sexta-feira, 17 de abril de 2015

#125 1959 VIAGEM AO PLANETA PROIBIDO (The Angry Red Planet, EUA)


Direção: Ib Melchior
Roteiro: Ib Melchior, Sidney W. Pink
Produção: Norman Maurer, Sindey W. Pink, Lou Perlof (Produtor Associado)
Elenco: Gerald Mohr, Nora Hayden, Les Tremayne, Jack Kruschen

O planeta proibido de Viagem ao Planeta Proibido não é o mesmo planeta proibido de O Planeta Proibido. Aqui em questão, em mais esse clássico do sci-fi, é o planeta Marte. E se o cinema nos ensinou algo, é que nunca devemos mexer com Marte! Pois olhe bem, já fomos invadidos diversas vezes pelos habitantes do planeta vermelho. A Guerra dos Mundos e Invasores de Marte são dois exemplos apenas. Quando os terráqueos resolveram visitar o planeta inóspito, como em O Terror Que Vem do Espaço ou mesmo aqui em Viagem ao Planeta Proibido, a coisa nunca saiu muito bem. Até em Marte Ataca! fica complicado para nosso lado. Então, não é uma boa ideia lidar com aquele planeta ou seus habitantes. Mas Viagem ao Planeta Proibido é uma verdadeira gema do gênero. Sci-fi B do mais “alto” nível, produzido pela American International Pictures e que contou com um estardalhaço na campanha de marketing por conta de um inédito efeito de imagens chamado CineMagic. Esse efeito nada mais foi um filtro vermelho que causa uma imagem extremamente saturada, com o vermelho vivo carregado estourando na tela em várias junções óticas de cenas filmadas com atores em cenários e óbvias ilustrações, criando uma concepção de imagem que representa o planeta Marte. Toda vez que os astronautas saem do seu foguete para explorar o planeta, esse efeito visual explode em nossos olhos. É de uma lisergia absurda, fruto da alucinógena parceria do diretor dinamarquês Ib Melchior e do roteirista tresloucado Sidney “Sid” Pink. Também olhem esses nomes… É uma viagem tremenda. Eu sou um caretão, não uso nada, mas para quem gosta de assistir filme chapado, Viagem ao Planeta Proibido é altamente recomendável. E os cenários? Marte cheio de vegetação esquisita, desfiladeiros e lagos. E os monstros então? Terríveis criaturas alienígenas gigantes, tanto animais quanto vegetais. O lance é o seguinte: a primeira nave tripulada vai à Marte em uma missão de exploração e coleta de informações, e obviamente, descobrir se há vida no local. Mal eles sabem que há, e até inteligente. A nave porém fica 61 dias sem dar nenhum sinal de vida, e a Nasa, através de um avançado sistema de controle remoto, consegue trazê-la de volta à Terra (prestem MUITA atenção na nave descendo de marcha ré para a Terra), para encontrar dois tripulantes mortos, um com o pé na cova com um horrível e gosmento ferimento verde no braço e uma sobrevivente com amnésia devido ao terrível choque. A equipe era composta por: Cel. Tom O’Bannion (o moribundo com a infecção), líder da missão, um sujeito que parece um caipira conquistador barato, que vive sorrindo com seus dentes de cavalo e camisa aberta no peito com os pelos salientes, estilo aqueles tiozinhos que ficam no balcão da padoca bebendo pinga Cavalinho o dia inteiro; a bióloga ruiva Dr. Iris Ryan, chamada por O’Bannion de Irish em uma brincadeirinha extremamente sem graça, que é a única garota assustada do time, e voltou sem memória; o Prof. Theodore Gettel, uma versão mais velha e de barbicha do Simon Pegg, o Shaun deTodo Mundo Quase Morto, que vive fumando seu cachimbo dentro da nave para posar de intelectual; e por último Sam “Sammy” Jacobs, especialista em eletrônica e radares, que é um clone do Batoré (ah, para, ó!), e o piadista sem graça da equipe. Todos péssimos atores e com atuações forçadíssimas. Ao chegarem em Marte, eles logo desconfiam que o planeta esconde alguma coisa terrível. Quando saem para explorar as redondezas, confirmam essa hipótese. Primeiro se defrontam com uma planta carnívora gigante, que quase faz da Dr. Ryan seu almoço. Depois, a mais emblemática das criaturas do filme, o temível Rato-Morcego-Aranha. O nome fala por si só. E se você curte rock já deve ter visto o monstrengo na capa do álbum Walk Among Us do Misfits ou no videoclipe de The Number of the Beast do Iron Maiden. Quanto tentam atravessar o lago rumo a uma cidade futurista, é a vez de sofrerem nas mãos de uma ameba gigantesca com um olho que fica rodopiando, que os persegue até o foguete, digerindo Sammy e sendo a responsável pelo cancro gosmento no braço de O’Bannion. Isso sem contar um alienígena feio todo esquisito que fica observando-os e depois manda uma importante mensagem com destino à Terra: basicamente enxotando os humanos de lá e deixando muito claro para eles não voltarem à Marte sem serem convidados, pois senão eles destruirão nosso lindo planeta azul. Na volta, após se libertarem de um poderoso campo de força marciano fazendo uma gambiarra com um monte de fios, o Prof. Gettel tem um derrame e também bate as botas. O’Bannion está quase comendo capim pela raíz e Iris, bloqueia toda e qualquer lembrança traumática sobre aquele furioso planeta vermelho, tendo sua memória resgatada através do uso de poderosos fármacos, pelos médicos, militares e cientistas que participaram do processo de trazer a nave de volta e buscam respostas para o que aconteceu por lá. Ainda dá tempo para um finalzinho dos mais safados, ao melhor estilo “felizes para sempre” entre o comandante e a bióloga, antes de ouvirmos na gravação o esporro que os marcianos deram em nós. Psicodelia, bizarrice, alienígenas esquisitíssimos, trash sci-fi gabaritado. Para juntar os amigos e assistir em uma sessão pipoca. Tudo isso está no pacote de Viagem ao Planeta Proibido, o filme que encerra de uma vez por todas o ciclo sci-fi cinquentão do blog. Claro que uma coisa ou outra vai respingar nos anos 60, mas daqui para frente o foco vai mudar completamente, exagerando no estilo gótico e barroco do cinema de horror e principalmente quando ainda no primeiro ano da década, um tal de Alfred Hitchcock vai nos mostrar que o terror, ao invés de alienígena, pode ser bem humano e morar no motel ao lado.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/04/02/125-viagem-ao-planeta-proibido-1959/

