domingo, 27 de dezembro de 2015

#399 1979 OS VAMPIROS DE SALEM (Salem’s Lot, EUA)


Direção: Tobe Hooper
Roteiro: Paul Monash (baseado no livro de Stephen King)
Produção: Richard Kobritz, Anna Cottle (Produtor Associado), Stirling Silliphant (Produtor Executivo)
Elenco: David Soul, James Mason, Lance Kerwin, Bonnie Bedelia, Lew Ayres, Julie Cobb, Elisha Cook Jr.

Minissérie feita para a televisão adaptada de uma obra de Stephen King. O que aconteceu pela primeira vez em Os Vampiros de Salem, baseado no livro “A Hora do Vampiro”, segundo da carreira do escritor, que foi ao ar pelo canal CBS em novembro de 1979, tornaria-se uma verdadeira constante. Uma porrada de telefilmes e minisséries do Mestre do Terror seriam feitos diretamente para as telinhas e ajudariam, e muito, na imensa popularização do autor do Maine. Algumas de muita qualidade, como o próprio Os Vampiros de Salem, It – Uma Obra Prima do Medo e A Tempestade do Século, por exemplo, e outras execráveis, como Fenda no TempoA Dança da MorteRose Red – A Casa Adormecida e Desespero. Pois bem, dirigido por Tobe Hooper em seu auge e escrita por Paul Monash, Os Vampiros de Salem originalmente foi lançado em seis episódios e mais tarde transformado em um filme para seu lançamento comercial tanto nos cinemas, quanto VHS e DVD. E vou lhe falar que traz uma das mais bacanas e assustadoras representações de vampiros do gênero. Por mais que Barlow, o vampiro-mor, seja uma cópia azul do personagem de Nosferatu, a caracterização dos demais vampiros é sinistra, com sua pele de cera e hipnóticos olhos brancos brilhantes. As cenas em que os sanguessugas aparecem voando na neblina e batendo na janela de suas vítimas tarde da noite para que sejam convidadas a entrar, é muito bem feita (e tornou-se um clássico). A trama em seus 184 minutos de duração traz o escritor Bem Mears (David Soul) que volta à sua cidadezinha natal, Salem’s Lot (diminutivo de Jerusalem’s Lot), na Nova Inglaterra, para escrever um livro sobre a Mansão Marsten, um casarão vitoriano no topo de uma colina que irradia maldade. Pior ainda que ela acaba de ser alugada pelo funesto Richard K. Straker (James Mason) e seu sócio Barlow (que nunca sequer apareceu na cidade), em vias de abrir um antiquário por lá. As bizarras mortes por anemia começam a acontecer quando Straker paga ao corretor imobiliário Larry Crockett (Fred Willard) para que ele contrate duas pessoas a fim de trazer um estranho carregamento de Portland, que escolados no cinema de terror como somos, sabemos que é o caixão com o terrível vampiro dentro. Logo Ben começa a desconfiar da origem dessas mortes e obviamente é desacreditado, sendo auxiliado apenas pela namorada que descolou ao voltar à cidade, Susan Norton (Bonnie Bedelia), seu pai médico, o Dr. Bill Norton (Ed Flanders) e seu antigo professor de escola, Jason Burke (Lew Ayres), além do jovem vidrado em monstros e personagem de terror, Mark Petrie (Lance Kerwin), que teve seus pais e amigos mortos