sexta-feira, 6 de maio de 2016

#580 1989 A MOSCA 2 (The Fly II, EUA)


Direção: Chris Walas
Roteiro: Mick Garris, Jim Wheat, Ken Wheat, Frank Darabont
Produção: Steven-Charles Jaffe; Gillian Richardson (Produtor Associado); Stuart Cornfeld (Produtor Executivo)
Elenco: Eric Stotlz, Daphne Zuniga, Lee Richardson, John Getz, Frank C. Turner, Ann Marie Lee, Garry Chalk


A Mosca 2 é mais uma daquelas sequências caça-níquel. Fato consumado. Mas olhe, ele não é de tuuuuuudo tão ruim. Na verdade, se formos pensar em termos dos efeitos de maquiagem, o longa é excelente. O roteiro também tem lá seus méritos, ainda mais se tratando de uma continuação direta de seu antecessor, o insuperável A Mosca, dirigido por David Cronenberg. O grande problema é o final salafrário (coisa de estúdio, sabe?) e o visual da criatura principal. Fato é que A Mosca é um filme tenso. Além da nojeira no limite, dos dilemas morais e científicos aplicados, da deturpada história de amor, o final é completamente pessimista, uma vez que Brudlemosca ao virar a amálgama mutante entre humano e inseto, acaba fazendo o papel do vilão (ou anti-herói?), deixando a mocinha grávida (a quem tenta até matar em última instância) e sendo morto/sacrificado depois de mais um teleporte errado. O filho de Seth Brundle e Veronica Quaife (Geena Davis não voltou para o prólogo porque ficou deveras traumatizada com a cena da cirurgia obstetrícia da larva no primeiro, e uma vez que ela voltaria apenas por poucos minutos para dar a luz ao bebê) será então o protagonista nesta sequência (tal qual o filho de Andre Delambre em O Monstro de Mil Olhos, sequência do original A Mosca da Cabeça Branca, lá dos anos 50). Veronica morre no parto e o garoto, Martin, que nasce aparentemente normal e será confinado, cuidado e observado por uma equipe de cientistas da empresa comandada pelo famigerado Sr. Bartok (Lee Richardson). Como Martin possui o metabolismo de um inseto, com cinco anos de vida ele já se torna um adulto, agora interpretado por Eric Stoltz (o papel quase foi de Vincent D’Onofrio, que acabou não passando no teste, e também fora oferecido para Keanu Reaves e Josh Brolin), e passa a trabalhar, sempre manipulado por Bartok, nos telepods do pai. Tudo está bem na medida do possível, Martin se engraça com a também pesquisadora Beth (Daphne Zuniga, impossível de se desassociar da Princesa Vespa de Spaceballs), mas eis que a mutação em seu organismo começa a dar sinais de vida e ele descobre que está sendo usado por Bartok e continua tendo sua privacidade e passos filmados, inclusive dando umazinha (ainda bem que não tinha xvideos naquela época). Então Martin fica emputecido, ao mesmo tempo em que tenta fugir e começa a se transformar em um museu ambulante de nojo, secreção, gosma, peles e órgãos caindo, até que é levado de volta à Bartok, entrando no estágio de casulo, de onde sairá a criatura mutante inseto gigante que irá se tornar. Mas que fica bem tosca, parecendo um vilão do Changeman, muito aquém do trabalho ganhador do Oscar® no primeiro A Mosca, que por sinal, foi feito pelo Chris Walas, que dirige essa sequência com sua equipe assumindo essa tarefa. Mas em contrapartida, a transformação de Eric Stoltz no Brundlemosca II é de tirar o chapéu, assim como as cenas de splatter (principalmente quando o moscão vomita sua secreção ácida no rosto de um segurança, ou quando outro guardinha tem sua cabeça esmagada por um elevador) e algumas outras criaturas deformadas (incluindo aí um pobre cãozinho vítima de um teleporte mal sucedido), que não entrarei mais em mais detalhes para não soltar SPOILERS do final do filme. Mas ainda dando meus dois centavos sobre o final feliz do filme, quebrando já o infeliz destino do pai Brundlemosca, com uma puta lição de moral e maniqueísmo desnecessário, é realmente broxante e pelo menos em meu caso, o filme perde todos os pontos que conseguiu conquistar até então por conta de uma resolução faceira do estúdio para o grande público coxa, infelizmente. E olha que teve gente bem conhecida dos fãs do horror cuidando do roteiro, como Mick Garris e Frank Darabont. Mas a passagem mais genial de todo A Mosca 2 provavelmente deve ter passado desapercebido de muita gente, mas não do blogueiro aqui. Dado momento há uma cena com um vigia noturno da Bartok dentro de sua guarita, e o livro que ele está lendo se chama “The Shape of Rage”, que é exatamente o livro escrito pelo Dr. Hal Raglan em Os Filhos do Medo, dirigido por quem? David Cronenberg! Bela homenagem ao diretor do primeiro filme. Mas como disse no começo do texto, toda a estrutura da sequência em repetir fórmulas (como a história do caso amoroso entre Martin e Beth), em ampliar o conceito do mutante, deixando-o maior, mais mortal, e mais cartunesco, por conseguinte, e com muito mais tempo em cena, e o tal do final mela cueca, é o que transforma A Mosca 2 em uma sequência caça-níquel clássica com cara de produto enlatado de estúdio. O que é uma pena, pois ele é decente de certa forma e poderia ter um resultado muito mais satisfatório.
FONTE: https://101horrormovies.com/2014/12/10/580-a-mosca-2-1989/

