sexta-feira, 9 de setembro de 2016

#698 1999 ECOS DO ALÉM (Stir of Echoes, EUA)


Direção: David Koepp
Roteiro: David Koepp (baseado no livro de Richard Matheson)
Produção: Judy Hofflund, Gavin Polone, Michele Weisler
Elenco: Kevin Bacon, Kathryn Erbe, Illeana Douglas, Zachary David Cope, Kevin Dunn, Conor O’Farrell, Lusia Strus

Taí um ótimo filme que surgiu nessa levada do final dos anos 90 e começo dos anos 00, envolvendo o sobrenatural, histórias de fantasmas e comunicação com espíritos, para fugir um pouco dessa enxurrada dos slashers 2.0 que se seguiram incessantemente depois da revitalização do cinema de horror com PânicoEcos do Além, dirigido e escrito por David Koepp, é inspirado no livro de Richard Matheson, um dos mais influentes e importantes escritores da literatura fantástica e responsável pelo roteiro de diversos filmes e programas de TV, que vinha contribuindo avidamente durantes os anos 50, 60 e 70, mas sua contribuição estava meio desparecida de Hollywood desde então. Eu lembro que no Brasil, Ecos do Além só fora exibido nos cinemas em 2000 (e eu estava lá o conferindo), uns bons longos meses depois do seu lançamento nos EUA, e consequentemente, uns bons longos meses do surpreendente e arrasa-quarteirão O Sexto Sentido, o que então gerou algumas comparações inevitáveis, por conta de um garotinho capaz de se comunicar com espíritos, e injustas também, por sinal, sendo que na verdade os dois foram produzidos praticamente na mesma época. O tal garotinho sensitivo é Jake (Zachary David Cope), que nos brinda já com uma incrível cena logo na abertura do filme, conversando com alguma pessoa que não está no quadro, e descobrimos que ele fala com “gente morta” ao perguntar, voltado para a câmera, se “dói estar morto”. Seu pai, Tom (Kevin Bacon) é uma pessoa comum, que se muda para o subúrbio de Chicago, tem um emprego enfadonho na companhia telefônica, um casamento rotineiro com Maggie (Kathryn Erbe), e vê seus sonhos de juventude de ser um rockstar cada vez mais distantes, engolido pelas mazelas da vida cotidiana do americano médio. Até que durante uma festa, ele é hipnotizado por sua cunhada, Lisa (Illeana Douglas) que vira uma chave na cabeça do sujeito, abrindo suas portas da percepção, despertando uma sensitividade latente, e a partir de então começa a ter visões pré-cognitivas e perceber que o fantasma de uma jovem garota está tentando se comunicar com ele, que coincide com uma vizinha, Samantha Kozac (Jennifer Morrison), que desaparecera do bairro há seis meses. No decorrer da trama vamos acompanhar Tom pirando aos poucos enquanto seu, hã, sexto sentido, explode, e ao mesmo tempo em que vários elementos clichês do gênero são utilizados, ainda assim soa com um frescor autêntico e que desperta o interesse no espectador, mesmo que isso leve a um contexto até datado de: fantasma tentando se comunicar para que seu corpo seja encontrado, justiça seja feita e ele possa descansar em paz por toda eternidade. Bacon está ótimo (e essa frase utilizada para a versão “comida” de seu sobrenome é um pleonasmo), o roteiro de Koepp segue com fluidez, assim como sua direção, e há boas cenas de susto, que não precisam ficar só apelando para jump scare e artifícios baratos, exatamente por saber contar a história e desenvolver a atmosfera certa de terror sobrenatural bem pontuado e horror psicológico sutil. E tem aquela cena da unha da garota quebrando no assoalho da casa que é de dar faniquitos nos mais incautos. Ecos do Além prova que um filme não precisa de exageros, doses cavalares de sangue e violência, reviravoltas malucas em seu final, barulhos estrondosos no último volume e tudo mais. O básico de uma história de fantasmas bem contada, que bebe de uma fonte segura e criativa como Matheson, é o suficiente para agradar aos fãs de horror, como eu.
FONTE: http://101horrormovies.com/2015/08/06/698-ecos-do-alem-1999/

#697 1999 DO FUNDO DO MAR (Deep Blue Sea, EUA, Austrália)


Direção: Renny Harlin
Roteiro: Duncan Kennedy, Donna Powers, Wayne Powers
Produção: Akiva Goldsman, Tony Ludwig, Don MacBain, Alan Riche; Rebecca Spikings (Coprodutor); Patrick Lynn, Thomas J. Mack (Produtores Associados); Bruce Berman, Duncan Henderson, Jonathan Schwartz (Produtores Excecutivos)
Elenco: Thomas Jane, Saffron Burrows, Samuel L. Jackson, Jacqueline McKenzie, Michael Rapaport, Stella Skarsgard, LL Cool J.

