domingo, 22 de novembro de 2015

O HOMEM DA TERRA (Man From Earth, EUA, 2014)


Direção: Richard Schenkman
Elenco: David Lee Smith, John Billingsley,  Ellen Crawford

Sinopse: 
Na festa de despedida do professor John Oldman (David Lee Smith), ele surpreendentemente muda o rumo da festa ao decidir contar para seus amigos que tem 14 mil anos. 
É quando começa um debate histórico, científico e religioso entre Oldman e seus amigos. Baseado na obra do escritor Jerome Bixby.
O filme se concentra no misterioso comportamento de John Oldman (David Lee Smith), um professor acadêmico que a cada dez anos muda de contexto, deixando tudo para trás.
Cansado de guardar esse misterioso segredo, antes de partir da academia onde leciona, convida seus colegas para uma reunião em sua casa, onde irá revelar pela primeira vez o que está por trás de seu comportamento obscuro.
Uma história que transcende o tempo e espaço...

Numa noite fria numa cabana distante, o Professor John Oldman reúne os colegas da sua maior confiança para uma questão extraordinária: 
“E se um homem do Alto Paleolítico tivesse vivido até os dias de hoje?“, pergunta John Oldman para o grupo de amigos, todos professores universitários. 
Obviamente, eles pensam que trata-se de um exercício de imaginação, ou o início do que seria um apanhado de ideias para escrever um romance de ficção científica. 
A questão é que quando John Oldman faz esta pergunta para os amigos durante sua festa de despedida, ele na realidade queria começar a explicar as razões pelas quais tinha que deixar a cidade depois de 10 anos vivendo lá. 
O motivo principal? John Oldman é este homem que nasceu no Alto Paleolítico e continua vivo, ele é um imortal que já caminha pela Terra há mais de 14.000 anos!
Um antropólogo, um biólogo, uma literata cristã, um arqueólogo e um psicólogo discutem essa hipótese, sempre com John lhes propondo cenários em que ele sobreviveu por todo esse tempo.
Será Oldman verdadeiramente Cro-Magnon ou apenas louco? Agora um homem irá forçar estes cientistas e estudiosos a confrontarem as suas próprias noções de história, religião e humanidade, conduzindo tudo a uma revelação final que poderá abalar o seu mundo para sempre!
Interações com Buddha, uma revelação sobre Jesus, a vida antes da civilização e o surgimento da civilização.
O Homem da Terra é um filme de ficção científica de baixíssimo orçamento, onde o interesse e o ponto alto ficam todos no genial roteiro de Jerome Bixby.
É interessantíssimo o relato que John Oldman (David Lee Smith) faz de suas andanças através dos tempos e do papel que representou em alguns acontecimentos marcantes, para perplexidade dos outros professores universitários, os quais julgam-no um fantasista mas ficam fascinados com a verossimilhança de tudo que ele diz. 
A ação se passa toda na casa de John, e a maioria das cenas foram feitas na sala, com os personagens sentados conversando, lembrando um pouco uma forma mais teatral de contar uma história. 
Não espere uma grande fotografia e belas cenas desse filme, mas sim uma excelente história que vai lhe fazer pensar na vida, no universo e tudo mais, por um bom tempo.
Sendo um filme sem qualquer ação de montagem, surpreende pela capacidade que tem de nos entreter com questões existenciais e filosóficas.
De uma maneira muito natural, John Oldman vai desfazendo várias ideias erradas sobre o que é viver tanto tempo. E numa troca de ideias constante entre um conjunto de personagens escolhidas a dedo, ele chega a questionar um dos pilares da religião cristã!
A trama é excelente, e o expectador se sente tão frustrado quanto os personagens coadjuvantes, ao também não encontrar meios de refutar o professor pré-histórico, dessa forma tendo de aceitar que ele diz a verdade ou simplesmente desacreditá-lo sem argumentos para tal.
É um filme ímpar que pode motivar uma boa discussão sobre o tema do sentido da existência. Além disso, pode contribuir para alargar a cultura saindo dos lugares-comuns do cinema de ação e entretenimento.