#124 1959 PLANO 9 DO ESPAÇO SIDERAL (Plan 9 from Outer Space, EUA)


Direção: Edward D. Wood Jr.
Roteiro: Edward D. Wood Jr
Produção: Edward D. Wood Jr., Charles Bug e Hugh Thomas Jr. (Produtores Associados), J. Edward Reynolds (Produtor Executivo)
Elenco: Gregory Walcott, Mona McKinnon, Duke Moore, Tom Keene, Tor Johnson, Vampira, Bela Lugosi

O pior filme de todos os tempos. Essa é a honraria que Plano 9 do Espaço Sideral, do emblemático Ed Wood, frequentemente carrega consigo. A verdade é que essa gema do cinema é uma pérola de valor incalculável do sci-fi trash. É objeto de idolatria e responsável pelo enorme sucesso que o diretor (também considerado o pior de todos) teria pós morte, quando seu longa viraria cult, influenciando pencas de cineastas, como o próprio Tim Burton, que dirigiu seu filme biográfico tempos depois. Na verdade existe um fila interminável de filmes que poderiam ser considerados o pior de todos os tempos. Coloque aí nessa conta Manos: The Hands of Fate (esse sim para mim é o pior MESMO), Robot Monster, e por aí vai. O fato é que o anti-marketing de Plano 9 do Espaço Sideral é o que lhe rende o sucesso eterno, até os dias de hoje. Essa é a aura que ele carrega. Afinal, quem não tem curiosidade em ver o pior filme do mundo? Plano 9 nunca soou pretensioso. Nunca se levou a sério. Ed Wood era apenas um homem que amava o cinema. E tentou ao máximo, com seus orçamentos mixórdios (este foi de parcos 60 mil dólares), grande dose de simpatia e criatividade, fazer aquilo que mais gostava na vida: dirigir filmes. Claro, as atuações são toscas, os cenários de papelão, os discos voadores são controlados por barbantes amarrados em varas de pescar, o roteiro é uma bizarrice só. Mas quer saber, e daí? Melhor que muitos filmes de terror da geração feito-direto-para-o-DVD de hoje em dia que se levam a sério. Por mais lixo, Plano 9 do Espaço Sideral é uma declaração de amor ao cinema de horror e ficção científica. Afinal quem faria um filme financiado pela congregação batista local, sendo até batizado nessa religião, e recebendo vários pitacos na sua obra, como Ed Wood fez? Além disso, Plano 9 é a última aparição de Bela Lugosi nas telas. Seu indiscutível legado, como Drácula original perpetua-se eternamente no cinema de horror. Aqui, velho, cansado, decadente, sem dinheiro e viciado em morfina, ele aparece em poucas sequências do filme, tento morrido durante as filmagens. E é emblemática, triste, melancólica e cheio de pesar a cena em que ele está parado em frente à casa, recolhendo a pétala de flor do jardim, lamentando a morte de sua esposa, antes da sua morte em cena, e de sua morte de verdade. Mas aí vem um daqueles motivos pelos quais Plano 9 é execrado. Lugosi morreu, mas Wood teve a cara de pau de colocar um outro artistas em seu lugar, nitidamente mais novo e mais alto, cobrindo o rosto com a capa de Drácula, para ninguém perceber que não era Lugosi contracenando? E ainda tem takes em que aparece Lugosi, corta, aparece o Dr. Tom Mason, não creditado, substituindo-o (no IMDB o personagem tem o nome de Ghoul Man With Cape Over Face), que era na verdade o médico quiroprático (careca, usando uma peruca no longa) da atual namorada de Eddie. Todos os personagens são caricatos. Não dá para levar nenhum sequer a sério. Tor Johnson, o ex-lutador de luta livre, que faz Lobo em A Noiva do Monstro, interpreta o inspetor Clay, que morre e volta à vida também. Vampire Girl, a esposa do Velho (nome do personagem de Lugosi) é interpretada por uma subcelebridade falida da televisão naqueles tempos, Vampira, que não tem uma fala o longa inteiro e fica andando para lá e para cá com sua expressão estática e braços duros, carregada de maquiagem. Os policiais são estúpidos. O piloto Jeff Trent (Gregory Walcott) é um canastrão de mão cheia, líder do coro da igreja que financiou o filme (e impôs a presença do sujeito à Wood). O coronel Edwards (Tom Keene) é outro tosco. Os alienígenas Eros, Tanna e seu líder ((John “Bunny” Beckinridge, velho amigo transex de Wood) então nem se fala. E os cenários? O que falar daquele cemitério com as cruzes feitas de papelão, que balançam com o vento? E o interior da nave espacial? Que é um simples quartinho com uma escada e uma mesa com uma parafernalha em cima? Fora o figurino de festa à fantasia dos visitantes do espaço. E o interior do avião que Jeff pilota, então? Alguém me explique o que é aquele manche? Isso sem contar as filmagens dos discos voadores sobrevoando as cidades com seus já famosos barbantes, ou as cenas do exército em que Wood utiliza filmagens de arquivo que adquiriu de um estúdio que tinha feito vários tomadas ao acaso. E quando os canhões do exército americano disparam contra os discos voadores, estalidos e bombinhas pipocam na tela como se estivessem sendo atingidos. Coloque também nessa conta os erros crassos de continuidade. O roteiro é uma besteira sem tamanho. Uma quase paródia trash de O Dia em que a Terra Parou. Um bando de alienígenas viajam anos luz para utilizar suas armas de elétrodos com raios e ressuscitar nossos mortos, enquanto tentam destruir a humanidade antes que os cientistas terráqueos consigam descobrir a bomba Solaronite, que imitaria partículas dos raios solares e se fosse usada, colocaria todo o universo em risco. Claro que cabe aos heróis enfrentar os zumbis, os alienígenas e salvar o mundo. Ed Wood piora muito em todos os sentidos, com relação ao seu longa anterior, A Noiva do Monstro, que é tosco, mas um verdadeiro Cidadão Kane (por sinal, filme preferido de Wood) perto de Plano 9 do Espaço Sideral. Se tivesse nascido uma década antes, seu nome seria figurinha carimbada no Poverty Row de Hollywood com certeza. Triste saber que sua fama post-mortem foi infinitamente maior do que a que teve em vida, pois com Plano 9 do Espaço Sideral, sua “obra prima”, não ganhou um níquel sequer pois os direitos do filme ficaram retidos pela igreja. Depois disso, Wood entrou em franca decadência. Crossdresser assumido, Wood passou a dirigir pornografia sob o pseudônimo de Akdov Telmig (Vodka Gimlet lido de trás para frente), escrever bizarros contos e novelas sexuais sobre travestis nos anos 70, até morrer por conta de complicações do alcoolismo.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/04/01/124-plano-9-do-espaco-sideral-1959/


SALEM 1ª TEMPORADA (EUA, 2014)



01x01 The Vow DIREÇÃO: Richard Shepard ROTEIRO: Brannon Braga e Adam Simon  DATA: 20/04/2014
Mary é uma menina jovem, grávida e sozinha em Salem, uma cidade puritana. Ela acredita que John Alden, o grande amor de sua vida, morreu na guerra, já que ele nunca mais retornou suas cartas. Agora, ela deve escolher entre se misturar aos puritanos ou vender sua alma ao diabo. Tendo escolhido o último, se casa com George Sibley, um dos homens mais influentes da cidade, e o escraviza para pegar suas riquezas e poder para si própria. Cotton Mather, um pregador da bíblia, acredita que as bruxas estão morando em Salem e querem governar o restante do mundo. John volta em meio a uma caça ás bruxas, enquanto Mary coloca os puritanos um contra os outros, permitindo que as bruxas dominem Salem.

01x02 The Stone Child DIREÇÃO: David Von Ancken ROTEIRO: Brannon Braga e Adam Simon DATA: 27/04/2014
John passa a investigar o que está realmente acontecendo em Salem e como a histeria de bruxas surgiu. Mary passa a executar um minucioso plano

01x03 In Vain DIREÇÃO: Alex Zakrzewski ROTEIRO: Elizabeth Sarnoff e Tricia Small DATA: 04/05/2014
Mary decide o que fazer após descobrir quem atrapalhou a cerimônia das bruxas.

01x04 Survivors DIREÇÃO: David Von Ancken ROTEIRO: Jon Harmon Feldman DATA: 11/05/2014
Alden passa a ficar preocupado quando um velho inimigo retorna à Salem com segredos que podem destruí-lo. Mary perde o controle sobre Mercy

01x05 Lies DIREÇÃO: Richard Shepard ROTEIRO: Brannon Braga e Adam Simon DATA: 18/05/2014
Mary e seu clã entram em desavenças; Alden e Cotton encontram perigosa relíquia que pertence ás bruxas.