pelos vampiros e deseja vingança. Esse é o estopim para a cidade inteira de Salem’s Lot ser subjugada por Barlow, seu carniçal Straker e a horda de vampiros que ele foi transformando no decorrer de sua curta estada, condenando todos os moradores do local, exceto Mears, o Dr. Norton e o jovem Pietre que resolvem adentrar à casa para caçar o morto-vivo, mesmo Mears tendo um medo danado da mansão, pois durante a infância, quando sua tia trabalhava de governanta por lá, entrou no imóvel e foi testemunha do suicídio do infame Hubbie Marsten, proprietário o qual recaía suspeita de ser responsável pelo desaparecimento de criancinhas na época. A teoria então de Ben Mears é que há alguma força maligna na casa que atrai apenas esse tipo de moradores. Mas ele nunca iria imaginar ter de lidar com vampiros. Stephen King concebeu “A Hora do Vampiro” para ser sua versão de Drácula vindo para América. Porém o produtor Richard Kobritz resolveu fazê-lo mais parecido com o monstro de Nosferatu – Uma Sinfonia de Horror: assustador e asqueroso, pois estava preocupado que um vilão romantizado não teria o impacto que ele gostaria. Na verdade eu acho que foi uma escolha acertada, pois em 1979, havia estreado Drácula de John Badham com um charmoso Frank Langella no papel principal. Em contrapartida, Werner Herzog também entregaria no mesmo ano o seu remake Nosferatu – O Vampiro da Noite. Então ficou elas por elas. Detalhe que George A. Romero era o nome cotado para dirigir o filme, quando este ainda seria uma adaptação cinematográfica e não uma minissérie televisiva. Quando a ideia foi abortada exatamente por conta do lançamento dos dois longas citados acima, Romero pulou do barco e a vaga ficou com Tobe Hooper, selecionado por Kobritz após assistir adivinhe qual filme? O Massacre da Serra Elétrica, claro. Os Vampiros de Salem alcançou altos níveis de audiência na televisão americana e tornou-se um sucesso instantâneo, ajudando a pavimentar definitivamente o sucesso do escritor e tornar suas adaptações de livros uma verdadeira febre. Foi até se pensado pelos figurões executivos do estúdio em transformá-lo em uma série de TV convencional, mas que nunca foi para frente. Só que a minissérie ganhou uma pavorosa continuação em 1987, quase dez anos depois, escrita e dirigida por Larry Cohen, lançada em sessão dupla com A Ilha dos Monstros, terceiro filme da trilogia de Nasce um Monstro. Detalhe que Cohen escreveu o roteiro original de Os Vampiros de Salem, mas o produtor achou o script uma “porcaria” e pediu para Paul Monasch reescrevê-lo, cortando Cohen totalmente dos créditos. Em 2004, “A Hora do Vampiro” foi mais uma vez transformada em uma minissérie, desta vez exibida na TNT, que ganhou no Brasil o título de A Mansão Marsten, quando lançada direto em DVD, com Rob Lowe, Donald Sutherland, James Cromwell e Rutger Rauer no elenco. Que também é bastante decente, por sinal.
FONTE: http://101horrormovies.com/2014/03/27/399-os-vampiros-de-salem-1979/

