galinha dos ovos de ouro enchendo os cofres do estúdio desde o começo da década de 30 e após alguns excelentes filmes, não havia mais para onde levar seus monstros, instalando-se uma estagnação e repetição de ideias, e por fim, um a um foi minguando com sequências desnecessárias, extraindo até o bagaço da laranja. Mas dentre todas as sequências, sempre em franca decadência, A Vingança do Homem Invisível é uma que teve um resultado até que satisfatório, em minha opinião. Talvez o que tenha mantido a série um pouco mais, digamos, original, foi que ela não se limitou a trazer sempre os mesmos personagens, recauchutando suas histórias, como aconteceu com as continuações de DráculaFrankenstein e A Múmia, por exemplo. Desde O Homem Invisível, dirigido por James Whale em 1933, passando por A Volta do Homem Invisível, A Mulher Invisível (que é mais uma comédia de situação que um filme de terror em si), Agente Invisível (propaganda ideológica americana contra a Segunda Guerra) e finalmente A Vingança do Homem Invisível, sempre foram apresentados personagens diferentes (alguns com ligações sanguíneas com o personagem original) e com motivações díspares, para obter o uso da poção da invisibilidade. Na trama dessa fita em específico, como o próprio título obviamente sugere, um novo Homem Invisível está em busca de vingança. Robert Griffin, interpretado por Jon Hall, que apesar do sobrenome, não tem nenhum parentesco (ou que pelo menos seja explicado na trama) com o Homem Invisível original, é um condenado foragido de um manicômio, que ficou durante seis anos preso em uma escavação na África, perdendo completamente a sanidade e sendo trancafiado logo depois de conseguir escapar já sem um pingo de juízo. Acreditando que foi traído pelos seus antigos amigos e parceiros da expedição, Griffin retorna sedento por vingança contra os Herrick, família formada pelos irmãos Jasper e Irene, além de Julie, antigo caso amoroso de Griffin. O injustiçado quer sua parte na descoberta da escavação dos minérios, porém os Herrick acreditaram que o antigo parceiro estava morto, por isso, gastaram toda a grana e não tem a menor intenção de dividir o pouco que sobrou com o reaparecido. Então a polícia é chamada e Griffin é expulso do condado em uma noite chuvosa. Em sua andança, puto da vida, ao procurar abrigo, ele se depara com o estranho cientista louco, Dr. Durry (papel de John Carradine), que também desenvolveu uma fórmula capaz de transformar qualquer animal em invisível, de forma irreversível. Griffin aceita ser uma cobaia humana do doutor, que busca reconhecimento e um passaporte para a sociedade científica. Mas como Griffin não bate bem da cachola e é desequilibrado, ele resolve usar seus poderes recém-adquiridos para arquitetar seu plano de vingança, primeiramente se livrando do professor, matando-o estrangulado. Diferente dos demais filmes da franquia, aqui Griffin descobre uma forma de voltar a tornar-se visível, através da transfusão sanguínea de outra pessoa. Temporariamente até todo o sangue novo se esvair de suas veias, o vilão consegue readquirir sua aparência em carne osso, para que com o passar do tempo, volte a ficar translúcido até tornar-se invisível novamente. Para conseguir se manter, ele deve sempre matar outras pessoas e assim ficar nesse vai e vem. Isso até ele ser detido e morto por um cachorro. Sim, um cachorro! Na verdade o cachorro do Dr. Durry, que assim como o personagem de Griffin, foi atrás de vingança quando seu dono foi assassinado. A Vingança do Homem Invisível é um filme mediano, mas que tem seus pontos interessantes, tratando-se dos efeitos especiais, sempre muito bem elaborados para a época, principalmente nas cenas de transfusão. Além disso, ele traz uma figura do personagem muito mais vilanesca e insana que nos outros filmes, sem princípios para cometer assassinatos e sem precisar do famoso efeito colateral da duocaína, ou monocaína, dependendo do filme, para perder a sanidade de vez.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/01/15/61-a-vinganca-do-homem-invisivel-1944/