terça-feira, 12 de julho de 2016

#651 1994 O NOVO PESADELO DE FREDDY KRUEGER (Wes Craven’s New Nightmare, EUA)


Direção: Wes Craven
Roteiro: Wes Craven
Produção: Marianne Maddalena; Jay Roewe (Coprodução); Jeffrey Fenner (Produtor Associado); Sara Risher (Coprodução Executiva); Wes Craven, Robert Shaye (Produtores Executivos)
Elenco: Robert Englund, Heather Langenkamp, Miko Hughes, David Newsom, John Saxon

Freddy Krueger já tinha virado motivo de xacota e descrédito depois de uma porrada de sequências ruins que resultaram em queda de bilheteria com relação aos seus tempos áureos nos anos 80, virando um vilão caricato e forçado. Wes Craven, outrora promissor diretor que havia entregado obras viscerais estava enfrentando já seu período de decadência, dirigindo alguns filmes sem qualquer nota. A junção dos dois, criador e criatura novamente, era o caminho natural. O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger traz a volta de Craven na direção e roteiro do último filme da franquia que ele ajudara a criar em A Hora do Pesadelo, há exatos dez anos, e principalmente, traz o vilão com suas garras, eternizado por Robert Englund, à sua natureza sádica e perversa, ameaçador, sem piadinhas de duplo sentido, sem humor negro infame, sem sua “didimocozação” como os próprios fãs do horror já comentaram aqui. Depois do original, O Novo Pesadelo é considerado por muitos o melhor filme da cinesérie. Eu concordo, mas com boas ressalvas, muito mais em sua execução final do que em sua trama metalinguística completamente inovadora e original. Craven aqui brinca de forma salutar com o universo do cinema dentro do cinema (talvez tenha sido até um ensaio para o que faria em Pânico dois anos mais tarde, e suas sequências) e essa foi a grande sacada, simplesmente ao invés de ignorar as outras cinco partes lançadas depois de seu original, ou limitar-se apenas a mais uma sequência. Freddy está morto nos cinemas e aqui acompanhamos a vida real dos atores, diretor e produtores envolvidos no sucesso da franquia no decorrer dos anos. Heather Langenkamp, a intérprete de Nancy Thompson aqui vive… Heather Langenkamp, atriz, mãe, casada com um profissional dos efeitos especiais, que vive agora trabalhando na TV e deixou o cinema de terror de lado, principalmente para que não se tornasse uma péssima influência para seu filho pequeno, Dylan (Miko Hughes). Ela é constantemente assediada por algum stalker que fica ligando para sua residência e imitando Freddy Krueger (e isso aconteceu na vida real também!) Porém Wes Craven está escrevendo um novo roteiro para a volta de Krueger, e Robert Shaye, produtor executivo e mandachuva da New Line Cinema, quer Heather de volta nessa sequência. É simplesmente fantástico! Só que no meio há uma explicação mística e sobrenatural não muito satisfatória: Freddy é uma entidade que vive ao redor dos tempos alimentando-se dos pesadelos, e ganhou vida nessa forma pela manifestação artística do diretor. Após ter sido morto pelo estúdio, ele precisa retornar a esse plano físico, e usará Dylan como esse portal de entrada, através de seus sonhos. Como Heather deu origem a Nancy e foi a primeira que o derrotou e o humilhou, ela é a única que poderá impedir que essa terrível criação metafísica se materialize. Pois é, uma confusão dos diabos e se você parar para analisar friamente, é uma forçada de barra absurda, e o filme tem lá seus elementos bem toscos, como os ataques epiléticos do garoto e a questão dos terremotos. Mas e daí? O que importa é vermos Freddy em sua velha forma, como Craven havia imaginado no começo de tudo, sem nenhum pingo de alívio cômico, com Englund aqui fazendo um dos seus melhores papeis como a criatura queimada com seu pulôver vermelho e verde (mas com um visual completamente repaginado, incluindo suas garras biomêcanicas – que se você reparar, fora inspirada naquela do pôster original de A Hora do Pesadelo). Só que além de se deliciar com um Freddy Krueger autêntico novamente, as participações especiais e as brincadeiras metalinguísticas dão um tom absurdamente positivo para os fãs da franquia. Além de Heather Langenkamp, Craven, Bob Shaye, Englund, Robert Saxon (que interpreta o pai de Nancy no primeiro e terceiro) e a produtora Marianne Maddalena estarem no longa como eles mesmo, a cena do funeral do marido de Heather, Chase Porter (David Newsom) conta com uma porrada de participações especiais de atores que estiveram nos longas, como Amanda Wyss, que viveu Tina e Jsu Garcia, que interpretou Rod, ambos no original e Tuesday Knight, que fez o papel de Kristen em A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos. Só faltou o Johnny Depp! Ou mesmo reedições de cenas como Heather falando um “dane-se seu passe” para uma enfermeira (em alusão a cena do corredor da escola) e a morte da babá Julie (Tracy Middendorf), que reedita o assassinato da primeira vítima de Krueger. Originalmente, a ideia de Freddy tentar invadir o plano real e ameaçar os atores era a ideia de Craven lá atrás, na terceira parte, que acabou sendo rejeitada pela New Line e dando origem ao A Hora do Pesadelo 3 – Os Guerreiros dos Sonhos, seu último envolvimento na cinesérie até então. E que justamente foi o primeiro a trazer a tona a nova personalidade de Krueger com suas mortes mirabolantes cheias de peripécias de humor. Apesar de alguns desses elementos oníricos exagerados ainda serem encontrados em O Novo Pesadelo, como a desnecessária sequência final da língua, durante a batalha no forno entre Dylan, Heather e Freddy, em uma alusão alegórica a João e Maria. Não podemos chamar O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger de uma sequência, mas sim de uma criação autoral completamente independente das demais, inovadora na forma de se fazer cinema de terror, trazido à vida por um Wes Craven borbulhando criatividade. E enfim, neste sétimo filme, esse Freddy finalmente descansa em paz, fechando a franquia de sucesso com chave de ouro, para voltar só no novo século em sua batalha infame contra Jason e na refilmagem.
FONTE: https://101horrormovies.com/2015/04/30/651-o-novo-pesadelo-o-retorno-de-freddy-krueger-1994/