Acho que Do Fundo do Mar é o melhor filme de tubarões desde Tubarão de Spielberg. Tá certo que o peixe voraz nunca mais foi bem tratado nas telas grandes, isso temos que concordar. Tá certo também que não estou contando o clássico dos clássicos, O Último Tubarão de Enzo G. Castellari, trasheira classe A dos bons tempos da Sessão das Dez. E olha que Do Fundo do Mar tá longe de ser um bom filme ou algo do tipo. Gosto pela bagaceira pomposa mesmo, tendo em vista que aqueles tubarões em CGI estão realmente porcos em um bocado de cenas. Mas ao mesmo tempo, quando eles resolvem usar animatrônicos, em compensação, os tubarões estão bastante críveis, dinâmicos e assustadores. É muita ambiguidade esse filme, uma vez que os atores também são péssimos, tem o LL Cool J, é dirigido pelo picareta Renny Harlim, ele tem cara de filme que caiu como luva no Tela de Sucessos do SBT, onde foi exibido à exaustão, tem um monte de clichês, frases de impacto, de situações inverossímeis e forçadas, mas por diabos, são tubarões inteligentes caçando e matando pessoas presas em uma estação subaquática que está preste a afundar. Não dá para não gostar disso, nem nos seus piores dias! E foi só comigo ou desde a primeira vez que assisti a Do Fundo do Mar, imaginei que Thomas Jane seria um ótimo Aquaman, até fisicamente falando? Não o Justiceiro, raios!!!! E não também o Jason Momoa, vai. Enfim, elucubrações sobre personagens da DC Comics a parte, na trama, a Dra. Susan McCallister (Saffron Burrows) está pesquisando uma cura para o Alzheimer em uma instalação aquática isolada no meio do oceano, estudando extrair uma enzima cerebral dos tubarões. Depois do incidente quando um dos peixes escapa e quase mata alguns banhistas, o projeto todo pode ir para o ralo e então a equipe terá um final de semana para obter resultados, sob escrutínio do acionista milionário Russell Franklin (Samuel L. Jackson). Só que para isso, a inescrupulosa Susan e o brilhante Dr. Jim Whitlock (Stellan Skarsgard) violaram uma cacetada de leis e acordo bioéticos aumentando o cérebro dos tubarões cobaias, para que eles dobrassem de tamanho e assim pudesse ser extraído mais líquido para esse experimento. Como contraindicação, os bichos ficaram inteligentes, estrategistas e tudo mais. Eis que coincidentemente naquela noite vai rolar uma tempestade tropical que irá deixa-los isolados do resto da humanidade e de qualquer socorro e os tubarões irão bolar um estratagema para afundar o local e assim poderem escapar para o oceano. E claro, caçar os ali aprisionados para fazer uma boquinha. Um detalhe bem bacana que NUNCA havia me atentado e só depois de fazer as minhas pesquisas para escrever sobre o filme aqui no 101 é que a morte dos três tubarões são exatamente as mesmas dos três filmes da franquia Tubarão: um deles explode, como em Tubarão, outro é eletrocutado, como em Tubarão 2 , e finalmente, incinerado como em Tubarão 3. Legal, né? Ou não, sei lá. Enfim, assisti Do Fundo do Mar nos cinemas e sou vidrado em tubarões, como acho que alguns de vocês que acompanham mais avidamente o blog devem saber, tendo o seminal longa de Steven Spielberg como o filme da minha vida. Então quanto mais desses animais eu assistir comendo gente, de uma forma minimamente decente, claro, nada de Sharknado ou todas aquelas aberrações da Asylum (tubarão com polvo, piranha, dinossauro, etc), está valendo.
FONTE: http://101horrormovies.com/2015/08/05/697-no-fundo-do-mar-1999/

#696 1999 A CASA DA COLINA (House on Haunted Hill, EUA)


Direção: William Malone
Roteiro: Dick Beebe
Produção: Gilbert Adler, Joel Silver, Robert Zemeckis; Terry Castle (Coprodutora); Ed Tapia (Produtor Associado); Dan Cracchiolo, Steve Richards (Produtores Executivos)
Elenco: Geoffrey Rush, Famke Janseen, Taye Diggs, Peter Gallagher, Chris Kattan, Ali Larter, Bridgette Wilson-Sampras, Jeffrey Combs