#579 1989 LEVIATHAN (EUA)


Direção: George P. Cosmatos
Roteiro: David Webb Peoples, Jeb Stuart
Produção: Aurelio De Laurentiis, Luigi de Laurentiis; Charles Gordon, Lawrence Gordon (Produtores Executivos)
Elenco: Peter Weller, Richard Crenna, Amanda Pays, Daniel Stern, Ernie Hudson, Michael Carmine, Lisa Eilbacher, Hector Elizondo

Leu meu post sobre Abismo do Terror? Lá falei que o ano de 1989 foi o ano dos filmes submarinos de terror/ficção científica. Além do já citado, do longa O Segredo do Abismo de John Cameron (o mais conhecido de todos), temos também Leviathan, outra trasheira submersa com pretensão de superprodução. Vale falar logo no começo do post que Leviathan é melhor que Abismo do Terror. Tudo bem que isso seja nivelar por baixo. Mas é o típico filme B que dói até a medula, mas consegue divertir, exatamente por todos os seus pontos negativos. Começa que essa produção da MGM parece na verdade um remendão de vários filmes de horror com sci-fi, mas com certeza, o que grita mais alto é a cópia descarada de O Enigma de Outro Mundo, de John Carpenter, com pitadas de Alien – O Oitavo Passageiro, de Ridley Scott. Mais uma vez evocando o post anterior do filme “coirmão”, continuo achando sensacional a ideia de filmes com humanos em perigo em uma estação no fundo do oceano, tão bacana quanto no espaço, pela mesma sensação de claustrofobia e de perigo iminente, ainda mais colocando alguma criatura mortal na jogada. Então pela segunda vez no mesmo ano, um bom argumento foi jogado no lixo e completamente mal aproveitado. Na trama, os trabalhadores da Tri-Oceanic Corp estão nos seus últimos dias de trabalho, realizando uma expedição de mineração subaquática, depois de seis meses de extração de minério. Em uma dessas expedições, eles encontram um navio soviético naufragado chamado Leviathan (nome dado à criatura marinha mitológica que aterrorizava o imaginário dos navegantes europeus durante a Idade Média) e levam um cofre cheio de bugigangas para o interior da estação. Entre essas quinquilharias, registros médicos, algumas fitas contando que toda a tripulação começou a adoecer rapidamente, vítima de um poderoso vírus, e também um cantil de alumínio com vodka (era um navio russo!), que dois dos membros da Tri-Oceanic resolvem tomar e logo são infectados por um contágio de origem desconhecida. Uma mutação genética em ambos começa a acontecer e eles desenvolvem uma aparência disforme, transformando-se em uma criatura amorfa, exatamente da mesma forma que O Enigma de Outro Mundo, como falei lá em cima, até chegar em uma aparência “inspirada” em Alien – O Oitavo Passageiro, como também disse lá em cima, que também emula do filme da barata espacial seus corredores claustrofóbicos cheio de tubos e máquinas, e um suspense dos mais canhestros. Vamos falar de coisa boa, da única coisa que salva o filme do seu naufrágio (hein, hein?) total. Que são os efeitos especiais, feitos dentro da possibilidade de um baixo orçamento. Há muita nojeira e uma boa quantidade de gore para animar os fãs, e algumas das fases da metamorfose da aberração também são bastante interessantes, ainda mais que a equipe da Stan Winston Studios foi responsável pelo monstro marinho de borracha e poliuretano. Para o design final da criatura, de 50 a 60 esboços foram enviados pela equipe de Winston para o diretor George P. Cosmatos. Daí todos os desenhos foram combinados para o visual definitivo do leviatã, uma enorme besta com cabeça de peixe com dentes em forma de punhais, membros alongados e a capacidade de absorver características reconhecíveis de suas vítimas (de novo, O Enigma de Outro Mundo vem à tona… tá eu paro com essas piadinhas). No final das contas, ficou ó… uma bosta! Naipe inimigo dos Power Rangers. Agora, de resto, o filme é uma bomba.  No parágrafo anterior eu citei que a direção é de Geroge P. Cosmatos. Esse nome não lhe é estranho, certo? O cara foi diretor de Rambo II – A Missão e Stallone Cobra! Duas das maiores canastrices de ação dos memoráveis anos 80. Então claro, que não devemos esperar nada de brilhante do cineasta. E o elenco então, que é formado por uma verdadeira gangue de coadjuvantes sem futuro, e cada um consegue uma atuação pior do que a outra. A exclusiva lista dos fracassados inclui: o protagonista, geólogo chefe da missão, Steven Beck, vivido pelo inexpressivo Peter Weller, ou melhor, pelo RoboCop, que consegue uma interpretação muito melhor como um policial robótico com os movimentos duros e rosto coberto por um capacete; o médico-futuro-traíra-clichê, Dr. Glen Thompson, papel de Richard Crenna, o eterno Coronel Trautman da trilogia Rambo; Amanda Pays, que você deve se lembrar da série do Flash dos anos 90 como a Dr. Tina McGee e do episódio do maluco pirocinético da primeira temporada de Arquivo X, que interpreta Beth Williams; e ainda no elenco, os personagens Sixpack de Daniel Stern (o ladrão trapalhão parceiro de Joe Pesci em Esqueceram de Mim), Justin Jones de Ernie Hudson (o nunca lembrado Caça-Fantasma, Winston Zeddemore) e o G.P. Cobb de Hector Elizondo, (o Maestro de Férias do Barulho com Johnny Depp e da série Chicago Hope futuramente). Que timaço de atores! SQN! Juntando todos esses elementos, não tinha mesmo como Leviathan funcionar, certo? Mas ainda assim, ele bravamente tenta se levar a sério a todo o momento. Isso sem contar o final vergonha alheia total, que de novo, funciona como outra cópia mal feita, dessa vez de Tubarão. Pelo menos, tem uma história de pano de fundo interessante que serve como suporte, além de, vá lá, seus bons e nojentos momentos, o que funciona para quem curte esse tipo de podreira, ou então para os mais saudosistas.
FONTE: https://101horrormovies.com/2014/12/09/579-leviathan-1989/