sábado, 9 de julho de 2016

#650 1994 O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA O RETORNO (The Return of the Texas Chainsaw Massacre / Texas Chainsaw Massacre: The Next Generation, EUA)


Direção: Kim Henkel
Roteiro: Kim Henkel
Produção: Kim Henkel; Charles Kuhn (Produtor Associado); Robert Kuhn (Produtor Executivo)
Elenco: Renée Zellweger, Matthew McConaughey, Robert Jacks, Tonie Perensky, Joe Stevens, Lisa Marie Newmyer

E lá vamos nós para uma quarta parte da saga de Leatherface e sua turma em O Massacre da Serra Elétrica – o Retorno. E claro que resumindo tudo o que eu vou escrever daqui para frente, é uma porcaria e não chega mais uma vez próximo do dedinho do pé do clássico seminal de Tobe Hooper. Mas ainda assim, continua-se dando murro em ponta de faca a lançando essas sequências, tsc, tsc.Talvez o grande ponto positivo deste aqui é o fato de que Kim Henkel voltou à franquia. O roteirista e produtor do original, lançado há vinte anos nesta altura do campeonato, resolveu dirigir esse daqui também, pretendendo que esse fosse a verdadeira sequência do original, sendo persuadido pelo produtor Robert Kuhn, ao comprarem de volta os direitos do Massacre original, principalmente depois da patifaria (e fracasso) de O Massacre da Serra Elétrica 3 produzida pela New Line Cinema. A equação aqui era simples: Henkel e envolvidos tomaram um prejuízo astronômico com O Massacre da Serra Elétrica, deixaram de faturar um caminhão de dinheiro que teriam direito, e agora era o momento de acertar as contas e pelo menos embolsar algumas verdinhas. Feito como um filme independente para depois ser vendido para um grande estúdio distribuir (prática comum no meio), assim como os demais filmes da série, O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno passou por uma série de revezes até conseguir ver a luz do dia (ou de um projetor). Seria trágico se não fosse cômico o principal motivo dessa sequência azarada para os realizadores, ter sido o fato do longa ser estrelado por dois jovens atores à beira da explosão: Renée Zellweger e Matthew McConaughey. O que deveria ajuda-los, acabou se tornando um tiro pela culatra. Com o fim da produção em 1994, Henkel e Kuhn tentaram vender os direitos de distribuição do longa. Essa tarefa foi um árduo processo, recheado de desinteressados (começando pela New Line, que teria prioridade na distribuição, mas não demostrara interesse), até após uma exibição teste em 1995, ser comprado pela Columbia TriStar. Só que o ano passou, veio 1996 e nada do longa ser lançado nos cinemas. Aí é que está: se você ligar os atores as datas, lembrará que neste ano específico, Zellweger estava fazendo um baita sucesso em Jerry Maguire: A Grande Virada e McConaughey tinha deslanchado em Tempo de Matar. Ou seja, o que deveria ser propaganda positiva para o filme, virou um imbróglio jurídico quando a TriStar supostamente engavetá-lo e não lançava o longa para não “queimar o filme” das estrelas em ascensão com essa continuação de terror de baixo orçamento. Resultado: Henkel e Kuhn processaram a Columbia TriStar, foram processados pelo detentor dos direitos do Massacre por terem quebrado o acordo de distribuição com ele e não levado nenhuma grana, o filme foi lançado em 23 cinemas apenas em agosto de 1997, com outro título (Texas Chainsaw Masscre – The Next Generation), quase dez minutos de corte (incluindo uma cena chave no começo onde a personagem de Zellweger era molestada pelo padrasto) e rendeu pífios 141 mil dólares de bilheteria. Mas sabe o que é o pior? Zellwegger e McConaughey estão ótimos no filme! A moça eu juro que nunca vi alcançar nada parecido em sua carreira (já que virou queridinha de comédias românticas, encarnou Bridget Jones nos cinemas e afins) e o rapaz, só agora, depois de tantos e tantos anos de péssimas escolhas em papeis, conseguiu atuações viscerais na mesma medida, depois da série da HBO, True Detective e Clube de Compras Dallas (que lhe valeu o Oscar de melhor ator). A estrutura de O Retorno é basicamente uma refilmagem ou releitura do original (dada suas devidas proporções), com cenas chaves do primeiro filme sendo reimaginadas por Henkel, mas de um jeito levemente fora do convencional. Temos aqui um grupo de jovens que sofrem um acidente de carro ao saírem do baile de formatura, e ao procurar ajuda em uma floresta, se deparam com um bando de psicopatas assassinos degenerados. Um dos sujeitos toma uma martelada de Leatherface, a outra é pendurada em um gancho no teto, há a cena da histeria limítrofe no jantar e depois a sobrevivente correndo pela estrada, perseguida pelo maníaco rodando a serra elétrica e gritando. As grandes diferenças são os personagens, que representam uma amálgama dos membros originais da família serra elétrica. Vilmer, o papel de McConaughey, por exemplo, possui uma perna mecânica com um dispositivo pneumático (como Leatherface em O Massacre da Serra Elétrica 2) e gosta de se cortar com uma navalha como o caronista vivido por Edwin Neal no filme de Hooper. Leahterface desta vez é um travesti, usando máscaras de rosto de mulheres e perucas (assim como a verdadeira natureza de Ed Gein, serial killer da vida real que inspirou o personagem). As adições são a personagem Darla (Tonie Perensky), membro feminino, desequilibrada e com um apetite sexual predatório e um tal de Sr. Rothman (James Gale) que aparece no final, como um fetichista que parece ser um elo de ligação (dos mais mal explicados do mundo) entre a existência daquela família e conspirações de assassinatos e a própria perversão da humanidade. Mas com todos os problemas, percalços e falhas em O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno, o principal defeito é a falta de violência explícita, que caracterizou a franquia. Toda a explosão do horror psicológico e o desgaste mental provocado em suas vítimas por um bando de psicopatas está lá, assim como nos anteriores, porém ficou faltando aquela porrada no estômago que você espera quando assiste um filme com o Leatherface (absurdamente subaproveitado em detrimento do show particular de McConaughey). O resultado é mais um filme insosso e desnecessário que nasceu como continuação de um dos mais importantes e aclamados do gênero.
FONTE: https://101horrormovies.com/2015/04/29/650-o-massacre-da-serra-eletrica-o-retorno-1994/