Joey Silver e Robert Zemeckis resolveram fundar lá no final dos anos 90 a produtora Dark Castle Entertainment, para realizar filmes de terror para a Warners Bros. A ideia, louvável a princípio, era refilmar alguns clássicos do gênero, principalmente os longas de William Castle, um dos diretores mais inventivos e marqueteiros que já pisaram em Hollywood. A primeira empreitada da Dark Castle foi o remake de A Casa dos Maus Espíritos, dirigido por Castle e com o eterno Vincent Price no elenco, que é um filme bem simples e até ingênuo, visto nos padrões de hoje e assusta em nível -10, mas que olhe, é muito melhor do que A Casa da Colina em níveis de grandeza, viu. E sabe o que é pior? O filme dirigido por William Malone poderia ser muito melhor do que ele se apresenta. Claro que a ideia nunca foi fazer algo simples, atmosférico e soturno. Tudo penderia para o exagero, como uma superprodução de terror de uma major hollywoodiana, e seguindo um infeliz caminho que vinha se tornando tendência e seguiria aí durante os próximos anos. Mas misturado num bando de clichês, atores péssimos (tirando Geoffrey Rush, é claro), uma direção de arte e design de produção que caminha no tênue limite entre o foda e o deplorável, existe ali uma história que poderia render muito (um hospício abandonado, isso por si só já deveria inspirar pesadelos assustadores) e diversos arroubos de criatividade e narrativa com algumas cenas evocando os “maus espíritos” que ali vivem, misturando truques óticos, efeitos especiais e tons de sépia, que diabos, é dos mais tétricos e parecem ter saído diretamente de Silent Hill. Mas não né, para que explorar isso? Vamos fazer um carnaval alegórico completamente caricato e torrar a grana com breguices e uma RI-DÍ-CU-LA manifestação física de um espectro negro esvoaçante no final, feito com um CGI tosco e que derruba toda mínima e qualquer credibilidade criada até então por todos os envolvidos, sem contar aquele finalzinho chulé. Isso é o cinema de terror dos grandes estúdios! A trama, escrita por Dick Bebbe, é levemente inspirada no roteiro original de Rob Whitte de 1959, onde um excêntrico empresário, Stephen Price (vivido por um Geoffrey Rush fisicamente idêntico a Vincent Price) vive às turras com sua esposa, Evelyn (Famke Janssen), num relacionamento nada saudável de avareza, inveja, traição e ódio, e convida cinco estranhos díspares para a festa de aniversário da patroa, no malfadado Hospital Vannacutt, um hospício dos anos 30 onde seu dono, Dr. Richard Benjamin Vannacutt (papel de Jeffrey Combs), realizava experiências torturantes em seus pacientes, até que uma rebelião terminou na morte de todos ali dentro e claro, o local passou a ter pecha de mal assombrado. Só que nenhum dos cinco eram aqueles convidados por Price, pois o computador alterou sozinho os nomes antes dos convites serem enviados por e-mail, e cinco pessoas nada a ver com o combinado aparecem por lá, sendo que mais tarde vamos descobrir que são todos descendentes da terrível staff médica do Dr. Vannacutt. E ainda há um prêmio especial para quem conseguir passar uma noite no insólito local: um milhão de dólares. Caso alguém morra no processo, sua parte da grana será dividida entre o resto. Pois bem, acontece que a casa é a maldade pura, tranca todos os convidados ali dentro e passa a abater um a um como moscas, além, claro, de rolar algumas mentiras, chantagens e conspirações internas tanto da parte de Price, quanto de sua esposa. Fato é que A Casa da Colina tem toda uma pegada do desenho de Scooby-Doo, ou um episódio ruim de Contos da Cripta estilizado (talvez por Malone ter dirigido alguns episódios da série) e peca exatamente por seu exagero, por seu montante de dinheiro gasto, e pelo nome de dois pistolões como Silver e Zemeckis na produção, pois acredito que se o longa não tivesse um puto, como foi o caso de A Casa dos Maus Espíritos ou tantos outros filmes de terror independentes, teríamos um resultado muito melhor, explorando mesmo o terror, o suspense, o medo, as situações insólitas, e não aquela patifaria toda. Bom, depois de A Casa da Colina, que acabou faturando 40 milhões de dólares só na bilheteria doméstica, pouco mais da metade de seu custo, a Dark Castle continuou sua toada de fazer PÉSSIMOS filmes de terror, todos nessa proposta de abusar do CGI e de um orçamento maior e fazer carnavais de terror ao invés de filme decente, produzindo bombas como o remake de 13 Fantasmas (outra obra de Castle) e do mediano A Casa de Cera (outro filme originalmente com Vincent Price), e originais esquecíveis como O Navio FantasmaNa Companhia do MedoA Colheita do Mal e A Orfã.
FONTE: http://101horrormovies.com/2015/08/04/696-a-casa-da-colina-1999/

#695 1999 A BRUXA DE BLAIR (he Blair Witch Project EUA)


Direção: Daniel Myrick, Eduardo Sánchez
Roteiro: Daniel Myrick, Eduardo Sánchez
Produção: Rob Cowie e Greg Halle, Michael Monello (Co-produtor), Bob Eicke e Kevin J. Foxe (Produtores Executivos)
Elenco: Heather Donahue, Michael C. Williams, Joshua Leonard