sábado, 26 de dezembro de 2015

#398 1979 TERROR EM AMITYVILLE (The Amityville Horror, EUA)


Direção: Stuart Rosenberg
Roteiro: Sandor Stern (baseado no livro de Jay Anson)
Produção: Elliot Geisinger, Ronald Saland, Samuel Z. Arkoff (Produtor Executivo)
Elenco: James Brolin, Margot Kidder, Rod Steiger, Don Stroud, Murray Hamilton

Terror em Amityville é mais um daqueles clássicos filmes dos anos 70, que faz parte do imaginário coletivo dos fãs de terror. Baseado no livro homônimo de Jay Anson, grande parte disso se deve ao tal fato de ele ter sido alardeado pelo escritor como “baseado em fatos reais”. Mas que mais tarde, foi descoberto como uma farsa sensacionalista. Acredito que o casarão de Amityville é a mais famosa casa mal-assombrada do cinema. Isso por conta do baita sucesso do filme no final da década de 70, sendo um daqueles campeões de reprises na TV aberta, além do livro ter sido um best-seller. Outro dos motivos do sucesso é que ao assistir Terror em Amitvylle, parece que você está vendo um mix de outros filmes que também foram icônicos na década de 70 (talvez propositalmente para angariar um maior público). Aqui, vemos um Q de O ExorcistaA Profecia e A Sentinela dos Malditos, por trazer à tona a questão religiosa, com o envolvimento da Igreja Católica e seus padres e freiras, na luta contra o mal incondicional, dessa vez na forma da casa. O casal George e Kathy Lutz, interpretado por James Brolin (pai de Josh Brolin) e Margot Kidder (a Lois Lane dos filmes do Superman), com seus três filhos, muda-se para uma casa de estilo colonial holandês em Amityville, estado de Nova York, mesmo após ela ter sido palco de um brutal assassinato em 1974, quando o jovem Ronald DeFeo executou a tiros toda sua família, incluindo os pais e irmão menores, enquanto dormiam certa noite. Ao ir ao tribunal, DeFeo alegou que ouvia vozes que ordenaram que ele fizesse o trabalho. Agora pense comigo: você acha que não ia dar algum tipo de merda? Pagaram um preço bem abaixo de mercado, num local de assassinatos violentos. É óbvio que ia ter alguma alma penada ali para assombrar o lugar. E para piorar, a casa foi construída sobre um solo maldito, antiga prisão e local de sacrifício utilizado pelos índios locais. Vemos que a casa é realmente do mal quando o padre Delaney (Rod Steiger), amigo de Kathy, vai tentar benzê-la e é escorraçado por um enxame de moscas e uma voz demoníaca que o manda sair de lá correndo. O que se segue é a casa influenciando George, que começa a alterar seu comportamento de marido atencioso e padrasto gentil, tornando-se agressivo, violento, aficionado por um machado com o qual fica cortando lenha o dia inteiro. Fora isso, a filha pentelha mais nova faz amizade com o espírito de Jody, o fantasma de uma das vítimas que morreu na casa e o padre começa a padecer das forças demoníacas, desacreditado por sua própria Igreja, até acabar ficando cego e catatônico. O grande problema de Terror em Amityville (que no Brasil foi lançado em VHS como A Cidade do Horror) é que eles tem uma história com uma baita potencia nas mãos, que poderia ser realmente assustadora, tanto na parte espectral quando na insanidade de Geogre que o vai consumindo até o limite da loucura em caçar sua própria família com um machado (como Jack Nicholson faria em O Iluminado de Stanley Kubrick, no ano seguinte), só que o diretor Stuart Rosenberg falha miseravelmente em saber aproveitá-la, resultando em um filme arrastado, que nunca consegue assustar de verdade, sem criar um clima sobrenatural adequado ou terror crescente. Os personagens são mal aproveitados, sem nenhum desenvolvimento consistente em nenhum deles, beirando apenas o exagerado e caricato, com a forçada de barra do padre Delaney quando ele fica cego, ou a cara de nervosinho que James Brolin assume o filme inteiro, ou as ridículas expressões de medo de Margot Kidder. Falta ousadia, falta violência e faltam situações assustadoras. Culpa de uma direção fraca, roteiro fraco e atores fracos ou mal aproveitados na trama (como Rod Steiger). Terror em Amityville fica muito aquém de outras produções de casas mal-assombradas lançadas antes, como Desafio do AlémA Casa da Noite Eterna ou A Mansão Macabra. Mas como disse, é um clássico, faturou 86 milhões de dólares de bilheteria, e gerou um número infindável de sequências. Curioso é que dessas sequências, Amityville 2 – A Possessão, de 1982, que na verdade é uma prequela que conta a história dos DeFeo, moradores anteriores da casa, é infinitamente superior ao original, e a melhor de todas as sequências. Até o remake de 2005, Horror em Amityville, produzida pela Platinum Dunes de Michael Bay, com o canastríssimo Ryan Reynolds no papel de George Lutz, consegue ser superior que o filme de 1979. Que coisa!
FONTE: http://101horrormovies.com/2014/03/26/398-terror-em-amityville-1979/

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

A POSSESSÃO DE MICHAEL KING (EUA, 2014)



INFERNO DE DANTE UMA ANIMAÇÃO ÉPICA (2010)


Limbo, Luxúria, Gula, Avareza, Ira, Heresia, Violência, Fraude e Traição! Estes são os 9 Círculos do Inferno que ficaram famosos por meio da célebre obra-prima O Inferno de Dante. Sua primeira história parte da Divina Comédia. O filme é uma animação épica que vai levar você em uma viagem tortuosa pelo Inferno, à medida em que Dante enfrenta as forças do mal, matando demônios e monstros criados por uma imaginação extraordinária, tudo para salvar sua amada Beatrice das garras do mestre do Inferno: Lúcifer.


#397 1979 NOSFERATU O VAMPIRO DA NOITE (Nosferatu – Phantom der Nacht / Nosferatu, the Vampyre, Alemanha, França)


Direção: Werner Herzog
Roteiro: Werner Herzog (baseado na obra de Bram Stoker)
Produção: Werner Herzog, Michael Gruskoff e Daniel Toscan du Plantier (não creditados), Walter Saxer (Produtor Executivo)
Elenco: Klaus Kinski, Isabelle Adjani, Bruno Ganz, Roland Topor, Walter Ladenganst