terça-feira, 3 de maio de 2016

#578 1989 A HORA DO PESADELO V O MAIOR HORROR DE FREDDY (A Nightmare on Elm Street: The Dream Child, EUA)


Direção: Stephen Hopkins
Roteiro: Leslie Bohem; John Skipp, Craig Spector, Leslie Bohem (história)
Produção: Rupert Harvey, Robert Shaye; Sara Risher, John Turtle (Produtores Executivos)
Elenco: Robert Englund, Lisa Wilcox, Kelly Jo Minter, Danny Hassel, Erika Anderson, Nicholas Mele

Um fato curioso (e triste ao mesmo tempo) para mim permeia A Hora do Pesadelo 5 – O Maior Horror de Freddy, a quarta sequência do filme de Wes Craven, que naquele momento do final dos anos 80, após espremer o bagaço o máximo que poderia, volta mais uma vez com aquela fórmula que já estava realmente dando no saco, depois de tantas continuações e a superexposição de Freddy Krueger, que se tornara um personagem da cultura POP. Até os 20 minutos de duração, o filme é incrível! Sério, revendo para escrever a análise, percebi com todo pesar que derrapa justamente a partir do momento em que Freddy Krueger aparece e solta seu “It’s a booooooy” (é um garoto), mais uma vez um daqueles seus chistes jocosos que estragaram completamente um personagem sinistro e sádico, transformando-o num fanfarrão que curte uma galhofa. É até triste você parar para pensar nisso, afinal ele é o astro, o personagem principal, o assassino adorável de nossa infância com sua luva de garras, cara queimada, chapéu de feltro e suéter vermelho e verde. Até então, o casal ternura do quarto filme, Alice (Lisa Wilcox) e Dan (Danny Hassel) estão numa boa, acabaram de se formar, preparam uma Eurotrip e tudo está às mil maravilhas, até que de repente, Alice começa a ter sonhos com uma possível ressurreição de Freddy, porém acordada! Logo de cara (com direito a uma cena de banho e nudez sugerida que já agrada também) é desenvolvido todo um ambiente tétrico inerente aos pesadelos e cenários góticos explorados pelo diretor Stephen Hopkins, que funcionam de forma assertiva, com Alice revisitando o passado de Amanda Krueger, a mãe de Freddy, que fora explorado lá em A Hora do Pesadelo 3 – Os Guerreiros dos Sonhos, sendo deixada a própria sorte no manicômio e estuprada pelos internos, que gerou o fruto do vosso ventre, Freddy. Todo um clima realmente soturno que vimos bastante em A Hora do Pesadelo original e também em sua terceira parte, aqui é resgatado em um exímio trabalho, até que Freddy volta a vida, dessa vez utilizando o feto que Alice carrega, pois ela está grávida, manipulando os sonhos do recém-formado para conseguir fazer suas vítimas, alimentar-se de suas almas e tentar voltar à vida. Esse escapismo do roteiro também é um leve sopro de originalidade muito bem vindo. Mas depois do “It’s a booooy”, mais uma vez vemos o repeteco dos outros filmes, as mortes mirabolantes (mesmo a excelente morte da bulímica Greta, aspirante a modelo, pressionada por sua mãe megera, sendo empaturrada de comida até a morte) sempre seguidas de uma piadinha de gosto duvidoso, as batalhas toscas nos sonhos e uma solução deveras apressada envolvendo a mamãe Krueger também.  E como se não bastasse, temos a cena que quando você é moleque acha o máximo, mas quando fica mais velho, sente vergonha alheia, do Super Freddy, talvez o momento mais lembrado dessa quinta parte. E vale salientar também que originalmente o filme seria muito mais violento, com cenas das mortes mais extensas e sanguinárias, mas os produtores, querendo levar os adolescentes ao cinema, base de fãs do Freddy, cortou tudo que podia para evitar levar uma classificação alta. Mas o diretor Stephen Hopkins precisa ficar o máximo de fora de toda e qualquer crítica ao filme, pois seu trabalho realmente é interessantíssimo, no que concerne a exploração dos ambientes dos sonhos e todos seus ambientes oníricos, assim como o trabalho hercúleo de gravar um filme em QUATRO semanas, por imposição do estúdio, e tendo apenas outras QUATRO para editá-lo. Como recompensa, o sujeito acabou ganhando a direção de Predador 2 – A Caçada Continua. Uma curiosidade é que Stephen King e o quadrinista Frank Miller foram convidados para escrever o roteiro e dirigir o longa, ideia abortada por ambos. Sabe-se lá o que esses dois poderiam ter feito com o filme. Eu não colocaria minha mão no fogo por nenhum deles, pois sabemos tanto dos acertos, mas principalmente dos erros dessa dupla (Comboio do Terror e The Spirit estão aí para não me deixar mentir). A Hora do Pesadelo 5 – O Maior Horror de Freddy (ou o maior horror de um subtítulo nacional) veio em um momento de ressaca do cinema de horror, que preparava terreno para as trevas vindouras para o gênero nos anos 90, da derrocada dos slashers, outrora sinônimos de público, e da inferioridade da quarta parte, que não se refletiu em sua bilheteria, sendo a maior da série. O resultado foi desastroso: apesar de estrear em terceiro lugar nas bilheterias, foi caindo semana após semana e faturou “só” 22 milhões (mesmo mediante o orçamento de oito milhões), menor resultado da franquia até o lançamento de O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger, cinco anos mais tarde.
FONTE: https://101horrormovies.com/2014/12/06/578-a-hora-do-pesadelo-5-o-maior-horror-de-freddy-1989/