01x06 The Red Rose and the Briar DIREÇÃO: David Von Ancken ROTEIRO: Brannon Braga e Adam Simon DATA: 01/06/2014
Alden e Cotton ficam cara a cara com uma bruxa; Mary encontra uma solução para os conflitos do clã.

01x07 DIREÇÃO: ROTEIRO: DATA: 01/06/2014

01x08 Departures DIREÇÃO: Alex Zakrzewski ROTEIRO: Jon Harmon Feldman DATA: 08/06/2014
O povoado é abalado com a chegada do pai de Cotton; o controle de Mary sobre George está comprometido.

01x09 Children Be Afraid  DIREÇÃO: David Grossman ROTEIRO: Elizabeth Sarnoff & Tricia Small  DATA: 05/06/2014
Mary tenta de tudo para ter George sobre seu controle novamente; Mercy e seus coroinhas ficam mais poderosos.

01x10 The House of Pain DIREÇÃO: David Von Ancken ROTEIRO: Adam Simon & Joe Menosky DATA: 22/06/2014
Anne se encontra em perigo em meio a uma exploração, e Alden é o único que pode salvá-la.

01x11 Cat and Mouse DIREÇÃO: Tricia Brock ROTEIRO: on Harmon Feldman DATA: 29/06/2014
Alden se encontra no meio de novas acusações; Anne finalmente descobre a verdade.

01x12 Ashes, Ashes DIREÇÃO: Bill Johnson ROTEIRO: Brannon Braga & Adam Simon DATA: 06/07/2014
As alianças se rompem e o destino de Salem é testado quando o julgamento de Alden começa.

01x13 All Fall Down DIREÇÃO: David Von Ancken ROTEIRO: Brannon Braga & Adam Simon DATA: 13/07/2014
Alden está no caminho de descobrir o maior segredo de Mary até agora.

#123 1959 A MÚMIA (The Mummy, Reino Unido)


Direção: Terence Fisher
Roteiro: Jimmy Sangster
Produção: Michael Carreras, Anthony Nelson-Keys (Produtor Associado)
Elenco: Peter Cushing, Christopher Lee, Yvonne Furneaux, Eddie Byrne, Felix Alymer, George Pastell

Continuando seu processo de renovação dos monstros da Universal, depois de Frankenstein e de Drácula, agora é a vez de a Hammer trazer a criatura egípcia enfaixada às telas, em cores, com todas as características peculiares do estúdio inglês. Estou falando de A Múmia. Mais uma vez, temos o prazer de ver a eterna dupla dinâmica, Peter Cushing e Christopher Lee atando juntos. Cushing faz o papel do arqueólogo John Banning. A Lee ficou o papel de Kharis, o ex-alto sacerdote do deus Karnak, mumificado por amar a princesa Ananka e tentar trazê-la de volta à vida através de um ritual proibido. O roteiro, assinado por Jimmy Sangster, é baseado no que eu chamo de “segunda múmia”. A primeira é aquela de Boris Kharlof no clássico seminal A Múmia, de 1932, onde ele vive Imhotep, às voltas com a tentativa de ressuscitar seu grande amor milenar, a princesa Ankh-es-en-amon. A segunda é a aquela que veio dar norte a todas à franquia, que teve início com A Mão da Múmia, de 1940. Nela, um grupo de arqueólogos no Egito encontram o túmulo perdido da princesa Ananka, e isso enfurece uma seita religiosa dos seguidores de Karnak, que trazem a múmia Kharis de volta à vida para destruir aqueles que cometeram tal sacrilégio. Kharis, a múmia que também é representada neste filme, foi eternizado por Lon Chaney Jr. a partir do terceiro da série da Universal, O Fantasma da Múmia. Mas nesta produção há uma espécie de salada de enredos com varias passagens da série toda, inclusive do original, com cenas que remetem estes filmes bem destacadas, ainda mais para quem reviu todos eles