Nosferatu – O Fantasma da Noite é um belíssimo filme de vampiro. Ao mesmo tempo que o diretor Werner Herzog presta uma homenagem ao expressionismo alemão e ao filme original Nosferatu – Uma Sinfonia de Horror de Murnau, ele consegue imprimir sua própria estética para fazer, na minha opinião, a melhor adaptação cinematográfica, mesmo que não creditada, da obra de Bram Stoker. Pontuado por um ritmo quase hipnótico, fotografia belíssima de Jörg Schmidt-Reitwein, direção de arte impecável (vencedora do Urso de Prata no Festival de Berlim daquele ano) e uma trilha sonora fúnebre e orgânica (assinada pelo grupo Popol Vuh), Nosferatu – O Fantasma da Noite em muito supera o filme de 1922, até por conta de recursos técnicos mais avançados e da sensibilidade de Herzog. Na verdade a produção teve a liberdade de adaptar à sua maneira o livro Drácula, de Stoker, podendo utilizar o próprio nome dos personagens da trama original, sem enfrentar os problemas de direitos autorais que Murnau sofreu em seu filme. Ou seja, aqui não somos apresentados ao Conde Orlok, nem a Huter ou Ellen, e sim ao próprio Conde Drácula, Jonathan e Lucy Harker, tal qual Nosferatu – Uma Sinfonia de Horror se propunha em sua ideia original. A história é aquela que todos nós conhecemos: o corretor Jonathan Harker (Bruno Ganz) parte em meio às tenebrosas, porém, deslumbrantes paisagens dos Montes Cárpatos para fechar negócio com o repugnante Conde Drácula (Klaus Kinski), com sua expressão asquerosa, lembrando um rato humano, nariz adunco, longos dedos esqueléticos e face pálida. Nem de longe lembrando os aristocráticos Bela Lugosi em Drácula da Unviersal ou o altivo Cristopher Lee em O Vampiro da Noite da Hammer e muito menos o sedutor Frank Lagella em Drácula lançado no mesmo ano, e sim mantendo-se fiel a visão de Murnau do monstro vampiresco, assim como o livro de Stoker. O temível conde compra uma casa em Bremen, na Alemanha e ao chegar de navio até o porto local espalha seu exército de ratos na cidade, que são responsáveis por alastrar um surto de peste e aterrorizar os moradores. Enquanto Jonathan, mordido pelo vampiro, sucumbe a maldição do morto-vivo, cabe a sua amada, Lucy (interpretada pela sempre linda Isabelle Adjani), assim como no filme de Murnau, ser o peso da balança, que com seu amor puro e verdadeiro e sua inocência, fará o papel de mártir para ludibriar a criatura e por fim de uma vez por todas nos malignos planos do Conde. A peculiaridade dos personagens, completamente avessa ao livro, é um dos grandes diferenciais do filme. Aqui vemos Harker deixando de lado seu manto heroico e desmoronando sem piedade na transformação de vampiro, Lucy deixando de lado a fragilidade para tentar destruir Drácula, um Dr. Van Helsing meramente ilustrativo e completamente cético e um Drácula rabugento e menos sagaz e sedento por sangue do que outras encarnações nas telas. Um dos maiores trunfos de Nosferatu – O Fantasma da Noite, responsável por não ser taxado como uma mera cópia do original, e posicionando-se como superior em certos momentos, é a tentativa de Herzog em mostrar uma espécie de beleza poética no mal (como as cenas em câmera lenta de um morcego batendo suas asas, ou a abertura com os closes de múmias embalsamadas com uma expressão angustiante de terror no rosto), e o mix de sensações etéreas e assustadoras que ele vai criando para preparar o espectador para o infortúnio e desilusão que está para se abater na cidade com a chegada do Conde e de seus maus agouros. Herzog utiliza brilhantemente planos abertos, clima atmosférico e paisagens lindas, principalmente na estonteante cena onde vemos o dia se esvaecer pelas montanhas enquanto a noite, cheia de mistérios terríveis, começa a cair sobre o até então intrépido Jonathan Harker em sua viagem à Transilvânia, ou quando a praça central da cidade está tomada por ratos, caixões, animais soltos  e de uma forma mambembe, alguns tentam brindar a vida antes de serem tomados pelo abraço gelado da morte. Nosferatu – O Vampiro da Noite celebra a perda da humanidade. De Drácula que vive atormentado achando a imortalidade, assim como seu sofrimento pela solidão e ausência de amor, uma maldição que o transformou em uma vil criatura, de Harker que mostra-se impotente ao domínio do mal e prepara-se, na linda cena final do filme, para continuar o legado do vampiro, de Van Helsing que é arrancado de seu seguro mundo científico ao matar a besta e ter que sofrer o mesmo destino de um assassino comum e finalmente de Lucy, cujo amor propriamente dito e a esperança, por maiores que sejam, não consegue quebrar os efeitos da maldade.
FONTE: http://101horrormovies.com/2014/03/25/397-nosferatu-o-vampiro-da-noite-1979/