A CALDEIRA DO DIABO (PAYTON PLACE, EUA, 2015)


DIVERTIDA MENTE (inside out, EUA, 2015)


#714 2000 PSICOPATA AMERICANO (American Psycho, EUA)


Direção: Mary Harron
Roteiro: Mary Harron, Guinevere Turner (baseado no livro de Bret Easton Ellis)
Produção: Chris Halsey Solomon, Edward R. Pressman; Ernie Barbarash, Alessandro Camon, Clifford Streit, Rob Weiss (Coprodutores); Joseph Drake, Michael Paseornek, Jeff Sackman (Produtores Executivos)
Elenco: Christian Bale, Justin Theroux, Josh Lucas, Bill Sage, Chloë Sevigny, Reese Whiterspoon, Jared Leto, Willem DaFoe.

Certeza que Psicopata Americano é um dos filmes mais fodas da vida! Daqueles que você fala com a boca cheia, comenta todas as cenas incríveis, debate o final polêmico que gera N interpretações, fica embasbacado como Christian Bale está absurdamente incrível e puto por nem sequer concorrer ao Oscar®, e claro, ri sozinho toda vez que lembra a cena dos cartões de visita. Baseado no best seller igualmente controverso e polêmico escrito por Bret Easton Ellis, Psicopata Americano metralha o espectador com uma dose cavalar de violência estilizada, misturada com humor negro e ácida crítica social e comportamental a uma caralhada de coisas (capitalismo, culto ao corpo, consumo, futilidade, relações interpessoais) de brilhar os olhos, uma gema que você não sabe se dá risada ou se fica completamente chocado. E o que dizer sobre Patrick Bateman? Não dá para não considerar pacas o sujeito, e pagar um pau em todos os sentidos para a forma fodástica que um Christian Bale pré-Batman o interpreta. E nem de perto ele foi uma das primeiras escolhas para o papel, que foi oferecido para Leonardo DiCaprio (dissuadido por um grupo feminista pois interpretaria um misógino de mão cheia, por acreditar que ele enterraria sua carreira já que tinha tantas fãs adolescentes e mulheres por conta de Titanic – e detalhe, abandonou o projeto para fazer A Praia, do Danny Boyle… tá certo!), Ewan McGregor, Ben Chaplin, Billy Crudup e até o Jared Leto, que faz uma ponta como uma das vítimas, o da famosa dancinha (improvisada e não aprovada por Elilis) de Bale. E tem mais, nos estágios iniciais quando os direitos do livro de 1989 foram vendidos, pasmen, Stuart Gordon foi recrutado para dirigir o filme com Ellis escrevendo o roteiro, tendo Johnny Depp no papel de Bateman. A ideia era um filme extremamente fiel ao livro, com fotografia em P&B para não tomar de cara uma classificação X. O projeto foi pro saco, Cronenberg substituiu Gordon e Brad Pitt seria o astro. Sabemos que também não deu certo, até cair nas mãos da Lions Gate que trouxe Mary Hallon para dirigir. Agora pense como seriam essas outras duas versões de Psicopata Americano? Bom, voltando um pouco aqui, Bateman é o típico yuppie dos anos 80: rico, bonito, mora em um apartamento fantástico, malha todo dia, metrossexual, faz bronzeamento artificial, usa esfoliante de rosto, namora uma perua da alta sociedade, tem um gosto musical cafonérrimo, amigos com quem cheira cocaína no banheiro dos nightclubs e disputa reservas em restaurantes fancy ou quem tem o cartão de visita mais bonito, e… é um psicopata! Na real sua psicopatia é sua verdadeira face, subterfúgio psicológico onde encontra razão