Você se lembra do ano de 1999? Então provavelmente também se lembra do sucesso tremendo que A Bruxa de Blair fez. Como tudo aquilo era novo e realmente assustador. Toda aquela campanha de marketing utilizando a Internet era uma baita novidade. A ideia de que o filme eram as supostas fitas encontradas dos três estudantes de cinema perdidos na floresta era de gelar a espinha. E estou falando de uma época em que não existia uma enxurrada dos chamados “mockumentaries”, ou falsos documentários, como RECCloverfield – MonstroAtividade Paranormal, e TANTOS outros (e olhe que só estou citando os bons aqui, e não as bombas, tipo A Forca). A única coisa perto dessa ideia decinema verité que já havíamos visto no gênero era Cannibal Holocaust de Ruggero Deodato, no início dos anos 80, ou Aconteceu Perto de Sua Casa no começo da década de 90. E a ideia de A Bruxa de Blair era se virar com um orçamento ridículo e subverter a ordem natural do cinema de horror, onde por mais que o espectador buscasse sentir medo e ser ameaçado, ele estava seguro em sua poltrona, com o contato o mais distante possível dos personagens. Aqui você, eu e todo mundo que assiste A Bruxa de Blair é testemunha ocular, está ali vendo (ou melhor, não vendo) o mesmo que os protagonistas, e exposto aos mesmos apuros e medos que eles. O começo do filme, sem créditos iniciais, sem trilha sonora, já alerta o espectador sobre a origem das filmagens: “Em outubro de 1994, três estudantes de cinema desapareceram na floresta próxima a Burkittsville, Maryland, enquanto filmavam um documentário… Um ano depois as imagens foram encontradas”. Esses três estudantes são Heather, Michael e Joshua, que resolvem fazer o documentário sobra uma antiga lenda da cidade de Burkittsville, ex-Blair. Após o desaparecimento de várias pessoas nos arredores da floresta Black Hills, Elly Kedward, a suposta bruxa, foi tida como responsável e banida em 1785. Após seu banimento, várias crianças desapareceram da cidade, o que alimentou a lenda de que elas eram levadas para a cabana da bruxa na floresta, que as matava de duas em duas, sempre deixando uma virada para a parede enquanto executava a outra. Na década de 40, um assassino chamamdo Rustin Parr alega inocência no tribunal dizendo estar mancomunado com o espírito da bruxa. Além disso, há uma testemunha ocular, uma maluca chamada Mary Brown, que jura de pé junto ter visto a bruxa e que ela tinha o corpo todo coberto de pelos, dos pés a cabeça. Enfim, essa mitologia inteira foi criada pelos diretores Daniel Myrick e Eduardo Sánchez para tentar corroborar ainda mais a tal autenticidade do filme. Os três documentaristas se embrenham na mata em busca de cenas para compor seu trabalho, quando inevitavelmente se perdem e começam a vivenciar experiências assustadoras, como escutar sons bizarros durante a noite e encontrar montes de pedras empilhados do lado de fora da barraca e galhos misteriosos em formato de bonecos pendurados nas árvores. E tudo sem desligar a câmera nervosa, que alterna entre cenas em preto e branco e colorido, mostrando além dos perigos sobrenaturais subentendidos, a degradação psicológica dos personagens, que perdidos e desamparados, partem para brigas e discussões intermináveis, choros e gritos de desespero, que vão aumentando ainda mais a angústia e a tensão dividida de forma igual com o público também imerso naquele ambiente. Os próprios atores eram ilustres desconhecidos, pessoas comuns como eu você, que usaram até seus nomes verdadeiros como seus personagens. Eles mesmos foram os cinegrafistas e tiveram de aprender a manejar câmera e áudio para aumentar ainda mais a verossimilhança do filme, fora uma quase sádica tática de guerrilha imposta pelos diretores. Os atores foram jogados a esmo na floresta, munidos de um GPS e partes do roteiro. A equipe então se encumbiu de criar todo o clima para meter medo nos coitados (e na gente), fazendo ruídos estranhos, gritos e barulhos durante a noite, e até mesmo atacando a barraca onde eles acampavam. E fora isso, foi dada total liberdade de improviso em diálogos e cenas. Assistir A Bruxa de Blair hoje em dia com certeza não traz o mesmo impacto de vê-lo pela primeira vez lá no final dos anos 90, no cinema. Eu estava lá, um adolescente com seus 17 anos, sozinho no cinema assistindo ao que estava sendo uma baita experiência cinematográfica e compartilhando daquele medo e tensão com todos os outros ali presentes. Quando o filme termina, você fica um pouco perplexo com o final abrupto, mas ao mesmo tempo sente um baita alívio por as luzes terem se acendido. E isso é o grande charme d’A Bruxa de Blair e que o faz ser horripilante. Hitchcock já havia ensinado que mete muito mais medo o que a gente não vê, do que realmente vê. Não há um monstro maquiado, ou um efeito especial ou sonoro para dar susto. É o medo, cru, primal do desconhecido. E muita gente sentiu esse medo, porque A Bruxa de Blair foi um estouro de bilheteria. Uma produção baratérrima que gastou 60 mil dólares para ser rodado em oito dias, faturou mais de 240 milhões em todo o mundo e tornou-se um verdadeiro fenômeno do horror e uma aula de como fazer uma campanha de marketing, como explorar o poder da Internet e seus grupos de discussão na época (o que hoje seriam as redes sociais) e como fazer o boca a boca realmente trabalhar em prol do sucesso de uma produção. Mas a maldição da bruxa recaiu sobre os inventivos e originais diretores do filme. Após a enorme febre e o sucesso astronômico, logo foram cotados como os próximos grandes nomes do cinema de horror. Mas o que se veio foi uma malfadada sequência caça-níquel (mesmo que não dirigida por eles), e ambos haviam sido contratados pela FOX para desenvolver uma série no ano seguinte, chamada Freakylinks (alguém lembra?), que foi um fiasco. E até hoje, passados 15 anos não conseguiram engatar sequer um projeto decente no cinema. A bruxa realmente ficou solta.
FONTE: http://101horrormovies.com/2015/07/30/695-a-bruxa-de-blair-1999/