#396 1979 MENSAGEIRO DA MORTE (When a Stranger Calls, EUA)


Direção: Fred Walton
Roteiro: Steve Feke, Fred Walton
Produção: Doug Chapin, Steve Feke, Larry Krostroff (Produtor Associado), Barry Krost e Melvin Simon (Produtores Executivos)
Elenco: Carol Kane, Rutanya Alda, Carmen Angenziano, Kirsten Laky, William Boyet, Charles Durning, Tony Beckley

Mensageiro da Morte ou como estragar o que poderia ser um excelente filme de terror. Esse deveria ser na verdade o título deste thriller setentista, que começa simplesmente arrebatador, mas depois no desenrolar transforma-se em uma verdadeira porcaria maçante e sem razão de existir. Os primeiros 20 minutos do filme funcionam como um curta. Nunca assistiu ao filme? Quer um conselho de irmão? Veja só então esses 20 minutos e depois pode apertar o stop, porque verdade seja dita, ele já vai ter te marcado, apavorado, feito você suar frio, e então pense que terminou por aí, porque depois você terá vontade de jogar alguma coisa na própria televisão de raiva. Ou então veja a edição que fizeram no próprio Youtube como um curta aqui. Bom, ao bem da verdade ele surgiu como um curta, que é exatamente esses 20 minutos iniciais que por incrível que pareça tornaram-se emblemáticos na história do cinema de terror, quando a babá Jill Johnson (Carol Kane) é contratada para tomar conta dos filhos do casal Mandrakis, que irão sair para jantar e pegar um cineminha. Os pimpolhos já estão dormindo e a babá começa então a receber ligações de um estranho psicopata que pergunta a ela a famosa frase: “Você já olhou as crianças?”. Todo o entorno desse momento angustiante, o pavor de Jill, a tentativa de manter o maníaco na linha para que a polícia consiga rastrear a ligação e eles ligarem de volta desesperados avisando que o contato vem sendo feito de dentro da própria casa, é magistral. Quando a polícia chega ao local, encontra o assassino banhando-se no sangue das duas crianças mortas. Jill escapa ilesa e o doido, chamado Curt Duncan (Tony Beckley) é preso e considerado insano, sendo trancafiado em uma instituição psiquiátrica. Ponto. Mas o diretor Fred Walton viu um baita potencial na história por conta do sucesso do indie Halloween – A Noite do Terror de John Carpenter e resolver fazer mais insuportáveis 70 minutos de filme, centrados na fuga de Duncan depois de sete anos preso e sua perseguição pelo detetive John Clifford (Charles Durning) que havia investigado o caso original e agora tinha deixado a força policial, sendo contratado pelo Sr. Mandrakis para encontrar o psicopata e matá-lo de uma vez por todas. Sério, o filme então irá consistir em um assassino QUE NÃO VAI MATAR MAIS NINGUÉM, miseravelmente interpretado por Beckley (exceto uma rápida cena dele em frente ao espelho relembrando seu crime que é digna de alguma nota) que é só mais um maluco atormentado e não mais o demente pintado no começo do longa e a desenvoltura de uma trama policial que não serviria para ser exibida nem no Supercine em seus melhores dias. Jill? Esqueça, ela só volta nos últimos 10 minutos de projeção, agora casada com um marido espetacular que acaba de ganhar uma promoção e dois filhos lindos, vivendo o sonho americano e não me parecendo ter ficado nem um pouco perturbada com o acontecimento de sete anos antes. Ela até sai de casa para um date com o marido e deixa uma babá cuidando das crianças, olhe só. Isso sim é perseverança! Duncan vai tentar terminar o que começou, não antes de pregar uma peça na própria Jill, ligando para ela no meio do restaurante (como ele sabia em que restaurante ela estaria sabe-se lá) e pergunta adivinha o quê? “Você já olhou as crianças?”. Histérica ela dá um xilique no restaurante para chegar em casa e ver que está tudo… bem, na mais absoluta tranquilidade e nada aconteceu. A dona de casa ainda será levemente, bem de levinho, ameaçada por Duncan que entrou em sua casa, mas é impedido por Clifford na hora H. Aparentemente todo mundo entrava sorrateiramente naquela residência. Na verdade, tanto o já citado Halloween – A Noite do Terror como Mensageiro da Morte, surgiu originalmente como uma possível sequência do clássico gênse do slasher Noite de Terror. Só vermos que a linha narrativa do filme de Bob Clark, um psicopata tarado que passa trotes e se descobre que o mesmo estava ligando de dentro da própria casa (e que deixou o final em aberto), é a mesma utilizada aqui. Só que como Carpenter optou por lançar seu filme independente, Ward teve a mesma ideia e cometeu essa barbárie, que não chega se quer aos pés de nem um e nem do outro. Revoltante é o adjetivo que melhor se aplica a Mensgeiro da Morte. A coisa é tão feia, mas tão feia, que até sua refilmagem meia boca lançada em 2006, com a brasileira Camilla Belle, que aqui ganhou o título ao pé da letra, Quando um Estranho Chama, consegue ser um exercício de suspense melhor executado que este daqui (exceto por aqueles fatídicos 20 minutos iniciais).
FONTE: http://101horrormovies.com/2014/03/22/396-mensageiro-da-morte-1979/