recentemente, como foi meu caso, para escrever os textos no blog. E se você acompanha assiduamente as postagens, encontrou todos os filmes da múmia aqui resenhados. Aqui a coisa é mais ou menos a mesma. A expedição liderada pelo experiente arqueólogo Stephen Banning, Joseph Whemple e John Banning, descobrem a tal tumba da princesa Ananka. Mehemet Bey, um dos seguidores do deus Karnak os avisa para não profanar o sono eterno da princesa, mas é veementemente ignorado, e Stephen maravilhado, adentra em seu sarcófago. Enquanto Whemple vai avisar o enfermo John sobre a descoberta, Stephen tem o primeiro vislumbre da múmia de Kharis, trazido de volta através da leitura de um pergaminho sagrado e no mesmo momento enlouquece, entrando em um estado irreversível de demência, tomado pelo medo mais primitivo. John manda selar novamente o túmulo, mas não antes de levar o corpo da princesa para o Museu Britânico. Passados três anos, Stephen está internado em uma instituição psiquiátrica e John tenta continuar sua vida, com sua amada Isabelle. É quando Mehemet Bey chega até Londres com sua múmia embaixo do braço e seu plano de se vingar de todos aqueles infiéis. Quando vemos pela primeira vez Lee embaixo da gaze, saindo do interior de um pântano lamacento, é realmente um impacto visual marcante. A maquiagem a cargo de Roy Ashton, que já havia mostrado ao que veio em A Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, faz mais uma vez um excelente trabalho com o monstro. Falando em maquiagem, não posso deixar de citar aqui a cena que reproduz o funeral da princesa Ananka há quatro mil anos. Apesar de a ambientação ser bastante bacana, Christopher Lee se passando por egípcio, com a pele escura, ficou bem ridículo. Mas tudo bem, isso passa. Aproveitando o parágrafo, o design de produção de Bernard Robinson é grandioso, dando ares de “superprodução” do estúdio inglês, principalmente quando se trata da reprodução do Egito Antigo e seus rituais. Voltando ao enredo, a múmia começa a perseguir um a um para enforcá-los e concretizar sua vingança. Primeiro invade o hospício onde Stephen está internado para matá-lo. Depois assassina Whemple. John é o próximo. Claro que o inspetor Mulrooney, investigando os crimes, não acredita nesta história de múmia. Indestrutível, Kharis parte para cima de John e só não o mata quando Isabelle interfere, já que ela é praticamente idêntica à princesa Ananka (a atriz fez o papel das duas) e confuso, Kharis obedece seu amor. Daí cabe a John e Mulrooney descobrir toda a verdade por traz do monstro mofado e da conspiração de Mehemet Bey, e impedi-los antes que seja tarde demais. Claro, A Múmia não tem o mesmo charme dos filmes de Frankenstein ou de Drácula, muito mais emblemáticos para a Hammer. Assim como acontecia também na Universal. Os filmes da múmia eram meio série B, tanto que quando rolava um crossover entre todos os monstros, ela sempre ficava de fora. Mas isso não deixa de fazê-lo um bom filme, ótima direção de arte, com maquiagem primorosa da criatura, muito bem representada por Christopher Lee se arrastando por aí, assim como a sempre galante presença de Peter Cushing na tela.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/29/123-a-mumia-1959/