#694 1999 AUDITION (Ôdishon / Audition, Japão, Coreia do Sul)


Direção: Takashi Miike
Roteiro: Daisuke Tengan (Baseado no livro de Ryû Murakami)
Produção: Satoshi Fukushima e Akemi Suyama, Toyoyuki Yokohama (Produtor Executivo)
Elenco: Ryo Ishibashi, Eihi Shiina, Tetsu Sawaki, Jun Kunimura

Takashi Miike é um dos mais lunáticos, controversos e violentos cineastas japoneses. É um dos diretores preferidos de nomes como Quentin Tarantino, Eli Roth e John Landis para vocês terem uma ideia. Seus filmes geralmente são carregados com um enorme conteúdo gráfico. E apesar de muita produção absurda em sua carreira, Audition certamente ganha de todas. E o mérito de Miike é exatamente por ele enganar o espectador direitinho, arrastando o filme ao extremo só para chegar ao seu final doentio causando um impacto tão grande, que seu nível de sadismo chega até ser desconcertante. Você de forma alguma está preparado para ver aquilo. De uma história mela cueca sobre estar apaixonado e encontrar um novo amor que você considera sublime e singelo, ele dá uma guinada tão maluca, que até a narrativa deixa de ser linear, você é jogado em meio a um pesadelo visceral, que deixaria o Marquês de Sade corado, e vai enfiando elementos sinistros e desconexos até seu final apelativo. O que era doce, delicado e até piegas em certo ponto, acaba virando um relato sobre a verdadeira monstruosidade humana. Mas não vamos colocar a carroça na frente dos bois, como diz o sábio ditado popular. Com quase duas horas de duração, a primeira hora é um baita novelão conduzido com extrema perfeição por Miike, para contar a história de Ayoama, um executivo de TV, que logo no começo do longa perde sua esposa para uma doença fatal, deixando-o viúvo e seu pequeno filho órfão de mãe, justo enquanto o menino andava no corredor do hospital levando flores e um cartão de melhoras para ela. Pois bem, a cena corta para dez anos depois, e pai e filho estão pescando, e em uma conversa durante o jantar, ele pergunta quando seu pai irá se casar de novo, pois acredita já ser um bom momento para o solitário homem arrumar uma companheira. Ao levar suas indagações para seu amigo Yoshikawa, ele tem a brilhante ideia de realizar uma audição (daí o título original) para um filme falso, e assim entrevistar dezenas de mulheres e encontrar a perfeita para Aoyama. Olha a falta que fazia o Tinder naqueles dias. A cena dos testes é uma verdadeira piada. O dramalhão vira então um pastiche com a apresentação das candidatas. Porém isso era um jogo de cartas marcadas, pois Aoyama já havia se interessado por Asami Yamazaki, uma garota tímida que tinha mandando seu currículo, ex-bailarina, que mostrava uma vida sofrida e digna de compaixão. Não deu outra: Aoyama chama Asami para um encontro, depois outro, e acaba ficando perdidamente apaixonada pelo jeito singelo, inocente e introspectivo da moça. E isso indo contra todas as broncas de Yoshikawa, que o alertava para desistir da garota, pois seu santo não tinha batido com o dela e desconfiava de alguma coisa, principalmente depois dela mentir em seu currículo, dizendo que tinha contatos com um produtor musical de uma gravadora, que misteriosamente estava desaparecido. E em uma cena emblemática você começa a perceber que alguma coisa está seriamente errada, quando ela obcecada fica esperando o telefonema do pretendente, sentada toda encurvada no chão, com um gigante saco ao fundo que se mexe de um lado para o outro. BI-ZAR-RO! Pois bem, Aoyama decide que ela é a tal e vai propor a sua mão em casamento. Para isso a leva em uma viagem romântica e se hospedam em uma pousada na costa. Naquela mesma noite eles transam. Detalhe que a