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

#395 1979 A ILHA DOS HOMENS-PEIXE (L’Isola degli uomini pesce / The Island of the Fishmen / Screamers Itália)


Direção: Sergio Martino
Roteiro: Sergio Donati, Cesare Frugoni, Sergio Martino
Produção: Luciano Martino
Elenco: Barbara Bach, Claudio Cassinelli, Richard Johnson, Beryl Cunningham, Joseph Cotten

A italianada não tinha jeito mesmo. Era só um filme americano fazer sucesso, e BANG!, lá vinham os diretores e produtores da Terra da Bota com suas versões macarrônicas com um orçamento minúsculo, atores canastras, efeitos especiais mambembes e roteiros descaradamente copiados. Isso é o bastante para resumir A Ilha dos Homens-Peixe. Mas antes de qualquer coisa, vale salientar que esse é mais um daqueles filmes que minha geração teve o prazer de ver (até em sessões duplas) na finada Sessão das Dez do SBT lá no idos dos anos 80. E aí claro, faz parte do imaginário popular de uma molecada que cresceu durante aquela década que nunca irá morrer. Assistir a essa pérola hoje só mesmo para comprovar sua ruindade e dar boas risadas da tosqueira. Tosqueira essa assinada por Sergio Martino, um dos mais interessantes diretores do giallo italiano no começo da década, que no final dos anos 70, que virou uma caricatura de si próprio com filmes sofríveis. Suas últimas incursões no gênero já vinham sendo pontuadas por um pé no exótico, com selvas, tribos e natureza, que começou com A Montanha dos Canibais, passou pelo sofrível Crocodilo – A Fera Assassina e continua aqui em A Ilha dos Homens-Peixe. E lá no começo do texto falei sobre a cópia descarada né? Pois bem, dessa vez, o coitado plagiado foi o pobre H.G. Wells e seu clássico A Ilha do Dr. Moreau, que havia sido levado às telas dois anos antes num filme homônimo produzido pelo inescrupuloso Samuel Z. Arkoff, com Burt Lancaster no elenco, e ainda antes disso, em A Ilha das Almas Selvagens com Charles Laughton e Bela Lugosi. Para quem não conhece a trama, um maquiavélico cientista vive isolado em uma ilha e lá faz terríveis experiências genéticas de humanos com diversos tipos de animais. Pois bem, aqui no roteiro escrito a seis mãos por Martino, Cesare Frugoni e Sergio Donati (além do irmão de Sergio, Luciano Martino, também produtor do filme, tendo ajudado na concepção da história), um grupo de náufragos de um navio que transportava um bando de prisioneiros para uma ilha penitenciária vai parar nas praias de uma ilha vulcânica que não está em nenhum mapa. O barco com esses sobreviventes, chefiados pelo médico militar tenente Claude de Ross (Claudio Cassinelli) subitamente é atacado por estranhas criaturas (que seriam os homens-peixe do título, mas que em nenhum momento neste início de filme são mostrados claramente) e poucos conseguem chegar com vida à ilha. Os desafortunados vão morrendo um por um, ou por tomar um estranho líquido branco que pulsa do chão e é extremamente venenoso, ou por cair em armadilhas no meio da floresta, ou ter o rosto dilacerado por um mortal ataque de uma dessas criaturas mutantes que como se não bastasse, possuem afiadas garras em suas nadadeiras. No final das contas, apenas três sobreviventes acabam por encontrar o casarão de Edmond Rackham (Richard Johnson) que é o maioral da ilha, controla os nativos locais praticantes de vodu através da influência sobre sua sacerdotisa Shakira (que infelizmente não lembra em nada a sua versão colombiana) e também mantém a bela e infeliz Amanda Marvin (Barbara Bach – ex-Bond Girl e esposa de Ringo