segunda-feira, 2 de maio de 2016

#577 1989 HALLOWEEN V A VINGANÇA DE MICHAEL MYERS (Halloween 5, EUA)


Direção: Dominique Othenin-Girard
Roteiro: Michael Jacobs, Dominique Othenin-Girard, Shem Bitterman
Produção: Ramsey Thomas; Moustapha Akad (Produtor Executivo)
Elenco: Donald Pleasence, Danielle Harris, Ellie Cornell, Beau Starr, Jeffrey Landman, Tamara Glynn, Don Shanks

Tudo bem, nada se compara as recentes atrocidades que Rob Zombie cometeu, mas esse Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers é de uma mediocridade sem tamanho. É o tipo de filme que você assiste, dá cinco minutos que ele termina e aí você nem consegue mais lembrar direito do que acabou de acontecer, tamanha sua insignificância. E pensar que eles tinham a faca, a máscara inexpressiva e o queijo na mão para balançar o status quo da série slasher neste quinto filme da franquia, por conta do ótimo final de Halloween 4: O Retorno de Michael Myers. Foi mais ou menos a expectativa criada ao término do igualmente sofrível Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo, quando aquele desfecho nos fazia crer que Tommy Jarvis herdaria a máscara de hóquei de Jason Voorhees e se tornaria o maníaco dos próximos filmes. Aqui no caso, a pequena Jamie Lloyd (Danielle Harris), sobrinha do titio Michael Myers, tenta assassinar sua madrasta em um arroubo igual ao do pequeno serial killer no começo da obra seminal de John Carpenter. Até o eterno Sam Loomis (Donald Pleasence) fica transtornado e tenta matar a garotinha, sabendo que o mal havia passada de geração (ainda mais com o suposto Myers fuzilado e enterrado no poço). Originalmente, o roteiro escrito por Shem Bitterman trazia essa ousadia à história, colocando Jamie como a assassina desta sequência. Mas, eis que o famigerado produtor Moustapha Akad, até vacinado pela avalanche de críticas que a franquia rival recebeu e tratou de trazer Jason de volta em Sexta-Feira 13 – Parte 6 – Jason Vive, vetou o roteiro e arrumou um jeito de Michael Myers continuar sendo o vilão da vez em mais uma continuação, o que resultou em um filme pífio e execrável. Jamie está recebendo tratamento em uma instituição psiquiátrica após os acontecidos do final do longa anterior, sempre supervisionada por Loomis, que nessa altura do campeonato não faz mais nada na vida além de ficar praguejando, esperando a volta indefectível de Myers e tentar de uma vez por outra dar cabo da criatura maligna indestrutível. Enquanto isso, o psicopata consegue mais uma vez escapar da saraivada de tiros e da queda do poço, cavando um buraco para fora, indo parar numa cabana de um pescador que resolve cuidar do sujeito (e assim, nunca sequer pensa em avisar a polícia e tudo mais). Depois de um ano, afinal, ele só ataca no Dia das Bruxas, finalmente sai do seu esconderijo (vai saber o que ele e o pescador ficaram fazendo por lá durante todo esse tempo) à caça de Jamie. Depois disso é sempre mais do mesmo e Myers começa a fazer suas vítimas, usando facas, garfo de feno, tesoura, foice, e até um carro (lembra que ele aprendeu a dirigir misteriosamente no sanatório lá no