Direção: Peter
Medak
Roteiro: William
Gray e Diana Maddox, Russell Hunter (história)
Produção: Garth
H. Drabinsky, Joel B. Michaels, Mario Kassar e Andrew G. Vajna (Produtores
Executivos)
Elenco: George C. Scott, Trish Van Devere, Melvyn Douglas, Jean
Marsh, John Colicos
Ah, o Brasil e seus
títulos maravilhosos! Mesmo que depois tenha recebido o nome de A Troca quando
lançado em DVD, ao chegar aos cinemas, esse excelente suspense sobrenatural do
diretor Peter Medak e magistralmente elencado por George C. Scott, recebeu o
infame nome de Intermediário do
Diabo.
O título não condiz em nada com a realidade (o Diabo, coitado, nem dá as caras
por aqui, e nunca imaginei o Tinhoso tendo um intermediário, enfim…), mas foi
obviamente pensado em capitalizar na onda dos filmes que traziam a temática do
Coisa-Ruim na década passada, como O Exorcista e A Profecia. Na verdade, Intermediário do
Diabo é daquele típico filme de fantasma vingativo, que leva uma pessoa
que se muda para um casarão assombrado a entrar em uma profunda investigação,
conduzida por manifestações sobrenaturais do espírito que ali não descansa, e
descobrir a causa de seu assassinato. Essa pessoa no caso é o personagem de
Scott, o pianista John Russell, que após sua esposa e filha morrerem em um
trágico acidente de carro, muda-se para um casarão pertencente à Sociedade
Histórica de Seattle, doado pelo poderoso senador Joe Carmichael (Melvyn
Douglas). Lá, ele pretende recomeçar a vida em frangalhos por conta da perda,
dando aulas na Universidade local, porém, logo ao se mudar, o bater de portas,
ruídos ritmados e sons estranhos típicos de uma casa mal assombrada começam a
atormentar ainda mais Russell, que descobre um sótão trancado nos andares
superiores do casarão e lá conhecerá as pistas com as quais montará seu quebra
cabeças. Ao descobrir uma cadeira de rodas infantil e uma caixa de música,
Russell, com a ajuda de Claire Norman (Trish Van Devere – esposa de Scott na
época), começa a revirar os arquivos do local, antiga morada dos Carmichael,
para tentar descobrir alguma pista sobre a presença, quando ao realizar uma
sinistra sessão espírita (um dos pontos altos do filme), realiza que um
garotinho de nome Joseph, detentor de paralisia, foi afogado pelo próprio pai
na banheira em seu quarto (onde é o atual sótão). Este será o estopim para uma
intrincada conspiração política, já que Eugene Carmichael, pai do atual
senador, matara o próprio filho inválido para garantir sua participação no
poderoso império dos Carmichael e ter direito sobre a fortuna futura de sua
família. Após a morte de Joseph, o nefasto Eugene trocou seu filho por um
sósia, enviou-o para a Europa onde anos mais tarde milagrosamente se curou da
paralisia, e desde então, o proeminente Senador vem passando-se por outro e
tornando-se uma das pessoas mais poderosas dos EUA, como se nada tivesse
acontecido. Cabe a Russell tentar aplacar a ira do espírito do pequeno Jospeph
original, brutalmente assassinado e de alguma forma buscar por justiça,
enquanto ainda é assolado pela tragédia (explorada pelo fantasma para
aproximá-lo psiquicamente) da perda recente de seus familiares. E claro, que o
espírito não medirá esforços em assombrar a casa e utilizar até de modos
traiçoeiros para garantir a ajuda de Russell, como, por exemplo, usando uma
pequena bola branca e vermelha pertencente à filha morta do pianista para
chamar sua atenção. Baita sacanagem. O filme é todo de Scott, mostrando mais
uma vez porque ele é um PUTA ator. Com personagens secundários completamente
descartáveis (exceto a breve e também excelente participação de Melvyn Douglas
– que faz aqui seu penúltimo filme, seguido por outro
fantasmagórico thriller, História de Fantasmas, lançado no ano seguinte),
o ator leva o filme inteiro nas costas, em uma interpretação ora sofrida e
comedida, hora explosiva em busca de respostas. A atmosfera sobrenatural também
é muito bem construída, principalmente quando se desenvolve dentro do casarão
gótico vitoriano (construído em estúdio) e serviu facilmente como referência
para diversas obras do gênero vindouras e tornado-se um verdadeiro clássico.
Alejandro Amenábar, diretor de Os Outros, mesmo já disse
que Intermediário do Diabo é uma de suas maiores inspirações, além da
fita estar presente na famosa lista dos filmes de terror preferidos de ninguém
menos que Martin Scorcese. Interessante é que a história do filme é baseada em
fatos reais, em uma “casa mal assombrada de verdade” conhecida como Henry Treat
Rogers Mansion, localizada em Denver, no Colorado, próximo ao Chessman Park.
Foi lá que o escritor Russel Hunter morou durante os anos 60 e presenciou
vários fenômenos paranormais. Os roteiristas Adrian Morrall e William Gray
gastaram seis meses fazendo pesquisas em artigos de jornais, encontros com
parapsicólogos, lendo mais de 700 livros e vários estudos de casos de histórias
que envolvem fantasmas para complementar o roteiro. Outro detalhe bacana é que
o nome original, “The Changeling”, remete a uma lenda do folclore europeu de
uma criatura que era secretamente deixada no lugar das crianças que eram
roubadas durante à noite. Intermediário do Diabo, ou A Troca (não confundir com
o filme de Clint Eastwood com a Angelina Jolie) é um daqueles clássicos eternos
do cinema de terror, e presente em qualquer lista dos melhores filmes de cunho
sobrenatural ou de casas mal assombradas. Climático, é uma produção típica do
final dos anos 70 que assusta para valer, completamente calcado no terror
psicológico, algo bem raro no gênero nos dias de hoje.
FONTE: http://101horrormovies.com/2014/04/09/410-intermediario-do-diabo-1980/
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