#649 1994 LOBOS (Wolf, EUA)


Direção: Mike Nichols
Roteiro: Jim Harrison, Wesley Strick
Produção: Douglas Wick; Jim Harrison, Michele Imperato (Produtor Associado); Robert Greenhurt, Neil A. Machlis (Produtores Executivos)
Elenco: Jack Nicholson, Michelle Pfeiffer, James Spader, Kate Nelligan, Richard Jenkins, Christopher Plummer

Olhe, vou te contar, três dos maiores monstros clássicos do cinema de terror foram judiados neste ano de 1994, hein? Primeiro os vampiros em Entrevista com o Vampiro. Depois a criatura de Frankenstein em Frankenstein de Mary Shelley. Agora o lobisomem aqui em Lobo. Se tivesse um filme da múmia, seria o ano do tetra (RÁ!). Posso repetir aqui minha frase utilizada nos meus dois últimos posts? “Tem a cara da presunção e da cafonice dos filmes dos anos 90, na época de um arroubo de “superproduções” mequetrefes aspirantes a oscarizadas com estrelas de Hollywood”. Obrigado, de nada. Lobo de Mike Nichols estrelado por um mais uma vez caricato Jack Nicholson é mais um exemplo gritante da merda que os grandes estúdios estavam fazendo com o gênero e seus ícones. Na verdade, fazia um bom tempo que um filme decente de lobisomem não era lançado (Um Lobisomem Americano em Londres e Grito de Horror mandam lembranças). E Lobo não foi o caso, porque eita filme RUIM isso aqui também. O básico do horror é jogado no lixo em detrimento de um orçamento de 70 milhões de dólares, grandes atores como Nicholson e Michele Pfeiffer, efeitos especiais e de maquiagem de ponta para a época, trilha sonora de Ennio Morricone, um diretor cultuado sem o menor traquejo para gênero, tudo em uma trama bunda, com apelo zero ao fã, resultando num típico filme de Supercine. Pelo menos temos Rick Baker nos efeitos de maquiagem. Se você não sabe, é o sujeito responsável simplesmente pela melhor transformação de um humano em um licantropo no melhor filme de lobisomem de todos os tempos: Um Lobisomem Americano em Londres, de John Landis. E nesse sentido conseguimos até notar a certa ideia de homenagem que ele aplicou ao visual de O Lobisomem original, aquele eternizado por Lon Chaney Jr. com a maquiagem do mestre Jack Pierce. Porque a mutação do personagem de Nicholson no homem lobo é bem parecida com a do infeliz Larry Talbolt no clássico da Universal, só que em uma proporção menor. Crescem pelos, costeletas, os olhos tornam-se amarelos, garras e presas ficam protuberantes. Mas absolutamente nada disso é explorado em todo seu potencial. Sem o mínimo do esplendor da transformação e da sanguinolência que um ataque feroz de lobisomem proporcionaria. Ao invés disso, o pano de fundo é uma fogueira de vaidades de vingancinha e traições que não interesse absolutamente a ninguém. Will Randall (Nicholson) é o publisher de uma grande editora de livros, que após uma aquisição, vê seu emprego ameaçado. Na verdade o traíra de seu pupilo do marketing, Stewart Swinton (James Spader) é quem fica fazendo a cabeça do chefão, Raymond Alden (Christopher Plummer) a contratá-lo em seu lugar como editor, e como se não bastasse, ainda também está transando com a Sra. Randall (Kate Nelligan). É um escroque. Após todo o infortúnio, Randall consegue arquitetar um plano para conseguir o emprego de volta, desmoralizar Swinton e ainda passa a pegar a filha do patrão, Laura Alden, que é ninguém menos que a estonteante Pfeiffer. Ah sim, no ínterim disso tudo, Randall é mordido por um lobo após um acidente de carro, e passa a se transformar em um lobisomem, primeiro tendo todos seus sentidos aguçados, depois maior vitalidade e rejuvenescimento, por fim, passar a ficar peludão, caçar cervos na floresta para saciar a fome e ocasionalmente, matar alguns humanos em noites de lua cheia, entre eles, sua ex-esposa (pelo menos é o que ele acredita, já que sempre acorda na manhã seguinte com amnésia). A única forma de conter a maldição é usando um amuleto indígena e tal. Mas em determinado momento do desenrolar da trama, em um acesso de raiva Randall morde Swinton e voilá, ele também se transformará em um lobisomem, e a batalha final entre os inimigos mortais peludos, dando altos pulos cinematográficos, grunhindo e mordendo, se dará na casa de campo de Laura. Boring para cacete tudo isso! Isso sem falar do final PIEGAS que dói. Lobo não consegue agradar ninguém. Nem os fanáticos por filmes de lobisomem (nunca vi figurar em nenhum lista dos melhores exemplares do subgênero), nem o espectador ordinário. Acho que agrada só os familiares dos envolvidos. Isso porque, sem querer ser repetitivo mas sendo, é mais um daqueles erros colossais produzidos nos anos 90, que caminhava em direção contrária aos princípios do terror, em prol de uma produção pedante azeitada de estúdio pensando em grana, enquanto o verdadeiro cinema de horror minguava aos poucos naquela década. Ao invés de ajudar, esses filmes rasos, assépticos, pretensiosos e deprimentes (como os dois últimos posts) afugentava quem verdadeiramente teria de se interessar pela coisa, prestando um enorme desserviço ao fã do horror.
FONTE: https://101horrormovies.com/2015/04/28/649-lobo-1994/