Starr) sob domínio do medo. Acontece que o tenente desconfia que algo está errado naquela ilha (jura?) e nós espectadores descobriremos quando vimos Amanda saindo tarde da noite para o meio de uma lagoa, levando um líquido branco em uma jarra para alimentar os homens-peixe, que na verdade é uma espécie de droga que os controla. Aqui é a primeira vez que vemos como os monstros são mal feitos! Até o Gill Man, feito 25 anos antes em O Monstro da Lagoa Negra é melhor do que as criaturas de Martino. Roupas salafrárias de borracha com uma máscara truqueira com olhos esbugalhados que ficam se mexendo para um lado e para o outro dão o tom cômico involuntário à produção, culpa da pouca grana na mão de Massimo Antonello Geleng. A saída de Martino então era ou filmá-los muito de perto, ou muito de longe, para não expor todos os toscos detalhes. A maior baboseira então está por vir, quando Claude descobre por meio de Rackham que na verdade a ilha está localizada bem acima da cidade perdida de Atlântida (hã???) e que os anfíbios são na verdade os descendentes dos atlantes que evoluíram depois de milhares de anos para sobreviver embaixo d’água e na superfície, e o inescrupuloso vilão os usa para trazer os perdidos tesouros submersos para ele, já que são os únicos que conseguem descer a tamanha profundidade. Bom, então você me pergunta: mas pera aí, aonde entra a parte da cópia de A Ilha do Dr. Moreau? Apesar de até então o filme “andar sozinho”, tudo isso é lorota de Rackham e na verdade, o pai de Amanda, o infame biólogo Prof. Ernest Marvin (Joseph Cotten) foi fugido para a ilha depois de ser condenado por experiências bizarras de transplante de órgãos animais e humanos e é o responsável por transformar os nativos nesses seres peixes através de modificação genética. Ahá, olha aí a história cuspida e escarrada do Dr. Moreau! Pelo menos quando Claude adentra o laboratório de Marvin, é o que rende o momento mais bacana desse filmeco, ao ver José, um dos prisioneiros sobreviventes que chegaram à ilha e misteriosamente desapareceu anteriormente, dentro de um tanque em um estágio do processo da transformação humano-pisciana. Mas apesar dos apesares, sabe qual o principal defeito de A Ilha dos Homens-Peixe? A falta de violência, gore e nudez gratuita, antes marca registrada do cinema de Martino (lembra de Torso?). Aqui as mortes são bem das fraquinhas, não há violência desmedida (até porque os movimentos dos homens-peixe era seriamente comprometidos por aquela roupa de borracha paupérria) e só vemos um vislumbre de Barbara Bach dentro de uma roupa branca molhada coberta no corpo quando vai dar de mamar aos anfíbios. Oh, wait… Uma curiosidade sobre A Ilha dos Homens-Peixe é que a versão repetida à exaustão na Sessão das Dez era a versão original e europeia do filme, pois ninguém menos que Roger Corman, o rei dos filmes B comprou os direitos para distribuir o filme nos EUA pela sua nova produtora, a New World Pictures e praticamente criou outra versão, editando-a e enxertando novas cenas apenas para deixá-lo mais sangrento e ser exibido nas sessões grindhouse com o título de “Screamers”. E como se não bastasse, ele gostou tanto da ideia desses monstros subaquáticos que no ano seguinte lançaria sua gema Criaturas das Profundezas, obviamente inspirado pelo clássico trash de Martino, mas com aquele toque especial de Corman, com direito até a um estupros desses mutantes nas humanas e muita sangreira.
FONTE: http://101horrormovies.com/2014/03/21/395-a-ilha-dos-homens-peixe-1979/