em viver e felicidade em uma vida sem sentido, completamente de aparências, de inveja, de consumo exacerbado. Matar higienicamente prostitutas enquanto discorre sobre Phil Collins, Whitney Houston e Huey Lewins and the News é seu hobby, sua válvula de escape. Entre ternos caros, Rolex, cuecas Calvin Klein e champagne, estão serras elétricas, facas, estiletes, revólveres, machados e pistolas de prego, com os quais ele fere suas vítimas e derrama seu sangue com gosto. Psicopata Americano grita a hipocrisia capitalista globalizada, o exagero os anos 80 e a ignorância da elite branca que brada sobre os problemas do terceiro mundo, a fome na África e ao mesmo tempo, acreditam que se você pegar HIV tornar-se-á imune a qualquer outro tipo de doença. É o culto ao corpo, ao se vestir, ao esbanjar dinheiro e como isso pode ser tão inócuo, que mesmo tendo espaço nas mais importantes rodas sociais e um escritório em Wall Street (em que você não faz absolutamente porra nenhuma o dia inteiro, só ouve seu Walkman) há um buraco negro vazio que se completa apenas com os prazeres de esfolar outro ser humano. Falando assim o filme parece somente mais uma ode à violência gratuita e desmedida, como tantos outros, de Laranja Mecânica a Clube da Luta, são taxados, mas na verdade você dá mais risada do que qualquer outra coisa em Psicopata Americano. E não é somente aquele risinho de nervosismo. É de gargalhar alto mesmo, como as já citadas cenas dos cartões de visita (e como a Pierce & Pierce tem tantos vice-presidentes?), a cara de Bateman toda vez que ouve falar do hypado restaurante em que não consegue reserva (e seus colegas de trabalho, sim), a tese sobre Sussudio e a defesa da carreira solo de Phil Colins em detrimento do Genesis e claro, a absolutamente caricata e exagerada cena da serra elétrica, com Bale correndo pelado todo ensanguentado por corredores, e tem um desfecho completamente inverossímil.
ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco.
E quanto ao final do filme? Qual time você está? Daqueles que acham que Bateman de verdade era louco de pedra, não cometeu nenhum daqueles crimes, tudo é um delírio e ele é somente uma insana vítima infeliz da sociedade fútil que o rodeia, ou daqueles que acham que na verdade ele cometeu sim as barbáries, mas o inescrupuloso mercado imobiliário escondeu evidências para poder logo revender o apartamento, em um dos endereços mais nobres de Nova York e das vistas mais cobiçadas e o advogado de Bateman simplesmente o confundiu com outro yuppie qualquer que saiu da mesma forma, como o personagem de Leto o confunde com Marcus Halberstran? O final aberto e seu monólogo existencialista são outros dois pontos fortes da fita. Psicopata Americano dá uma machada no American Way of Life de vez, mais forte até que Bateman dá em Paul Allen, e sem dúvida é um daqueles filmes que é impossível passar incólume, nunca recebeu toda a verdadeira atenção que se deveria, principalmente por conta dos problemas enfrentados com a censura, protestos e até a própria má fama do livro e de Ellis, mas tornou-se um cult que aos poucos vai sendo descoberto por tantos cinéfilos maravilhados.
FONTE: http://101horrormovies.com/2015/09/03/714-psicopata-americano-2000/