#648 1994 FRANKENSTEIN DE MARY SHELLEY (Frankenstein, EUA, Japão)


Direção: Kenneth Branagh
Roteiro: Steph Lady, Frank Darabont (baseado no livro de Mary Shelley)
Produção: Francis Ford Coppola, James V. Hart, John Veitch; Kenneth Branagh, David Parfitt (Coprodução); David Barron, Robert De Niro, Jeff Kleeman (Produtores Associados); Fred Fuchs (Produtor Executivo)
Elenco:Robert De Niro, Kenneth Branagh, Tom Hulce, Helena Bonham Carter, Aidan Quinn, Ian Holm

“Tem a cara da presunção e da cafonice dos filmes dos anos 90, na época de um arroubo de “superproduções” mequetrefes aspirantes a oscarizadas com estrelas de Hollywood”. Sabe, qual o problema dessa galera dos 90’s, hein? Qual diabo de status que eles queriam dar para o cinema de terror e seus monstros? Era mesmo pegar a ingenuidade e caracterização clássica criada pela Universal durante a Era de Ouro e depois pela competente britânica Hammer e transformar tudo numa paródia de si mesma, sem humanidade, cheia de pompa e megalomania? Foi assim com o Drácula de Bram Stokerdo Coppola e é assim com o Frankenstein de Mary Shelley, do shakespeariano Kenneth Branagh. Olha, eu vou contar aqui um causo pessoal sobre esse filme. Minha irmã mais velha é ligada ZERO em filmes de terror. Quando assisti algum tempo depois em VHS, achei um saco. E o pior foi que diabos era aquela criatura de Robert De Niro? Beleza, a caracterização dele está incrível, próximo da realidade, com uma excelente maquiagem (indicada ao Oscar®, diga-se de passagem), mas na minha cabeça o monstrengo era verde, tinha dois pinos no pescoço, cabeça quadrada e cabelo escovinha, como imortalizado por Boris Karloff. Bom, eu era bem jovem, vai. E o pior, era o sujeito falando, trocando ideia e toda aquela cretinice dele aprender a ler e falar com sua afeição por uma família camponesa. Cadê os grunhidos? Bom, isso era ignorância de quem apenas muitos anos depois teve a chance de ler o romance de Mary Shelley. Que por sinal, é uma porcaria, vai? Muito dos mal escritos, raso, sem profundidade. Certeza que ela perdeu a aposta feita entre ela, Stoker e Lorde Byron, em uma noite de tempestade, de quem criaria a história mais assustadora e tudo mais. Aí foi que eu percebi que havia sido injusto com essa pretensa adaptação fiel ao livro, pois isso de fato, ele é. O monstro realmente se envolveu com aquela família de camponeses, aprendeu a ler, a escrever, orquestrou uma vingança contra o Dr. Victor Frankenstein (papel de Branagh) que levara os dois aos confins gélidos do mundo. Também só mais tarde eu percebi o quanto A Noiva de Frankenstein é também mais próximo ao texto do que o original de 1931 de James Whale. Mas ainda assim, Frankenstein de Mary Shelley não me desce. E mais uma vez, é por conta da pompa, dos movimentos meticulosamente calculados que o afastam do cerne do cinema de terror para torná-lo um novelão, uma superprodução, um desbunde visual superficial, com grandes atores, grandes efeitos especiais, grandes orçamentos, para serem pretensos blockbusters e arrecadar milhões em bilheterias (tal qual a adaptação “literal” do Drácula de Coppola, que por sinal, é produtor deste aqui) enquanto o gênero cru e autêntico definhava em lançamentos de qualidade duvidosa, despejados diretos nas prateleiras das vídelocadoras. O cinema de terror sempre foi marginal, e Frankenstein de Mary Shelley é a antítese disso. Foi feito para levar a namorada incauta se maravilhar com a paixão e o romance entre Frankenstein e Elizabeth (Helen Bonham Carter pré-Tim Burton), com o figurino maravilhoso, os cenários majestosos, os efeitos especiais de última linha (na época), se impressionar com a atuação do De Niro com suas cicatrizes e boca torta pedindo uma companheira para aplacar sua solidão (que não evoca na real nem um pingo da dó que sentimos da incompreensão da criatura eternizada por Karloff há sessenta anos, mesmo que só com seus grunhidos). Ou seja, não dá para gostar. Ponto. E se você gosta, é pelos motivos errados. É pela estética e por ser um drama de época, e não por ser a transposição de um dos maiores clássicos da literatura gótica de todos os tempos, influentíssimo, o que nesse quesito, ele acerta. Mas não é o suficiente, porque querendo ou não, o livro é fraco, e resvala nas telas em um drama vitoriano, com um cientista louco que não convence nem um pouco, sem um pingo de horror. Tenta ser sujo, mas é asséptico. Deveria ser feio, mas quer ser belo, poético, soando patético ao contrário. Claro, eu não peço por um sujeito verde, todo quadradão com seus braços estendidos, casaco sujo, botas pesadas de construtor, como em Frankenstein da Universal. E nem a versão mais deformada que Christopher Lee viveu em A Maldição de Frankenstein da Hammer no final dos anos 50. A transposição do texto para as telas é crível, é real, De Niro dá conta do recado, mas Frankenstein de Mary Shelley é feito por pessoas erradas com intenções erradas. O bufante Kenneth Branagh entende de Shakespeare, mas não de um monstro clássico do cinema de terror (ou um Deus nórdico do trovão, falei aqui). Nitidamente queria-se fazer outro sucesso e jogar ao grande público o que fora feito emDrácula de Bram Stoker. Mas falta sombra, falta maldade, falta cadáveres sendo profanados de cemitérios e destroçados em prol de uma experiência terrível na tentativa de se ofender Deus e criar vida. Resumindo, falta o terror…
FONTE: https://101horrormovies.com/2015/04/24/648-frankenstein-de-mary-shelley-1994/

#647 1994 ENTREVISTA COM O VAMPIRO (Interview With the Vampire, EUA)


Direção: Neil Jordan
Roteiro: Anne Rice (baseado em seu livro)
Produção: David Geffen, Stephen Wooley; Redmond Morris (Coprodutor)
Elenco: Brad Pitt, Christian Slater, Tom Cruise, Kirsten Dunst, Antonio Banderas, Stephen Rea