primeiro filme né?) em busca da sobrinha, que agora possui uma espécie de elo telepático com o tio, que será usado por Loomis para encontrar sua nêmese e a batalha final se desenrolar em sua antiga casa em Haddonfield. Rola até um vislumbre do rosto de Michael em uma cena com a sobrinha. Talvez o único ponto positivo do longa, é que antes dos primeiros 20 minutos, Rachel, a irmã adotiva de Jamie, heroína do filme anterior, vivida novamente por Ellie Cornell, é assassinada, dando um interessante ponto de ruptura do modelo convencional. Originalmente ela deveria ter sua garganta cortada por uma tesoura, mas por protestos da atriz, foi “só” apunhalada mesmo. Isso contra ainda a vontade do conservador Akad, que se arrependeu e gostaria que ela continuasse viva. Mas aí nem teria pelo menos isso para prestar. Também no roteiro escrito por Bitterman, antes da revisão de Michael Jacobs e do também diretor Dominique Othenin-Girard, começaria a ser construída aquela explicação toda mística sobre runas e druidas que estaria presente na sexta parte. Repare, por exemplo, no surgimento repentino de uma tatuagem no pulso de Michael, e inclusive o tal pescador que virou babá de Myers naquele ano todo, usaria certos encantamentos para trazê-lo de volta a vida. Por conta dessa mudança brusca de roteiro, as filmagens se iniciaram sem um texto final, muitas cenas foram improvisadas, editadas, reescritas no andar da carruagem e isso contribuiu demais para a falta de nexo, objetividade e continuidade do longa.
ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco.
Vale salientar também que Halloween 5 serviu apenas como um subterfúgio para preparar terreno para a próxima vergonhosa sequência, principalmente com seu tosquíssimo final em aberto. No decorrer do filme vemos um sujeito batizado de “homem de preto”, vestido de capote e chapéu, que aparece algumas vezes, até ser encaixado em uma cena chave (e deprimente) em seu final, aparecendo na delegacia em que Myers está preso e simplesmente fuzilando todo mundo lá dentro, em uma cena off screem. Jamie, a sobrevivente mais uma vez, entra sozinha na delegacia, vê todos os policiais mortos, Myers sumiu da cela e fade out. O filme termina com você querendo jogar o sapato na televisão. E o pior é que a sexta parte seria lançada somente seis longos anos depois. Burocrático, frouxo, remendado, desinteressante, sem razão de assistir. Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers só não é o pior filme da franquia (mas trabalhou arduamente para tal) porque tem outra continuação ainda pior, as sequências de Halloween H20 que são verdadeiras aberrações nos anos 2000 e claro, as indecências de Zombie.
FONTE: https://101horrormovies.com/2014/12/05/577-halloween-5-a-vinganca-de-michael-myers-1989/

#576 1989 CEMITÉRIO MALDITO (Pet Sematary, EUA)


Direção: Mary Lambert
Roteiro: Stephen King (baseado em seu livro)
Produção: Richard P. Rubinstein; Mitchell Galin (Co-produtor); Ralph S. Singleton (Produtor Associado); Tim Zinnermann (Produtor Executivo)
Elenco: Dale Midkiff, Denise Crosby, Fred Gwyne, Brad Greenquist, Miko Hughes