#709 2000 ECLIPSE MORTAL (Pitch Black, EUA)


Direção: David Twohy
Roteiro: Jim Wheat, Ken Wheat, David Twohy
Produção: Tom Engelman; Ted Field, Scott Kroopf, Anthony Winley
Elenco: Vin Diesel, Radha Mitchell, Cole Hauser, Keith David, Lewis Fitz-Gerald, Claudia Black, Rhiana Griffith

Lá em meados do ano 2000, quando trabalhava em um subemprego numa loja de shopping com meus recém-adquiridos 18 anos, época que estreou no Brasil o filme Eclipse Mortal, toda hora rolava um spot na Rádio Mix sobre o filme (a estação de rádio ficava sintonizada na loja o fucking dia inteiro – ou isso, ou o maldito CD acústico do Capital Inicial). Até que fui assisti-lo no cinema do mesmo shopping, certa tarde antes do expediente. Gostei do filme, e sinceramente ainda gosto, porque ele é um típico sci-fi B, porém com um grande estúdio por trás, no caso a Universal, que dá um giro de 360º em sua metade final, deixando de ser apenas um faroeste estelar de mocinho e bandido para virar um clássico filme de horror com criaturas carnívoras que espreitam no escuro um grupo de sobreviventes encrencados até o fio de cabelo. E gente, Vin Diesel, como assim? Pré-Velozes e Furiosos, que tornou o Cafuçu a maior aposta do cinema de ação daquele começo de década, encarnando o assassino-badass-prisioneiro-fugitivo Richard B. Riddick, que acabou protagonizando dois outros filmes (e até animações), inclusive um deles sendo toda uma superprodução hollywoodiana (fracasso de bilheteria, diga-se de passagem), e tudo isso quem diria, spin-off de uma ficção científica obscura. Bem, como falei, a primeira metade de Eclipse Mortal é focado no trágico destino dos passageiros da nave de transporte Hunter/Gratzner, que carregava 40 pessoas a bordo, mas durante uma chuva de meteoros que a avaria, é obrigada a fazer um pouso forçado em um planeta desértico desolado com três sóis (haja Coppertone!). Apenas 11 sobrevivem, incluindo Riddick, a comandante Carolyn Fry (Radha Mitchell) e o mercenário William J. Johns (Cole Hauser), responsável pela prisão do fora da lei intergaláctico. Vemos o infortúnio dos sobreviventes naquele local árido, onde nunca anoitece, filmado no deserto de Queensland, na Austrália (mesma locação de Mad Max – Além da Cúpula do Trovão), destacado hora pela fotografia estourada em laranja dos dias, ora azulada das “noites” (ótimo trabalho de David Eggby (mesmo diretor do fotografia do primeiro Mad Max ainda com o Mel Gibson), sempre à sombra do medo que Riddick representa, sem imaginar que algo muito pior espreita na escuridão. A cada 22 anos um eclipse total atinge aquele planeta, e foi o que resultou no desaparecimento de toda a equipe de mineração que fazia pesquisas no local, dizimada por criaturas aladas que parecem uma mistura de tubarão martelo com o Alien (desenvolvidas por Patrick Tatopoulos, responsável por Independence Day e Godzilla de Rolland Emerich), fotossensíveis à claridade e sedentas por carne