Para começo de conversa, eu nunca li o livro da Anne Rice. Falando a real, eu nunca li nenhum livro da Anne Rice (estou cometendo alguma falha por isso, fã do horror?). Então exclusivamente irei falar apenas dos aspectos cinematográficos de Entrevista com o Vampiro, que acho uma grandessíssima porcaria (ai, ai, outro post que acho que vou tomar paulada…). Ah convenhamos, BRAD PITT e TOM CRUISE de vampiros? Qualé! São dois vampiros tão ruins quanto o Edward Cullen de Robert Pattinson. E caramba, é o mesmo preceito que estamos falando aqui: Louis e Lestat eram os vampirinhos sucesso entre as adolescentes da época graças aos atores que lhe deram vida nas telonas. Eu sempre detestei o papel dos dois. Até pensava que era ranço, quando assisti novamente para essa resenha, e de fato, os dois estão simplesmente péssimos DE VERDADE e não convencem em nenhum momento. E Pitt (que é mais ator que Cruise, na minha opinião) consegue ser ainda pior que seu companheiro de atuação. Aquela cara de bunda tatuda em seu rosto durante todo o filme, dá vontade de lhe dar um tapa de costas de mão. Na verdade eu acho Entrevista com o Vampiro uma cafonalha só. Desde o figurino frufru, passando pela maquiagem (salvo a versão putrefata de Lestat, essa é incrível) até sua decoração. Parece que tudo dá errado nesse filme. E como se não bastasse, ainda tem a insuportável Claudia de Kristen Dunst (se ela é uma atrizinha chinfirm hoje em dia – ranço da Mary Jane feelings – imagine com 12 anos de idade fazendo papel de uma menina birrenta?). Mas você pensa que para por aí? Não, ainda tem um insosso Antonio Banderas caricato ao máximo vivendo o vampiro Armand aparecendo lá pelas tantas e voilá, temos aí a receita final do porquê esse filme não me desce. Eu vi Entrevista com o Vampiro pela primeira vez em VHS quando meu primo havia alugado (ele sim era um fã fervoroso de Anne Rice, tinha a coleção completa de seus livros) e eu ainda era bastante jovem lá em meados dos anos 90, mas sabe quando o filme não te desce desde a primeira vez? E por mais que você tenha mais de discernimento sobre filmes hoje em dia (e depois de assistir mais de seiscentos deles em quase três anos) parece que aquela primeira impressão foi a que ficou definitivamente. Mas aí é que está, existe um séquito de pessoas que gostam do filme e outras que compartilham minha opinião (pelo menos já tive oportunidade de discutir isso com umas duas ou três), então acho que pode render de forma bacana os comentários aí embaixo. E a influência desse longa foi tão negativa em mim, que nunca tive a mínima vontade de ler As Crônicas Vampirescas e nada mais que Anne Rice escrevesse. O nome do filme vem a calhar pelo fato de Louis (que poderia ter sido John Malcovich, olhe que melhor seria) resolver quebrar o silêncio sobre sua história de como se tornou uma criatura das trevas, dando uma entrevista para o jornalista Daniel Malloy (Christian Slater). Em sua crônica, conta como era um senhor de engenho na Nova Orlenas do Século XVII, a após entrar em depressão pela morte de esposa e filho, é beijado por Lestat (que poderia ter sido Jeremy Irons, olhe que melhor seria) que o transforma em