domingo, 12 de abril de 2015

#122 1959 O MONSTRO GIGANTE DE GILA (The Giant Gila Monster, EUA)


Direção: Ray Kellog
Roteiro: Jay Simms, Ray Kellog (história original)
Produção: Ken Curtis, B.R. McLendon, Gordon McLendon (Produtor Executivo)
Elenco: Don Sullivan, Fred Graham, Lisa Simone, Shug Fisher, Bob Thompson

O Monstro Gigante de Gila é o filme mais safado que eu já assisti. Sério. É um nível de truque tão grande, uma picaretagem tão descarada, e um podreira tão imensurável, que não dá para não se divertir com essa pérola do final dos anos 50. Para começo de conversa, os realizadores dessa façanha cinematográfica são os mesmo de O Ataque dos Roedores. O diretor Ray Kellog, o roteirista Jay Simms, os produtores Ken Curtis e Gordon McLendon. Então só por isso já dá para ter uma ideia do que esperar de O Monstro Gigante de Gila. No caso de Kellog, se nota certa evolução na direção, o que é pior, com relação ao seu longa anterior. Não que isso queira dizer muita coisa. E pelo menos, eles usaram um monstro de gila de verdade nas filmagens, e não uma solução alternativa, como vestir cachorros de musaranhos geneticamente alterados. Para também situar o leitor zoologicamente, o monstro de gila é um lagarto venenoso, de cor preta e rosa, que vive no sudoeste dos EUA e norte do México. Segundo a narração introdutória do filme, o tamanho que o monstro gila pode chegar nenhum homem pode prever. Mentira, pode sim. Até 60 cm de comprimento, o que já faz dele o maior lagarto norte-americano. Aqui, ele vira uma ameaça descomunal, pesando toneladas e sendo maior do que um caminhão.A trama é como se Loucuras de Verão encontrasse Godzilla. Embalados pelo rock ‘n’ roll dos anos 50, a história foi filmada nas áridas paisagens do Texas, e voltado para o público adolescente, juventude transvidada da época, que só queria saber de festas, badernas, namoros e andar por aí com seus carros envenenados e tirar rachas. Logo no começo, um casal de jovens está dando um amasso na estrada, quando só vemos a patinha do monstro se aproximando em close e fazendo-os rolar ribanceira abaixo. Depois, outro casal de namorados também desaparece misteriosamente, vítima da criatura que come humanos como se fossem moscas (como diz no excelente trailer do filme). Coloque na conta do monstro de gila também o dono da mecânica onde o jovem aspirante a astro de rock, Chase Winstead, trabalha. Ele está dirigindo um caminhão de combustível pela estrada à noite, quando surge o lagartão, e… bem vou descrever exatamente como é a cena: o caminhão está na estrada, corta para a face do animal, colocando sua língua para fora, corta para o motorista gritando em pânico, corta para um caminhão de brinquedo saindo da estrada, empurrado por um barbante, e explodindo. Eu juro que não estou brincando. Cabe ao heroico Chase, que tem tempo de compor baladas para a irmãzinha deficiente, namorar uma francesinha, gravar um compacto com o DJ Steamroller Smith, o mais famoso disc-jóquei das redondezas, trabalhar guinchando os carros acidentados pelo monstro de gila e ainda organizar uma festa de arromba em um celeiro, salvar o dia da ameaça réptil, junto com o xerife Jeff, clone do Mazzaropi. E é nesta festa que o gilão (tá, foi infame) vai dar às caras para toda a população, já que antes ficava tudo só em um ineficiente clima de mistério, com uma contundente e repetitiva trilha sonora de tambores. Agora por que eu disse que é o filme mais salafrário já feito? Porque o monstro de gila NUNCA aparece junto com os atores na mesma cena. Não há nenhum efeito de trucagem, sobreposição de imagem, nada. As cenas são: atores/ corte/ close do monstro de gila/ atores/ corte/ close do monstro de gila. É hilário. E quando o animal “contracena” com outros objetos, é uma explosão de risos. Ele se rasteja sobre um cenário em maquete, e quando ele quebra um galho pisando sobre ele, sobe o efeito sonoro de um tronco sendo destruído. Arbustos fazem papel de árvores e morrinhos, papel de colinas. Mas é MUITO mal feito. Em uma fatídica cena do descarrilamento do trem, vemos o pobre do bicho se rastejando todo sobre uma ponte de mentira, de um Ferrorama qualquer, e passa por ela destruindo-a, fazendo com que o trem (de brinquedo, lógico), caia e pegue fogo. Ouvimos o grito desesperado de DOIS passageiros diferentes. No ataque do gila ao celeiro onde está rolando a balada, colocaram o réptil para arrebentar uma casa da Barbie, com carrinhos Hot Weels estacionados ao lado, para dar a impressão de profundidade do tamanho colossal do lagarto. Se você ainda assistir a versão colorizada (competentemente colorizada, por sinal), as tosquices ficam ainda mais evidentes que a versão em preto e branco. Um filme desses é uma afronta. Aula de tudo que não fazer no cinema. Mas por isso ele é tão singular para os fãs das bagaceiras. Não posso esquecer-me de mencionar os cenários. O orçamento foi de 140 mil dólares (o dobro de algumas produções de Roger Corman, por exemplo), mas só há uma locação, que se reveza como bar, oficina, delegacia, casa do Chase. Só mudar as mobílias de lugar. E como se não bastasse isso tudo, há algumas cenas musicais com Chase destilando seu rock ‘n’ roll. A mesma em que ele está cantando para a irmãzinha, só no fast forward mesmo para aguentar. A sensação de enganação de assistir O Monstro Gigante de Gila, ou O Gigante Monstro Gila como foi lançado aqui em DVD (incluindo aí a versão colorizada) é imensa. Algo parecido com assistir Tubarão Cruel do falsário Bruno Mattei, onde não se vê também o tubarão atacando os atores, por ter sido roubadas cenas de outros filmes de tubarão (incluindo aí do Spielberg e a maioria de O Último Tubarão de Enzo G. Castellari). É um dos piores filmes já feitos. Mas o problema é que uma tranqueira como essa, acaba se tornando adorável.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/28/122-o-monstro-gigante-de-gila-1959/

#121 1959 O MONSTRO DE MIL OLHOS (Return of the Fly, EUA)


Direção: Edward L. Bernds
Roteiro: Edward L. Bernds (baseado no conto de George Langelaan)
Produção: Bernard Glasser
Elenco: Vincent Price, Brett Halsey, David Frankjam, John Stutton, Dan Seymour, Danielle De Metz