Stephen King em toda a história foi certamente o escritor que mais sofreu com péssimas adaptações de seus livros para o cinema. A maioria delas são completas bombas! Cemitério Maldito é exatamente uma das exceções, tendo ficado redondinho. E também é mais um caso daqueles filmes que marcaram a infância da molecada no início dos anos 90, como eu, quando foi exibido lá na televisão aberta. Cansado das fracas adaptações de seus livros ao cinema, satisfeito com raras exceções como Carrie – A Estranha e Christine – O Carro Assassino, puto com o que Kubrick tinha feito em O Iluminado, e depois de uma enxurrada de filmes de qualidade duvidosa produzidos por Dino De Laurentiis, King só deu o sinal verde para a produção de Cemitério Maldito, baseado no livro homônimo de 1983, mediante a exigência de que ele mesmo escrevesse o roteiro. A direção ficou com a então diretora de videoclipes Mary Lambert, que já havia dirigido nomes como Madonna (inclusive o clipe de “Like a Prayer”) e Nirvana. O escritor do Maine nos traz uma história de horror basicamente sobre a perda. Em como não estamos preparados para perder pessoas queridas na nossa vida, e até mesmo animais. E que na vã tentativa de confortar nossa dor, somos capazes de cruzar barreiras intransponíveis e ir até as últimas consequências. Como é o caso do Dr. Louis Creed (Dale Midkiff), protagonista do filme. Creed muda-se com esposa, Rachel (Denise Crosby), e seus dois filhos, Ellie (Blaze Berdhal) e o bebê Gage (Miko Hughes), para uma casa no interior dos EUA, onde acaba de ser contratado para ser o médico da universidade local. A nova casa dos sonhos porém, fica à beira de uma movimentada estrada, rota de caminhões durante dia e noite. Logo ao se mudarem conhecem o soturno vizinho Judd Crandall (interpretado por Fred Gwyne, o eterno Hermann do seriado Os Monstros), responsável por apresentar aos Creed o tal cemitério de animais, onde as crianças da cidade enterram seus bichinhos mortos, principalmente aqueles atropelados na estrada (por isso a grafia em inglês errada, sematary, e não cemetery). Tudo lindo, maravilhoso, até que Rachel viaja com os filhos para passar o Dia de Ação de Graças com os pais, deixando Louis na cidade, o gato de estimação de Ellie, Church, é encontrado morto espatifado no jardim de Judd. Sabendo que a dor da perda seria muito grande para a menina, que ainda não sabe lidar com as questões da morte, Judd tem a BRILHANTE ideia de levar Louis para enterrar seu gato em um antigo cemitério indígena, além da trilha do cemitério de animais. Só que aqueles que são enterrados naquele solo, voltam à vida de forma agressiva e com instintos assassinos. Assim como havia acontecido com o cachorro de Judd ou com um jovem que voltou da guerra e retornou como um violento zumbi. Mas mesmo assim, ele teve a pachorra de levar o pobre doutor lá para enterrar seu felino. E não dá outra! O bichano volta com um comportamento agressivo, jogando ratos na banheira e cheirando putrefação. Em um ensolarado dia de piquenique, os Creed se descuidam do pequeno Gage que é atropelado por um Fenemê que vinha à toda velocidade pela estrada, enquanto o caminhoneiro escutava “Sheena is a Punk Rocker” dos Ramones em alto e bom som. Se fosse no Brasil, estaria ouvindo Sula Miranda ou Gaúcho da Fronteira, certeza! E adivinha a ideia de girico do Dr. Creed? Enterrar o garoto no cemitério índio, claro! Como você não está acostumado a ver crianças zumbis assassinas andando para lá e para cá com um bisturi tentando matar os pais e vizinhos, o pequeno Gage torna-se a verdadeira surpresa macabra do filme. Com a sua risadinha, meteu medo em muita criança. Mas a cena mais impressionante do filme é quando conhecemos a irmã de Rachel, Zelda, portadora de uma rara meningite na espinha que a deixou inválida, de aparência esquelética e retorcida, gritando assustadoramente o nome da irmã (RAAAAAACHEL), que era encarregada de cuidar dela quando criança. Detalhe que é um homem quem interpreta Zelda, pois não conseguiram encontrar uma mulher tão magra para o papel. E ponto também para o fantasma camarada Victor Pascow (Brad Greenquist), que desencarnou quando Creed tentava ajudá-lo, e por isso tenta dar um toque para ele. O filme foi muito bem nas bilheterias e funciona por ser extremamente simples e direto, tratando de seus temas assustadores. E como disse, tem todo seu valor histórico, pelo menos para mim e toda uma geração que se assustou com o garotinho Gage na infância. Stephen King ainda faz uma ponta como um padre durante um enterro. E impossível desassociar Cemitério Maldito da música tema do filme dos Ramones (eles mais uma vez!).
FONTE: https://101horrormovies.com/2014/12/04/576-cemiterio-maldito-1989/



#574 1989 BONECOS DA MORTE (Puppet Master, EUA)


Direção: David Schmoeller
Roteiro: David Schmoeller; Charles Band, Kenneth J. Hall (história)
Produção: Hope Perello; Charles Band (Produtor Executivo)
Elenco: Paul Le Mat, William Hickey, Irene Miracle, Jimmie F. Skaggs, Robin Frates, Matt Roe, Kathryn O’Reilly