humana. E adivinha na véspera de que os tripulantes foram parar ali? Todos passam a ser caçados pelos mortais alienígenas e a única coisa que consegue mantê-los afastado é a pouca quantidade de luz que conseguem carregar consigo, e apenas enquanto essa luz não se extinguir. E de vilão, Riddick se torna o óbvio anti-herói e única esperança do bando, uma vez que Carolyn tenta manter o mínimo de liderança, atormentada pela quase escolha em se salvar durante a queda sacrificando todos a bordo, e Johns é um babaca machista odioso viciado em morfina que está mais preocupado em sua vingancinha pessoal e entregar a cabeça do fugitivo por uma boa grana. Além do mais, o personagem de Diesel é o único que tem a habilidade de enxergar no escuro, uma vez que suas retinas foram geneticamente modificadas quando passou vinte anos em uma prisão completamente escura. Eclipse Mortal vai ser aquela amálgama de filme de ação, uma vez que né, temos Vin Diesel sendo o todo fodão, fazendo o que ele sabe fazer de melhor com seus músculos, já que no ramo das atuações não se pode esperar muita coisa do marombado (sua melhor interpretação foi a voz do Groot, em Guardiões da Galáxia) com sci-fi e terror, e é nessa parte que o filme pega, onde apenas depois de uma hora de exibição que as criaturas vão começar a dar forma, e fica instalado aquele velho clima de claustrofobia e paranoia, aos melhores moldes de Alien – O Oitavo Passageiro (e com um clima que me lembra bastante Alien 3) e O Enigma de Outro Mundo de John Carpenter. Ah, na real essa semelhança em atmosfera com o terceiro filme da franquia da barata espacial xenomorfa não é a toa. O diretor e roteirista David Twohy (que coescreveu Eclipse Mortal junto de Jim e Ken Wheat) foi um dos que se meteram com um dos vários exemplares de roteiros abandonados e reescritos de Alien 3. A peça que ele escreveu em 1988 foi rejeitada pela FOX, apesar de alguns de seus conceitos terem sido aproveitados na versão final do filme de David Fincher, como a prisão de segurança máxima e seus prisioneiros de moralidade ambígua, elementos também presentes aqui na figura do Riddick, que poderia muito bem ter sido um fugitivo de Fiorina Fury 161. Fato é que de uma produção de ficção científica de baixo orçamento, Diesel preparou seu caminho para a milionária franquia dos carros tunados, e ainda conseguiu fazer lá sua graça com Riddick durante a fase de ouro do seu estrelato como herói de ação do novo século (e agora novamente já em sua fase “decadente”). Tanto que na versão final do script, o personagem seria morto, mais o grupo de envolvidos viu potencial no personagem e em seu background. Fora isso, um clima pesado, árido, efeitos especiais bacanas e bons momentos de suspense e sangue (vale a pena assistir a versão do diretor sem cortes), tornam a diversão de Eclipse Mortal garantida para os fãs do gênero.
FONTE: http://101horrormovies.com/2015/08/26/709-eclipse-mortal-2000/