Considero O Monstro de Mil Olhos um filme menosprezado. Fracasso retumbante de bilheteria, essa continuação de A Mosca da Cabeça Branca, que traz novamente Vincent Price no elenco, não chega a ser indispensável, mas eu gostei mesmo do filme e principalmente da maquiagem da cabeçona de mosca do monstro, mais bem feita do que o filme original, por exemplo. O grande problema, opinião até compartilhada por Price em entrevista dada em 1988, é que o que fez o filme não ser tão bem aceito quanto seu predecessor, foi o fato dele ter sido filmado em preto e branco, exigência da 20th Century Fox, sendo que A Mosca da Cabeça Branca era todo cores vivas em Technicolor. Além de que o desfecho do original é completamente pessimista e o deste aqui é uma porcaria de um final feliz. Um parágrafo a parte para o título do filme. Sabemos que a cultura no nosso país é dar o título mais mercadológico possível para as produções que chegam ao cinema (e mais tarde em VHS, DVD, Blu-Ray, VOD, e por aí vai). Mas O Monstro de Mil Olhos???? Custava ser O Retorno da Mosca? Assim como o original, precisava se chamar A Mosca da Cabeça Branca, ao invés de simplesmente A Mosca? Mas enfim, devaneios a parte, a história se passa 15 anos após os trágicos acontecimentos quando a experiência de teletransporte de Andre Delambre deu miseravelmente errado e ele se transformou em duas criaturas mutantes distintas: um homem com cabeça e pata de mosca e uma mosca com cabeça (branca) de homem. Agora, seu filho crescido, Phillipe (Brett Halsey), após a morte de sua mãe, resolve retomar as experiências do pai e reconstruir a máquina capaz de desintegrar e reintegrar matéria. Claro que seu tio e tutor, François, papel reprisado por Vincent Price (detalhe que o garotinho do filme anterior se torna um jovem adulto e o personagem de Price não envelhece sequer uma ruga) é completamente contra a ideia, devido à tragédia que se abateu com a família durante todos esses anos. Mas Phillipe não dá a menor bola a continua o projeto, mudando-se para a antiga casa de seu avô com seu assistente Alan Hines, onde pretende reconstruir a máquina no porão. Porém quando a grana começa a ficar curta e ele precisa do financiamento do tio e do dinheiro das empresas, ele chantageia François ameaçando vender sua parte na companhia o qual é sócio, herdada de seu pai, fazendo com que não sobre alternativas para o tio a não ser continuar investindo no experimento, até como forma de se manter próximo de Phillipe e evitar que algum acidente parecido aconteça. Um dos testes para constatar a confiabilidade da máquina, é colocar um porquinho da índia no teletransportador e armazená-lo por um tempo no limbo, decidindo trazê-lo de volta apenas no dia seguinte. E Hines, solicitamente oferece todo seu auxílio e trabalha de graça para Phillipe. Mas como quando a esmola é muita, o santo desconfia, Hines se mostra na verdade um espião industrial usando um nome falso. Seu verdadeiro nome é Ronald “Roonie” Holmes, fugitivo da polícia britânica, que fecha um acordo escuso com Max, um sujeito meio gângster e meio dono de uma funerária (???!!!), para que ele venda os esquemas e diagramas da invenção revolucionária para importantes companhias, traindo Phillipe e ganhando uma bolada com isso. Certa noite, enquanto Hines (ou Holmes) está fotografando os diagramas da máquina de teletransporte, um detetive inglês que finalmente encontrou seu paradeiro entra no laboratório às escondidas e dá voz de prisão ao escroque, que não se rende e enfia o detetive dentro do teletransportador, trazendo-o de volta na sequência junto com o porquinho da índia desmaterializado anteriormente. A fusão celular faz com que o homem ganhe as patas do roedor, e o bichinho braços humano. Após dar sumiço do corpo e do carro do detetive e sair para encontrar Max, a fim de lhe enviar provas para conseguir concretizar a venda secreta do experimento, ele volta e encontra Phillipe no laboratório questionando-o, quando em uma violenta briga, Hines (ou Holmes) também mete o antigo parceiro na máquina e por pura maldade, enfia uma mosca junto com ele. Phillipe volta com a horrenda cabeça de uma mosca, assim como uma pata, tal qual aconteceu com seu pai, e o pequeno inseto ganha a cabeça do jovem cientista. Phillipemosca foge do laboratório e vai ao encontro de Max e Hines (ou Holmes…ah você já entendeu), matando ambos. Infelizmente a morte do salafrário é por um simples estrangulamento com a pata de mosca. Nada nojento como vomitar e derreter o vilão, como acontece em A Mosca de David Cronenberg. Lutando contra seus instintos e preservando o pouco que resta da consciência de Phillipe, a criatura volta até a casa, onde o Inspetor Beecham conseguiu aprisionar a Moscaphillipe em uma jarra, e François coloca os dois no teletransportador, para tentar reverter o processo. Daí o final babaca do filme (já deve imaginar o que acontece né?). O Monstro de Mil Olhos parece mais do mesmo, mas não é um filme cansativo e você não tem aquela impressão de que perdeu seu tempo assistindo mais uma fraca sequência. Eu sinceramente gosto do filme, principalmente, como disse acima, da maquiagem de Phillipemosca com seu cabeção inseto, que chega a ser hilário e assustador ao mesmo tempo. Claro, nada comparado à maquiagem de Rob Bottin na refilmagem de 1986, mas é bastante interessante, pensando nos padrões do final da década de 50.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/27/121-o-monstro-de-mil-olhos-1959/

#120 1959 OS HORRORES DO MUSEU NEGRO (Horrors of the Black Museum, Reino Unido)


Direção: Arthur Crabtree
Roteiro: Herman Cohen, Aben Kandel
Produção:Samuel Z. Arkoff, Herman Cohen, Jack Greenwood
Elenco: Michael Gough, June Cunningham, Graham Curnow, Shirley Anne Field, Geoffrey Keen