garota tem uma imensa marca de queimaduras na perna. Ao acordar, Aoyama descobre que ela havia ido embora sem deixar nenhum recado. E sumido para valer, sem deixar vestígios, sem atender os telefonemas. É quando Aoyama decide procurá-la a qualquer custo. E a próxima hora de filme é que você entra na montanha-russa sem a trava de segurança, porque todo o mamão com açucar e o imbróglio com que Miike te ludibria até então, vai ser jogado às favas em prol da demência lisérgica que vem a seguir. Em sua investigação particular, Aoyama primeiro vai até o antigo estúdio de balé e encontra uma figura sinistra pacas, que fica em uma cadeira de rodas, e em seus malucos flashbacks, você começa a sacar que Asami era torturada e molestada quando criança por aquele tiozinho. Boa coisa não virá daí. Na sequência ele segue para um bar onde ela dizia que trabalhava três vezes por semana. Ao chegar lá, o bar estava fechado há um ano e o dono havia sido completamente mutilado. E quando a polícia tentou remontar seu corpo, encontraram três dedos, uma orelha e uma língua a mais! Miike perde completamente o senso daqui para frente, e em meio a flashbacks, narrativas completamente não lineares e cenas que mais parecem um pesadelo psicótico, ele vai entregando diversas informações quebradas para você ir colocando os pingos nos is. E toda a questão machista e misógina que o filme levanta até então, de um homem usar de meios nem um pouco éticos para encontrar uma mulher através de uma nefasta audição para um papel de heroína de um filme, ou mesmo o velho professor de dança tarado e torturador, vai de encontro com situações de misandria levantada a partir dessas percepções finais, através da garota tímida, frustrada e violentada, que vê o homem como o mal do mundo onde todos são iguais e incapazes de amar, e eles devem ter o que merecem. Eu não quero estragar o final do filme com um SPOILER do tamanho de um bonde, mas pense que os vinte minutos finais da fita é uma das piores cenas de tortura já vistas no cinema. E esqueça o neo-exploitation e o torture porn de filmes como O Albergue ou Jogos Mortais. Nããããão. Ela é poética, delicada, repleta de requintes de crueldade, envolvendo agulhas, pontos nervosos do corpo humano e uma espécie de arame capaz de cortar carne e osso. Pronto, parei por aqui. O resto você tem que ter estômago e ver com seus próprios olhos. E já tendo assistido ao filme antes, certa vez ele foi exibido em uma mostra no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro de São Paulo, chamada “Alta Tensão”, onde somente filmes extremos de suspense e terror foram exibidos. E eu um colega de trabalho fizemos questão de ir a uma sessão pública de Audtion só para conferirmos as reações alheias durante a cena de tortura. Audition no final das contas é uma ode à desilusão. Os personagens não tem um final feliz, você não vai encontrar o amor da sua vida, quando você encontrar ele é tirado de você ou por uma doença ou por uma psicose. Você está fadado a viver em um mundo solitário, desesperançoso e completamente retorcido. E as situações de vida podem levar pessoas a cometerem qualquer tipo de loucura. Já dizia Goya que: “O sono da razão produz monstros”. Takashi Miike e Audition não só nos mostram esses monstros, como os alimenta.
FONTE: http://101horrormovies.com/2015/07/29/694-audition-1999/

#693 1998 VAMPIROS DE JOHN CARPENTER (Vampires, EUA, Japão)


Direção: John Carpenter
Roteiro: Don Jakoby (baseado no livro de John Steakley)
Produção: Sandy King; Don Jakoby (Coprodutor); Barr B. Potter (Produtor Executivo)
Elenco:James Woods, Daniel Baldwin, Sheryl Lee, Thomas Ian Griffith, Maximilian Schell, Tim Guinee