#442 1981 A PROFECIA III (The Final Conflict, EUA, Reino Unido)


Direção: Graham Baker
Roteiro:Andrew Brikin
Produção: Harvey Bernhard, Andrew Birkin (Produtor Associado), Richard Donner (Produtor Executivo)
Elenco: Sam Neill, Rossano Brazzi, Don Gordon, Lisa Harrow, Barnaby Holm, Mason Adams
 A saga do Anticristo, o capeta em forma de guri Damien Thorn, termina de uma forma deprimente aqui em A Profecia III – O Conflito Final. Puta babaquice maniqueísta carola judaico-cristã que mesmo com toda blasfêmia e heresia do decorrer da fita, consegue entregar um final clichê ridículo, um pastiche religioso com citações bíblicas, músicas de louvor e imagens santificadas, que jogam no lixo um enredo com um tremendo potencial. Tá, convenhamos que nunca que Hollywood deixaria que a trilogia se encerrasse de forma pessimista, com o cramunhão ganhando. Já foi um avanço ele ter se safado nos dois primeiros filmes, e o “mal” ter vencido no final todas as tentativas de Damien ser destruído. Enquanto A Profecia é um dos grandes clássicos do cinema de terror e deu origem a mitologia do filho das trevas que irá trazer o Apocalipse para a Terra, a sequência caça-níquel Damien: A Profecia II fez o nível cair por apostar no mais do mesmo e a sua conclusão aqui, dirigida por Graham Baker, tinha tudo para ser arrebatadora, mas como disse lá em cima, e com perdão do trocadilho, peca, e muito, em seu final. Mas vamos lá, não colocaremos a carroça na frente dos bois. O roteirista Andrew Birkin pega o personagem criado originalmente por David Seltzer e o coloca agora como um adulto, no auge do poder e influência com seus 32 anos. Uma aposta extremamente acertada, pois um dos pontos perturbadores era justamente o fato de uma criança e depois um pré-adolescente ser o vilão da série nos dois filmes anteriores. E o escalado para viver Damien foi o ótimo Sam Neill, um dos meus atores preferidos (muito por conta de um moleque de 11 anos ter assistido Jurassic Park no cinema, e em seus disparates de querer ser paleontólogo, adorava o Dr. Alan Grant). Esse megalomaníaco Damien agora tem um séquito de seguidores, controla a opinião pública por conta do seu trabalho filantrópico nas Indústrias Thorn, maquina guerras entre países, é pré-candidato ao senado americano, tem o presidente comendo na sua mão e ainda consegue o importante cargo de embaixador na Inglaterra (mesmo cargo de seu pai adotivo, papel de Gregory Peck de A Profecia original) e presidente do Conselho Juvenil da ONU. Tudo para moldar o planeta para que o juízo final comece a tomar forma e aquela coisa toda. Só que uma ameaça poderá colocar os planos do filho do Belzebu em risco: a segunda vinda de Cristo à Terra. Segundo uma antiga profecia bíblica, o local do nascimento do rebento será no Reino Unido (por isso ele insiste em tornar-se embaixador na Inglaterra, e com seu poder maligno, faz seu antecessor estourar os miolos em uma das violentas cenas de morte do filme). Para não dar sopa para o azar, Damien assim como Heródoto em tempos passados, manda matar todas os bebês que nasceram entre meia-noite e seis da manhã do dia 24 de março (oba, dois natais no ano!). Seus seguidores então em uma conspiração diabólica arquitetada de forma engenhosa, colocaram o plano em prática, fazendo com que todas as mortes sejam atribuídas à coincidências, como afogamentos, atropelamentos, e por aí vai. Só que isso colocará Damien em confronto com seu braço direito, Harvey Dean (Don Gordon), pois seu filho também nasceu no mesmo período. Claro que é impossível resistir ao chamado do mal e em outra cena incrível do filme, a esposa de Harvey, Barbara (Leueen Willoughby) possuída irá tirar a vida do filho com um ferro de passar roupa!!!! Neste meio tempo, Damien se envolve com a jornalista Kate Reynolds (Lisa Harrow), graças a sua pose de homem enigmático, charmoso e altruísta (ao mesmo tempo em que consegue ser terrivelmente cruel e maquiavélico na cena seguinte), e desenvolver uma relação bizarra com seu filho Peter (Barnaby Holm), mostrando sua poderosa influência sobre os jovens. Só que além da segunda vinda do JC, Damien ainda tem de lidar com uma seita secreta de monges liderada pelo padre DeCarlo (Rosssano Brazzi) que conseguiu tomar posse das adagas de Meggido, aquelas mesmas que o arqueólogo Carl Bugenhagen descobriu no primeiro filme (e acabou morrendo soterrado no segundo), único instrumento capaz de matar o Antricristo. Só que todos eles vão falhando miseravelmente na tentativa, sendo assassinados de forma cruel (destaque para o sujeito devorado por uma matilha de cachorros durante uma caça à raposa), até que DeCarlo resolve pedir ajuda a Kate, para destruir Damien e proteger o recém-nascido filho de Deus. Certamente o mais interessante de A Profecia III – O Conflito Final são os monólogos de Sam Neill, conversando com uma estátua de Cristo, zombando do Nazareno (não aquele personagem de Chico Anysio) maldizendo o barbudão e seus feitos. É uma metralhadora giratória de blasfêmia que dá até gosto. Mas um final safado, e completamente apressado, com o homem mais poderoso do mundo sendo morto de forma tão esdrúxula, misturado com a mensagem carola de vitória católica, consegue encobrir todos os bons momentos do filme. O que é uma pena, pois A Profecia III – O Conflito Final tinha a faca e o queijo na mão para finalizar a trilogia em grande estilo, mas preferiu o fazer da forma mais preguiçosa possível. Mesmo com Damien destruído, depois de dez anos, uma outra continuação feita direto para a TV foi lançada, agora com o Anticristo renascendo na forma de uma garota, em A Profecia IV – O Despertar. Recomendo passar longe deste.
FONTE: http://101horrormovies.com/2014/05/23/442-a-profecia-iii-o-conflito-final-1981/