um vampiro. Mas Louis fica cheio de frescurinha e não quer matar ninguém, prefere beber o sangue de animais, mimimi, enquanto Lestat, que é maligno, vai ficando putinho com sua cria. Um belo dia, Louis não resiste à boquinha e acaba por morder a jovem Claudia (que poderia ter sido Christina Ricci, olhe que melhor seria), com seus tenros cinco anos de idade (mas Dunst tinha 12, vá lá). Lestat acaba transformando-a e um grande elo afetivo se inicia entre Louis e Claudia. Mas o vampiro tá de saco cheio do chororô e das crises existenciais dos dois, um que vive se lamentando que é vampiro e quer ser “bonzinho” e a outra que vive enfezadinha por ser uma criança para sempre, e passa a afastar e repudiá-los, até que a infante resolve se vingar e prepara uma armadilha para Lestat, que culminará em seu “assassinato”. Os dois partem para Paris, onde conhecem o igualmente sacal Armand, que tem um teatro de vampiros na Cidade Luz, em busca de respostas, por talvez ser o mais velho vampiro vivo. Mas o grupo liderado por ele assassina Claudia (amém!) e uma outra carniçal recém transformada em vampira (em uma cena muito bacana, tenho que confessar) e finalmente Louis vira macho e parte para vingança. Depois volta para a América, fica vagando por séculos até resolver botar a boca no trombone e contar sua história para a imprensa. É de conhecimento público e notório o quanto Brad Pitt detestou participar das filmagens de Entrevista com o Vampiro. Até em entrevista recente para a Entertainment Weekly meteu o pau na produção, dizia o quanto estava infeliz e deprimido enquanto filmava, reclamou de como era difícil atuar naquelas vestimentas, lentes de contato, maquiagem. Dizia fazer o papel de “uma prostituta” (o que é fato, ele era a putinha do Lestat, algo nem um pouco explorado no filme). Ele até tentou pular fora, e ligou para David Geffen, perguntando quanto custaria para ele abandonar o barco e o produtor respondeu calmamente: 40 milhões de doletas. Então deve se explicar a má vontade e a cara de c... de Pitt durante toda a metragem do filme. Enfim, como dizem por aí, gosto é que nem braço. Tem gente que não tem. Eu simplesmente detesto Entrevista com o Vampiro, acho um aborto da natureza fílmico vampiresco em diversos sentidos da coisa, mas o principal mesmo é a dupla de protagonistas e sua total falta de química, e me dou ao direito de compartilhar minha indignação com essa obra no meu blog pessoal sobre filmes de terror. Tem a cara da presunção e da cafonice dos filmes dos anos 90, na época de um arroubo de “superproduções” mequetrefes aspirantes a oscarizadas com estrelas de Hollywood sobre vampiros, lobisomens, Drácula e Frankenstein.
FONTE: https://101horrormovies.com/2015/04/23/647-entrevista-com-o-vampiro-1994/

#646 1994 A DANÇA DA MORTE (The Stand, EUA)


Direção: Mick Garris
Roteiro: Stephen King (Baseado em seu livro)
Produção: Mitchell Galin; Michael Gornick (Produtor Associado); Peter R. McIntosh (Supervisor de Produção); Stephen King, Richard P. Rubinstein (Produtor Executivo)
Elenco: Gary Sinise, Molly Ringwald, Jamey Sheridan, Laura San Giacomo, Ruby Dee, Ossie Davis, Miguel Ferrer, Rob Lowe, Ed Harris