Gosto PACAS de Vampiros de John Carpenter. Primeiro porque o vi no cinema. Segundo porque é de John Carpenter. Terceiro por conta da canastrice de James Woods. Quarto por conta do seu visual faroeste. Quinto por sua trilha sonora brega, que é de John Carpenter. Sexto porque parece uma história retirada de uma aventura de Vampiro: A Máscara. Já são motivos de sobra para gostar do longa, não é? Tem filmes por aí, que ás vezes são até mais valorizados que Vampiros – o último bom filme de Carpenter – que não juntam seis bons motivos para se apreciá-lo. E apesar de ser um gritante filme B, que infelizmente não recebeu o devido respeito de crítica e público, o dedo do mestre pesa com força, tanto em sua narrativa, como nos belos planos do deserto do Novo México com sua forte influência do western spaghetti, como na dinâmica picareta de todos os atores envolvidos (algo que Carpenter sabe fazer com primor e está aí Kurt Russel que não me deixa mentir) e no festival de gore sem parcimônia. Se há uma coisa em que Carpenter peca, e que não é em detrimento do baixo orçamento e na sensação de filma acabado de forma rápida demais  (para você ter ideia, logo depois que a produção começou o estúdio cortou 2/3 da verba!)  é o tamanho da misoginia com M maiúsculo de seus personagens macho-mans, que hoje causaria estardalhaço e comoção exacerbada. Mas que não se limite a isso, pois o dedo que o diretor mais enfia no vespeiro é da Igreja Católica, descontruindo todo o mito do vampiro, colocando a criação desse ser das trevas na conta dos apostólicos-romanos e sua execrável inquisição. Pois bem, Woods é Jack Crow, o líder de um bando de caçadores de vampiros que faz parte de uma facção secreta comandada e financiada pela Igreja Católica, que vive por aí adentrando no covil das criaturas de presas e exterminando-as uma a uma, em busca do mestre vampiro-mor. Após uma operação aparentemente bem sucedida (apesar de não encontrarem o tal mestre) o grupo tem uma noite de diversão, bebidas e prostitutas num motel de beira de estrada em Monterrey, quando são atacados e dizimados pelo mestre, vestido com seu sobretudo preto, longos cabelos negros e pele cor de cera, mais clichê impossível, apesar de tentar ignorar completamente o visual aristocrático e gótico do monstro. Apenas Crow e seu parceiro, Montoya (Daniel Baldwin, um dos inúmeros irmãos Baldwin) sobrevivem, junto da prostituta Katrina (Sheryl Lee), que fora mordida pelo mestre e por isso é levada junto deles, para funcionar como um elo telepático com seu criador, antes de se transformar definitivamente em vampira (e toma muita porrada até isso acontecer). Crow resolve indagar o Cardeal Alba (o veterano Maximilian Schell) e descobre que o outro grupo de caçadores de vampiros, baseado na Europa, também fora exterminado pelo mesmo sujeito, um tal de Jan Valek (Thomas Ian Griffith), ex-padre que fora tido como possuído pelo demônio e queimado na fogueira.  Mas voltou, caminhando apenas a noite e alimentando-se de sangue. O padre Guiteau (Tim Guinne) passa a integrar o grupo e no final das contas, acaba dando com a língua nos dentes e contando a verdade a Crow, que o vampiro na verdade foi vítima de um ritual de exorcismo proibido que deu errado, a acabou por transformá-lo em um vampiro, o primeiro de todos, sendo que agora ele está em busca da Cruz de Berzies, um artefato centenário que daria a capacidade de andar à luz do dia a Valek. Poxa, a trama, baseada vagamente no livro Vampire$ de John Steakley, que teve o primeiro tratamento escrito por Don Jakoby (o mesmo roteirista de Força Sinistra e Invasores de Marte de Tobe Hooper eAracnofobia) é muito bacana, ainda mais em sua reviravolta quando mostra que naquela velha história do maniqueísmo da luta entre o bem e o mal sempre há um traidor e os desejos da Igreja, para variar, são mais escusas do que parecem. E como falei lá em cima, todo esse clima de caçadores de vampiros, conspirações, Igreja, busca por uma relíquia mágica e tudo mais é MUITO uma aventura do RPG, Vampiros: A Máscara. Tenho certeza que deve ter inspirado histórias de vários mestres por aí. Juntem-se a isso os efeitos especiais, que vão do orgulho à vergonha em cenas distintas (como Valek partindo um cara em dois ou a tosquice quando os vampiros são arrastados ao sol e pegam fogo como se estivessem com sinalizadores nas roupas) criados pela KNB (preciso repetir que é a empresa do Kurtzberg, Nicotero e Berger? Porque já são tantos e tantos filmes na sequência que escrevo por aqui onde eles foram responsáveis pelos FX…), aquele clima árido mezzo western e mezzo road movie e James ‘Fuckin’ Woods e pronto, você tem um filme imperdível sobre vampiros! Okay, Vampiros de John Carpenter pode não figurar entre os maiores clássicos do subgênero dos sugadores de sangue e nem ser o mais genial do mestre, mas ainda assim encontrou sua Cruz de Berzies e definitivamente tem seu lugar ao sol (que infame…) na mitologia cinematográfica das criaturas das trevas.
FONTE: http://101horrormovies.com/2015/07/28/693-vampiros-de-john-carpenter-1998/

#692 1998 RINGU O CHAMADO (Ringu / Ring, Japão)


Direção: Hideo Nakata
Roteiro: Hiroshi Takahashi (baseado no livro de Kôji Suzuki)
Produção: Takashige Ichise, Shin’ya Kawai  e Takenori Sentô, Makoto Ishihara (Produtor Associado), Masato Hara (Produtor Executivo)
Elenco: Nanako Matsushima, Miki Nakatani, Yûko Takeuchi, Hitomi Satô, Hiroyuki Sanada