Bonecos da Morte é uma bela porcaria. Vou ter que começar a minha resenha dessa forma, porque esse é mais um caso de filme que ao ser revisto, trai completamente sua memória afetiva da infância. Só que quando assistido novamente, não há senso crítico e nostalgia no mundo que consiga salvar essa trasheira. Mas afinal o que esperar de uma produção de Charles Band, o Roger Corman dos anos 80? Quem é fã do cinema camp sabe muito bem a infinidade de porcarias de qualidade duvidosa que a sua Empire Pictures produziu durante aquela década. E vá lá, os bonecos são bacanas, as mortes são bem violentas, mas o roteiro do filme, escrito pelo também diretor David Schmoeller, com história do próprio Band e de Kenneth J. Hall e J.S. Cardone de forma não creditada, é simplesmente impossível de engolir. Tá, o começo é dos mais honestos e instiga o espectador para ser sincero. André Toulon é um titeteiro no final dos anos 30 que vive em um hotel na Califórnia, o Bodega Bay Inn, criando seus bonecos de madeira. Só que ele está sendo perseguido por dois nazistas misteriosos, que provavelmente estão atrás do segredo egípcio de animar objetos que descobrira anos antes (mas que será contado somente na terceira parte, uma espécie de prequela deste aqui). Touloun então deu vida a alguns dos seus brinquedos, companheiros inseparáveis de quase toda a vida. Para evitar que sua descoberta caísse nas mãos dos famigerados vilões, eis que ele estoura os miolos e esconde os bonecos de madeira em uma caixa dentro de um compartimento secreto em seu quarto. Uma elipse temporal nos leva para 50 anos no futuro e todos os problemas do longa começam, quando somos apresentados a um grupo de parapsicólogos que parece mais um coletivo de idiotas, cada um interpretado por um ator pior que o outro. Assim, por maior que seja a suspensão de descrença, não dá para engolir aquele bando de gente, e muito menos acreditar por um segundo sequer que eles realmente tem alguma conhecimento de causa e comportamento de estudiosos do paranormal. Alex Whitaker (Paul Le Mat) é um sujeito que tem sonhos premonitórios em preto e branco, Dana Hadley (Irene Miracle) é uma vidente, cartomante, whatever, “paranormal” que usa de bruxarias e feitiços para afastar o mal, Frank Forrester é um “pesquisador” e Carlissa Stamford (Kathryn O`Reilly) é sua assistente ninfomaníaca que pode descobrir tudo sobre um objeto ao tocá-lo. Todos vão para o Bodega Bay Inn após um dos membros de seu seleto grupo de perdedores, Neil Gallagher (Jimmie F. Skaggs), se suicidar. Neil tornou-se dono do hotel ao se casar com Megan (Robin Frates), só por interesse em tentar descobrir o segredo de Toulon tantos anos depois. Ninguém sabe o motivo de seu suicídio, mas logo o grupo começará a ser morto, um por um, pelos bonecos assassinos. A gangue da pesada é formada por: Pinhead (que não é aquele de Hellraiser) aquele com a cabeça fininha e todo forçudo; Tunneler, o que tem a broca giratória na cabeça; Blade, o tiozinho com uma espada em uma das mãos e um gancho na outra; Jester, o coringa que fica com as partes do rosto girando; Leech Woman, a boneca que lança sanguessugas pela boca; e Shredder Kahn, o boneco indiano. Depois de uma chatice interminável, uma putariazinha de leve, cortesia da delícia Carlissa, e umas mortes bacanas (mas você não sabe porque os bonecos estão assassinando a galera) que rola somente da metade para frente (destaque para a morte da insuportável Dana), vem o terceiro ato com uma explicação mequetrefe, quando você já está praticamente assistindo no fast forward, não ligando mais a mínima como o filme vai acabar, porque já sabe que nada de bom pode vir dali. E não vem… O engraçado é perceber que a realização deste filme pareceu ser um processo meio que natural da dupla Charles Band e David Schmoeller. Porque o primeiro trabalho de ambos juntos fora dez anos antes deste lançamento, no decentíssimo Armadilha Para Turistas, que tinha lá seus bonecos de manequim bizarros. Dois anos antes, Band e sua Empire Pictures produzira a trasheira Bonecas Macabras, com Stuart Gordon na direção, que diretamente inspirou a realização de Bonecos da Morte. E nem vou comentar o fato de que Chucky havia arrebatado corações dos fãs de horror no ano anterior em Brinquedo Assassino. Mas é aquilo né, Bonecos da Morte fez um razoável sucesso e isso levou com que NOVE sequências fossem feitas, uma mais infeliz que a outra. Estranhamente tenho uma lembrança mais carinhosa da terceira parte, que aluguei em VHS e assisti em alguma repise no SBT, do que o original. E para você acompanhar a cronologia aqui no Brasil sempre foi uma confusão de títulos (afinal ele também ficou conhecido como Mestre dos Brinquedos). É tipo trabalho arqueológico. E olha, acredite ou não, o filme mais recente da série é de 2012 (dirigido e escrito pelo próprio Charles Band).
FONTE: https://101horrormovies.com/2014/12/02/574-bonecos-da-morte-1989/

#573 1989 O ABISMO DO TERROR (DeepStar Six, EUA)


Direção: Sean S. Cunnigham
Roteiro: Lewis Abernathy, Geof Miller
Produção: Sean S. Cunningham, Patrick Markey; Mario Kassar, Andrew G. Vajna (Produtores Executivos)
Elenco: Taurean Blacque, Nancy Everhead, Greg Evigan, Miguel Ferrer, Nia Peeples, Matt McCoy, Cindy Pickett