Olhe, precisa-se de um saco do tamanho do Maracanã para aguentar assistir as SEIS HORAS insuportáveis de A Dança da Morte. E por favor, Stephen King bitchies, não há argumento plausível contra minha opinião! Ou estou errado e a minissérie é agradabilíssima de se ver e algo sensacional? Bom, vamos lá que sei que talvez eu tome pau de um monte de gente aqui no post por causa disso, mas qual é? Por mais que os defensores digam: ah, mas a adaptação é fiel ao livro (que por sinal é considerado um dos melhores da carreira do escritor do Maine), eu preferia mil vezes algo que não tentasse ser ipsis literis e que vai, tivesse no máximo umas três horas, mesmo com suas infinidades de personagens, locais e situações (ô King, entende aí que audiovisual é audiovisual e literatura é literatura, duas mídias completamente diferentes) porque ficar na frente da tevê vendo seis horas disso aqui é uma tarefa hercúlea. E convenhamos, dava para ter jogado no mínimo umas duas horas na lata do lixo da sala da edição, fácil. A grande sacada do livro, é que mais uma vez King mostra aquilo que faz de melhor, que é colocar pessoas comum em situações escabrosas, e em suas mais de mil e cem páginas vai costurando os dramas pessoais daqueles poucos sobreviventes de um poderoso vírus criado em um laboratório de um complexo militar, que praticamente dizima toda a população do planeta. Mas obviamente isso não funciona na minissérie exibida na ABC. E explico o porquê: Primeiro de tudo vamos colocar na conta de Mick Garris, que sempre foi um diretor série B e nunca nem em seus melhore dias conseguiria tirar o melhor de seu ofício e muito menos de seus atores, ainda mais em uma empreitada tão megalomaníaca e ousada como a adaptação de A Dança da Morte. E ah, falando em atores, é uma constelação de gente ruim ocupando os papeis principais, passando pelo inexpressivo Gary Sinise, que vive o herói Stu Redman, seu par romântico, a sonsa Frannie Goldsmith (a musa dos filmes teens de John Hughes dos anos 80, Molly Ringwald), até chegar a um péssimo Jamey Sheridan como o vilão Randall Flagg. Nem vou falar de uma personagem chave, a vira-casaca duas vezes, Nadine Cross de Laura San Giacomo que nem vale a pena de tão péssimo que a moça atua. Tirando tudo isso, como se não fosse o bastante, apesar do esforço da produção e de seus números nababescos (460 páginas de roteiro, gravações em seis estados, 100 dias de filmagens, 125 papeis com falas, 225 sets de filmagens construídos, e por aí vai) a cara de “made for TV” é gritante demais, e o uso dos efeitos especiais acaba mais atrapalhando do que ajudando no final das contas (e gente, o que é aquele confronto final – apressadíssimo, diga-se de passagem – em Las Vegas contra Flagg e a aparição da “mão de Deus”?). E para finalizar, o excesso de momentos dramáticos desnecessário (com atores ruins que potencializa a coisa para pior), excesso de melodrama com suas trilhas sonoras piegas e pregação evangélica exagerada ajudam a fazer com que A Dança da Morte seja um exercício de paciência e obstinação para os bravos. E sabe o que dá mais pena? Que a história é simplesmente fantástica! Nesse ambiente pós-apocalíptico depois da hecatombe causada pelo super vírus, um grupo de sobreviventes é atraído por um sonho em comum ao encontro da Mãe Abigail Freemantle (Ruby Dee) uma velha senhorinha negra que vive em um milharal, que guiará “seu povo” para o Colorado, onde irão instituir uma região chamada “Zona Livre”, governada por um conselho, tentando restaurar as engrenagens do mundo. Do outro lado das Montanhas Rochosas, em Las Vegas, Flagg (que se tornaria um vilão recorrente de histórias de King, principalmente na série A Torre Negra) reúne um bando só com os maus elementos, governando com sua tirania bélica, cujo mote principal de é o poder totalitário, que deseja acabar com o outro grupo, que constitui uma constante ameaça contra seus planos de dominação. Há espaço então para mensagens religiosas transbordando aos borbotões, esperança, fé, opressão, traições, maldade, mortes e a luta de algumas pessoas contra o seu trágico destino em começar tudo do zero. Esse é o ponto central de A Dança da Morte, que seria qual a reação de cada indivíduo, como se portaria a humanidade, as tomada de decisões, as relações humanas e seus sentimentos, do altruísmo ao egoísmo, de convivência pacífica ou busca por poder, que acabam sobrepujando qualquer elemento sobrenatural, de forma acertada. Mas configurada essa luta, o que atrapalha demais seu desenrolar é King e Garris constantemente jogarem o velho maniqueísmo clichê desgastado da dualidade infinita da luta contra o bem e o mal na nossa cara a todo instante, em um exacerbado tom carola afetadíssimo. Por muito tempo foi desejo de ninguém menos que George A. Romero levar A Dança da Morte para as telonas. King fez dezenas de rascunhos do roteiro para tentar encaixá-lo em um longa metragem (o que aparentemente seria impossível), mas não conseguiu chegar a um denominador comum, a não ser que quebrasse o filme em duas partes. Mas antes disso se tornar viável, foi oferecida pela ABC a chance de transformar o livro em uma minissérie para a televisão, o escritor abocanhou e como bem sabemos, o resto é (longa) história. Porém, já deve ser de conhecimento geral do fã do horror que a Warner Bros. fará uma nova adaptação de A Dança da Morte, dessa vez para os cinemas. O diretor será Josh Boone (de A Culpa é das Estrelas, oi?) mas ainda não se sabe muito sobre os detalhes de produção (falam-se de dois a QUATRO filmes) e já foi até especulado que Matthew McConaughey faria o papel de Randall Flagg. Se isso de fato acontecesse, aí sim eu veria vantagem, para nos ajudar a esquecer de vez o sofrível Jamey Sheridan com seus mullets e jaqueta jeans (sem contar as toscas transformações em Coisa-Ruim).