#367 1978 A PROFECIA II (Damien: Omen II, EUA)


Direção: Don Taylor
Roteiro: Stanley Mann e Mike Hodges, Harvey Bernhard (história)
Produção: Harvey Bernhard, Charles Orne (Co-produtor), Joseph Lenzi (Produtor Associado)
Elenco: William Holden, Lee Grant, Jonathan Scott-Taylor, Robert Foxworth, Nicholas Pryor

Damien: A Profecia II é a continuação do sucesso satânico A Profecia, lançado dois anos antes e dirigido por Richard Donner. E vou lhe dizer que acho uma sequência até decente, trazendo o garoto que é o anticristo e nasceu de um chacal, agora em sua puberdade, próximo de completar 13 anos de idade e descobrir sua real função neste mundo. Claro que não tem a mesma aura macabra do primeiro filme (que é um clássico absoluto e indiscutível) e pouca profundidade psicológica, principalmente com relação ao garoto (vivido por Jonathan Scott-Taylor), focando-se muito mais na contagem de cadáveres e em algumas situações que parecem repeteco do original. Mas isso não desmerece o filme a meu ver, principalmente os nuances que trazem uma conspiração satânica em larga escala de indústrias, exército e política, para continuar os ensinamentos de Damien e conduzi-lo ao seu lugar de “direito”. Fora também a questão da perda de inocência, afinal, imagine você tem lá seus 12, 13 anos e descobre que é o filho do capeta, nasceu de um chacal, sua história está ali detalhadinha no livro do Apocalipse, e cabe a você tornar-se o governador do mundo para jogá-lo na danação? Como se o nascimento de espinhas, mudança na voz, hormônios em ebulição e começar a reparar nas garotas não fossem mudanças suficientes para deixar qualquer adolescente maluco. Uma das melhores cenas do longa que desconstrói esse complexo e coroa a tomada de decisão do garoto é quando ele está com seu primo no meio da floresta coberta de neve (e aí não vou contar o que acontece para não fazer nenhum SPOILER). Com um orçamento de 5,2 milhões de dólares, o dobro de A Profecia, claramente o filme funciona muito mais como uma das famosas continuações caça-níqueis encomendadas por estúdios de Hollywood. Mas pelo menos, como time em que está ganhando não se mexe, resolveram voltar a elementos já explorados no primeiro filme, sem desvirtuar-se completamente do roteiro escrito originalmente por David Seltzer (que se recusou a escrever uma continuação), como aconteceu, por exemplo, com outra sequência de outro emblemático filme do período: O Exorcista II – O Herege. A trama começa com Carl Bugenhagen (Leo McKern), aquele mesmo que havia alertado o pai de Damien na cidade de Meggido e lhe dado as adagas para assassinar o moleque, avisando um amigo arqueólogo sobre as profecias de que Damien é o anticristo ao ver a morte de Robert estampada no jornal e que sua face está pintada nas antigas ruínas que representam a Prostituta da Babilônia. Porém, um misterioso desabamento dá cabo da vida dos dois. Sete anos mais tarde, Damien vive com seu tio, o poderoso empresário Richard Thorn (William Holden, que recusou o papel no primeiro filme, dado a Gregory Peck, e obviamente percebeu que fez uma burrada, não hesitando em voltar para a segunda parte), casado com Ann (Lee Grant) e com um filho, Mark (Lucas Donat), melhor amiguinho do filho da besta. Uma jornalista que pesquisava a vida de Bugenhagen, Joana Hart (Elizabeth Sheperd) descobre a verdade e tenta avisar Charles Warren (Nicholas Pryor), amigo de Richard que está por trás da exibição das escavações de Meggido em um dos museus geridos pelos Thorn. Mas ela acaba sendo morta por um corvo agourento que ataca (que aparecerá durante todo o longa, como um verdadeiro enviado de satanás), jogando-a no meio da estrada quando um caminhão a atinge, e mais tarde Warren ficará completamente louco com a descoberta. Ou seja, uma série de personagens vai aparecendo na trama sequencialmente, e toda vez que descobrem alguma coisa: BINGO!, eles são mortos. Nesse ínterim, Damien estuda em uma escola militar, sob a batuta do Sargento Neff (vivido pelo eterno android Bishop da franquia Alien, Lance Henrikssen) que é mais um mancomunado nessa conspiração satânica para educar o garoto, e quem lhe fará a importante revelação de sua origem, poderes e missão (numa cena mal aproveitada pacas). Fora isso, Paul Buher (Robert Foxworth), outro satanista, que em determinado momento por conta de uma trágica morte, torna-se o inescrupuloso presdiente das empresas Thorn, começa a movimentar os peões do tabuleiro de xadrez para usar a sua influência mundial por meio da multinacional tentando controlar a fome no planeta e abrir as asas de seu poder, preparando terreno para a ascenção de Damien que veremos em A Profecia III – O Confronto Final. Os maiores problemas da produção são seu roteiro, com algumas falhas, personagens subaproveitados e uma formulinha padrão seguido à risca durante toda a produção, fora a incapacidade dos personagens em conseguir ligar A com B (e quando o fazem, são desacreditados ou assassinados na sequência), e a direção burocrática e nada inspirada de Don Taylor, que substituiu Mike Hodges por conta das famosas “diferenças criativas” após algumas cenas já terem sido rodadas (e aproveitadas no resultado final). Damine: A Profecia II não é um grande filme de terror, e muito menos um marco para o gênero como seu antecessor, mas como disse lá no primeiro parágrafo, é uma continuação bastante decente e vale a conferida.
FONTE: http://101horrormovies.com/2014/02/08/367-damien-a-profecia-ii-1978/