Nada consegue se comparar a experiência assustadora de ver Sadako saindo da televisão da primeira vez que se assiste Ring – O Chamado, ou Ringu, no original. E foi através desse sucesso de bilheteria no Japão, que ganhou uma tremenda força internacional, que o cinema de terror oriental tornou-se um fenômeno pop e deu origem ao subgênero conhecido como J-Horror, sinônimo de ótimas e tenebrosas produções no final dos anos 90 até meados dos anos 2000. A porteira que Ring – O Chamado abriu fez com que uma enxurrada de filmes orientias fosse produzida, alguns simplesmente excelentes, outros só mais da mesma história das meninas fantasmas cabeludas, e obtessem seu espaço no mercado ocidental e consequentemente, ganhassem suas refilmagens americanas, já que o povo da terra do Tio Sam detesta assistir filme em outra língua e legendado. E foi isso que aconteceu com essa produção, baseada no livro de Kôji Suzuki, uma espécie de Stephen King nipônico: ganhou um remake, O Chamado, muito mais conhecido que sua versão original. E apesar de ser um excelente filme também, não se compara ao clima sinistro que a versão japonesa carrega, que não apela para efeitos especiais e sustos baratos com o aumento repentino do som. Dirigido por Hideo Nakata, que também seria responsável por outro hit do J-Horror, Dark Water – Água Negra (igualmente refilmado pelos yankees, dessa vez com o brasileiro Walter Salles na direção), a trama do filme gira em torno de uma lenda urbana, onde aqueles que assistem uma determinada fita VHS recebem um telefonema anunciando que morrerá dentro de sete dias. E após uma semana passada, é batata: a pessoa morre e é encontrada com uma terrível expressão de medo no rosto. E é exatamente isso que acontece com duas adolescentes logo na primeira cena do filme, sendo que uma delas viu a fita com mais três amigos em um chalé e ela, assim como os demais, morrem nessas circunstâncias misterioras. Reiko Asakawa, jornalista tia da garota que morreu, resolve começar a investigar o caso ao encontrar conexões da morte da sobrinha com essa lenda urbana. Para ir a fundo na sua investigação jornalísitca, hospeda-se na mesma cabana e assiste a tal fita, que mais parece um pesadelo sintonizado de alguém. Claro que o telefone toca e ela recebe a mórbida notícia que só tem mais sete dias de vida. Junto com seu ex-marido, o professor Ryuji Massami, a quem também mostrou uma cópia da fita, resolvem tentar descobrir uma forma de impedir a maldição, principalmente depois que o filho do casal, o pequeno e independente Kôichi, assiste acidentalmente ao vídeo. Diferente da sua versão americana, o ritmo de Ring – O Chamado é muito mais lento, e isso é uma característica do cinema oriental em si, o que pode desagradar àqueles que estão acostumados com o jeitão enlatado norte-americano. Mas em compensação é muito mis tenso e assustador. A investigação dos dois protagonistas é sempre pontuada por simbolismos e elementos sobrenaturais, inclusive um certo poder pós-cognitivo de Ryuji, que dá uma forcinha para o roteiro andar e que se consiga chegar a algumas respostas para eles tentarem salvar suas peles. No final, de uma forma nem um pouco óbvia, as pontas vão sendo amarradas para que seja apresentada ao espectador a assustadora Sadako, mas sem uma explicação manjada. Sadako é fruto das próprias lendas japonesas, influenciadas por sua religião, em grande parte budista e xintoísta, transportada para o mundo moderno, passada de gerações a gerações de distintas formas, desde contos sobrenaturais orais até dramatizações no próprio teatro Kabuki. Ela personifica a presença do fantasma vingador, vítima detentora de uma força implacável, onde encontrar seu corpo, recitar um cântico ou parar para ouvir e entender seus desejos, não será o suficiente para impedir essa entidade maligna, muito mais poderosa e longe de qualquer alcance da nossa compreensão mundana. Tanto que o final é extremamente pessimista e você vê que os personagens estão em um círculo sem fim, onde para conseguir aplacar essa fúria, são obrigados a passar a maldição para frente, condenando outras pessoas ao mesmo infortúnio. E a tal mítica cena de Sadako saindo de dentro do poço, com seu longo e escorrido cabelo negro jogado sobre o rosto, caminhando de forma bizarra, quase como se fosse um efeito especial corporal ambulante, e rastejando como uma contorcionista para fora do tubo da televisão é um das mais assustadoras de toda a história do cinema. Você não está preparado para aquilo. Por mais que já tenha assistido toneladas de filmes de terror, o impacto daquela cena é de gelar a espinha de qualquer um. Se você nunca assistiu ao Ring – O Chamado original, está perdendo uma verdadeira obra prima do terror moderno.
FONTE: http://101horrormovies.com/2015/07/24/692-ring-o-chamado-1998/