Sempre me lembrava da história de um artrópode (foi a primeira vez que ouvi a palavra “artrópode”) gigantesco atacando um base submarina e também do sujeito que morria esmagado pelos efeitos da descompressão ao tentar voltar à superfície (foi a primeira vez que descobri os efeitos da descompressão). Mais tarde pude assisti-lo novamente e saquei duas coisas: A primeira é que a direção era de Sean S. Cunningham, ninguém mais, ninguém menos que o criador de Sexta-Feira 13. A segunda é que certos filmes não deveriam ser revistos e viver para sempre no seu intocado imaginário pueril, porque Abismo do Terror é um sci-fi B, mas com B maiúsculo, e aquele artrópode, ah, aquele artrópode que me fascinou na juventude, parece mais obra de um Roger Corman só com pouquinho (tiquinho assim, ó) mais de grana. Outro detalhe curioso quando revi é que na lata veio a suposição: mas é uma cópia deslavada de O Segredo do Abismo, de James Cameron. Mas eis que não, pois na verdade, Abismo do Terror foi lançado alguns meses antes. Na verdade MESMO, ambos os roteiros foram escritos simultaneamente (e ainda tem Leviathan, também de 1989, que é na mesma pegada) e Cameron e Lewis Abernathy, escritor deste aqui, eram amigos. O “Rei do Mundo” até pediu para o parça atrasar o lançamento do filme para ambos não competirem, mas o muy amigo tocou um foda-se, seguiu em frente com seu projeto e gerou uma treta entre os dois, resolvida somente anos mais tarde. Enfim, modinha na época, o lance de colocar humanos em perigo em uma estação no fundo do oceano não deu muito certo nesse caso aqui (e falando de bilheteria, nem em Leviathan e nem no filme de Cameron). E olha que acho uma ideia tão bacana quanto os filmes espaciais, pela mesma sensação de claustrofobia e perigo iminente. No caso, a estação DeepStar Six foi incumbida pela marinha americana de descobrir um local subaquático para instalar uma base de mísseis submersa, afinal, nunca se sabia o que os petralhas, ops, comunistas, podiam aprontar e a missão deles era trabalhar para garantir um mundo melhor. Mas ao encontrar um local inexplorado no fundo do oceano, uma imensa caverna é descoberta, e obviamente uma criatura dada como extinta há milhões de anos faria dali seu lar. Um acidente libera esse crustáceo que começará a fazer suas vítimas. Após algumas perdas trágicas, o grupo recebe ordens para realizar a descompressão e submergir. O ganancioso Van Gelder (Marius Weyers) exige que os mísseis passem por um procedimento de segurança, mas o descompensado Snyder (Miguel Ferrer) acaba detonando-os, e a onda de choque atinge a estação submarina com tudo, causando avarias irreparáveis, fazendo com que os demais tripulantes fiquem presos no local, e para piorar, com oxigênio acabando e com o resfriamento do reator danificado, tudo irá explodir dali a poucas horas. Tentando consertar o erro e se safarem é que o monstro marinho consegue adentrar o local. Mudando constantemente de proporção, diga-se de passagem, pois inicialmente a criatura era gigantesca, daquele tipo monstro abissal, sabe? Mas de repente ele passa por uma escotilha e fica ali escondidinho embaixo d’água dentro do compartimento submerso. Snyder continua sendo o rei da presepada, matando Van Gelder com uma lança que explode seu peito e depois fugindo em disparada pela cápsula de escape sem o processo de descompressão, virando sopa. No final das contas sobra o tosquíssimo casal sem a menor empatia e dono das atuações mais sofríveis, McBride (Greg Evigan), o herói, e Laidlaw (Taurean Blacque) a garota grávida em perigo, que precisam sair do local antes que tudo vá pelos ares (quer dizer, pelos mares…) e sobreviver ao ataque do caranguejo gigante de borracha tosco que muda a todo momento de tamanho. Olha, é uma pérola! Até aquele costumeiro clima de suspense desse tipo de produção, com o apelo do fantástico, vai se mantendo por Cunningham o máximo que dá. Mas uma hora, o vilão teria que dar as caras, e aí, sacumé. Decente mesmo é quando o sujeito é devorado pela metade pelo bicho e fica dentro de uma roupa de mergulho e escafandro, pendurado de um lado para o outro com sangue gotejando. E o efeito da pressão explodindo o outro caboclo (mesmo que o espatifar final seja em off screen, infelizmente). Então Abismo do Terror fica mesmo a título de curiosidade. E para aqueles que se lembram de sua exibição no horário nobre dos filmes da Rede Globo às segundas-feiras nos anos 90 e tem sua memória saudosista constantemente traída.
FONTE: https://101horrormovies.com/2014/11/28/573-abismo-do-terror-1989/