FONTE: https://101horrormovies.com/2015/04/22/646-a-danca-da-morte-1994/

#644 1993 A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS 3 (Return of the Living Dead III, EUA, Japão)


Direção: Brian Yuzna
Roteiro: John Penney
Produção: Gary Schmoeller, Brian Yuzna; Andrew Hersh (Coprodutor); John Penney (Produtor Associado); Roger Burlage (Produtor Executivo)
Elenco: Kent McCord, James T. Callahan, Sarah Douglas, Melinda Clarke, J. Trevor Edmond

Todo mundo deve saber que A Volta dos Mortos-Vivos é um dos maiores clássicos do gênero zumbi. Com seus cadáveres ambulantes devoradores de mioooooolos e sua mistura na medida de terror com comédia, o filme de Dan O’Bannon acabou fazendo um baita sucesso e ganhou uma sequência depois de três anos, A Volta dos Mortos-Vivos 2 – Parte 2 recauchutando cenas do original, volta de atores e seguindo a mesma pegada, ainda mais escrachada. Já a terceira parte, da até então uma trilogia, chegou só na década de 90 e é um filme completamente diferente dos dois, traçando um caminho independente, deixando de lado os chistes e apostando muito mais no terror, na violência gráfica e no sadomasoquismo. Esse é A Volta dos Mortos-Vivos 3 dirigida por Brian Yuzna, conhecido por produzir Re-Animator – A Hora dos Mortos-Vivos (e dirigir a continuação, A Noiva de Re-Animator) e Do Além, baseado na obra de H.P. Lovecraft e diretor do sensacional A Sociedade dos Amigos do Diabo e Necronomicon – O Livro Proibido dos Mortos. Na verdade a única ligação com os dois filmes anteriores é a presença militar e o famoso gás trioxina, responsável por trazer os mortos de volta à vida. Em uma base secreta militar, o Coronel John Reynolds (Kent McCord) faz parte de um time que conduz experiências com a substância química a fim de criar verdadeiras armas, hã, mortas-vivas. Seu filho, o adolescente rebelde, roqueiro grunge (hey, estamos nos 90’s lembra?) Curt (J. Trevor Edmond) e sua namoradinha, a ruivinha Julie (Melinda Clarke), que vive instigando o garotão, certa noite invadem o complexo para xeretar e descobrem a atrocidade ali feita. Como o experimento deu miseravelmente errado, o Cel. Reynolds é afastado e precisa se mudar para outra base com filho. O revoltadinho brigado com o pai, pega sua moto e resolve fugir com a garota, que acaba morrendo em um acidente (em uma cena das mais forçadíssimas). Pois bem, qual a ideia de gênio de Curt? Invadir a base novamente e ressuscitá-la com a trioxina, óbvio! E o resultado não podia ser mais desastroso, afinal ela vai se transformar em um zumbi devorador de carne humana. Mas ainda assim ela tenta lutar contra essa fome implacável, tentando manter o mínimo de humanidade, infligindo dor a si mesma para que o frenesi incontrolável da fome se acalme. Para isso, ela começa a se perfurar com pregos, cacos de vidro, correntes e parafusos em uma bizarríssima (e aflitiva) sessão de autoflagelação, transformando-se em uma zumbi adepta do body modification. A primeira do cinema! Enquanto isso, a moça vai deixando um rastro de sangue, cérebros e tripas pelo caminho (o contagem de cadáveres é de 17), e espalhando a infecção. Após ser capturada pelo exército, junto dos demais zumbis, como sofrimento pouco é bobagem, eles serão submetidos a experiências ainda piores e degradantes, a fim de transformá-los em armas militares. Ponto também para os efeitos especiais de maquiagem, que preza pelo gore e por nojeiras diversas que agradam os fãs. Isso é um trunfo da fita, e se afastar dos demais A Volta dos Mortos-Vivos foi uma decisão acertada, pelo menos criativamente falando, pois seria muito fácil e repetitivo continuar na mesma fórmula (em certo momento da pré-produção, papeis foram oferecidos por James Karen e Don Calfa, aqueles dois que sempre fizeram dupla de panacas nos anteriores, porém declinaram). Mas o filme não fez muito sucesso comercial, e o próprio Yuzna se arrependeu de ter mantido esse título, que acredita ser muito longo, e sua sugestão original era um romântico “Kurt e Julie”, e até “Mortal Zombie”, como chamado em algumas praças da Europa, era uma melhor opção, como diz nos próprio comentários do DVD. Acho até aceitável essa terceira parte, nada brilhante, mas louvável pela ousadia e da reação e conversas com coleguinhas de classe do ensino fundamental na segunda-feira (parecia que toda a molecada tinha assistido), e como todos haviam ficado chocados com a cenas da automutilação da garota. Tudo um bando de noobies. Uma curiosidade nessa minha pesquisa para esse post de A Volta dos Mortos-Vivos 3 é que ele é uma produção nipo-americana. Não faz sentido né? Então descubro que a coprodutora japonesa é a Bandai Visual Company. Só faltava ter uma coleção de bonecos do filme como dos Cavaleiros do Zodíaco.
FONTE: https://101horrormovies.com/2015/04/16/644-a-volta-dos-mortos-vivos-3-1993/