Horrores do Museu Negro, é um clássico exemplo dessa mudança de ares do gênero, muito influenciado pela Hammer, que ditou um novo rumo para o cinema de horror, trazendo para a tela cenas mais violentas, com sangue e abusando de cores vivas para chocar os espectadores. Não precisa ir até o expressionismo alemão da década de 20, por exemplo, para se traçar um paralelo. Podemos pegar o começo da própria década de 50 e sua enxurrada de filmes de ficção científica, o medo nuclear e a paranoia comunista, principalmente tratando-se do cinema americano. Enquanto isso, os ingleses, são responsáveis por alguns dos melhores filmes de terror dos anos 50, mesmo aqueles que tinham o sci-fi como ponto de partida. Só da Hammer, entra nessa lista britânica: Terror que MataX, O Monstro RadioativoA Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, isso sem esquecer do obscuro The Trollenberg Terror e do ótimo e gosmento O Horror Vem do Espaço, do diretor Arthur Crabtree. E esse mesmo senhor é o responsável pela direção do igualmente ótimo Horrores do Museu Negro, uma sádica história de assassinato, trazendo um impiedoso serial killer, ajudando a pavimentar uma nova fórmula e estética no gênero, que remete descaradamente ao Grand Guignol, e que depois reverberaria em clássicos como o próprio Psicose de Alfred Hitchcock, A Tortura do Medo de Michael Powell e Os Olhos Sem Rosto de Georges Franju, por exemplo. E por falar nisso, Horrores do Museu Negro é o primeiro filme da chamada Sadian Trilogy, nome dado pelo crítico de cinema David Pirie à sequência de três filmes britânicos do final dos anos 50 e começo dos anos 60, relacionados por uma premissa com forte ênfase na violência, crueldade, sadismo e conotações sexuais. Seguem-se a ele o já citado A Tortura do Medo e Circo dos Horrores, de Sidney Hayers. Horrores do Museu Negro é a primeira produção em Cinemascope da lendária AIP de Samuel Z. Arkoff, e co-produzido pela Anglo-Amalgamated, de Nat Cohen e Stuart Levy. Chamou muita atenção na época de seu lançamento por apresentar antes do início do filme, um curta de 13 minutos chamado de Hipno-Vista, que chocava a plateia com cenas reais de hipnose e agulhas sendo enfiadas no corpo de pessoas. Isso gerou diversos protestos tanto na Inglaterra quanto nos EUA, mas como toda boa polêmica sempre ajuda um filme, acabou transformando a fita em um sucesso absoluto de bilheteria. Na trama diabólica, Edmond Bancroft, interpretado brilhantemente por Michael Gough (o Alfred dos filmes do Batman de Tim Burton e Joel Schumacher) é um escritor de artigos e livros sobre crime em Londres, que vive fazendo troça com a ineficácia da Scotland Yard em resolver certos casos, e que tem como sadio passatempo, manter um museu de horrores, retratando os mais famosos crimes cometidos na Inglaterra, cheio de aparelhos de tortura medievais e modernas, no porão de sua casa. Uma série de terríveis assassinatos vem assolando Londres. O primeiro, no prólogo do filme já é sensacional, com uma armadilha preparada em um binóculo enviado sem remetente para uma bela jovem, que ao colocar sobre os olhos, aciona dois pregos que furam os olhos da pobre coitada. Logo de cara sacamos que Bancroft é um sujeito psicótico, até pelo seu terrível hobby, e que ele é o serial killer, auxiliado por seu assistente Rick (Graham Curnow), a quem mais tarde descobrimos que é cobaia de uma fórmula que Bancroft injeta no rapaz para transformá-lo em uma besta sádica e violenta, causando até alterações em suas feições e um aumento exponencial de adrenalina, parecida com a poção de O Médico e o Monstro, clássico de Robert Louis Stevenson. O motivo que Bancroft realiza seus assassinatos, que no começo são aleatórios, só depois as vítimas passam a ser pessoas abelhudas que começam a interferir em seu trabalho, é dos mais sublimes: poder escrever sobre eles com toda clareza de detalhes e vender centenas de livros, ajudando-o a ser conhecido como um dos mais prolíficos escritores sobre crimes, uma espécie de autoridade do assunto. Entre seus métodos nada ortodoxos de assassinatos, ele e seu comparsa se utilizam de guilhotinas, facas, choques elétricos, e por aí vai. Gough, sempre acostumado a papeis de coadjuvante, dá uma aula de interpretação no filme. Seus trejeitos, a forma como manquitola apoiando em sua bengala, seu temperamento bipolar e sua homossexualidade implícita (em determinado momento do filme ele solta a pérola misógina: “nenhuma mulher consegue segurar sua língua. Elas são uma raça viciosa, não confiável”) são incríveis. Sua presença nas cenas decerto eleva o nível da produção. O grande problema de Horores do Museu Negro é seu final, apressado, com uma solução canhestra e que acaba deixando muito a desejar, faltando por um triz que a obra fosse impecável. Uma pena, mas não prejudica o conjunto. Horrores do Museu Negro é o último filme de Crabtree na direção, antes de se envolver em um processo judicial por violentar sua filha adotiva, que também desencadearia um séria de problema de saúde que levaria o diretor à morte. O que fica como seu legado, e do filme em si, é uma espécie de começo do fim da inocência do cinema de horror, que seria brevemente explorado durante toda a década seguinte, até chegar de vez nos obscuros anos 70 com suas produções pessimistas, sangrentas e a explosão do cinema grindhouse.
FONTE: http://101horrormovies.com/2013/03/26/120-horrores-do-museu-negro-1959/